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Dans le document MANUAL PDP-8/A (Page 93-100)

Pesquisas realizadas em território nacional, que tiveram como objetivo a avaliação sobre o PIBID, apresentam resultados e análises muito positivas por parte dos atores/bolsistas envolvidos no programa – licenciandos, coordenadores das IES e supervisores (professores das escolas públicas parceiras) – não apenas em relação aos subprojetos de Matemática, mas nos diversos subprojetos das diferentes áreas.

A exemplo, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), como forma de prestação de contas à população brasileira acerca dos investimentos em pesquisas destinados à Educação, disponibiliza em seu site mais de 100 relevantes estudos que denotam o “Estado da Arte” alcançado por

12 Esta informação refere-se aos meses de fevereiro e março/2016, quando se intensificaram as

pesquisadores que participam do PIBID nos mais variados subprojetos.

Entre os estudos, destaca-se, de forma diretamente ligada ao tema desta tese, a pesquisa de Fábris (2014) intitulada “A Relação Universidade e Educação Básica na Produção da Docência Contemporânea”, que apresenta a seguinte súmula e resultados:

A pesquisa realizada ratifica a necessidade de continuar investindo em ações que potencializem a relação universidade e educação básica e que o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) vem se transformando em uma estratégia exemplar para atingir os objetivos da formação docente no Brasil. (s/p – CNPq, grifo nosso)

A autora enfatiza também a necessidade de uma visão hipercrítica e constante do PIBID, de forma a não ser criada “uma zona de conforto”, onde todos os esforços possam se esvanecer e as iniciativas criativas caiam no vazio, pois:

[a pesquisa] lança vários desafios para que o programa não caia em uma zona de conforto e apenas sirva como distribuidor de bolsas. Destaca a necessidade de uma postura hipercrítica por todos os participantes do programa para que, cada instituição por meio de seu PIBID possa formar um éthos de formação, espaço cultural que dará conta de uma formação continuada e considerada como necessária, pois criada e produzida neste éthos de formação, qualificará cada vez mais a docência contemporânea, dando repostas e adequando a docência ao seu tempo. (FÁBRIS, 2014, s/p – CNPq, grifo nosso)

Para a pesquisadora, o PIBID não deve ser entendido como “[...] o remédio para todos os males da educação”, a exemplo da panaceia grega, posto que merece aperfeiçoamento e o estabelecimento de estratégias de formação, a fim de contemplar “[...] o que muitos pesquisadores da área de formação docente vêm

anunciando como uma prática significativa para a formação docente

contemporânea”:

[aliar] vários setores e atores para pensar e fazer a formação docente, entre eles a Universidade e a Escola. Propõe vários desafios entre eles: fortalecer a parceria com a Secretaria Municipal de Educação e com a Coordenadoria Estadual de Educação; fortalecer a relação entre curso de licenciatura e práticas de iniciação desenvolvidas nas escolas; tornar o espaço da sala de aula universitária, das diferentes licenciaturas, um espaço de reflexão das experiências vividas nas escolas, pelos/as alunos/as bolsistas; repensar as formas de elaboração dos subprojetos Pibid de cada curso, preservando o espaço de formação profissional desenvolvido pelo curso de licenciatura, mas também o espaço de ensino da escola. (FÁBRIS, 2014, s/p – CNPq)

Outro importante estudo desenvolvido e divulgado pelo CNPq – “Aproximação entre Universidade e Escola na Formação de Professores: Políticas de Inserção na Docência”, de André (2014) –, investigou a contribuição de três programas de inserção à docência na formação profissional de futuros professores: o PIBID (do Governo Federal), o Bolsa Alfabetização (do Governo Estadual de São Paulo) e o Bolsa Formação-aluno-aprendizagem (da Secretaria Municipal de Jundiaí).

Nesta investigação de André (2014) relativa ao PIBID, os sujeitos foram 81 licenciandos, 11 professores supervisores das escolas que recebiam os licenciandos e 19 professores formadores/coordenadores de subprojetos das cinco universidades estudadas, as quais localizadas em cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Minas Gerais), apresenta a seguinte análise:

Entre os resultados dos grupos de discussão e entrevistas realizadas com os envolvidos no PIBID, podemos ressaltar opiniões muito positivas sobre as contribuições dos programas, em especial a possibilidade de articulação teoria e prática, a importância das formas colaborativas de trabalho, o contato com a realidade das escolas e uma formação eficaz. (s/p – CNPq)

Ambrosetti et al (2015) com base na referida pesquisa, acrescenta:

[...] André (2014) e colaboradores encontraram opiniões positivas dos participantes quanto a seu desenvolvimento profissional, quanto à revisão das práticas de formação na universidade e à melhoria do trabalho realizado nas escolas. Apontaram a importância das propostas que assumem a perspectiva de formação por meio de parceria universidade-escola, a partir da confrontação e reflexão sobre as situações profissionais vividas pelos futuros professores no cotidiano escolar. (p. 372)

