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3.2 Copyright and Sustainability
Assim como visto dito no tópico anterior, o espaço só pode ser compreendido através da experimentação feita através do corpo. Esta é assimilada através dos captadores (sentidos). Dessa forma observemos o esquema a seguir:
Figura 80 – Processo de análise do espaço através do corpo. Fonte: A autora.
A figura acima ilustra o processo que ocorre, de forma bastante simplificada, quando o corpo procura apreender o espaço. O corpo, através dos seus captadores
(sentidos) identifica a dimensão material que compõe a obra total165 e interpreta a relações entre os materiais. Essa captação nos concede a percepção da dimensão física dos limites, o invólucro de Evaldo Coutinho (escultura). A obra de arte
arquitetônica, formada pelo vazio, pelo espaço delimitado pela sua escultura – materiais e limites – unida com as artes plásticas – elemento neste caso não
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Entende-se por obra total a obra maior que corresponde ao trabalho dos arquitetos e artistas plásticos juntos.
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adicionado, mas componente da dimensão escultural da arquitetura, ou seja, parte integrante – e as relações entre estas duas partes constituem o espaço que procura ser apreendido. Este espaço é o que chamamos de obra total, pois ele resulta da junção da obra arquitetônica com a obra de artes plásticas.
Dessa forma, temos a dimensão material como ponto que faz a intermediação entre o corpo e o espaço. É através da percepção da escultura que se inicia a apreensão do espaço.166 A dimensão material é estudada pelos captadores do corpo (sentidos). O espaço composto pela obra total se expressa para o corpo através desta relação de materiais e não-materiais167. Esta relação delimita e define o construído e o não- construído, a escultura ou invólucro, constituindo o espaço.
Como forma de sintetizar este esquema em uma forma de aplicá-la
metodologicamente a um espaço, foram identificados três eixos de análise principais e alguns questionamentos sobre eles, sendo:
a. Dimensão sensorial
Quais os sentidos estimulados? Como? Como se encontra o aspecto tátil das
superfícies arquitetônicas (pisos, paredes, teto) em relação à obra de arte? Como se dá a relação a obra de arte plástica com os transeuntes/habitantes? Que sensações esta relação desperta?
b. Dimensão material
Quais os elementos presentes? Qual o tipo de obra de arte plástica? Os materiais utilizados e as formas de tratamento das superfícies da obra total. Quais são os tratamentos utilizados? Quais as texturas? Qual a forma de contato da obra de arte plástica com a arquitetura?
c. O espaço da obra total
Como está organizado o invólucro? Como a obra de arte plástica está inserida no espaço? Há alguma preocupação em elementos como o piso para direcionar o olhar para a obra de arte plástica? Quais as delimitações do espaço de admiração? Qual a relação deste espaço com outros? Quais as possibilidades de apreciação da obra
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Diga-se inicia porque o espaço também envolve outras dimensões, que não apenas material. 167
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de arte plástica? Luz. O trabalho com a iluminação. De que forma o ambiente recebe a influência da luz/sombra? Cores. De que forma a cor é utilizada no espaço criado para a apreciação da obra de arte plástica? Há incorporação da obra de arte plástica no cumprimento de atividades rotineiras do dia-a-dia, como, por exemplo, dirigir-se ao elevador?
A partir destas questões, foi desenvolvida uma ficha (anexo 1) para ser aplicada aos estudos de caso. A ficha contém primeiramente uma área de preenchimento básica com os dados da obra de arquitetura e a obra de arte. A seguir têm-se três caixas básicas que se referem aos eixos de análise identificados há pouco e outra área para observações adicionais.
