Questão 2: Há aspectos que você considera facilitadores no trabalho do PIBID com os alunos da Licenciatura em Matemática? Em caso afirmativo, cite o principal.
Questão 3: Quais as maiores dificuldades que você encontra para desenvolver o PIBID com os alunos da Licenciatura em Matemática?
A seguir, apresentamos as análises realizadas:
A Questão 2 inquiriu os licenciandos sobre a agregação de valor para a formação inicial de professor, proporcionada pelas diferentes ações metodológicas utilizadas pelos professores de Matemática das escolas parceiras, as quais foram observadas através das ações do PIBID. Os licenciandos consideraram que há uma efetiva agregação de valor e, três deles destacam que:
Licenciando JCM – Uma ação que eu achei muito interessante é a que o professor passa o exercício, ele dá um tempo para o aluno responder e, assim, conforme ele vai corrigir, ele não simplesmente dá a resposta, ele tenta resolver junto com a sala. [...] Eu acho muito interessante, porque assim o professor constrói o conhecimento junto
com os alunos. (grifo nosso)
Licenciando MLV – Eu percebo que alguns professores têm mais dificuldade de controlar a sala, outros nem tanto. [...] Então, certas coisas, sim [Referindo-se às metodologias e didáticas], eu vejo que têm coisas que eu faria em uma e não faria em outra [situação, sobre
as metodologias que pretende aplicar].
Licenciando VAFV – Aqui, na “Escola LG”, onde a gente faz o PIBID, tem uma abordagem diferente, então, ainda não tive a possibilidade de ver algo que me desinteressasse. Os professores costumam trabalhar sempre da maneira mais diferenciada possível, eles enfeitam a sala, colocam tudo visível ao aluno, fica tudo bem claro na mente do aluno. Então, é algo que me interessa e não tive a possibilidade de ver algo desinteressante. (grifo nosso)
As Questões 4 a 7 solicitaram aos licenciandos que descrevessem ações que vivenciaram nas reuniões com as Coordenadoras e Supervisoras do PIBID e que contribuíram para a sua formação profissional e atuação no ambiente escolar, bem como que comentassem sobre as intervenções com o acompanhamento das Supervisoras em sala de aula e sua contribuição.
Com relação a isso Imbernón ( 2002) comenta:
O professor precisa de novos sistemas de trabalho e de novas aprendizagens para exercer sua profissão, e concretamente daqueles aspectos profissionais e de aprendizagem associados às instituições educativas como núcleos em que trabalha um conjunto de pessoas. A formação será legítima então quando contribuir para o desenvolvimento profissional do professor no âmbito de trabalho e de melhoria das aprendizagens profissionais. (p. 45)
De forma contextualizada e complementar, foram citados inúmeros exemplos, conforme a íntegra das transcrições das entrevistas e agrupamento das respostas constantes nos apêndices, com destaque para as palestras proferidas por especialistas e profissionais de outras instituições; jogos aplicados como recurso didático para o ensino da Matemática; atividades diferenciadas e vídeos, além de ações e informações esclarecedoras sobre a profissão inclusas na pauta e debatidas em várias reuniões. Na voz dos licenciandos:
Licenciando BAO – As palestras com pessoas diferentes [Referindo-
se a palestrantes externos à instituição de ensino]. Eu acho
interessantes as palestras que mostram um jeito diferente de se ver, um jeito diferenciado que a Coordenadora mostra nas reuniões
[Como, por exemplo, a palestra sobre a identidade do professor]. [Em relação às intervenções com o acompanhamento da Supervisora em sala de aula] A experiência dela. Ela já tem muitos anos de cargo e
conta tudo que já viveu, e também tudo o que vive. [Como a
Supervisora aproveita os momentos de reunião] Ela fala sobre
temas da escola, sobre como está a Diretoria de Ensino, sobre tudo.
[E têm coisas que você nem imaginava que acontecia?] Ela fala que
tem todo o tipo de pessoa em sala de aula, que eu não acreditava.
