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3.4 Preserving and Sustaining the Life of Digital Projects: Institu- Institu-tional Obstacles
Para o estudo, foram eleitas treze edificações produzidas entre os anos de 1951 e 1976, compreendendo edifícios públicos e privados, com diferentes programas e que possuem significativos espaços de integração entre arte e arquitetura:
Ano Obra Arquiteto Uso original Tipo Obra de arte Autor
1951 Biblioteca de Casa Amarela
Heitor Maia
Neto Biblioteca Público Painel externo Hélio Feijó (AP)
1955 Residência Torquato de Castro Heitor Maia Neto Residência unifamiliar Privado
Painel interno Reynaldo
Fonseca (AP) Painel externo (ladrilhos cerâmicos) Corbiniano Lins (AP) Escultura externa Corbiniano Lins (AP)
1957 Edifício Acaiaca Delfim Amorim e Lúcio Estelita Residência multifamiliar Privado Painéis de azulejos (fachadas) Delfim Amorim (ARQ) 1958 Residência Isnard de Castro e Silva José Norberto Castro Silva Residência unifamiliar Privado
Painel interno Reynaldo
Fonseca (AP) Mosaico
externo Não identificado
1960 Biblioteca Central / UFPE
Valdecy Pinto e
Antônio Didier Biblioteca Público Vitral
Baldini (AP), Aurora (AP) 1960 Edifício Santo Antônio Acácio Gil Borsoi Edifício de lojas e escritórios Privado de uso público
Painel interno Acácio Borsoi
(ARQ)
Portão-painel Corbiniano Lins
(AP) 1968 Edifício Sede da SUDENE Maurício Castro e equipe Edifício público – administrativo Público Painéis de baixo relevo (anexo e biblioteca) Paulo Roberto (AP/ARQ) Piso do pav. térreo Francisco Brennand (AP) 1972 Edifício Sahara Vital Pessoa de
Melo
Residência
multifamiliar Privado Painel interno
Anchises Azevedo (AP)
119 1972 Edifício Sede da CELPE Vital Pessoa de Melo e Reginaldo Esteves Edifício público – administrativo Público
Painel interno Neves (AP)
Painel interno Francisco
Brennand (AP) 1972 Edifício Sede da RFFSA Frank Svensson e Marcos Domingues Edifício público – administrativo
Público Painel interno Francisco
Brennand (AP) 1973 Edificações do Parque Histórico Nacional dos Guararapes Armando de Holanda portaria / administração / lanchonete Público Painéis de azulejos das fachadas – administração e lanchonete Athos Bulcão (AP) 1975 Edifício Sede da CHESF Maurício Castro e Dinauro Esteves Edifício público – administrativo Público Escultura externa Corbiniano Lins (AP) Vitral bloco principal Francisco Brennand (AP)
Painel interno Francisco
Brennand (AP)
Painel interno Mirella Andreotti
(AP) Vitral
restaurante Ferreira (AP)
1976 Edifício Gropius Vital Pessoa de Melo
Residência
multifamiliar Privado Painel fachada
Athos Bulcão (AP)
Figura 81 – Tabela das obras selecionadas. AP – Artista plástico / ARQ – Arquiteto. Fonte: a autora. As obras visitadas foram selecionadas levando em consideração a localização (Região Metropolitana de Recife), a sua importância para a arquitetura local (muitas delas são ícones da produção moderna do estado), o seu autor (para que houvesse variedade, a amostra compreende obras de quatorze arquitetos), os usos (procurou- se incluir edificações residenciais unifamiliares, multifamiliares e edifícios públicos) e o tipo de obra de arte que o edifício abriga (limitando-se a painéis, murais e
esculturas). Sabe-se que existem muitos outros edifícios que poderiam ser incluídos na nossa análise. É importante frisar que os edifícios escolhidos não são mais nem menos importantes do que outros que poderiam estar presentes na lista.