O estudo desenvolvido pela Fundação Carlos Chagas – FCC (2014), intitulado como “Um Estudo Avaliativo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID)”, e coordenado por Gatti et al, também atestou a validade e efetividade da aproximação entre Universidade e Escola:

OBSERVOU-SE COMO O PIBID É VALORIZADO EM TODOS OS NÍVEIS, por todos os participantes que responderam aos questionários. Os depoimentos são muito positivos, em sua imensa maioria; os detalhes oferecidos para justificar essa positividade são inúmeros e se expressam nas contribuições descritas. Aprimoramentos devem ser implementados ante o valor atribuído à sua metodologia e às insistentes colocações sobre a necessidade imperativa de sua continuação pelo seu papel de dar valor novo às licenciaturas nas IES, de melhor qualificá-las e a seus docentes, de

propiciar melhor formação a futuros professores da educação básica, de trazer contribuições aos Professores Supervisores e suas escolas, ao ensino pela criatividade didática. Sem dúvida, pelos dados até aqui analisados, esse é um programa de grande efetividade no que se refere à formação inicial de professores. (p. 103, grifo dos autores)

As principais contribuições enunciadas pela Fundação Carlos Chagas (2014) em relação ao PIBID apresentam reflexos positivos para todos os atores sociais e contextos envolvidos no programa, quais sejam: para os cursos de licenciatura, estudantes bolsistas, professores supervisores da escola, professores das IES, escolas e seus alunos, na relação das IES e escolas públicas e como política pública de Educação, conforme apresentado a seguir.

Para os Cursos de Licenciatura, segundo a Fundação Carlos Chagas (2014), o PIBID proporciona a valorização, fortalecimento e revitalização das licenciaturas e da profissão docente, permite o questionamento e a reflexão sobre o currículo dos cursos, de forma a repensar o seu teor e conteúdo “[...] na perspectiva de interligar saberes da ciência com a ciência da educação”, bem como oferece condições para ampliar a qualidade dos cursos e seus respectivos currículos. Além disso:

[ ] há incremento quer da participação acadêmica dos Licenciandos, quer de seu espírito crítico. Há contribuição dos Licenciandos Bolsistas tanto para o curso como um todo, com questionamentos e propostas, como para os demais Licenciandos, por suas aprendizagens nas vivências que têm nas escolas e que socializam com os colegas. São notáveis as ações compartilhadas entre Licenciandos, Professores Supervisores e professores das IES em trabalho coletivo e participativo. A participação no Programa contribui para a permanência dos estudantes nas licenciaturas, para a redução da evasão e para atrair novos estudantes. (p. 104)

Para os estudantes bolsistas ou licenciandos, o PIBID proporciona o seu contato direto com a escola pública, bem como com seu contexto, cotidiano e alunos, desde o início da formação acadêmica. Com isso, ocorre uma aproximação mais consistente entre teoria e prática, capaz de estimular a iniciativa e a criatividade dos licenciados, incentivando-os a buscar soluções, planejar e desenvolver atividades de ensino e a construir diferentes materiais didáticos e pedagógicos. Além disso, estimula o espírito investigativo, contribui para a valorização da docência por parte dos estudantes e proporciona uma formação mais qualificada (FCC, 2014, p. 104).

vários programas desenvolvidos pela CAPES, o PIBID, especificamente, conforme opiniões de docentes ativos coletadas pelos pesquisadores nas cinco regiões do país, necessita de expansão e monitoramento, agilização de procedimentos, comunicação e divulgação, bem como de qualificação dos quadros institucionais, de modo a consolidar a sua estrutura e superar as dificuldades observadas em sua fase inicial de implantação:

A preocupação com excelência orienta-se pela certeza de que formar um professor hoje exige alto grau de complexidade científica, acadêmica, metodológica e prática; a busca pela equidade considera que a excelência do processo de ensino e aprendizagem deve alcançar os professores e seus alunos, em todo o país. [...] Com seu desenho, o Pibid é formação inicial para os alunos das licenciaturas; é, também, formação continuada para os professores das escolas públicas e para os professores das instituições de ensino superior participantes, abrindo-lhes amplas oportunidades de estudos, pesquisa e extensão. A ação dos Licenciandos e de seus orientadores tem o potencial de elevar a qualidade do trabalho nas escolas públicas e nas instituições formadoras. De fato, nesse período ainda curto de sua existência, o Pibid já vem sendo reconhecido como uma política pública de alto impacto na qualidade da formação de professores. (p. 5)

Para os Professores das IES, o PIBID contribui para a sua aproximação da realidade, do contexto e das necessidades da escola básica e, desta forma, implementa a sua formação continuada, a atualização nos aspectos pedagógicos das disciplinas e nas tecnologias, estimulando a busca de soluções para o ensino e para atendimento às ocorrências escolares (FCC, 2014).

