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Scope and Extent

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Descrição

A reportagem sobre o acesso das brasileiras ao exame Papanicolau tem abordagem interpretativa/analítica, pois a matéria ilustra com casos e contextualiza os números da pesquisa. Nessa matéria há fontes especialista e testemunhal. A origem da pesquisa é nacional, realizada em todas as regiões do país, por um instituto público de pesquisa (IBGE). O cientista, que aparece na matéria no local de trabalho (consultório), ocupa posição discursiva secundária em relação à outra fonte. O discurso do cientista corrobora o discurso do jornalista e também da outra fonte. A Ciência é o assunto principal, apresentada de maneira contextualizada. São usados os recursos de definição, analogia e exemplificação. A linguagem predominante é clara e simplificada. O ambiente colabora para a apreensão do conteúdo. A Ciência é incorporada aos ambientes social e de recepção, mas é desarticulada do ambiente de produção. As imagens auxiliam na compreensão do conteúdo científico da matéria, entretanto, não há demonstração do processo científico envolvido. A reportagem não conta com nenhum elemento ilustrativo.

Análise

Esta reportagem trata de uma pesquisa do IBGE sobre o número de brasileiras que realizam o exame preventivo de câncer de útero (Papanicolau). No entanto, os números do IBGE apenas ilustram o foco principal da matéria: a importância de as mulheres realizarem o exame Papanicolau, para detecção do câncer de colo de útero.

A abertura anuncia a pesquisa do IBGE, apresenta o resultado dessa e insere o gancho da matéria: a importância do exame (“Vamos falar de saúde. O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou, nesta semana, uma pesquisa que procurou traçar um raio X da saúde da população brasileira. No caso das mulheres, a pesquisa constatou que uma em cada 5 mulheres brasileiras com mais de 24 anos nunca fez o Papanicolau. Este exame é feito para prevenir o câncer de colo de útero. Uma doença que se for diagnosticada no início tem cem por cento de possibilidade de cura”). No discurso, a apresentadora põe em cena um suposto diálogo com o telespectador. Com a expressão “vamos falar de saúde”, além da função metalingüística, evidencia-se a função fática, de cativar a atenção do público supondo que ele está sendo convidado para uma conversa, um diálogo.

Em seguida, a repórter, que não aparece na tela nenhuma vez na matéria, pergunta para mulheres na rua quando foi a última vez que fizeram o exame; as respostas foram variadas. O discurso da repórter tem tom educativo e de incentivo à realização do exame. Para isso, a repórter, sem o auxílio de ilustrações e só com imagens de mulheres na rua, na multidão – define o exame e informa qual a sua importância (“O Papanicolau é o principal exame preventivo contra o câncer de colo de útero. A doença atinge 20 em cada 100 mil mulheres brasileiras e mata pelo menos um quarto delas por ano”). O tom da matéria é o da prevenção: as mulheres devem se prevenir do câncer de colo de útero (que mata muitas mulheres todos os anos) realizando o exame Papanicolau.

A fonte especialista corrobora o discurso da repórter ao recomendar a realização do exame. Diz a especialista: “O Papanicolau é indicado uma vez por ano e a colposcopia se houver uma alteração do Papanicolau”. Em seguida, a repórter pergunta: “A partir de que idade as mulheres devem se preocupar com esses exames?”. A fonte especialista responde: “A partir do início da atividade sexual, principalmente entre 25 e 60 anos”. O outro exame recomendado pela especialista (colposcopia) não é explicado.

Observa-se uma sobreposição do caráter educativo da matéria ao caráter de divulgação dos dados da pesquisa. A reportagem tem como “gancho” os dados do IBGE sobre acesso de mulheres a exames médicos ginecológicos, suplantado pelo assunto de educação em saúde, de conscientização das mulheres a buscarem atendimento médico. Ocorre, com isso, um silenciamento das razões que justificam, explicam e fundamental os números da pesquisa, ou seja, o dito incorpora o não-dito (ORLANDI, 2002) do discurso: ao mudar o foco da matéria, esta deixa de informar, e por isso oculta, aspectos levantados pela própria pesquisa. A matéria contribui, sim, para a compreensão do público quanto à importância do exame, mas, por outro lado, trata muito pouco tanto da metodologia da pesquisa quanto dos aspectos sociais, econômicos e culturais que explicam os resultados do estudo.

Como o tom da matéria é de prevenção, o discurso da repórter volta-se para os benefícios de se realizar o exame, como a detecção precoce da doença. Diz ela: “Se a doença for diagnosticada no início, a chance de cura é de cem por cento”. O resultado da pesquisa, já informado na abertura, é repetido pela repórter. Diz ela: “Mesmo assim, de acordo com o IBGE, pelo menos uma em cada cinco mulheres brasileiras com mais de 24 anos nunca fez o Papanicolau”.

Em seguida, a repórter insere a fonte testemunhal, uma mulher que não realiza o exame há oito anos mas que sabe da importância e que recomenda às filhas que o façam. O discurso da fonte testemunhal não é empregado para ilustrar como um exemplo a não ser seguido, mas para conscientizar as mulheres a procurarem o médico. Fica subentendido que não basta saber da importância do exame (como a fonte testemunhal sabe), é preciso realizá- lo periodicamente.

A fonte especialista expõe os sintomas do câncer de colo de útero (“Se ela não fez exame nenhum e aí o câncer já tem sintomas são: sangramento e dor”). A matéria é concluída com o discurso da fonte especialista, que reforça a importância e recomenda a realização do exame pelas mulheres (“Do estágio inicial ao aparecimento de sintomas são cerca de 15 anos, então é tempo suficiente para se fazer o diagnóstico”).

4.2) Análise Quantitativa: Conclusões Parciais – 2005

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