Voltando para a análise das obras selecionadas, para cada edifício a ficha de análise (anexo 01) foi preenchida, procurando identificar o que o observador (no caso, a autora desta pesquisa) conseguiu captar em relação aos três eixos de análise apresentados no item 4.2. O anexo 02 mostra um exemplo de uma dessas fichas preenchidas. Portanto, estamos diante de uma percepção fenomenológica extensa captada pelo observador. Antes de entrarmos em detalhes das análises dos espaços de integração, é interessante que façamos uma breve apresentação das obras selecionadas:
120 4.3.1 Biblioteca de Casa Amarela (1951)
Figura 82 – Heitor Maia Neto. Biblioteca de Casa Amarela. Fonte: Museu da Cidade do Recife (com alteração da autora).
Figura 83 (esq.) – Vista externa da Biblioteca de Casa Amarela. Foto: Alexandre Braz de Macedo. Figura 84 (dir.) – Detalhe do painel de Helio Feijó - Biblioteca de Casa Amarela. Foto: Ana Clara Salvador. A Biblioteca de Casa Amarela foi projetada pelo arquiteto Heitor Maia Neto, em 1951, e é fruto de um concurso vencido pelo ainda estudante em 1950. O edifício se localiza num terreno de esquina e possui na fachada voltada para a rua principal um painel de azulejos do artista plástico Hélio Feijó. A edificação é formada pela
articulação de blocos com claros traços modernistas, sobretudo da Escola Carioca: o telhado em borboleta, o uso de platibandas, as empenas trapezoidais, o uso do elemento vazado e uma fina marquise sustentada por tubos de aço. Segundo Naslavsky: “Artes plásticas, arquitetura e desenho de mobiliário integram-se: painel de azulejos de Hélio Feijó e mobiliário elaborado pelo próprio arquiteto. Esse projeto
121
evidencia a difusão da obra de Oscar Niemeyer em solo pernambucano.“169
O edifício sofreu reformas e alguns elementos externos foram adicionados, como grades metálicas, que foram fixadas por cima de algumas peças do painel. Mesmo assim, tanto o edifício quanto a obra de artes plásticas mantém sua integridade.
4.3.2 Residência Torquato de Castro (1955)
Figura 85 (esq.) – Heitor Maia Neto. Residência Torquato de Castro. Foto: A autora.
Figura 86 (dir.) – Escultura de Corbiniano Lins para a Residência Torquato de Castro. Foto: Mônica Luize Sarabia.
Figura 87 – Painel de Reynaldo Fonseca para a Residência Torquato de Castro. Foto: A autora.
Figura 88 – Ladrilho cerâmico de Corbiniano Lins para a Residência Torquato de Castro. Foto: A autora. A residência Torquato de Castro foi projetada pelo arquiteto Heitor Maia Neto, em 1955, e assim como na Biblioteca de Casa Amarela, esta residência possui claros traços do modernismo brasileiro, sobretudo influências de Lúcio Costa. Maia Neto se preocupou bastante com a ventilação dos ambientes, tirando partido de soluções de
169
122
treliças de madeira, elementos vazados e pergolados. Há também o uso de um grande septo na fachada principal que penetra no grande bloco trapezoidal da edificação, criando uma composição com formas assimétricas. A edificação recebeu obras de dois artistas plásticos: Corbiniano Lins (ladrilhos cerâmicos e escultura externa) e de Reynaldo Fonseca (painel interno).
Internamente a residência possui quatro níveis diferentes. Estes níveis são
articulados a partir da sala de jantar, que possui acesso do exterior, e se encontra no centro da casa possuindo um grande pé-direito. As salas de estar estão num nível mais alto, e é no ambiente que chamamos de estar TV que se localiza o painel de Reynaldo Fonseca, podendo este ser observado de vários ambientes e ângulos de visão diferentes. Os ladrilhos cerâmicos de Corbiniano encontra-se no estar, e passa para o exterior do terraço do térreo, permitindo que seja observado tanto interna quanto externamente. Note-se também que todas as obras de arte estão localizadas em áreas que desempenham função social.
