• Aucun résultat trouvé

Response to Roger Bagnall paper:

Querer conhecer de perto uma escola é muito mais do que perceber como são suas instalações físicas. Porém, para compreender a vida diária escolar de alunos e professores, é preciso situar onde as relações se estabelecem, dentro de que estrutura e em quais condições de infraestrutura os processos de escolarização acontecem. Serão detalhados, a seguir, os aspectos relevantes acerca da estrutura da escola que versa essa pesquisa.

A escola municipal na qual a pesquisa aconteceu fica situada em uma região popular de um bairro grande e bastante povoado de Salvador. Embora não se localize em nenhuma das avenidas principais do bairro e seja longe do centro da cidade, a escola fica em uma rua de fácil acesso, tendo em seu entorno alguns pontos de comércio, posto de saúde, escola estadual de Fundamental II e ponto de ônibus, além de uma praça pública com amendoeiras, a qual alunos e moradores frequentam assiduamente, realizando até festas no local.

Em relação à estrutura da escola propriamente dita, ela é pequena, tem seu espaço mal distribuído e com pouca área para os alunos correrem, dando a impressão de que o lugar não foi construído para funcionar como uma escola. Logo na entrada tem um portão, o qual normalmente era mantido fechado e sob responsabilidade de um dos vigias que ali trabalhava. O portão dava acesso ao pátio da escola, o qual é descoberto, tem o chão de cimento batido, uma árvore no meio que, por ter galhos espalhados, dá pouca sombra e bancos de concreto semelhantes a arquibancadas antigas ao redor. Como não há quadra de esporte, é nesse pátio que os alunos faziam aulas de educação física; é também no pátio que os alunos ficam brincando durante o recreio.

Próximo ao pátio (com visão para ele) fica a sala da secretaria, a da diretoria e mais outra, que, algumas vezes, era usada para as atividades do Programa Mais Educação5, e em outros momentos era usada para as aulas do reforço escolar. A secretaria tem um espaço relativamente extenso, com alguns armários, nos quais ficam as pastas dos alunos, duas mesas e poucas cadeiras. Além disso, a sala tem uma janela bem grande toda gradeada e uma porta que normalmente fica aberta. Na sala da direção ficam a diretora e a vice-diretora. É um espaço pequeno, que tem uma janela de tamanho padrão também com grade e uma porta. Dentro da sala tem duas mesas, uma para cada gestora; sendo que na da diretora, há duas cadeiras na frente, para quando ela recebe pais, representantes da secretaria etc. Além disso, a sala também tem um armário grande cinza típico de sala de aula e um armário menor com várias gavetas, que parecia ser um local de guardar documentos. Na parede acima da mesa da vice-diretora existe um quadro com calendário, lembretes, cartazes sobre propostas de formação para professores e recados.

Passada a porta da diretoria, há um gradeado que divide o restante do pátio a um corredor largo; essa grade fica aberta todo o tempo, sendo fechada apenas ao final do período. Ao lado direito desse corredor há uma grande bancada de concreto, onde vários alunos sentam para lanchar. Nesse mesmo corredor, do lado esquerdo tem uma sala que normalmente encontra-se fechada e outra em que ficam os livros em estantes, uma mesa, algumas cadeiras e uma televisão. Quase ao final do corredor tem dois bebedouros e a cozinha da escola, na qual há uma bancada por onde os alunos recebem a merenda escolar. Essa cozinha é bastante espaçosa e tem uma mesa, alguns bancos, duas pias, freezer, fogão e micro-ondas.

Ao final do largo corredor há dois pequenos lances de degraus, um seguindo reto e o outro à sua direita, em frente à bancada da cozinha. Ambos os lances levam a uma parte mais alta, com alguns lugares de chão batido e outros com piso, onde se localiza a maioria das salas de aula da escola; à direita desse espaço há um corredor com duas salas; em uma localização mais central tem um espaço coberto, com uma mesa típica de refeitório e mais à esquerda outro corredor com mais três salas. Além das salas, nesse espaço há também dois banheiros e algumas torneiras. Passando por um estreito corredor, um lugar bastante escondido, há mais duas salas de aula.

5

Para além das instalações mencionadas, vale ressaltar também que a escola é bastante quente, pois, por ser poente, o sol da tarde bate na maioria das salas e espaços comuns. Fora o fato de a escola localizar-se no poente, a disposição da estrutura física dela não favorece muito a circulação de ar.

Caracterizado o espaço físico da escola de forma mais geral, cabe agora falar um pouco sobre os aspectos estruturais observados na sala de aula do 3º ano B, local que mais houve convivência com os alunos e a professora, por estar semanalmente junto com eles durante todo o turno da tarde.

4.1.1 Instalações físicas da sala de aula do 3º ano B: caracterização necessária

A sala de aula do 3º ano B era a segunda após a pequena escada que dava na parte superior da escola. Ela fica em frente ao banheiro, mas em nível um pouco acima, com um batente para subir na porta de entrada.

A sala tem piso branco, paredes pintadas de verde, com azulejo branco até a metade dela. Há mesas e cadeiras pequenas para os alunos nas cores branca e vermelha, todas enfileiradas. Do lado esquerdo fica a mesa e a cadeira da professora, em cor cinza; na mesma parede da porta fica o quadro branco e na parede à direta o armário de ferro, também na cor cinza.

Nas paredes da sala era possível ver um calendário, um mural com algumas páginas de revista que falavam sobre alimentos saudáveis, desenhos que chamavam atenção para conscientização sobre a importância da água e cartazes sobre a prevenção da dengue; em outra parede ficava um desenho do mapa do Brasil, com a divisão dos estados.

O espaço interno da sala é pequeno e nela não há janelas. A circulação de ar fica por conta da porta e de saídas de ventilação existentes na parede que fica acima do quadro branco. Devido à falta de janela e ao fato de ser poente, faz muito calor dentro da sala.

O local tem originalmente apenas um ventilador, que fica fixado na parede esquerda da sala; o outro era trazido pela professora e ficava apoiado em uma das mesas de estudante, normalmente permanecendo virado para a professora da turma.

A sala de aula (como foi possível notar) tem más condições de instalação física, é apertada para a quantidade de alunos que havia na turma e é muito quente. O incômodo que esses fatores geram fica claro em uma das falas da professora:

Querem que eu mantenha meus alunos em sala de aula, sem deixá-los circular pela escola. Mas como eu posso fazer isso, se até eu tenho vontade de sair dessa sala quente e apertada? Sempre que eu posso, eu saio. Eu poderia pedir para algum aluno ir buscar um material que eu esteja precisando, mas eu prefiro ir eu mesma.

A qualidade do ensino oferecido e o processo de aprendizagem perpassam também por questões de infraestrutura. Oferecer uma sala de aula quente e apertada e esperar que os alunos superem essa condição e vivam um processo de escolarização fluido e potente é negligenciar a luta por melhores condições da escola pública, necessidade tanto dos alunos quanto dos professores. É preciso atentar para o fato de que a melhoria da estrutura física sozinha não quer dizer que haverá mudanças significativas na escolarização dos alunos no 3º ano B, pois há uma série de outros fatores imbricados. Porém, naturalizar tal condição estrutural é auxiliar na naturalização das dificuldades enfrentadas por alunos e professora, dando, assim, margem para a individualização do fracasso escolar.