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3.1 – TIPO DE ESTUDO

Relativamente à metodologia que utilizados na presente investigação, e tendo em conta o objetivo de estudo, achámos que não se ajusta a utilização de métodos científicos de índole quantitativo, dado que estes são caracterizados “por uma conceção global positivista, hipotético-dedutiva, particularista, orientada para os resultados” Carmo (2008:195). Optávamos, por isso, pelo paradigma qualitativo, dado que foi nosso propósito descrever e interpretar os dados recolhidos e não quantificá-los. Esta metodologia permite descrever situações, dividir os dados recolhidos por categorias e interpretar esses mesmos dados com base em fundamentos teóricos e sob a perspectiva pessoal do investigador (Wolcott 1994; cit. Ctreswell, 2002).

Os métodos e técnicas utilizadas no presente estudo relacionam-se com o modelo qualitativo, que se caracteriza por ter o ambiente natural como fonte de coleta de dados e o pesquisador como instrumento principal (Oliveira et al., 2001). Por outro lado, tem carácter descritivo, visando descobrir os significados que os sujeitos da pesquisa dão ao tema que está a ser investigado, bem como descrever e descodificar os significados colhidos na pesquisa (Neves, 1996, cit Oliveira et al., (2001).

No que concerne à investigação científica, esta contempla diversas formas de obter informação e recolha de dados, entre elas destaca-se a entrevista. É, deste modo, nosso objetivo descrever os resultados da investigação, tendo por base os dados recolhidos nas transcrições das entrevistas e na análise documental, aplicando, sempre que possível, o maior rigor possível (Carmo, 2008).

Inserimos, ainda, esta investigação num estudo de caso, na medida tem como objetivo analisar os factos num contexto restrito e que na presente investigação está representado por diversos atores pertencentes às seis freguesias agregadas no município de Baião.

Segundo Barañano (2008), um estudo de caso deve ser realizado para obter informação (fundamentalmente qualitativa) referente a um caso representativo de uma determinada população, tendo como objetivo conhecer melhor essa população. Yin (2004; cit. Oliveira, 2011) refere que o estudo de caso é utilizado quando as perguntas que guiam a pesquisa são do tipo “quando”, “como” “qual” e “porquê”.

Na presente pesquisa, a investigação procurou compreender de que modo é que a comunidade local “viu” a agregação das freguesias.

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3.2- TÉCNICAS DE RECOLHA E TRATAMENTO DE DADOS

A recolha de dados é considerado um procedimento intrínseco à investigação empírica, sobre os quais os investigadores se vão debruçar, para posteriormente serem elaborados, analisados e interpretados de forma a poderem ser transformados em resultados, a fim de se chegar a conclusões.

Para realizar o presente estudo recorreu-se, numa primeira etapa, à pesquisa bibliográfica. A segunda etapa foi feita através da elaboração de um guião de entrevista, onde recorremos à técnica de entrevista semi-estruturada a 19 atores selecionados (políticos, sociedade civil e elementos de associações locais), tendo decorrido nos meses de Fevereiro e Março de 2014.

Parte das entrevistas foram realizadas pessoalmente e outras enviando o guião de entrevista via internet, dado que em certas situações não houve a possibilidade de ajustar o horário entre entrevistador e entrevistado.

3.2.1 - Entrevista

A entrevista tem sido uma das técnicas amplamente utilizada em ciências sociais. “Esta é bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, creem, esperam, sentem, como também das suas explicações a respeito das coisas” (Gil et al. cit. Oliveira et al. (2001).

Bogdan (1994) entende que a entrevista é uma conversa intencional entre duas ou mais pessoas, sendo que uma deles desempenha o papel de conduzir a mesma e objetiva extrair as informações necessárias para obter determinada informação do entrevistado.

Na relação com o entrevistado é de suma importância a atmosfera criada. Assim, deve valorizar-se a empatia estabelecida, para que as respostas dadas sejam sinceras e claras em relação aos objetivos da investigação (Gomes & Cartea, 1995). Goldenberg (1997) refere que para se realizar uma entrevista com sucesso é necessário criara uma atmosfera amistosa e de confiança, não discordar das opiniões do entrevistado, tentar ser o mais neutro possível.

Na nossa investigação optamos por utilizar como técnica de base para a recolha de dados a entrevista semi-estruturada (ou semi-directa, de acordo com (Quivy et al. 1992), porque nos pareceu que seria o instrumento de recolha de dados que melhor se adapta aos objetivos a nos propusemos e, por outro lado, apesar do guião elaborado pelo investigador, permite ao entrevistado alguma liberdade para desenvolver as respostas segundo a forma que

81 julgue mais adequada, podendo explorar de forma flexível e aprofundada as questões que considere mais relevantes, porque esta técnica não exige uma ordem rígida nas questões.

Na entrevista semi-estruturada o entrevistador tem a faculdade de seguir um guião de perguntas, previamente preparado, que funciona como um eixo condutor que o pode orientar, sendo que, este guião pode garantir que diversos atores respondam às mesmas questões. Na relação com o entrevistado é importante que ele seja esclarecido quanto aos objetivos e natureza da entrevista de uma forma breve (Tuckman, 2000). Este tipo de entrevista é geralmente utilizado quando se quer delimitar o volume das informações, obtendo, deste modo, um direcionamento maior para o tema,

Segundo Quivy (2005), deve dar-se liberdade ao entrevistado para este que possa falar abertamente, não impondo rigidez no discurso nem na ordem das perguntas. O ideal é deixar o informante à vontade para que este não se sinta constrangido e possa falar livremente. O entrevistador deve esforçar-se por reencaminhar a entrevista para os objetivos pretendidos sempre que se aperceba que o entrevistado deles se está a distanciar.