Figura 89 (esq.) – Heitor Maia Neto. Residência Torquato de Castro – planta baixa. Desenho: a autora. Figura 90 (dir.) – Distribuição dos ladrilhos cerâmicos de Corbiniano Lins, passando do interior para o exterior da edificação. Foto: A autora.
123 4.3.3 Edifício Acaiaca (1957)
Figura 91 (esq.) – Delfim Amorim. Edifício Acaiaca. Foto: A autora.
Figura 92 (dir.) – Delfim Amorim. Detalhe dos azulejos do Edifício Acaiaca, desenhados pelo arquiteto. Foto: A autora.
O edifício Acaiaca foi projetado por Delfim Amorim e Lúcio Estelita em 1957 e é considerado um grande símbolo do bairro de Boa Viagem. Lançado como residência de veraneio, é um conjunto apartamentos de dois e três quartos dispostos
paralelamente à praia, criando um grande bloco prismático. Este prisma é solto sob pilotis e tem os cantos chanfrados. Apresenta um volume elíptico destinado a abrigar a circulação vertical e a portaria original. Neste projeto, percebem-se elementos da arquitetura moderna brasileira aliada à utilização de panos de azulejos, que neste caso, foram desenhados por Delfim Amorim e que remetem tanto à adoção moderna brasileira dos azulejos após o edifício do MES, quanto à própria postura tradicional da arquitetura portuguesa. Segundo Luiz Amorim, Delfim utilizava o azulejo em suas obras desenvolvidas em Portugal, pois como se sabe o azulejo é um elemento da arquitetura tradicional do país.170 Além disso, o arquiteto não tinha nenhuma
pretensão em ser confundido com um artista plástico, apenas realizava os desenhos dos módulos como parte da própria edificação. Ou seja, ele não enxergava o grande pano de azulejo como um painel mural adicionado ao edifício. O azulejo é parte do edifício.171 Mesmo não havendo pretensão do arquiteto em realizar uma obra de arte, não podemos desconsiderar o valor artístico destes elementos. Segundo Naslavsky: “Eis uma verdadeira obra de arte mural de dimensões urbanas que
170
Entrevista concedida pelo arquiteto Luiz Amorim, filho de Delfim Amorim, realizada em 28/06/2011. 171
124
tomou um papel fundamental em sua obra, uma verdadeira marca.”172
O azulejo também é utilizado como artifício de proteção das superfícies, como bem destaca Gomes:
Amorim recorre à tradição para resolver um problema que não tem idade. Recupera o uso do azulejo, criando padrões decorativos para cada uma de suas obras. Vale-se de peças industriais, invariavelmente brancas, [...] que pinta artesanalmente, com máscaras apropriadas. Limita-se a usar dois tons de azul mas, em alguns casos, acrescenta uma segunda cor.
No Edifício Acaiaca (1958) reveste inteiramente as empenas e, com o mesmo azulejo, cria duas barras horizontais, uma na base e outra no topo do edifício, obtendo uma moldura para o quadro composto pelas janelas.173
Além do azulejo, o peitoril ventilado é outro elemento que adequa o edifício ao clima local. Este artifício para substituição das venezianas foi “criado e incorporado à arquitetura pernambucana por Augusto Reynaldo”174
e continuou a ser utilizado por Amorim e por vários arquitetos da região.
Figura 93 – Detalhe das diferentes texturas dos materiais. Foto: A autora.
172
NASLAVSKY, Guilah. Op. cit., 2004. p.122. 173
SILVA, Geraldo Gomes da. Delfim Amorim. In: Revista AU nº57. São Paulo, dez.94-jan/95, p. 77. 174
125 4.3.4 Residência Isnard de Castro e Silva (1958)
Figura 94 (esq.) – Residência Isnard de Castro e Silva. Foto: A autora.
