O programa Fome Zero é muito bonito no papel, porém na prática esta beleza ainda não foi demonstrada.
Para resolver a questão da fome no Brasil é preciso que se crie um novo modelo de desenvolvimento econômico que privilegie o crescimento com distribuição de renda, e com isso recuperar o mercado interno, gerando empregos.
Porém o governo até o momento não apresentou nenhuma política de criação de empregos. O projeto aprovado pela câmara intitulado Primeiro Emprego é apenas um paliativo. Porque o incentivo oferecido pelo programa esta tomando outro rumo, algumas empresas demitem funcionários com algum tempo de serviço e admitem jovens dentro da linha do projeto primeiro emprego, beneficiando-se dos incentivos. Com esta ação alguns pais de família perdem seu emprego em virtude do emprego para jovens.
Não que o projeto primeiro emprego esteja errado, porém, deve haver uma fiscalização nas empresas que se beneficiam dele. Observando as demissões futuras como o programa prevê, mas também um histórico das demissões feitas que geraram aquelas vagas.
Como o programa está se limitando a políticas emergenciais ou assistenciais, e ainda não está atuando nas causas estruturais da fome e da miséria, como o desemprego, o baixo nível de renda e a concentração de renda, será mais um plano com políticas assistencialistas perpetuando o problema da fome.
Para se fazer o cálculo do quanto custará o plano, o governo deveria fazer um levantamento, um senso, para saber das necessidades das classes menos privilegiadas, como alimentação, moradia e educação, porque um individuo pode ter
onde morar e passar fome ou ter alimentação e não ter onde morar e muitos não possuem educação.
Dom Mauro Morelli (2003) coloca: o doador se alimenta com a bondade de seu gesto, sem garantir o pão de cada dia ao faminto. Provoca-se muito mais ansiedade do que saciedade, sem promover o direito básico de cada ser humano ao alimento e à nutrição.
Na mesma matéria a coordenadora nacional da pastoral da criança, Zilda Arns, afirmou discordar da proposta do governo de condicionar o repasse de verbas a famílias carentes à entrega de Nota Fiscal e recibos. É impossível controlar toda a gente que seria necessária contratar para fazer este controle. Aconselharia ao programa que, em vez de gastar no controle, se gaste na educação dessas famílias, o que a Pastoral faz no Brasil, afirmou Zilda.
Para o Presidente da OAB, Roberto Antonio Brusato (2003 ), o Fome Zero é bom enquanto slogan, mas até agora não disse a que veio. Colocou que o que o Brasil precisa é de ações concretas do governo para a redução das desigualdades sociais.
Segundo Lisboa e Couto (2003), o Fome Zero apesar de demarcar que o social é prioritário, está sendo tragado pelo conservadorismo econômico que volta a comandar as ações políticas.
Dos projetos implantados pelo Fome Zero, o Bolsa Família é o mais polêmico. Pois não está havendo controle e as idéias sugeridas são um tanto sem nexo, como a de controlar a freqüência dos alunos com cartão eletrônico, num país que em muitos locais não existe energia elétrica.
4. CONCLUSÃO
A proposta deste trabalho foi estudar a fome no Brasil sob o enfoque do projeto do governo federal Fome Zero.
Nas leituras feitas foi possível observar que no Brasil a fome não existe por falta de alimentos, mas sim por falta de renda por parte da população para adquiri- los, em quantidade e qualidade adequados. Pois a renda está mal distribuída e uma parcela da população não têm acesso a quantidade mínima de alimentos para garantir a sobrevivência digna.
Existe uma parcela da população que passa fome em decorrência de fortes secas, porém se tivessem uma renda mínima, poderiam adquirir alimentos.
Hoje a fome é observada em várias partes do país. Não existe região que concentre só pobres, na periferia das grandes cidades cresce o número de favelas, onde grande número de favelados vivem em condições precárias, sem condições dignas de sobrevivência, sem condições de alimentar-se adequadamente.
O Programa Fome Zero do governo federal, foi criado para combater a fome nas suas causas estruturais. O programa tem três frentes: conjunto de políticas públicas; construção participativa de sua política nacional de segurança alimentar e nutricional; e um grande mutirão contra a fome, atuando nas três esferas do governo.
O programa Fome Zero quando for aplicado em sua totalidade será muito mais que doação de alimentos: ele procura neutralizar os efeitos da fome, atacando as causas, possibilitando que todas pessoas possam comer dignamente.
Um dos objetivos do programa Fome Zero é aumentar a renda dos trabalhadores na cidade e no campo, através da criação de emprego. Se este
objetivo for atingido, diminuirá a fome de muitos cidadãos e movimentará a economia das regiões beneficiados.
No Brasil, assim como em outros paises, é difícil de encontrar o foco da pobreza. No caso da alimentação, a sociedade não tem como garantir igualdade de oportunidades para todos e estabelece-se uma armadilha social.
Abordei a experiência do SESC com seu projeto Mesa Brasil, que é uma ação de solidariedade e de combate a fome, que tem uma proposta nacional, e em Santa Catarina atua na cidade de Florianópolis, com Colheita Urbana.
Colheita Urbana é a coleta de alimentos diariamente nos colaboradores cadastrados, com seleção e distribuição nas entidades cadastradas.
A conclusão que cheguei com este trabalho é que para se fazer justiça social é muito difícil, principalmente num país com tantas desigualdades.
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