Ao fornecer novas perspectivas e visão sobre o ensino e a prática docente, o PIBID desenvolve um novo olhar sobre a Educação, a escola, as práticas educativas e sobre a relação teoria-prática. Contribui para o rompimento de paradigmas, para a transformação de posturas cristalizadas dos docentes do curso de licenciatura, promovendo maior interesse e participação. Atua também no sentido de “[...] questionar construtivamente a qualidade das práticas formativas no âmbito da docência na própria IES”(FCC, 2014, p. 104).

Para os Professores Supervisores da Escola, o PIBID apresenta a possibilidade de uma formação continuada qualificada, motivação para a aquisição de novos conhecimentos e sequenciamento de seus estudos. Como outras contribuições:

articular o conhecimento acadêmico com o conhecimento da prática em uma perspectiva formativa. Propicia a reflexão sobre a prática e o questionamento construtivo, com apoio dos Licenciandos e Professores das IES em ações compartilhadas. Favorece o desenvolvimento de estratégias de ensino diversificadas e o uso de laboratórios e outros espaços. Aumenta a motivação do docente pelo seu maior envolvimento em atividades diversificadas e interessantes. Propicia mudanças em perspectivas profissionais e aprendizagens e contribui para a melhoria de seu desempenho. Valoriza e reconhece o professor e seu trabalho na escola. (FCC, 2014, p. 104-105)

Para as Escolas e seus Alunos, o programa estimula o desenvolvimento de estratégias de ensino diversificadas e motivadoras, melhorias na qualidade do ensino a partir de novas didáticas, aulas mais criativas com atividades práticas diferenciadas e interdisciplinares, a utilização mais frequente de laboratórios e bibliotecas, bem como dos recursos tecnológicos disponíveis. Além disso, promove:

[...] o desenvolvimento enriquecido de atividades de leitura em áreas variadas do conhecimento. Sensibilização da equipe da escola, que através dos encontros com a equipe dos projetos tem se mostrado mais aberta à adoção de metodologias ativas de ensino e outras inovações pedagógicas. Aumento no interesse dos alunos pelas disciplinas e pelas atividades da escola, reduzindo a evasão (destaque no ensino médio). Melhoria no desempenho dos alunos e aumento de sua autoestima. Construção de uma nova cultura interna na escola relacionada ao ensino e à aprendizagem de diversas áreas do conhecimento. (FCC, 2014, p. 105-106)

Na relação IES e Escola Pública, o PIBID beneficia o diálogo reflexivo entre a IES e as escolas públicas de Educação Básica, de modo a renovar as práticas e reflexões teóricas e encadear a discussão sobre as práticas docentes e formação de docentes entre a IES e as escolas. Oferta condições de avançar nas pesquisas relativas ao ensino, a criar ações compartilhadas entre licenciandos bolsistas, professores supervisores e coordenadores de área com responsabilidades também compartilhadas, o que favorece o trabalho coletivo e/ou a interdisciplinaridade.

Estimula e mobiliza os atores para a realização de eventos culturais diversos, tais como: feiras e mostras em coparticipação. Com isso, fornece maior visibilidade para novos projetos e participação dos alunos e licenciados para as atividades propostas. “Renova a motivação dos professores e alunos da educação básica com a presença dos Licenciandos Bolsistas. Fortalece e valoriza o magistério e o trabalho do professor na escola” (FCC, 2014, p. 106).

profissão de professor. “Constitui-se em rara política de atenção à formação inicial dos professores para a Educação Básica”, posto que apresenta-se como “[...] um programa que desacomoda as licenciaturas e mobiliza escolas. Por suas contribuições deve ser institucionalizada e tornada perene como política de Estado” (FCC, 2014, p. 106).

Ambrosetti et al (2015, p. 373) endossam o valor da referida pesquisa e afirmam que o programa “[...] não apenas contribui para a formação profissional dos envolvidos, mas afeta positivamente ambas as instituições, incentivando a revisão das práticas formativas nas licenciaturas e das práticas pedagógicas nas escolas”, que pode conduzir a uma significativa melhora na qualidade do ensino e tornar a reflexão sobre a prática docente uma constante.

Como conclusão a pesquisa da FCC (2014) enfatiza que:

[...] verifica-se que o Pibid vem criando condições para um processo de formação consequente para o desenvolvimento profissional dos docentes de modo que possam participar do processo de emancipação das pessoas, o qual não pode ocorrer sem a apropriação dos conhecimentos. O papel da docência na educação básica é vital na preservação de nossa civilização e no desenvolvimento das pessoas como cidadãos que possam ter participação efetiva para a melhoria das condições de vida em suas comunidades. (p. 107-108)

Observa-se através dos resultados das pesquisas realizadas a importância e a contribuição do PIBID para a formação inicial de professores, para o contexto educativo mais geral e para os atores do sistema de ensino-aprendizagem, sob inúmeros aspectos, o que torna a avaliação do programa muito positiva e justifica o empenho geral para a sua continuidade futura.

3 PIBID: ESTUDO DE CASO SOBRE UM SUBPROJETO DE

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