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Sciencethe Endless Frontier

Dans le document the New Deal to the Present (Page 54-57)

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7.1 Sciencethe Endless Frontier

É possível estabelecer relações do idealismo objetivo de Peirce com os novos materialismos emergentes no movimento denominado realismo espe- culativo.

Dentre diversos autores do realismo especulativo como Graham Har- man, Quentin Meillassoux, Levy Bryant, Ray Brassier e Iain Hamilton Grant, o recorte desta etapa do artigo se voltará para um flash do pensamento dos autores Meillassoux, Harman e Bryant.

A discussão central gravita na rápida apresentação do que constitui essa diversidade de abordagens, sugere uma atitude filosófica comum pre-

sente nas mesmas e aponta como isso reflete em uma relação coerente com o pensamento de Peirce. Esse reflexo será explorado de modo um pouco mais abrangente do que a apresentação dos demais autores.

O realismo especulativo visa em seu cerne um retorno a Kant como caminho para o resgate de uma filosofia realista. De modo sintético, tal re- torno se justifica pelo fato de Kant propor um caminho que difere daquele de Descartes, onde res cogitans é ativo e res extensa passiva, com existências independentes. Para Kant (2006) toda a espacialidade é constituída por enti- dades ativas e em relação, numa atitude fortemente influenciada pela Física de Newton (HEIDEGGER, 1992), levando a compreensão da intuição, da razão de dos demais objetos, todos como elementos que habitam o mesmo plano. Justamente pelo fato de todos habitarem o mesmo plano e se relacionarem através de seus movimentos, estes passam a ser compreendidos como ativos e impossibilitados de acessar um possível em si do outro.

Meillasoux (2006, p. 5) propõe uma atitude filosófica que contrapõe aquilo que denomina correlacionismo. O correlacionismo resume uma posi- ção filosófica que coloca o sujeito como centro do mundo e os objetos como entes passivos para a ação desses sujeitos sobre os mesmos. Meillassoux (2006) sugere uma realidade desordenada, a partir das influências dos tra- balhos de Alain Badiou sobre a teoria dos conjuntos de Cantor, onde a ordem é apenas contingente dentro do hipercaos. O problema do infinito e da orde- nação é longamente discutido pelo autor. Como determinar aquilo que é um sujeito como um absoluto? Se a Matemática constitui o tecido do real e se não existe uma ordenação definitiva comprovada pela Matemática, então a ordenação e, por consequência, o sujeito, são algo apenas contingente. Abso- lutos contingentes.

Harman (2011a, 2011b) propõe uma filosofia orientada ao objeto onde a realidade é constituída por objetos reais, qualidades reais, objetos sensí- veis e qualidades sensíveis. Harman funda a constituinte dos objetos reais e das qualidades reais a partir da releitura e análise do ser-ferramental de Heidegger (1992). E os objetos sensíveis e qualidades sensíveis a partir de uma releitura e análise da fenomenologia de Husserl. Harman (2002) aponta para uma realidade toda composta de objetos em constante tensão diádica. Como

ficam então as cogitações e os objetos? Cogitações não são epifenômenos, mas sim infrafenômenos dessas relações entre os objetos constituintes do real. (HARMAN, 2002, p. 226)

Bryant (2011, 2014) propõe uma ontologia orientada ao objeto onde toda a realidade é composta por objetos discretos, emergentes e com cará- ter de operação maquínica. Cada objeto tem uma propriedade virtual topo- lógica infinita, que adquire um estado de ordenação apenas quando entra em relação de acoplamento com outro objeto. Dessa relação de alteridade emergem as manifestações locais como produtos contingentes de uma re- alidade local. O sujeito para o autor é uma contingência local produto de um sequencialismo radical decorrentes das relações maquínicas estabelecidas pelos objetos.

De modo geral as discussões são diversas, muito divergentes, mas há um centro em torno do qual todas gravitam. Este está nas discussões da alte- ridade, sem um contínuo que se estabeleça como uma lei universal, mas ape- nas de modo contingente. Para Peirce, o sujeito também habita na alteridade, não de um modo cartesiano, mas sim em acordo com sua própria Matemática.

Os trabalhos de Peirce sobre a relação do signo com objeto nos permi- te estabelecer pontos de convergência para se pensar uma filosofia ou onto- logia orientada ao objeto tendo como ponto de partida a Lógica e Matemática desenvolvida pelo autor. Essa Lógica e Matemática peirceana, constituintes do signo, podem ser compreendidas através dos estudos de Peirce sobre os modos de representar da geometria tópica, projetiva e métrica. (PAPE, 1999)

A geometria tópica é o caminho pelo qual o signo se relaciona com o objeto estabelecendo o campo das possibilidades de representação do mes- mo. Está centrada no desenvolvimento inicial das relações abdutivas, das possibilidades de moldagem do objeto pelo signo.

A geometria projetiva, como um caso particular da tópica, se apresen- ta como um sistema gráfico de diagramas lógicos centrados no desenvolvi- mento das relações dedutivas entre signo e objeto. Seleciona os moldes síg- nicos que aparentemente correspondem com o objeto a ser representado, respeitando as possibilidades de moldagem do próprio signo, para posterior verificação.

A geometria métrica, também como caso particular das anteriores, é a ciência dos corpos rígidos, quantificada e experimentável. Gravita na or- dem das relações indutivas, que confere uma condição do signo testar seu molde e observar se de fato esses moldes representam o mesmo de modo correspondente.

No sentido amplo do idealismo objetivo de Peirce o signo visa mediar o objeto para um interpretante, enquanto numa semiótica degenerada, sem interpretantes, a semiótica se constitui apenas como uma alteridade radical entre o signo e seu objeto, num diálogo infinito de moldagem tópica, projetiva e métrica. Em relação a ideia de sujeito a geometria tópica, projetiva e métrica acabam por discorrer em uma miríade de relações sobre as formas contingen- tes que o sujeito pode adquirir, desde seus aspectos mais moldáveis até os seus mais rígidos. Nesse caso se aceita a ideia de uma realidade degenerada, não contínua. Ponto onde a teoria de Peirce e a dos demais autores aqui cita- dos acaba por divergir amplamente.

Conexões teórico-metodológicas na Semiótica Psicanalítica:

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