É importante frisar que na caixa da análise sensorial foi feita um recorte, deixando esta com a análise de dois sentidos: tato e visão. Embora tenhamos visto que a crítica maior de Pallasmaa seja sobre o prevalecimento da visão sobre os outros sentidos, destacamos aqui que foi decidido fazer este recorte apenas a fim de simplificar a pesquisa de leitura do espaço, e o tato e a visão foram os sentidos eleitos por estarem mais ligados à dimensão material. Lembremos que, segundo Coutinho, é a escultura que encerra a matéria da arquitetura, o espaço, reforçando mais uma vez a nossa defesa de que os sentidos mais ligados à questão material podem nos ajudar a entender o vazio, mesmo que de forma mais simplificada. Vale salientar também que através desta análise utilizando-se de dois sentidos, não estamos, de forma alguma, afirmando que alguns sentidos são mais ou menos importantes que outros, apenas estamos simplificando o estudo a ser feito. Além disso, sabe-se que a criação e aplicação de fichas não conseguem dar conta da complexidade de relações que existe para se apreender um espaço, mas este se mostrou como um meio viável para a sistematização dos dados.
4.2.1 Espaço interno x espaço externo
À medida que as visitas foram sendo realizadas, muitos outros questionamentos surgiram, e a questão do espaço externo apareceu como um impasse. Como analisar o espaço que não é delimitado fisicamente como um ambiente de um hall de um edifício ou uma sala de visitas? Onde está a escultura (invólucro) do espaço externo? Sabe-se que as formas de artes plásticas escolhidas para serem
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analisadas neste estudo limitam-se a painéis, murais e esculturas, e em alguns momentos encontramos painéis de azulejos que revestem toda ou parte da fachada de um edifício, ou uma escultura que está localizada na área externa da construção. Sabe-se que este trabalho procura entender como a integração entre obra de arte plástica e o edifício acontece através da interpretação do espaço que faz a
integração entre os objetos de artes plásticas e o edifício, como se fosse algo limitado, criado para acolher este diálogo entre as artes. Assim sendo, como ficaria esta questão dentro de um espaço não delimitado pelo edifício, um espaço externo? Para esta pesquisa acredita-se que resposta está na escala da análise. Em casos de painéis que revestem toda uma fachada, continua-se a ter a obra do artista
interagindo com a obra do arquiteto dentro de um espaço, e esta relação atinge os olhos de quem está observando a curta distância (como uma observação micro da obra, na escala dos detalhes), ao mesmo tempo de quem está longe, observando o volume do edifício numa escala macro, do observador da rua, da cidade. Sobre as paredes divisórias dos lotes, Coutinho destaca:
As devessas que separam as secções do território sem arquitetura, são meramente convencionais em sua condição de sebes, desprovidas de meios para fomentar, nos trechos que elas delimitam, a coordenação de seus elementos; diferem, portanto, das paredes que configuram um ser precisamente definido, com elas, além de sua função demarcatória, a colaborarem no concerto dos penetrantes valores, ora fechando-se em mural, ora entreabrindo-se em vazaduras, consoante exija a combinação daqueles valores. Assim, o lugar arquitetônico, instituindo-se em face dos vindouros recheios, incorporando a ritualidade que será a mesma enquanto persistir o prédio, é o resumo de universalizadora franquia; sendo a cidade a aglomeração de ensejos em que aprimoram as relações entre pessoa e o local, e o acúmulo de estadias que transcendem dos atuais ocupantes e as positiva, em contemporaneidade única.168
Desta passagem podemos concluir que as paredes que delimitam o lote sem nenhum tratamento ou nenhum outro objetivo que não seja a função de dividir, não configuram um espaço arquitetônico. Já no caso daquelas que recebem um
tratamento especial, artístico, estas conformam a base para a obra de arte, quase como a tela branca para o artista pintar, e só assim ela deixa de ser uma parede meramente divisória e passa a ser um objeto de arte inserido num espaço para ser observada. No caso de uma fachada de um edifício que recebe o revestimento de um painel em todo o seu plano de extensão, pode-se definir o lote do terreno como o espaço onde a obra se insere (considerando a face do edifício como a base de
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aplicação da obra de arte) e esta relação pode ser observada de perto (micro – dentro do lote) ou de longe (macro – de fora do lote, ou da rua).
Assim, a forma de se analisar o espaço interno ou externo será a mesma, considerando-se apenas uma escala de observação a mais (macro), o que não acontece nos casos de espaços internos.
A partir da experimentação dos espaços e do preenchimento das fichas foram eleitos alguns eixos de classificação em relação a como se dá a relação da obra de arte com a arquitetura. Estes serão apresentados no fim do tópico a seguir.