[Na própria escola de vocês ou em outras?] Não. Em outras que ela
trabalhou. [Nas reuniões surgem ideias para vocês aplicarem aos
alunos?] Sim, muitas. Ela gosta muito que a gente faça alguma coisa
diferente na sala de aula. Em sua sala, por exemplo, a Supervisora quer que a gente ajude os alunos a estudar, então, a gente vai, senta do lado do aluno, e ajuda.
Licenciando EOSB – [Em relação às intervenções com o
acompanhamento da Supervisora em sala de aula] A Supervisora
tenta deixar a gente a par de muitas coisas [como, por exemplo] a questão de preenchimento de diário, o que a gente pode fazer ou não, ela explica muito, o que a gente pode fazer na sala de aula, como a gente pode tratar o aluno. [As questões que vocês discutiram
nessas reuniões, você está levando para a sua docência?] Sim, pois
ajudou bastante na formação profissional. [...] Acredito que ela deu algumas dicas para a aplicação de aulas e a gente teve algumas aplicações de aulas [...].
Licenciando JCM – Eu acho que sempre são apresentadas coisas diferentes. Trazem para a gente jogos, atividades [...]. [...] Eu acho que tanto a formação profissional, quanto o ambiente escolar, são duas faces de uma mesma moeda, porque o ambiente escolar é formado pela formação do professor, por isso que, creio eu, que muitas salas se comportam de um jeito com um professor e com outro professor totalmente diferente. Para mim isso ocorre devido à metodologia de cada um, à formação de cada um e pelo jeito que cada um se porta. Então, eu acho que o PIBID tem esse efeito positivo, tanto para a minha formação profissional, quanto para o ambiente escolar. [Em relação às intervenções com o
acompanhamento da Supervisora em sala de aula] A minha
Supervisora sempre procurou trazer bastante da teoria. Ela traz muitos assuntos que dizem respeito ao professor que já está atuando. Ela traz coisas sobre licença prêmio, férias e “abonada”. Ela sempre tenta esclarecer o máximo possível de dúvidas, pois, muitas vezes, quando você ingressa [Referindo-se ao ingresso no mercado
como profissional da Educação], você não sabe, muitas vezes,
ninguém te conta e você só aprende conforme vai atuando. [...] Para atuação no ambiente escolar, muitas vezes, a minha Supervisora tenta levar alguma matéria escolar e pede para a gente fazer um plano de aula, ou, às vezes, ela marca uma reunião na escola e faz uma gincana com os alunos. Então, assim, ela tenta diversificar bastante. Ela tanto traz coisas que seriam boas para a formação, quanto para sua experiência profissional.
Licenciando MLV – [Em relação às intervenções com o
acompanhamento da Supervisora em sala de aula] Por exemplo,
planejamento de aula, ela fala bastante. [Ela ensina a fazer?] Sim, ela que nos encoraja a vir e a dar aula. A nossa Supervisora é bem rígida, mas, ao mesmo tempo, ela é “bem solta com a gente”
Supervisora em relação aos alunos bolsistas do PIBID]. [...] Ela
conversa sobre plano de aula, sobre coordenadorias, como o Professor de Matemática é cobrado, então, como futuro professor, ela ajuda muito. [...] A Supervisora nos ajuda a refletir mais sobre como ser um professor. [...] Às vezes, ela pergunta: “Vocês querem mesmo ser professor?”. Ela faz essas perguntas e a gente começa uma conversa, refletindo o que pode ser negativo ou positivo.
[Referindo-se às discussões de situações do ambiente escolar] Ela
comenta, deixa a gente falar, é bem “legal”.
