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Floating-Point Numbers

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Data Types

2.1.3. Floating-Point Numbers

Descrição

A reportagem sobre a ocorrência de tornado em Indaiatuba (SP) tem abordagem interpretativa/analítica, em que se busca a explicação científica para o fenômeno. Há apenas fonte especialista nesta matéria. A origem da pesquisa é nacional, realizada por um instituto público de pesquisa da região Sudeste (Estado de São Paulo). O cientista fala do laboratório e ocupa posição principal na matéria. O discurso do cientista corrobora o discurso da repórter. A Ciência não é o assunto principal da matéria. A linguagem predominante é clara, mas complexa, porque alguns termos específicos da linguagem técnico-científica não são explicados. O ambiente não exerce influência importante sobre a apreensão do conteúdo nesta reportagem. A Ciência é incorporada ao ambiente natural. Há mapas na matéria como elementos ilustrativos que auxiliam na compreensão do conteúdo científico.

Análise

A ocorrência de tornados no Brasil é o foco desta reportagem. A atualidade do assunto justifica-se pela devastação que o fenômeno ocasionou na cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Nota-se, nesta matéria, que os discursos do apresentador e da repórter da Previsão

do Tempo, no estúdio, tentam reproduzir um suposto diálogo entre o telespectador (representado pelo apresentador) e a jornalista com conhecimento no assunto.

O apresentador ocupa a posição discursiva do telespectador leigo no assunto. Ele joga com a idéia de fazer parte do grupo de telespectadores. Para Za mboni (2001, p. 113) o tom de “deslumbramento, espanto, surpresa” sobre o que se está anunciando, em divulgação científica, suscita no público o convite para experimentar as mesmas emoções de deslumbramento vivenciadas pelo enunciador ao tomar conhecimento do tópico científico em questão.

O apresentador se posiciona como um telespectador, mas com poder de dialogar diretamente com a jornalista. Isso pode ser comprovado por seu enunciado inicial (“Vamos ver se a gente entende. Eu vou conversar agora com Mariana Ferrão”). O apresentador admite que tanto ele quanto os telespectadores não entendem do assunto e é a jornalista especializada no assunto quem irá esclarecer. Com a expressão “vamos ver se a gente entende”, pressupõe que tanto ele quanto seus telespectadores não sabem do assunto e que tentarão entender. Ele lança como que um desafio ao público e a ele mesmo.

Ao tratar do discurso da divulgação científica, Authier-Revuz (1999) avalia que as formas pelas quais um discurso coloca um exterior a si mesmo e, por conseguinte, delimita um interior, permite o acesso à imagem que um discurso constrói de si mesmo. “Concretamente, é especificar do qual (is) outro (s) um discurso escolheu distanciar-se, dando- lhe (s) lugar, mostrado, em si mesmo; e sobre que modo funciona a relação a este (s) outro (s) mostrado (s)”. É possível observar que o discurso do apresentador coloca, no discurso da divulgação científica de que faz parte, a Ciência como algo que não é de conhecimento do público telespectador, distante, a ser desvendado com a ajuda da repórter: trata-se de um exterior ao apresentador e ao público (porque não é conhecido por estes), ressaltado pela expressão “vamos ver se a gente entende”.

Em seguida, o apresentador questiona a repórter. Não é o cientista o entrevistado, mas a jornalista, que ocupa o papel discursivo de jornalista-especialista. O discurso do apresentador joga com o casuísmo das datas coincidentes entre um ano e outro de ocorrência do tornado. (Apresentador: “Mariana, foi o segundo ano consecutivo em que nós tivemos tornados no interior paulista. Ano passado no dia 24 e neste ano no dia 24 de maio. É um pouco demais para ser apenas coincidência, não é? Será que o Brasil entrou na rota internacional dos tornados?”).

A partir dessa observação, a repórter afirma que não há consenso entre os cientistas de que as explicações científicas para o problema ainda não podem ser dadas. Diz ela: “Isso é exatamente o que se perguntam neste momento os cientistas de todo Brasil e também dos Estados Unidos. Eu conversei hoje com o professor Ernani Nascimento, da Universidade Federal do Paraná. Ele disse que trocou e- mails com pesquisadores do principal centro de monitoramento de tempestades nos Estados Unidos e eles, mesmo acostumados com a temporada de tornados, se surpreenderam com as imagens do interior de São Paulo. O que mais impressionou os cientistas foram os minitornados ao redor do grande funil que devastou Indaiatuba”.

A repórter-especialista também se insere no grupo dos pesquisadores (do Brasil e do exterior) que estão surpresos com o fato. Ela participa do jogo dialógico com um cientista, que, por sua vez, dialoga com outros cientistas. A repórter-especialista faz parte da comunidade científica

a partir de seu discurso, é a porta-voz dos cientistas nesta matéria. Ela dialoga com cientistas e informa, para o apresentador e para o telespectador, a posição da comunidade científica, com a qual ela se identifica (a partir da linguagem que usa e do papel discursivo que ocupa na matéria).