Figura 95 (dir.) – Painel de Reynaldo Fonseca para a Residência Isnard de Castro e Silva. Foto: A autora.
Figura 96 (esq.) – Mural de mosaico para a Residência Isnard de Castro e Silva. Autor não identificado. Foto: A autora.
Figura 97 (dir.) – Vista aproximada do mural de mosaico para a Residência Isnard de Castro e Silva. Autor não identificado. Foto: Fernando Diniz.
A Residência Isnard de Castro e Silva foi projetada pelo ex-integrante da DAU, José Norberto Castro Silva em 1958, e sua linguagem mostra a influência da arquitetura da Escola Carioca: empenas trapezoidais e o uso de elementos vazados, que neste caso são de louça. A residência representa um programa típico de residências locais dos anos 1950: um volume solto para os quartos no pavimento superior por cima de uma área de estar que se integra com o exterior e jardins através de grandes panos de esquadrias. Os setores eram bem definidos. Originalmente, o térreo abrigaria a área social e de serviço, e o pavimento superior abrigaria o setor íntimo.
126
Os revestimentos são variados, há uso de pastilhas cerâmicas e pedras naturais. A cor é também outro elemento muito utilizado. Os tons de marrom nas pastilhas cerâmicas e nas esquadrias de madeira se juntam aos elementos vazados azuis, aos panos de vidro e aos coloridos cacos de azulejo que formam o painel de mosaico do jardim externo. Uma grande esquadria de vidro interliga este jardim à antiga sala da casa, que por sua vez, recebe um painel de pintura do artista plástico Reynaldo Fonseca. As duas obras de arte são figurativas. O mosaico retrata
elementos nordestinos e o painel de pintura retrata uma cena de família.
4.3.5 Biblioteca Central da UFPE (1960)
Figura 98 (esq.) – Biblioteca Central da UFPE. Foto: Aristóteles Cantalice II.
Figura 99 (dir.) – Vista externa do vitral da Biblioteca Central da UFPE. Foto: A autora.
Figura 100 (esq.) – Recuo da faixa de pastilhas afastadas do vitral da Biblioteca Central da UFPE. Foto: A autora.
Figura 101 (dir.) – Vista do vitral da Biblioteca Central da UFPE a partir de um dos corredores. Foto: A autora.
127
O edifício da Biblioteca Central da Universidade Federal de Pernambuco foi projetado pelos arquitetos Valdecy Pinto e Antônio Didier em 1960. Seu volume resulta de uma planta “H”, formada por uma estrutura de pilares, brises e vigas de concreto aparente e vedação em tijolos maciços também aparentes. Recebe brises verticais e horizontais e um grande vitral de autoria de Baldini e Aurora, executado na própria escola de Artes da UFPE. Este vitral marca o volume da circulação vertical do edifício. Os patamares da escada encontram-se rentes à face interna do vitral, não interrompendo assim a continuidade do plano da obra de arte.
4.3.6 Edifício Santo Antônio (1960)
Figura 102 (esq.) – Edifício Santo Antônio. Foto: A autora.
Figura 103 (dir.) – Detalhe dos elementos vazados do Edifício Santo Antônio. Foto: A autora.
Figura 104 (esq.) – Painel de tijolos do Edifício Santo Antônio. Foto: A autora.
128
O Edifício Santo Antônio foi projetado por Acácio Gil Borsoi em 1960. É um edifício de escritórios, sendo estes dispostos nos quatro pavimentos da edificação. Localiza- se numa área central, de intensa circulação de pessoas e nos fundos do terreno do Convento Franciscano. O edifício obedece às diretrizes do entorno, adequando-se ao gabarito e possuindo galerias e ruas internas convidativas aos pedestres e que servem também como acesso para o corpo eclesiástico do convento.
