• Aucun résultat trouvé

Annexe 1 : la chronologie des événements politico-administratifs

I. S’ IndIgner pour chercher à comprendre

2. La gestion durable des sols agricoles: une affaire globale

2.1 Les sciences du sol et leur implication dans l’agenda global

2.1.5 La « renaissance » des sciences du sol

Neste capítulo serão discutidos alguns aspectos relacionados com as imagens que são evocadas pelos discursos dos sujeitos políticos alvos de nosso estudo. Após rápida passagem por alguns conceitos da retórica aristotélica procuramos realizar uma discussão sobre a retomada do tema no campo das Ciências da Linguagem, para tentar entender suas possíveis implicações, sobretudo na Análise do Discurso e na Semiolinguística. Em seguida, veremos algumas formas de ethos que são incorporados pelos sujeitos políticos, apresentadas por Charaudeau em sua obra sobre o discurso político (2005; 2006), procurando exemplificar essas tentativas de evocação de determinadas imagens de si53 a partir de falas extraídas de nosso corpus de análise.

No âmbito da retórica aristotélica é sabido que o ethos juntamente com o logos e o pathos constituem as três provas lógicas que são engendradas pelo discurso. Inerentes a todo processo argumentativo, essas peças de convicção se articulariam dentro do mecanismo de persuasão para produzir acordos e convencer o auditório. Diferentemente dos retóricos de sua época, Aristóteles considerava o ethos como a peça mais importante entre todas, uma vez que contribuía de modo efetivo para a consolidação do processo persuasivo. Para este pensador o ethos seria uma manifestação interna ao discurso e dependeria, portanto, da capacidade do orador de mostrar determinadas qualidades para poder inspirar confiança. Qualidades estas denominadas por Aristóteles como phrónesis, que seria a capacidade de ter “ar ponderado”, “prudência” e “sabedoria prática”, relacionada com a esfera da razão, portanto ao logos. Também a areté, entendida como a capacidade de apresentar-se como homem honesto e sincero, procurando mostrar suas virtudes, que corresponderia ao ethos. No que se refere à eúnoia, o orador deveria apresentar uma imagem agradável de si, mostrar que é “benevolente” e “solidário”, qualidade esta ligada ao pathos, (EGGS, 2008, p. 29-56.).

Com a retomada do interesse pelos estudos sobre a retórica e a argumentação, no que concerne aos campos da Análise do Discurso54 e das Ciências da Linguagem, coloca- se novamente a questão se o ethos diz respeito a uma imagem pré-construída (ethos

53 Aqui será adotada tanto a terminologia “ethos” quanto “imagem de si” para designar a mesma ideia, ou

seja, ambas as expressões referem-se à imagem que o orador constrói de si, no discurso, tendo em vista as expectativas que seu interlocutor possui sobre sua pessoa.

54 Como nos lembrou MACHADO, em conferência recente (SEDIAR 2014), desde o início da concepção

de sua Teoria Semiolinguística, em 1977/1983, o linguista Patrick Charaudeau fez questão de inserir tanto a Retórica quanto a Argumentação em sua perspectiva.

prévio) ou seria uma manifestação própria ao ato de enunciação. De um lado, temosuma concepção que compreende o ethos enquanto um dado preexistente ao discurso, isto é, constituído através de um valor institucional agregado ao orador, que por sua vez legitimaria ou não o direito à palavra e que seria responsável pela elaboração de uma representação simbólica em relação à imagem do orador. Essa ideia, aliás, é defendida por alguns retóricos da Idade Clássica e mais recentemente pela Sociologia. De outro lado, existe uma concepção discursiva, apoiada nas ideias de Aristóteles sobre a retórica, que inscreve o ethos no ato de enunciação, perspectiva esta adotada (com as devidas modificações e adaptações), inicialmente, nos estudos semântico-pragmáticos de Ducrot (1984) e, em seguida, na Análise do Discurso de Maingueneau (2002; 2008).

