Conhecer a cena do movimento de rádios comunitárias e de sites de bairros de Fortaleza me permitiu trocar ideias com algumas pessoas que, apesar de não estarem envolvidas com o BAB e a Costa Oeste, conheciam tais experiências. Essa proximidade, porém, foi tratada com cautela, pois receava que ela pudesse encaminhar a pesquisa por ideias preconcebidas, isso porque
condições à primeira vista mais favoráveis – manejo da língua, facilidade de acesso, informações prévias – podem transformar-se em obstáculos, pois muitas vezes a familiaridade, nestes casos, não é senão o resultado de ideias preconcebidas, deformadas, quando não totalmente errôneas (MAGNANI, 2003, p. 18).
Optei, então, por encontrar meus interlocutores sem intermediários ligados ao cenário da mídia popular, alternativa e comunitária de Fortaleza. Fui me aproximando dessas pessoas, através de amigos ou dos próprios interlocutores que serviram de ponte entre mim e outros moradores; e pelo Facebook. A rede social se mostrou bem útil nesse processo de aproximação e consegui extrair de lá boas informações e impressões sobre os interlocutores, muito embora, as entrevistas presenciais tenham sido as mais significativas, inclusive pela opção por trabalhar com entrevista de história oral.
O contato com Inácio Rocha, idealizador e mantenedor do site BAB, por exemplo, veio, através do trabalho que realizei na assessoria de comunicação da Prefeitura de Fortaleza. Através de Inácio, conheci Rondinelle Mendes, responsável pelo programa Rondinelle em Ação por um Mundo Melhor, que me apresentou Francisco Tavares, administrador da rádio Costa Oeste FM e comunicador da emissora; e Marcos Gonçalves, um dos locutores do programa católico A Palavra. Também foi Inácio quem me apresentou sua esposa Viviane Rocha com quem divide a administração do site. Mas com ela, precisei falar algumas vezes pelo Facebook, até ela aceitar responder algumas perguntas também pela rede social.
Com Paulo Gleison Rodrigues Cordeiro, professor de matemática, e com Mateus de Paula Miranda, estudante universitário, o contato veio através de uma aluna minha de jornalismo, que me apresentou a eles pelo Facebook. A entrevista com Mateus foi malograda, mas as com Paulo resultaram em um contato com sua mãe, Carolina Rodrigues Cordeiro, a
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dona Carol, que durante muitos anos costurou fardas para estudantes do bairro e cuja casa é ponto de apoio para doentes vindos do interior.
De Léo David Terto Facundo – cuja monografia de graduação sobre as relações políticas no Antônio Bezerra encontrei na internet – me aproximei através de conversas pelo Facebook. Depois de uma entrevista que fiz com ele no pátio do curso de Sociologia da UFC onde ele fazia Mestrado, Léo me apresentou sua mãe, Regina Célia Terto Facundo, e a avó, Maria Margarida de Araújo Terto, ambas moradoras antigas do bairro. Já durante a entrevista na casa de dona Margarida, fui apresentada e conversei com Didi do Frifor (Edmar Mendes Filho), ex-vereador do bairro e avô de Rondinelle.
Pelo Facebook, especialmente pela Fanpage da Costa Oeste, encontrei ainda vários comunicadores, mas alguns não quiseram marcar entrevista e nem conversar informalmente, entre eles, Biby Freitas, Carlos Holanda, Paulo Peixoto e Liduína Sousa. Encontrei também Estevão Lima, primo de Inácio que participou do primeiro ano do BAB, mas que não quis dar entrevista nem conversar informalmente. A justificativa foi a mesma: estavam afastados da rádio e site. Já os comunicadores Tony Almeida e Graça Tavares se mostraram solícitos e dispostos a conversar, apesar de não mais fazerem parte da equipe da Costa Oeste. Entretanto, não consegui encontrá-los pessoalmente, mas considero que as conversas que tivemos foram de grande valia para eu confirmar algumas informações dadas por outros interlocutores.
Quanto a Valentim Santos e Jailson Pereira, fiz contato por telefone. O número de Valentim consegui por intermédio de Inácio enquanto o de Jailson foi Valentim quem me deu após a entrevista que fiz com ele em sua casa na rua Martins Neto. Minha rede de contatos foi, portanto, construída como uma rede de afinidades. Os laços que fui criando com os primeiros interlocutores – Inácio, Paulo, Léo e Rondinelle – serviram de referência para que eu me aproximasse dos demais. Essa preocupação em construir uma proximidade tem fundamento no próprio processo da entrevista, pois
[...] não é de modo algum natural falar sobre sua vida a outrem, a não ser que se esteja “numa situação social de justificação ou de construção de [si] próprio” (Pollak, 1992, p. 213). O entrevistado deve estar convencido a respeito da “própria utilidade de falar e transmitir seu passado” (Pollak, 1989, p. 13), utilidade que faz parte, a meu ver, da própria ação que o entrevistado tenciona desencadear (ALBERTI, 2004, p. 37). Por conseguinte, encarei a complexidade que envolve o momento da entrevista, que é também um momento de observação mútua, quando é necessário quebrar as desconfianças e se entregar ao diálogo.