Licenciando TPF – Sim, os vídeos que foram passados, a oficina trabalhada nas reuniões fez com que agregasse muito. [...] As informações que ela trouxe em pauta, porque, às vezes, a gente quer saber alguma coisa sobre o professor. Ela [Supervisora] trazia as pautas de licença prêmio, de como funciona a categoria, os concursos, então isso ajudou. [Sobre a discussão acerca das
diversas metodologias] Ela sempre levava atividades para a gente
ter ideia de como fazer. Atividades que ela já teria trabalhado, ou que iria aplicar para a gente dar uma opinião de como aplicar... [...] As pautas são bem interessantes. [...] Acredito que quando a Supervisora levou as atividades também surgiram ideias, porque cada um mostrou um jeito. [...] Ela levava várias atividades, várias folhinhas diferentes com aulas [...]. Aí, cada um fazia uma aula e a gente trocava as ideias ou, às vezes, era a mesma aula, e a gente fazia maneiras diferentes de ensinar aquele conteúdo.
Licenciando VAFV – Nas reuniões com as Coordenadoras do PIBID por diversas vezes nós aprendemos, tivemos alguns desafios a serem desenvolvidos e que, eu creio, somaram [e contribuíram] para a minha formação, minha experiência profissional, minha formação no curso, e que possibilitaram ver maneiras diferentes daquele conteúdo que a gente vê na universidade. [...] Muitas vezes, nas reuniões, a gente teve a possibilidade de ver os jogos dos alunos do PIBID, os quais são trabalhados com os conteúdos para facilitar o processo de ensino do aluno. Isso abriu o nosso leque, a gente viu que existem outras formas de ensinar aquele conteúdo, então, isso nos proporciona uma maneira diferente de lidar dentro da sala de aula. Além disso, houve a formação para lidar com os alunos dentro da sala de aula, que também ajudou bastante. [...] O novo modelo de escola do estado vai ser o ensino integral, e eu não conhecia este programa, eu não sabia, eu conhecia o ensino regular e, a partir das reuniões com a Supervisora, ela comentou como são trabalhados os conteúdos, o planejamento, o planejamento horizontal, vertical, bimestral, semestral, anual, plano de ação. [...] Eu não conhecia, mas nas reuniões eu pude perceber o quão importante é [o projeto] e como são desenvolvidos os requisitos no ensino integral. [...] Por exemplo, a importância do planejamento na aula, aonde vêm destacados os objetivos para o aluno perceber porque ele está aprendendo aquele conteúdo, até ajuda no interesse e a aula fica mais proveitosa [...]. [A supervisora] coloca na lousa. Eu assisti às aulas dela e ela coloca na lousa os objetivos para os alunos anotarem. Fica mais fácil, pois os alunos se perguntam: “Por que eu estou aprendendo este conteúdo?”.[...] Nessas reuniões nós fomos convidados a aplicar uma aula com os alunos pelo projeto do PIBID [...] com a supervisão dela [...]. [...] A gente vê que o aluno enxerga a
gente com outro olhar, porque, enquanto a gente estava observando as aulas, eles viam a gente como companheiro e isso eu acho legal, porque a gente consegue entender mais sobre o aluno, mas, a partir do momento que você ministra uma aula, ele te vê com outro olhar. Eu achei bacana.
A análise das respostas dos seis licenciandos evidencia que as atividades e oportunidades ofertadas pelo programa são positivas e agregam valor à formação dos professores de Matemática, principalmente pela possibilidade da observação de exemplos, bem como pelo compartilhamento das experiências das coordenadoras e supervisoras do PIBID, que promovem a reflexão sobre a teoria e a prática docente nos momentos dedicados às reuniões.