O estereótipo, do qual nos fala Amossy (2008), possuiria então um papel essencial no estabelecimento do ethos, uma vez que possibilitaria a incorporação55 da identidade do enunciador num “verdadeiro jogo especular”. Diz Amossy (2008, p. 125): “A estereotipagem, lembremos é uma operação que consiste em pensar o real através de uma representação cultural preexistente, um esquema coletivo cristalizado”. Já Maingueneau afirma o seguinte sobre a constituição do ethos:

Na perspectiva da análise do discurso, não podemos, pois, contentar-nos, com a retórica tradicional, em fazer do ethos um meio de persuasão: ele é parte constitutiva da cena de enunciação, com o mesmo estatuto que o vocabulário ou os modos de difusão que o enunciado implica por seu modo de existência (MAINGUENEAU, 2008, p. 75).

Para o supracitado autor, o ethos colocado em jogo nos diversos gêneros discursivos que permeiam a interação humana é uma manifestação de uma dimensão vocal, uma fonte enunciativa que ganha corpo na cena de enunciação: “[...] uma instância subjetiva encarnada que exerce o papel de fiador” (ib.). Seria esse outro elemento evocado pela enunciação, que emerge na cena e garante a efetivação do processo persuasivo de interação com o co-enunciador. Amossy, por sua vez, afirma:

O ethos dos pragmáticos, na linha de Aristóteles, constrói-se na interação verbal e é puramente interno ao discurso, enquanto o dos sociólogos se inscreve em uma troca simbólica regrada por mecanismos e por posições institucionais exteriores. (AMOSSY, 2008, p. 22).

55 De acordo com Maingueneau (2008, p. 72) incorporação designa a maneira pela qual o co-enunciador

A referida autora propõe, então, considerar que ambas as abordagens possam ser complementares, possibilitando conceber o ethos a partir de uma dupla perspectiva interacional e institucional.

Desse modo, torna-se possível compreender que o ethos está ligado ao exercício da palavra por aquele que detém essa legitimidade. Ele é ao mesmo tempo próprio ao sujeito comunicante, integrado à sua história, mas também se manifesta no momento em que ocorre o ato de linguagem, isto é, pela ação discursiva e seus mecanismos de persuasão. O ethos é assim o resultado dessa dupla identidade, do ser social e empírico e do ser de palavra, aquele do ato de enunciação propriamente dito.

Com o intuito de explorar a problemática sobre a constituição do ethos, Charaudeau (2006) retoma a questão da identidade do sujeito falante, propondo a compreensão do sujeito enquanto constituído por uma identidade social (psicossocial) e uma identidade discursiva, ambas se fundindo no ethos. Para este autor, essa questão colocada sobre a dupla constituição (social/discursiva) do ethos é a mesma que diz respeito ao sujeito linguageiro, que também deveria ser compreendido tanto em sua dimensão discursiva, quanto em sua dimensão empírica.

O sujeito aparece, portanto, ao olhar do outro, com uma identidade psicológica e social que lhe é atribuída, e, ao mesmo tempo, mostra-se mediante a identidade discursiva que ele constrói para si. O sentido veiculado por nossas palavras depende ao mesmo tempo daquilo que somos e daquilo que dizemos. O ethos é o resultado dessa dupla identidade, mas ele termina por se fundir em uma única. (CHARAUDEAU, 2006, p. 115).

O linguista observa que, mesmo havendo uma consciência sobre a dupla articulação que constitui o ethos e sobre a divisão do sujeito, ainda persistiria uma concepção idealizada e generalizada da existência do sujeito enquanto um todo indivisível, integrado. Ele propõe então a hipótese de que essa concepção de um sujeito unificado guiaria a comunicação social como um todo, mascarando assim tal cisão que caracteriza a identidade do sujeito.