Depois disso, a jornalista-especialista transmite algumas informações técnicas, mas claras, que ela obteve do cientista brasileiro que, por sua vez, obteve dos cientistas, de forma genérica, dos Estados Unidos, em discurso indireto. Diz ela: “Segundo eles, os chamados vórtices múltiplos indicam que as rajadas de vento ultrapassaram 140 quilômetros por hora inicialmente calculados e podem ter chegado a 250, o que torna este o tornado mais intenso que até hoje atingiu o hemisfério sul”.

Em seguida, há a inserção do discurso de uma outra fonte especialista, dessa vez Osmar Pinto Jr., professor do Inpe, que também reflete o consenso de que ainda não há explicação para a ocorrência de tornados no Brasil. Diz ele: “Tivemos vinte mil raios no Estado de São Paulo num dia de maio. Uma situação recorde. Nunca foi observado. A grande questão é saber se essa situação extrema possa ser um indicativo de que essas condições possam se repetir nos próximos anos ou se essa tenha sido apenas uma situação marginal e que não venha se repetir”.

A jornalista-especialista faz, então, um balanço histórico dos tornados no país e suas conseqüências. Fica evidente a interdiscursividade no Jornalismo: uma matéria faz referência, insere, no seu discurso, parte do discurso de outra matéria (de outro discurso) já veiculada, a partir da contextualização histórica. Para isso, ela compara as características propícias do Brasil com os Estados Unidos (“A temporada de tornados no Brasil já tem mais de uma década. Nos anos 90, pelo menos seis atingiram o sul e o Sudeste do país. Em janeiro deste ano [2005], dois tornados destelharam casas em Criciúma, em Santa Catarina. Nenhum lugar do mundo está a salvo de tornados. Mas os moinhos de vento são mais freqüentes na região central dos Estados Unidos. E as condições atmosféricas no Brasil são semelhantes às do chamado vale dos tornados americano”).

Com a ajuda de mapas, em chroma key, a jornalista-especialista compara as condições atmosféricas dos Estados Unidos e do Brasil, com discurso didático. Ela se posiciona, na matéria, como conhecedora do assunto, já que seu discurso não é atribuído a nenhuma fonte especializada. Diz ela: “Lá, o ar quente e úmido do Golfo do México encontra-se com o ar seco e muito frio que vem do Canadá. E sob o Sul e o Sudeste brasileiros, massas de ar frio e seco, vindos da Argentina, encontram umidade e calor trazidos por ventos que sopram da Amazônia”.

Ainda no papel discursivo de apresentador-telespectador, Nascimento joga com a intimidade com o público, ao empregar no discurso com a jornalista-especialista o termo “nossos telespectadores”. Diz ele: “Bom, tudo o que eu posso desejar é que nenhum dos nossos telespectadores more bem ali naquele ponto que você mostrou Mariana. Ventos de 250 quilômetros por hora. Isso é uma barbaridade”. De acordo com Azevedo (2003, p. 84-85), o apresentador “estabelece um clima de conversação com o público usando um tom informal. Recursos técnicos como o ‘teleprompter’ permitem que o apresentador leia o texto na lente da câmera, dando a impressão de que está olhando para o telespectador”. Para Rezende (2000, p. 88), o apresentador pode falar diretamente para a pessoa que acompanha o telejornal, em casa, como se falasse de improviso, tal qual ocorre em uma relação interpessoal. Dessa maneira, segundo ele, fortalece-se a função fática da linguagem e o telejornalismo quebra a sensação de

unidirecionalidade na comunicação. Segundo o autor, o telespectador reage a esse tratamento pretensamente personalizado, agindo como um interlocutor de um diálogo.

Esse caráter intimista, protetor (porque preocupado com o bem-estar e a segurança do “seu público”), informal e de compartilhar com o público suas emoções, fica patente nas expressões faciais e no tom de voz, assim como no uso de expressões “tudo o que eu posso desejar” e “isso é uma barbaridade”. Esse discurso do apresentador atribui ao enunciado uma determinada força para manter a proximidade com o público. Nesse trecho do discurso do apresentador, nota-se a ênfase ao seu desejo de que os seus telespectadores estejam seguros. A resposta concordante da jornalista-especialista ainda joga com a posição discursiva do cientista. A jornalista-especialista confirma com o apresentador, inserindo uma nova informação técnica, sem contextualizá- la, o que a torna vazia, com pouca carga informativa. Diz ela: “É um tornado de categoria F2, Nascimento, uma tempestade muita intensa de fato”. Nesta matéria fica evidente a função fática da linguagem, apontada por Jakobson (1995). O apresentador procura manter a atenção do público e atraí- lo a partir do uso de expressões que fazem com que esse público se sinta acolhido, pertencente ao grupo (do qual o apresentador também faz parte) dos que não são especialistas no assunto e dos que se preocupam com o bem-estar uns dos outros (o discurso do apresentador cria o sentido de que se preocupa com o bem-estar de seu público).

De acordo com Temer (2003, p. 41) ao cumprir a função fática, “o discurso da TV se estabelece como um contato permanente entre o emissor e o receptor/telespectador. Soma-se a isso a recepção quase sempre doméstica dessa mensagem”. No caso desta matéria, a forma com que o público recebe a matéria também colabora para a sensação de pertencimento a determinado grupo e de familiaridade com o apresentador.

Telejornal: Jornal da Band

Matéria: Células-tronco para tratar trombose (CD-Rom 1, página 32)

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