Etude des performances du mod`ele adapt´e
2.3 Restitution de r´ ef´ erence
2.3.1 Restitution de r´ ef´ erence, avec la temp´ erature fix´ ee (I)
de bens simbólicos (artistas, músicos, designers, professores etc.), muitos desses bens são utilizados socialmente como signos distintivos, contribuindo para a realização das dife- renças entre as classes sociais por meio de distinções entre os estilos de vida, o que faz com que o designer participe, mesmo sem sabê-lo, da manutenção da estrutura que divide a sociedade em diversas classes sociais.
Para demonstrar que o campo do design não é caracterizado pelo consenso puro e simples entre seus membros, o presente relato lança mão da noção de illusio (bourdieu: 1996c, 2001), que vem a ser a crença básica partilhada por todos os membros do campo a respeito daquilo que os une sob o mesmo espaço social e em nome da que vale a pena bater-se. Trata-se, neste FDVRGDFUHQoDGHTXHH[LVWHXPDHVSHFL¿FLGDGHGDDomRKXPDQDGHQRPLQDGD³GHVLJQ´TXH deve ser discutida, teorizada, descrita, normatizada, defendida e distinguida das demais práti- cas correlatas, o que se realiza ininterruptamente por meio de tomadas de posição, manifestas em entrevistas, artigos, depoimentos, aulas, teorias, curadorias, e até mesmo em projetos de objetos, que trazem implícitas determinadas visões de mundo e do próprio design que não são exatamente coincidentes com as visões defendidas por outros partícipes ou grupos do campo. Em termos esquemáticos, trata-se da luta concorrencial entre as concepções ortodoxas de de- sign de um lado, e as concepções heterodoxas de outro (bourdieu: 2001), travada pelos agentes GRFDPSRDRORQJRGRWHPSRHPWRUQRGDGH¿QLomRGHVXDV³YHUGDGHV´HVVHQFLDLVbourdieu: RXVHMDGDVFRQFHSo}HVGRGHVLJQWLGDVFRPRPDLVFRUUHWDVGRVFULWpULRVTXHGH¿QHP RVPHOKRUHVHRVSLRUHVSURMHWRVEHPFRPRRVSUR¿VVLRQDLVPDLVSUHSDUDGRVHQROLPLWHR próprio conceito de design (o que inclui a caracterização daquilo que não merece esta alcunha). Nas páginas a seguir serão apresentados alguns aspectos que estruturam essa luta con- correncial no Brasil, buscando compor uma versão da história do campo brasileiro do design, que só pode ser compreendida adequadamente mediante o entendimento de que os agentes HQYROYLGRVQDEDWDOKDQmRHVWmRSOHQDPHQWHFRQVFLHQWHVGHTXHKiXPFRQÀLWRHTXHGHOHSDU- ticipam, posto que o mesmo não se realiza de maneira declarada, e nem sempre está ligado à escolha consciente dos indivíduos, embora eles possam escolher suas formas de adesão, na me- dida em que reconheçam suas próprias condições e posições na luta (bourdieu: 2001; 2008a). O fato da batalha concorrencial que estrutura o campo não ser empreendida direta e cons- FLHQWHPHQWHSHORVLQGLYtGXRVHVWiOLJDGDDRXPGRVHL[RVRUJDQL]DGRUHVGHVWDUHÀH[mR7UDWDVH do fato de que tal luta é travada principalmente por intermédio de instituições (às quais estão YLQFXODGDVDVSHVVRDVFXMDDWXDomRGLOXLRFRQÀLWRHVWUXWXUDODRORQJRGRWHPSRWRUQDQGRR irreconhecível enquanto tal em grande parte dos episódios relevantes do campo (embora não HPWRGRVHOHVHID]HQGRFRPTXHDDWXDomRGRVLQGLYtGXRVQRFRQÀLWR¿TXHHQFREHUWDWDQWR pelo protagonismo institucional, como pelos fatos corriqueiros do cotidiano que, ao ocuparem os agentes, os mantém pouco ou nada conscientes do jogo do qual participam.
