The Carter and Reagan Years: 1977-89 1
12.5 The President Needs [Scientic] Help!
Uma das pesquisas realizadas no âmbito do Com TV dispõe-se a inves- tigar a incidência do tom como traço distintivo de diferentes produtos televi- suais, pertencentes a um mesmo subgênero, bem como sua função no pro- cesso de constituição identitária de uma emissora de televisão. A proposta é examinar diferentes programas de auditório exibidos atualmente pela Rede Globo de Televisão (RGT), caracterizados como subgênero, identificando as especificidades do formato por eles adotado e examinando sua forma de es- truturação discursiva, com foco, em especial, no processo de tonalização, e nas estratégias empregadas para sua manifestação – formas de endereça-
mento e interpelação dos telespectadores –, a fim de verificar, comparativa- mente, se partilham traços em comum definidores da produção da RGT.
A tese desenvolve, assim, esses dois conceitos propostos por Duarte (2004, 2010, 2014): o de gênero, aplicado aos programas de auditório e aos diferentes formatos por eles adotados; e o de tom, configurado como traço distintivo de diferentes formatos.
O significativo número de programas de auditório presentes na pro- gramação das diferentes redes de televisão brasileiras justifica a relevân- cia de um exame mais atento desse subgênero televisual. Os programas de auditório parecem constituir-se, do ponto de vista genérico, como um subgênero híbrido: recorrem, muitas vezes, a diferentes gêneros, subgêne- ros e formatos, ao mesmo tempo em que reúnem algumas características que permitem, de pronto, identificá-los. Eles caracterizam-se, grosso modo, pela presença de alguns elementos comuns, configuradores desse tipo de produção, tais como:
• a presença de um ou mais apresentadores, que comandam as ativi- dades desenvolvidas e conferem um tom principal à produção; • a realização, prioritariamente, em estúdio;
• a presença obrigatória de uma plateia, com graus distintos de parti- cipação, possibilitando um efeito de sentido de maior proximidade com o telespectador, que se sente por ela representado;
• a presença de participantes fixos, que tomam parte nas atividades propostas e interagem com o apresentador, convidados e plateia; • a presença de convidados especiais – atores, cantores e outras per-
sonalidades –, que tomam parte nas entrevistas, discussões e brin- cadeiras propostas pelas produções;
• a apresentação de diferentes quadros, dependendo do formato adotado pelo programa;
• a possibilidade de inserção de apresentações musicais; e
• a ocupação do espaço interno do programa com merchandisings. (STÜRMER, 2014)
Os tons ou combinatórias tonais pressupostos pelo subgênero progra- ma de auditório estão ligados aos objetivos desse tipo de produto. Como os programas de auditório visam ao entretenimento do telespectador, há um tom geral presente em todos os programas desse subgênero, que é o de leveza, nor- malmente combinado com outros tons compatíveis, tais como informalidade, descontração, popularização, trivialidade, assistencialismo, moralização, peda- gogismo/presunção e, até mesmo, seriedade. Mas, por mais graves que sejam os temas tratados, eles perdem seu peso quando mesclados com brincadeiras, apresentações musicais e outros refrescos. (STÜRMER, 2014)
Porém, cada formato de programa de auditório estrutura-se de maneira a corresponder e sustentar a combinatória tonal que lhe confere identidade, que define seu público alvo, manifesta pela adoção de diferentes mecanismos de expressão. A escolha do tom consiste, pois, em uma deliberação estratégica, uma vez que “acertar o tom, ou melhor, sua expressão, implica que ele seja re- conhecido e apreciado pelo telespectador” (DUARTE, 2010, p. 12), transforman- do-se em uma marca distintiva de determinado programa.
Ao mesmo tempo em que uma determinada combinatória tonal tem valor distintivo entre subgêneros e formatos, a reiteração de determinadas marcas tonais pode tornar-se traço unificador da programação de uma emis- sora, sobre determinando a combinatória tonal que perpassa a produção. Nesse sentido, funcionaria como traço distintivo entre a produção de diferen- tes emissoras, participando de operações de neutralização que unificam as diferenças existentes entre os diversos programas para submetê-los a uma espécie de denominador comum, capaz de permitir sua integração à progra- mação como um todo. (DUARTE, 2014b)
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