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INSTRUCTION DECODER

Dans le document MANUAL PDP-8/A (Page 182-195)

Foi solicitado aos entrevistados opinarem sobre se efetivamente a proposta do PIBID permite aos licenciandos vivenciarem a realidade escolar desde o início do curso e, uma vez inseridos no cotidiano escolar, se observaram ações de integração

entre a Universidade e a Escola (Questão 3 dos Licenciandos e Questão 4 das Supervisoras):

Licenciando BAO – O conteúdo é muito junto, bem impactante. Assim, sempre o que está sendo dado na faculdade, é o que eles estão dando na escola também [...].

Licenciando EOSB – [...] eu acredito que sim, porque o projeto que a gente faz no PIBID, pelo menos para mim, me ajudou muito. Até nos meus trabalhos, no Projeto de Inovação Pedagógica (PIP), tanto é que eu me inspirei no PIBID para o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). [...] Foi o PIBID que clareou a ideia e, de uma forma, ou de outra, ajudou-me até no PIP, até para apresentar os trabalhos. Acho que me ajudou em tudo. [O PIBID melhorou o seu dia a dia na

universidade?] Acredito que sim, [através] da convivência com as

pessoas. É preciso conversar, falar. Acredito que sim. Ajudou-me bastante.

Licenciando JCM – Sim, sim. [Exemplo] O próprio projeto que os “Pibidianos” fazem já é uma integração escola e universidade. Muitas vezes eu estou vendo uma matéria na faculdade que casa com o que os alunos estão tendo aqui. [...], pois conforme eu vou aprendendo lá na universidade, eu consigo ajudar mais os alunos aqui, na escola. Licenciando TPF – [...] observando as aulas, o conteúdo anda mais ou menos junto. Foi mais interessante para mim, porque tinha conceitos básicos que eu não lembrava, mas, aí, vendo as aulas, o professor estava dando aquele conceito básico que eu precisava usar para fazer algo mais complexo utilizado na universidade. Isso é o que anda junto, o conteúdo, querendo ou não, anda junto. [...] Às vezes, eu lembrava, às vezes, eu falava: “Nossa! Graças a Deus, veio uma luz!”, porque eu não lembrava.

Licenciando VAFV – [...] Sim, em vários aspectos, principalmente, no conteúdo que a gente aprende nas aulas de cálculo do curso [da

universidade] e aqui como o professor trabalha com os alunos. E,

além desta parte do conteúdo do cálculo, a gente percebe outras abordagens, como o planejamento, a didática, as abordagens de ensino. Por exemplo, eu identifiquei que esta é uma escola humanista [Referindo-se à escola em que atua através do PIBID], tem aula de protagonismo com os alunos e o Humanismo diz que o aluno é o protagonista do seu processo de ensino-aprendizagem. Então, eu consigo perceber vários aspectos que a gente aprende na teoria e aqui na prática. [...] O PIBID possibilitou que a gente pudesse ver essa integração, se não tivesse o PIBID... [Não seria possível?] Eu acho que não.

Supervisora CAHR – Sim. No subprojeto de Matemática são previstas algumas ações a serem executadas para que o projeto alcance seus objetivos. Por exemplo, a tomada de conhecimento do projeto político-pedagógico das necessidades dos professores que atuam nas escolas conveniadas, a fim de que sejam estabelecidas as atividades de apoio a serem desenvolvidas pelos bolsistas; também um aprofundamento de ações pedagógicas necessárias nas

escolas para os bolsistas, os professores e os professores- supervisores; ações em nível pedagógico para a elaboração e promoção das oficinas propostas; ações pedagógicas alternativas para o ensino de Matemática; e a realização de reuniões periódicas para a avaliação do desempenho de todos os membros envolvidos neste subprojeto.

Supervisora NB – O que existiu foi um evento da universidade, quando houve o convite para os alunos participarem dos jogos, demonstração do trabalho deles e acompanhamento. Neste aspecto, para o ensino da Matemática, o que teve foi isso aí, a oportunidade deles conhecerem a universidade, de conhecer o trabalho que a gente está desenvolvendo. Agora, o que o PIBID promove em relação à unidade escolar, na parte de Matemática, não houve.