O térreo é de lojas com um acesso principal à parte posterior do terreno, o que dá acesso ao corredor interno do térreo, que possui, abaixo de sua laje, uma coberta de pergolado de placa de concreto com um sutil coletor de ventos e uma iluminação transversal.175
A fachada principal, voltada para o poente, recebeu tratamento especial do arquiteto, que tomou partido de elementos vazados de concreto, moldados in-loco. O sistema de encaixe das peças acabou por compor um plano de elementos retangulares que saltam e recuam da fachada, permitindo a constituição de uma segunda pele do edifício e a conseqüente passagem constante de ventilação.
Internamente, na portaria e hall de acesso para os escritórios, o edifício recebe um portão-painel de Corbiniano Lins, formado de materiais metálicos e que retrata a figura de Santo Antônio. Mais resguardado, na parede posterior do hall, de frente para os elevadores e ao lado do acesso da escada tipo espinha-de-peixe, localiza-se um painel de tijolos aparentes, projetado pelo próprio arquiteto. O ambiente do hall de elevadores recebe luz zenital, permitida pelos mezaninos dos patamares das escadas que passa por todos os pavimentos e que se encerra por uma grande clarabóia, criando assim um ambiente dramático e especial.
Figura 106 – Corte transversal do Edifício Santo Antônio mostrando a clarabóia e os mezaninos com patamares das escadas. Fonte: Borsoi Arquitetos Associados. In: NASLAVSKY, Op. cit., 2004. p.195.
175
CANTALICE II, Aristóteles S. C. Um Brutalismo Suave: Traços da Arquitetura em Pernambuco (1965-1980). Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco, 2009. p.64.
129
Figura 107 (esq.) – Edifício Santo Antônio. Vista do vazio iluminado pela clarabóia a partir do último pavimento. Foto: Borsoi Arquitetos Associados.
Figura 108 (dir.) – Edifício Santo Antônio. Vista do vazio iluminado pela clarabóia a partir do hall do térreo. Foto: A autora.
4.3.7 Edifício Sede da SUDENE (1968)
Figura 109 (esq.) – Edifício Sede da SUDENE. Foto: A autora.
Figura 110 (dir.) – Piso com cerâmica de Brennand para o Edifício Sede da SUDENE. Foto: A autora.
Figura 111 (esq.) – Painel de placas de concreto em baixo-relevo para o Edifício Sede da SUDENE. Foto: A autora.
130
O edifício Sede da SUDENE foi projetado por uma equipe de profissionais liderada por Maurício Castro em 1968. A escala do edifício é monumental e este se resume a um prisma retangular, que recebe ondulações e que é segmentado, formando um bloco serpenteado em forma de “S” e que possui planos mais recuados e mais
avançados. Segundo Cantalice, no edifício em questão, “aliou-se o peso da estrutura e base de concreto armado, com amplos pilares, enquanto que no edifício, foi
utilizada uma leve inclinação no volume final, aliando-se as empenas finais com revestimentos cerâmicos de vedação, encontrados e utilizados em Pernambuco.”176
As fachadas principal e posterior recebem elementos de concreto aparente (elementos vazados na fachada principal e brises na fachada posterior). Estes elementos proporcionam uma ventilação contínua no interior do edifício.
Para o bloco anexo, o arquiteto e artista plástico Paulo Roberto Silva projetou baixos relevos nas fachadas laterais. Para o bloco da biblioteca uma outra composição do arquiteto evidencia ritmos irregulares e realiza cortes trapezoidais. Para o piso do pavimento térreo do bloco principal, encontram-se cerâmicas de Francisco
Brennand.
4.3.8 Edifício Sahara (1972)
Figura 113 (esq.) – Edifício Sahara. Foto: A autora.
Figura 114 (dir.) – Painel de cimento para o Edifício Sahara. Foto: A autora.
