3.5 Les représentations et leur genèse
3.5.4 Représentations sociales dans la didactique des langues et du plurilinguisme . 119
São as qualidades pessoais como a amabilidade, a educação e a cordialidade que
indicam a existência, ou não, de sociabilidade em um encontro. Simmel (1991, p.124) define a
sociabilidade como “a forma lúdica de socialização” que permite, pelo seu caráter, relaxar, por
sociabilidade reúne indivíduos, mas não individualidades, e não os reúne com um propósito
específico que não seja o de reuni-los.14
De acordo com Baechler (1995), a 7ª edição do Dictionnaire de l’Academie publicada
em 1978, define o círculo como “uma associação cujos membros se reúnem num local alugado
a expensas comuns para conversar, jogar, ler os jornais”. Essa instituição, - britânica na sua
origem - retrata algumas das principais características da civilização burguesa do século XIX:
lazer, alegria de viver, igualdade, laicidade, masculinidade. O círculo - quando comparado ao
salão, forma típica da sociabilidade aristocrática - representava um avanço nos costumes,
resultante da mudança social ocorrida nos séculos XVII e XVIII, quando as elites plebéias dos
negócios, das profissões liberais, da política e da administração foram assumindo o lugar das
elites aristocráticas. Algumas diferenças marcam esses espaços de sociabilidade: o salão não é
igualitário, pois só os anfitriões que têm posses recebem regularmente seus convidados que,
por sua vez, se tornam seus devedores, caso não possam retribuir o convite; já o círculo, pelo
fato de ser pago, permite que só o freqüentem aqueles que têm condições para tal. Uma vez
que o salão acontece nas casas das famílias, as mulheres podem freqüentá-lo juntamente com
os homens, o que faz com que as atitudes e as conversas sejam mais educadas que no círculo,
cujo caráter é estritamente masculino15.
O tipo de leitura que se fazia nesses encontros também demarcava a diferença: a
aristocracia dos salões lia livros, enquanto a burguesia que freqüentava os círculos lia o jornal,
14 Naquela época, muitos só conseguiram diferenciar os conceitos de cultura e de sociedade por meio da metáfora
do círculo, no sentido de uma esfera ou de um âmbito de uma atividade intersubjetiva específica. Desenvolveram- se, conseqüentemente, uma doutrina de “círculos sociais” e modelos de “círculos sociais”, como por exemplo, o “círculo da família”, o “círculo do clube”, o “círculo de amizades”, o círculo do trabalho”, etc. (N.do T.) ( RAMMSTEDT, O; DAHMR, H. J., 2005).
ou simplesmente não lia, caso o nível cultural fosse mais baixo (Cf. AGULHON, apud
BAECHLER, 1995).
Nesse contexto,
o sentido do tato mostra-se como elemento auto-regulador do indivíduo nas relações pessoais com os outros. Sua importância deriva do fato de que ele atua no sentido de limitar o direito do outro no que se refere aos seus impulsos individuais, ao acento colocado sobre o eu e às pretensões morais e exteriores (ibidem, p.126).
Pelo fato de Simmel (1991, p. 126, 127,128) dar grande ênfase na sua teoria
sociológica à forma, ele minimiza, ao contrário de Bourdieu no conceito de sociabilidade, tudo
aquilo que a personalidade possui em significados objetivos como a riqueza e a situação
social, a instrução e a reputação, as atitudes excepcionais e os méritos do indivíduo. Do
mesmo modo, ele exclui da sociabilidade aqueles elementos que, por suas funções, são
puramente pessoais como o caráter, o estado de ânimo, ou seja, tudo o que há de mais íntimo
na vida.
Portanto, tendo se desvencilhado de todas as significações materiais de sua
personalidade, o homem acede à forma da sociabilidade apenas com as atitudes, atrativos e
interesses de sua pura humanidade. Nesse sentido, a discreção é a condição primeira da
sociabilidade. Ela cria, por assim dizer, um mundo sociologicamente ideal, artificial, e que
tem o aspecto de um jogo .
A sociabilidade ocorre entre iguais que desejam estabelecer ações recíprocas
inteiramente puras, no sentido de não serem perturbadas por nenhuma referência material. O
valores sociais –alegria, ajuda, vivacidade – compatível com o máximo de valores que ele
mesmo pode receber (SIMMEL, 1991, p.127).
Percebe-se, nesse enunciado, a existência de uma relação de equivalência que não
corresponde à realidade da vida em sociedade; verifica-se ainda que os comportamentos que
denotam sociabilidade, muitas vezes exigem uma certa “estilização” e um sentido de “jogo de
sociedade”, para utilizar a terminologia adotada por Simmel. Nesse tipo de jogo, joga-se como
se todos fossem iguais e, como se cada um tivesse o outro no mais alto grau de consideração.
Trata-se do jogo durante o qual se faz como se todos fossem iguais, como se honrássemos cada um em especial. Parece que nos deparamos com uma mentira, uma vez que se afastam da realidade (Cf. SIMMEL, 1991, p.129).
Essa estilização e o sentido do jogo de sociedade podem ser justificados, em parte,
pelas expectativas de comportamento geradas dentro de cada sociedade e de cada cultura e à
qual seus membros devem se adequar. Espera-se, por exemplo, que em um evento festivo, de
celebração de um momento significativo para o anfitrião, os convidados compartilhem o
momento e as alegrias.
No contexto das relações sociais a conversação ocupa um lugar central, uma vez que
ela revela “em que medida a sociabilidade efetuará a abstração das formas16 de ação
recíprocas, que por sua vez só têm significado sociológico pelo seu conteúdo [...]” (SIMMEL,
1991, p.131). As conversas, de modo geral, versam sobre os mais diversos temas dependendo
do contexto, do ambiente em que estão inseridos, do momento que estão vivenciando.
16 No contexto da teoria de Simmel, as formas são as diversas configurações através das quais os indivíduos
realizam seus interesses e constituem uma unidade. Já os conteúdos ou matérias da sociabilidade, são os elementos que existem nos indivíduos capazes de originar uma ação ou influenciar sua receptividade. São conteúdos: os fins, os instintos, os interesses, as inclinações, o estado ou o movimento psíquico. Cf ASFORA, M.de F. Y. Georg Simmel: aspectos gerais de sua contribuição sociológica. Dissertação de mestrado, Recife, S/D.
Nos momentos mais sérios da vida, os homens falam por causa de um conteúdo que querem comunicar ou sobre o qual querem se entender; ao contrário, na sociabilidade o discurso se torna um fim, não no sentido naturalista como na tagarelice, mas no sentido da arte da conversação, com suas próprias leis artísticas (ibidem).
Na conversação sociável pura, a matéria do discurso é o suporte dos atrativos que a
troca de palavras costuma oferecer. Na perspectiva de Simmel, (1991, p. 133) o aspecto
objetivo da conversação é ressaltado, não como um fim em si mesmo, mas como simples meio
a serviço da animação, da compreensão mútua e da consciência de juntos constituirem uma
agradável companhia.
Esse é o caso, por exemplo, de um entrevistado que diz gostar muito de conversar: “é
agradável estar no terraço e chegar um vizinho, sentar e assim, ‘resolvermos’ os problemas do
Brasil e do mundo”.