Os licenciandos expressam claramente que vivenciaram a realidade escolar por meio das atividades desenvolvidas pelo PIBID e reconhecem que houve integração entre os conteúdos trabalhados no curso (a licenciatura em Matemática) e a prática realizada e observada nas escolas.

Em relação às supervisoras, CAHR acredita que sim, que houve integração. No caso da supervisora NB, pelo seu depoimento, acreditamos que a mesma entendeu a questão da integração entre a escola pública e a universidade, a partir de atividades que deveriam ser desenvolvidas com “os alunos da escola pública” na universidade.

Ainda sobre essa questão, da integração entre universidade e escola pública, segundo a maioria dos sujeitos, é vista de forma muito positiva e efetiva, o que confirma as discussões apresentadas no estudo avaliativo sobre o PIBID, já mencionado, e realizado pela FCC (2014):

Os licenciandos valorizam essa aproximação como algo social e educacionalmente relevante, como se o Pibid fosse uma porta que permitiu/obrigou as instituições de ensino superior, suas licenciaturas e professores a interagir com a rede escolar pública. Apontam ganhos com essa interface construída para ambos os lados. A IES aprendendo com as escolas, as escolas aprendendo com as IES. A contribuição das IES, com seus conhecimentos e possibilidades criativas, podendo levar algo diferente para as salas de aula, e as escolas oferecendo sua experiência no trato cotidiano com as vivências e aprendizagens dos alunos. Ganho mútuo. (p. 60)

Isso nos leva a refletir sobre a necessidade de romper o paradigma de supostas dicotomias, rígida hierarquia, diferenças e distâncias intransponíveis entre o conhecimento acadêmico e a aplicação prática do saber, entre “teoria e prática”, entre “ensinar e aprender”, entre “Universidade e Escola” como se pudessem (mas

não podem) ser atos ou campos do fazer completamente distintos, desconexos, tendo em vista que se fundem e se completam, não existem isoladamente, não existem sem articulação e conexão com a realidade vivenciada.

Assim, os licenciandos têm estabelecido relação entre o que se aprende na Universidade, a teoria, com o que estão vivenciando nas unidades escolares de forma prática, isto é, conseguem perceber que o conteúdo apresentado em suas aulas do curso de licenciatura é uma base para a construção do conceito matemático na Educação Básica, bem como também os recursos pedagógicos, as metodologias devem sair da Universidade e, de fato, chegarem aos bancos escolares:

O valor da teoria se revela no momento em que ela é transformada em prática. No caso da educação, as teorias se justificam na medida em que seu efeito se faça sentir na condução do dia-a-dia na sala de aula. De outra maneira, a teoria não passará de tal, pois não poderá ser legitimada na prática educativa. (D’AMBRÓSIO, 1996a, p. 43)

Podemos afirmar, então, segundo os relatos dos sujeitos, que a integração da Universidade e da Escola é promovida pelo PIBID, pois os conteúdos matemáticos que aprendem na Universidade são fundamentos teóricos que sustentam a Matemática escolar, e as teorias pedagógicas são necessárias para a construção de boas práticas.

Retomamos o estudo sobre o PIBID, da FCC (2014), quando indica que:

Há o reconhecimento de que o contato orientado com a escola e a sala de aula contribui com a formação dos Licenciandos agregando maior sentido à formação acadêmica, muitas vezes contribuindo para uma troca de conhecimentos mais significativa nas aulas e atividades na universidade, e ainda para a melhoria no desempenho do próprio estudante. Contribui para o clareamento de conceitos e a formação de pensamento crítico, ajudando a superar dificuldades nas disciplinas do curso. (p. 56)

Assim, ressaltamos que a aproximação entre a universidade e a escola pública, pela via do PIBID, vem promovendo importantes discussões dos licenciandos em suas aulas, quando apresentam/comentam sobre as suas experiências e vivências no cotidiano escolar – e isso estimula e incentiva os demais licenciandos e alguns professores das diferentes disciplinas do curso, a aprofundarem discussões sobre os conteúdos, a teoria e a prática.

3ª Categoria de Análise – A contribuição do PIBID para a melhoria da

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