Ao todo, 16 pessoas compuseram minha rede de contatos, destas, quatro não moram e nunca moraram no Antônio Bezerra, mas foram incluídas por terem ligações com a Costa
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Oeste. Das 16, nove estão ligadas ao BAB e/ou à Costa Oeste; das nove, quatro estiveram envolvidas com a experiência da Rádio Comunitária Antônio Bezerra, a primeira do bairro. Doze são moradoras do bairro sem ligação com as experiências comunicativas em questão. A tabela a seguir explicita melhor o perfil dos integrantes da rede de contatos e a relação destes com o bairro; construída a partir das entrevistas realizadas.
Tabela 1 – A Rede de Contatos Interlocutor
Carolina Rodrigues Cordeiro (51)
Edmar Mendes Filho (76)
Francisco Inácio de Lima Rocha (45)
Francisco Tavares de Oliveira
Francisco Jailson Lima Pereira (43)
Perfil e relação com o bairro
Nascida em 1964, dona Carol é natural de Santana do Acaraú e vem de uma família de 16 irmãos. Foi morar na Rua Salgado Filho (no chamado “lado A”) em 4 de outubro de 1992 (há 23 anos), na casa do sogro, onde mora até hoje com os quatro filhos adultos, entre eles, Paulo Gleison, o caçula. A família do marido já morava lá dede 1976 e dona Carol passou a frequentar o bairro quando ia visitá-los, há cerca de 35 anos. Separada, sustentou os filhos como costureira de fardamento escolar, ofício que iniciou um ano depois de chegar ao bairro (1993). Há cinco anos, deixou a função de costureira, que a fez conhecida no bairro, para se dedicar a cuidar de doentes vindos do interior, principalmente da terra natal. Fez de sua casa uma casa de apoio e tem o sonho de transformar a nova ocupação em profissão. É filiada ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), mas diz que se envolve mais fortemente com política apenas no interior.
Casado há 60 anos é pai de cinco filhos. Ex-funcionário do Frifor (onde desempenhava a função de tripeiro), ficou conhecido no Antônio Bezerra “por ajudar todo mundo” (como apontaram alguns interlocutores) e se dedicou à política durante 22 anos. Vereador por três mandatos (1988, 1992 e 1996), teve expressiva votação no bairro onde morou de 1940 a 2000. É popularmente conhecido como Didi, o Didi do Frifor ou o Didi do Antônio Bezerra. Desde que “desistiu da política” – como relatou – mora em um sítio próximo à Lagoa do Banana no município de Caucaia, mas filhos e netos ainda moram na casa que deixou na Rua Hugo Vitor e em outras ruas do bairro. Pai/avô de Rondinelle Mendes, foi quem incentivou o filho/neto a montar a radiocom Antônio Bezerra 103,5 FM ao ceder um espaço para a emissora no GRAB, o grupo recreativo que fundara também na Hugo Vitor.
Idealizador e mantenedor, há dez anos, do site BAB que, hoje, é fonte de renda de sua família, cursa, inspirado por essa experiência, o sexto semestre de jornalismo na Faculdade Cearense (FaC). Mora atualmente na mesma rua em que nasceu, a Dr. Periguary (“lado A”), há 45 anos, a três quarteirões da antiga casa em que seus avós moravam. Casado com Viviane Rocha, é pai de uma filha (Vitória) de 18 anos, que também nasceu e mora no bairro.
É coordenador administrativo da rádio Costa Oeste 87,9 FM desde 06 de maio de 2013, e também administra a FM Fortaleza (radiocom localizada na Barra do Ceará). Apresenta os programas Manhã 87, Ídolo para Sempre e A Tarde é Brega na Costa Oeste. Tem mais de dez anos de experiência com radiocom e participou da segunda formação da Costa Oeste (2006-2009), como também, da radiocom Antônio Bezerra 103,5 FM. Mora com a esposa no Presidente Kennedy, na divisa com o Antônio Bezerra.