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Outro problema abordado na tese diz respeito às duas principais posições em disputa no campo em questão: trata-se, por um lado, da concepção que vincula o design à ciência e à cultura e, por outro, daquela que o vincula à economia e ao mercado, sendo que ambas as posições apresentam-no, em geral, como instrumento de valorização do homem e da humani- dade em suas diversas dimensões, porém com diferentes argumentos. Esta tensão é discutida especialmente nos capítulo 4 e 5, por meio da análise de um conjunto de resumos publicados nos anais do 9o Congresso P&D (Congresso de Pesquisa e Desenvolvimento em Design), e está
OLJDGDDRDQWDJRQLVPRHQWUHRPXQGRFLHQWt¿FRHRPXQGRGDVWURFDVHFRQ{PLFDVYXOJDUHVHj oposição entre o campo erudito e o campo da indústria cultural.
Conforme ensina Bourdieu, a diferença entre essas duas esferas reside no fato de que os produtores do campo erudito tendem a produzir – neste caso, projetos, pesquisas e discursos VREUHGHVLJQ²VHJXQGRFULWpULRVGH¿QLGRVSRUHOHVPHVPRVHTXHVHH[SULPHPQXPDOLQ- guagem (verbal ou estética) tão hermética e especializada, que tende a ser entendida somente por seus pares. Já os produtores da indústria cultural tendem a dedicar suas produções à con- quista do grande público (ou seja, um público não-especializado), por meio da vulgarização da linguagem, com vistas a atingir a maior audiência possível e angariar os chamados “sucessos de vendas” e grande popularidade (bourdieu: 2001). O antagonismo entre os produtores do campo erudito e os produtores da indústria cultural se refere, assim, às diferentes relações estabelecidas por esses dois grupos com os lucros materiais potencialmente advindos de suas SUiWLFDVVHQGRDSRVLomRHUXGLWDLQFOLQDGDDRRFXOWDPHQWRGRVLQWHUHVVHVPDWHULDLV¿QDQFHL- URVHjGHIHVDGHYDORUHVWLGRVFRPRPDLVQREUHVWDLVFRPRRLQWHUHVVHFLHQWt¿FRDUWtVWLFR humanístico ou cultural), se expressando em grande parte das tomadas de posição dos produ- tores intelectualizados (neste caso, uma grande parcela dos designers e pesquisadores ligados ao campo acadêmico). De acordo com esta hipótese geral, os produtores da indústria cultural seriam motivados, sem disfarces, pelos lucros materiais advindos da comercialização do de- sign nos circuitos mundanos (bourdieu: 1996b; 2001; 2008b), sendo esta a discussão central nos dois últimos capítulos desta tese.
A segunda e a terceira hipóteses da teoria do campo consideradas nesta pesquisa se refe- rem ao seu processo de autonomização em relação às pressões e imposições advindas de ins- tâncias exteriores ao campo e, em particular, do mercado (bourdieu: 2001). Tendo como ponto GHDSRLRDLGHLDGHDXWRQRPL]DomREXVFDPRVLGHQWL¿FDUHGLVFXWLUDVUHDo}HVPDLVUHOHYDQWHV do campo do design às imposições econômicas, de um lado, e culturais/ambientais/sociais de outro, sendo este um dos debates dos capítulos 4 e 5, nos quais são discutidas as estratégias utilizadas pelos seus membros intelectualizados para promover o reconhecimento social de que os designers são os verdadeiros e legítimos especialistas no assunto e, portanto, os verda- deiros e legítimos detentores do direito a agir e falar em nome do design. As demais hipóteses bourdiesianas aqui consideradas referem-se ao duplo valor dos bens simbólicos (neste caso, os objetos e sistemas projetados pelos designers), às condições sociais de constituição deste