Essa prática remete a uma importante reflexão de Freire (1996) sobre a sinergia existente no ato de ensinar, de aprender e de apreender:
O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fórmula farisaica do “faça o que mando e não o que eu faço”. Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporiedade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo. (FREIRE, 1996, p. 34)
Aos dados enunciados e analisados acrescentam-se as opiniões das duas Supervisoras sobre os aspectos que consideraram como facilitadores no trabalho do PIBID com os licenciandos (referente à Questão 2), que resultou nas seguintes respostas:
Supervisora CAHR – Com certeza. O Professor-supervisor ligado ao PIBID tem a oportunidade de compartilhar algumas experiências com os bolsistas, aprendendo metodologias inovadoras que, na maioria das vezes, não tem tempo de pesquisar e, em troca, compartilha com os bolsistas suas experiências da sala de aula. Então, nessa troca de saberes eles [Referindo-se aos Licenciandos do PIBID] também nos trazem algum conhecimento, ao passo que nós, na sala de aula,
[favorecemos os alunos] com as nossas experiências e com os
acontecimentos do dia a dia. Claro que essa troca de informações favorece a todos nós em nosso trabalho. (grifo nosso)
Supervisora NB – Sim, o programa está incentivando a formação dos docentes no Ensino Superior para a Educação Básica, ou seja, está contribuindo para a valorização do Magistério, elevando a qualidade de ensino na formação inicial dos professores nos cursos de licenciatura, promovendo a integração entre o Ensino Superior e a Educação Básica. E contribui também com a articulação entre a teoria e a prática necessárias para a formação do docente, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura, então, eu acho que o programa contribui muito. (grifo nosso)
E, em relação às maiores dificuldades encontradas para desenvolver o PIBID com os licenciandos (referente à Questão 3), as Supervisoras destacaram:
Supervisora CAHR – A maior dificuldade que eu encontrei foi na organização dos horários, mesmo porque todos trabalham, então, no momento de organizar o horário de nossas reuniões, horário da vinda aqui na escola, eu senti um pouco de dificuldade neste sentido. Supervisora NB – A minha maior dificuldade, hoje, é agrupá-los nas reuniões, porque todos têm um problema, então, eu consigo encaixar dois, não consigo encaixar o terceiro, o quarto, para dizer tal dia, tal hora, então, sempre tem este probleminha, da orientação no todo, esta parte é a mais difícil. E é importante, porque nessas reuniões nós levamos tudo a respeito do Magistério, da escola, do perfil do professor.
Verifica-se que as experiências das duas Supervisoras em relação aos aspectos facilitadores, bem como as relativas às dificuldades, apresentam semelhanças, o que leva a crer que, mais que uma opinião ou percepção, existem condições reais e práticas observadas pelas duas Supervisoras e que interferem positiva ou negativamente no trabalho desenvolvido. A dificuldade de conciliação dos horários para as reuniões apresenta-se como uma situação constante e recorrente, que buscam contornar, mas nem sempre com êxito.
Quando um grupo compartilha os saberes, fortalece o processo de ensino- aprendizagem, engrandece o projeto político pedagógico, porém, conforme afirmam as Supervisoras, as reuniões poderiam ter rendimentos melhores se conseguissem juntar todos os licenciandos nos mesmos horários.
Com relação a isso, Imbernón (2002) discute sobre a importância de reunir o grupo de professores para a socialização de problemas, temas, matérias e outros assuntos pertinentes ao universo da Educação e prática docente:
Um professor ou professora podem ter o mesmo conhecimento, sem que consigam compartilhar as decisões, a comunicação, a dinâmica do grupo, etc. por um problema de atitudes. Em suma, é necessário destacar a conveniência de desenvolver uma formação em que trabalhar as atitudes seja tão importante quanto o restante dos conteúdos. (p. 16)
Afirmamos, portanto, que um horário comum para a discussão em grupo aparece como a grande dificuldade encontrada para desenvolver o PIBID com os licenciandos, tendo em vista a necessidade e importância do trabalho em conjunto para compartilhar decisões (IMBERNÓN, 2002).
4 AS CATEGORIAS DE ANÁLISE EM INTERFACE COM AS
REPRESENTAÇÕES DOS LICENCIANDOS E SUPERVISORAS
Como já mencionado, selecionamos um conjunto de questões que receberam destaque, por constituírem a essência das opiniões, sentidos e significados desvelados nas análises das respostas dadas pelos licenciandos e supervisoras, que estamos tratando como o cerne das representações para um aprofundamento das discussões – e que destas derivaram as categorias definidas.