Fez parte da Rádio Comunitária Antônio Bezerra 103,5 FM e da Rádio Costa Oeste 87,9 FM, apresentando os programas Informática Livre, Consciência Ecológica e
A Voz da Comunidade (os dois últimos em parceria com Valentim Santos). Formado
em pedagogia, é professor de informática e integrante do Grupo de Educação Ambiental (Gedam), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que se formou a partir da mobilização em torno do Consciência Ecológica. Natural
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Marcos Gonçalves
de Itapajé, mora, com a esposa e o filho, há 23 anos no Antônio Bezerra, hoje, próximo à rodoviária intermunicipal (no chamado “lado B”).
É locutor do programa católico A Palavra, que é ligado à Pastoral da Comunicação da Paróquia São Pedro e São Paulo localizada no Quintino Cunha, bairro onde mora. Durante cinco anos, o programa foi comandado pela Pastoral do Conjunto São Francisco, apesar de ser transmitido pela radiocom Costa Oeste 87,9 FM. Isso acontece, segundo ele, porque “o mundo católico se une”. É casado e participa do Encontro de Casais com Cristo (ECC) há sete anos. Concluiu o ensino médio, trabalha como recepcionista em um convento e possui curso de radialista.
Maria das Graças
Tavares da Silva (46) Jornalista por formação (pela Faculdade Integrada do Ceará - FIC) se aproximou do bairro Antônio Bezerra, a partir da produção do programa Acontece Ceará, que era transmitido de segunda à sexta pela Costa Oeste 87,9 FM e que é a versão eletrônica da revista de mesmo nome. Mora no Henrique Jorge.
Léo David Terto Facundo (28)
Mestre em Sociologia pela UFC, é autor de pesquisa sobre a política eleitoral no bairro Antônio Bezerra, iniciada na graduação em Ciências Sociais. Filho de dona Regina e neto de dona Margarida, mora desde que nasceu, há 28 anos, na Rua General Alípio dos Santos (no “lado B” do Antônio Bezerra). Quando iniciamos o contato, Léo havia acabado de entrar no Mestrado, a condição de pesquisador nos aproximou.
Maria Margarida de
Araújo Terto (89) Com 90 anos, feitos em 21 de setembro de 2015, dona Margarida é a integrante mais velha de minha rede contatos. Nascida em 1925, casou aos 15 anos e teve 15 filhos dos quais dez ainda estão vivos. Ficou viúva “ainda nova”, aos 30 anos, quando voltou a morar com os filhos na casa do pai, na Rua Hugo Vitor (“lado A”). Seu pai – Antônio Neves de Araújo – era tenente da polícia e “morou a vida toda” no Antônio Bezerra. Ele foi responsável pela criação do estádio de futebol Antony Costa, embora dona Margarida se ressinta pela falta de reconhecimento do feito e pelo estádio não levar o seu nome. Costureira (aposentada), mora há quase 60 anos no mesmo lugar. É matriarca de uma família grande – 10 filhos, 33 netos, 35 bisnetos e 3 tataranetos – muitos dos quais moram ou andam com frequência no bairro.
Mateus de Paula Miranda (24)
Paulo Gleison Rodrigues Cordeiro (27)
Regina Célia Terto Facundo (57)
Estudante universitário, mora com os pais desde que nasceu (há 24 anos) na Rua Martins Neto, Antônio Bezerra (“lado A”). Reservado, preferiu não dar continuidade às entrevistas, embora tenha deixado bem claro que ama o bairro em que mora.
Estuda Matemática na Uece e é professor da disciplina na escola Ayrton Senna, no bairro Dom Lustosa. Paulo é bem eloquente e fala com desenvoltura sobre o bairro em que mora desde que nasceu, há 27 anos. Filho de dona Carol, mantém relações de amizade no Antônio Bezerra apesar de não se envolver muito com eventos coletivos. Mora, com a mãe e irmãos, na Rua Salgado Filho (“lado A”).
Agente administrativa do Frotinha do Antônio Bezerra (Hospital Dr. Evandro Ayres de Moura), dona Regina é mãe de Léo e filha de dona Margarida. Casada, tem três filhos que moram com ela na Rua General Alípio dos Santos (“lado B”). Mora no Antônio Bezerra há quase 56 anos, praticamente, desde que nasceu.
Rondinelle Mendes de
Araújo (36) Neto do ex-vereador Didi do Frifor Candidato a vereador (derrotado), foi um dos mais atuantes no movimento de diz ser o “herdeiro político” do pai/avô. radiocom do Antônio Bezerra, sendo diretor-presidente da radiocom Antônio Bezerra 103,5 FM (1999-2006) e depois da Costa Oeste 87,9 FM (2006-2009). Formado em Ciências Sociais, foi comunicador do “Rondinelle em Ação por um
Mundo Melhor”, e tinha o programa, segundo ele, “para manter a tradição e manter
viva a nossa [dele e do avô] vida eleitoral.”. Morador do Antônio Bezerra desde que nasceu há 36 anos, é casado e tem uma filha também nascida no bairro. Atualmente, mora na Rua Professor Joaquim Nogueira (“lado A”). Além da ligação com a rádio
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Tony Almeida
José Valentim dos Santos Filho (58)
Viviane Nascimento de Lima Rocha (39)
e a política, é conhecido no Antônio Bezerra pelo envolvimento com a Liga Esportiva local e com outras atividades culturais que promove.