Na presente investigação todos os participantes foram previamente informados e esclarecidos sobre o objetivo do presente estudo.

Relativamente à técnica de registo de dados recolhidos na entrevista, de entre os possíveis de serem utilizados, designadamente registos manuscritos, gravações áudio ou vídeo, no nosso caso especifico optamos por fazer o registo manuscrito, seguido da transcrição da entrevista verbatim e respetiva análise.

3.2.2– Elaboração do Guião de Entrevista

O guião de entrevista é instrumento que funciona como eixo condutor de toda a entrevista e que nos permite a recolha de informações imprescindíveis para o posterior tratamento de dados.

Assim, para obtermos a consecução dos nossos objetivos elaboramos cinco guiões de entrevista, cujo objetivo principal foi indagar junto do Presidente da Câmara Municipal de Baião, Presidente da Assembleia Municipal de Baião, Presidentes de Junta das Freguesias agregadas, Presidentes de Direção das associações desportivas e sociedade civil, a suas opiniões sobre a agregação de freguesias no município de Baião.

Para procedermos à elaboração do guião de entrevista tivemos como base os diversos debates públicos que à data se realizaram sobre o tema em questão, bem como o conteúdo da documentação que serviu de base à reforma administrativa do território: agregação de

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freguesias. Para tal, consultamos o DVRAL, a Proposta de Lei n.º 44/XII e lei n.º 22/2012/, de 30 de Maio.

Deste modo, pretendemos saber se o lado económico justificou a agregação, se as freguesias agregadas se sentem mais próximas, se a identidade local foi alterada e se pelo facto dos “novos” territórios se tornarem maiores, quer em dimensão territorial, quer populacional, se verificou algum impacto a nível das dinâmicas territoriais locais.

3.2.3 - Análise Documental

A análise documental está na base dos projetos de investigação. Constitui uma técnica importante na pesquisa qualitativa, seja complementando informações obtidas por outras técnicas, seja descobrindo aspetos novos de um tema ou problema (Ludke e André, 1986).

No presente trabalho de investigação, a nossa análise documental incidiu sobre bibliografia existente sobre a História de Portugal, Reformas Administrativas havidas em Portugal e na Europa, artigos científicos, legislação portuguesa, teses de doutoramento e dissertações de mestrado sejam elas impressas ou consultadas através da Web.

A aquisição de novas informações e conhecimentos está sempre em aberto. Conhecendo o que foi elaborado por outros contribui para aceder a diferentes perspetivas de conhecimento e valoriza a própria investigação. Na opinião de Quivy e Campenhoudt (1998:51), com a qual concordamos, “seria ao mesmo tempo absurdo e presunçoso acreditar que podemos pura e simplesmente passar sem esses tributos, com o se estivéssemos em condições de reinventar tudo por nós próprios”.

3.3 – TRATAMENTO DE DADOS

Sem descorar todas as etapas inerentes a uma investigação a análise e tratamento de dados têm um papel de suma importância no âmbito dos estudos científicos.

No sentido da prossecução dos objetivos que nos propusemos levar a efeito, optamos pela técnica de análise de conteúdo, referente à interpretação dos dados recolhidos através da entrevista e na análise documental. Para FlicK (2009 citado por Mozzatto e Grzybouvski 2011) a análise de conteúdo além de realizar a interpretação após a colheita de dados, desenvolve-se por meio de técnicas mais ou menos completas.

83 O tratamento de dados foi efetuado através da leitura exaustiva e interpretação das entrevistas que foram transcritas, tentamos manter sempre o distanciamento necessário para que não houvesse influência nos resultados.

Os discursos dos entrevistados foram agrupados de acordo com as diferentes categorias e subcategorias.

As etapas do tratamento dos foram as seguintes: • Transcrição de entrevistas;

• Separação de entrevistas pelos diversos grupos de atores envolvidos na entrevista; • Identificação dos entrevistados por códigos: foram entrevistados seis presidentes de junta de freguesia os quais foram identificados como P1, P2, P3, P4, P5 e P6; cinco presidentes de Associações identificados com o código: A1, A2, A3, A4 e A5; seis pessoas provenientes da sociedade civil, sendo-lhes atribuído o código: S1, S2, S3, S4, S5 e S6 e por último o Presidente da Câmara Municipal de Baião designado por B1 e o Presidente da Assembleia Municipal com a codificação M1.

• Leitura das entrevistas para se organizar o discurso dos entrevistados, para que sejam reagrupados de acordo com as categorias.

• Levantamento das unidades de registo através das passagens do texto que pareçam mais relevantes de acordo com os objetivos estipulados da investigação;

• Tratamento, inferência e interpretação dos resultados66.

66Segundo Bardin (2006) cit Mozzato e Grzybovsky (2011), ocorre nela a síntese e o que de mais relevante se destacou nas informações para

CAPITULO IV