176
131
Projetado por Vital Pessoa de Melo em 1972, o Edifício Sahara está localizado num terreno de esquina, no cruzamento entre a Rua dos Navegantes – paralela à
Avenida Boa Viagem (beira-mar) – e a Rua Bruno Veloso. Seu volume abriga um apartamento por andar, sendo duplex o último apartamento. Possui 2.161,00m² de área construída e o concreto aparente e pastilhas cerâmicas como os materiais de maior utilização. Destaca-se por conter esquinas angulosas, marcados com linhas horizontais dos peitoris ventilados, linhas verticais das placas de concreto moldadas in-loco e as aberturas deslocadas para as arestas. Segundo Vital, diante do entorno imediato, o deslocamento das aberturas para as quinas do volume foi uma forma de garantir a vista para o mar, visto que já se previa a construção de edifícios altos em todo o entorno do Sahara. No lobby do pavimento pilotis o edifício recebe um painel abstrato do artista plástico Anchises Azevedo, feito de placas de cimento. O espaço é bastante fluido e, visando eliminar a sensação de “paliteiro” resultante dos
inúmeros pilares que poderiam estar presentes no pavimento pilotis, o arquiteto lançou mão do que chamou de pilares-septos. Estes septos que têm função
estrutural são posicionados de forma a também conduzir a ventilação para dentro do edifício e delimitar a área de observação do painel. Em relação à rua, o pavimento pilotis se encontra elevado, permitindo fácil visualização do painel a partir da calçada.
132 4.3.9 Edifício Sede da CELPE (1972)
Figura 116 (esq.) – Edifício Sede da CELPE. Foto: A autora.
Figura 117 (dir.) – Vista do jardim de Burle Marx para o Edifício Sede da CELPE. Foto: A autora.
Figura 118 (esq.) – Painel de Neves para o edifício Sede da CELPE. Foto: A autora. Figura 119 (dir.) – Painel de Brennand para o edifício Sede da CELPE. Foto: A autora.
Projetado por Vital Pessoa de Melo e Reginaldo Esteves em 1972, o Edifício Sede da CELPE é formado por um bloco principal que é rotacionado e interceptado por blocos menores. Localiza-se no bairro da Boa Vista e possui 18.997,00m² de área construída. Como materiais mais utilizados estão o concreto aparente e o vidro. Foram feitos estudos de cartas solares para definir a angulação dos brises verticais e horizontais de todas as fachadas, estabelecendo horários e locais específicos de iluminação. A característica marcante desse edifício é sua fachada principal curva, que cria uma espécie de bolsão para abrigar um grande jardim projetado por Burle Marx. Este recuo do bloco do edifício cria uma espécie de praça que convida as pessoas a adentrarem o edifício. O acesso é dado por uma plataforma elevada, que permite que o usuário observe o edifício e o jardim de diferentes ângulos de visão.
133
Figura 120 – Locação do Edifício Sede da CELPE. Fonte: VRF Arquitetura.
Figura 121 – Edifício Sede da CELPE, Fachada Noroeste. Fonte: VRF Arquitetura.
A fachada principal recebeu brises horizontais e verticais em toda a sua extensão, criando uma espécie de “grelha” à frente do pano de vidro e conferindo profundidade à fachada. Sobre a composição dos volumes, a sede da CELPE possui dois blocos principais que se interceptam e possuem alturas diferentes. O bloco principal sofre uma rotação, rebatida nas plantas dos outros blocos do edifício. Internamente, o edifício possui dois painéis, no subsolo – do artista plástico Neves – e no pavimento térreo – de Francisco Brennand. Ambos os painéis se localizam em áreas sociais, em frente ao elevador dos diretores (Neves) e no grande hall de entrada, que também serve como foyer de um auditório (Brennand).
134 4.3.10 Edifício Sede da RFFSA (1972)
Figura 122 (esq.) – Edifício Sede da RFFSA. Foto: A autora.
Figura 123 (dir.) – Painel de Brennand para o edifício Sede da RFFSA. Foto: A autora.