É radialista com larga experiência, inclusive em outros estados como São Paulo e Minas Gerais. De acordo com ele, foi “uns dos primeiro a montar uma rádio pirata em Sampa [...] a Rádio Popular FM no alto do Vila Remo São Paulo...”. Ex-locutor do programa Show do Brega, transmitido pela Costa Oeste 87,9 FM, mora no Quintino Cunha e a proximidade com o Antônio Bezerra veio da fase em que apresentava o programa.
Nasceu em Juazeiro do Norte, mas se mudou para o Antônio Bezerra “ainda bebê” onde mora desde então. Hoje, é separado e voltou a morar com a mãe na Rua Martins Neto (“lado A”). Participou da Rádio Comunitária Antônio Bezerra 103,5 FM e da Rádio Costa Oeste 87,9 FM, apresentando os programas Consciência
Ecológica e A Voz da Comunidade, em parceria com Jailson Pereira. É também
colunista no site BAB e colaborador da revista impressa de mesmo nome. Historiador, pesquisa o Antônio Bezerra, mas principalmente a biografia do cearense que deu nome ao bairro (Antônio Bezerra de Meneses). É professor na Universidade Vale do Acaraú (UVA).
Casada com Inácio Rocha e mãe de Vitória (18), é webdesigner e cursa Processos Gerenciais. Mora no bairro há 20 anos desde quando casou. Administra o site BAB junto com Inácio.
Fonte: entrevistas realizadas com os interlocutores entre 2013 e 2015.
Com esse grupo, realizei 21 entrevistas, sendo oito pelo Facebook e 13 presenciais. Necessário dizer que somente as entrevistas presenciais se configuraram como entrevistas narrativas. As feitas pelo Facebook – que a princípio não estavam previstas – foram importantes para confirmar o que ouvira daqueles que entrevistei pessoalmente e por abrirem espaço para encontros fora da rede social. Ademais, as conversas que mantive pelo Facebook com praticamente todos os interlocutores foram importantes para estreitar ainda mais os laços.
Necessário registrar que a transcrição das entrevistas foi a mais fidedigna possível à linguagem falada. Preservei o linguajar do entrevistado e fiz marcações para hesitações, correções, pausas, gestos e tudo mais que ocorreu durante as conversações. Também mantive no original o que meus interlocutores escreveram pelo Facebook. Procurei, por fim, interpretar as falas, gestos, titubeações, escrita e o silêncio dos meus interlocutores, fazendo um cruzamento com as reflexões teóricas e com os problemas da pesquisa.
Outro desafio foi perceber a carga emocional das entrevistas, tendo sensibilidade para elaborar uma nova representação simbólica: o texto. Nesta etapa, entraram em cena minha memória e narrativa que, junto com as de meus interlocutores, compuseram o texto dissertativo. A proposta foi “rememorar e dar-se conta” do que foi vivido ao longo das entrevistas e visitas ao bairro e produzir o relato desses momentos de interação, falando, também, de “dentro da experiência” (BARROS; KASTRUP, 2009). Foi por isso que incorporei à dissertação o registro da condução da minha pesquisa, valendo-me de uma escrita íntima, pois
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o trabalho da pesquisa deve ser sempre acompanhado pelo registro não só daquilo que é pesquisado quanto do processo mesmo do pesquisar [...] O registro do processo da pesquisa interessa porque inclui tantos os pesquisadores quanto os pesquisados. [...] O registro do trabalho de investigação ganha, dessa forma, função de dispositivo, não propriamente para concluir o trabalho ou apresentar resultados finais, mas como disparador de desdobramentos de pesquisa (BARROS; PASSOS; 2009, p. 172-173). Afinal, como pretendia ter uma postura diferente na maneira de encarar a investigação científica – considerando os sujeitos pesquisados e o encontro com eles como parte significativa do meu estudo; e a pesquisa como um processo – precisei modificar também o teor e a forma da estrutura textual. Pois “muda-se a palavra, o conceito, mas muda-se, sobretudo, o modo de dizer.” (PASSOS; BARROS, 2009b, p. 154). Toda essa imersão me fez colher impressões e sentidos que ajudaram a elaborar a minha percepção sobre o Antônio Bezerra e a divisar como imagens do lugar são construídas na vida cotidiana dos seus moradores.
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