No que diz respeito ao discurso político, os ethé que aí geralmente se manifestam corresponderiam a uma série de representações e de certos imaginários que o sujeito político evoca por meio de sua fala visando construir determinada identidade junto à instância cidadã. De acordo com Charaudeau (2006), tanto a credibilidade quanto a identificação seriam duas ordens de valores (razão e afeto) imprescindíveis ao projeto de

fala do ator político, constituindo dois polos nos quais diversas figuras aglutinam-se com vistas à elaboração de uma identidade política, com a qual o sujeito político se constrói. Diz o autor:

É preciso que [o político] seja, ao mesmo tempo, crível e suporte da identificação à sua pessoa. Crível porque não há político sem que se possa crer em seu poder de fazer; suporte de identificação porque para aderir às suas ideias é preciso aderir à sua pessoa. (CHARAUDEAU, 2006, p. 118; grifo nosso).

É em função dessa dupla orientação, que no discurso político serão desenvolvidas algumas figuras identitárias que podem ser classificadas em duas grandes categorias de ethos: os que promovem a credibilidade, fundados em um discurso que privilegia os elementos voltados para a razão e os argumentos; e os responsáveis pela identificação, fundados em um discurso do afeto.

3.1 - A credibilidade no discurso político: imagens da razão

Para Charaudeau, a credibilidade corresponde à capacidade que o sujeito falante, no caso o ator político, tem de responder a determinadas condições que lhes são impostas ou colocadas pela situação discursiva do dispositivo político, com a finalidade de convencer ou persuadir a instância cidadã de que tanto sua pessoa quanto suas ideias são dignas de crédito. Diz o autor: “Credibilidade repousa sobre um poder fazer, e mostrar-se crível é mostrar ou apresentar a prova de que se tem esse poder”. (CHARAUDEAU, 2006, p. 119).

Os ethé de credibilidade são constituídos por alguns valores que o político procura agregar a sua pessoa por meio da utilização em seu discurso de certas representações, isto com o intuito de satisfazer a determinadas condições (sinceridade, performance, eficácia) 56 necessárias à promoção do ethos de sério, de virtuoso e de competente.

Apresentaremos a seguir os diversos ethé que são classificados por Charaudeau (2006), procurando exemplificar, na medida do possível, com trechos de fala extraídos de nosso material de análise.

56 Condição de sinceridade ou de transparência: condições de verificar que aquilo que ele diz

corresponde sempre ao que ele pensa. Condição de performance: que ele tem os meios de pôr em prática o que anuncia ou promete. Condição de eficácia: que o que ele anuncia e aplica é seguido de efeito. (CHARAUDEAU, 2006, p. 119).

3.2. - A imagem de seriedade

Tal forma de ethos pode manifestar-se por meio de diversos índices corporais e mímicos, que transparecem uma expressão contida e discreta no que se refere aos gestos; também por índices comportamentais que revelam capacidade de autocontrole e de sangue-frio diante de situações tensas; e ainda através da demonstração do emprego de grande energia e empenho na atuação política. Há ainda indicações verbais, como o cuidado na escolha do vocabulário utilizado, o emprego de um tom firme e comedido da fala, mas com uma elocução serena que busca transmitir segurança, índices estes tidos como reveladores de uma postura de responsabilidade para com a vida e o respeito ao outro.

Tendo a sociedade brasileira contemporânea como referência, seja por meio dos objetos que ora nos debruçamos, seja observando enquanto testemunha empírica os acontecimentos e seus sucessivos tratamentos e desdobramentos realizados pelas mídias, o que se pode considerar é que o ethos de sério parece representar o requisito mínimo ao qual o sujeito político deve se revestir, pois somente a partir do momento em que a ideia de seriedade for associada a sua pessoa é que se torna possível a conquista da credibilidade. Supostamente, o sujeito político que não é levado a sério pelos seus concidadãos não conseguiria levar adiante seu projeto social, pois não alcançaria a credibilidade necessária à adesão a suas ideias e propostas. 57 Mas, por outro lado, como atenta Charaudeau, se faz necessário levar em consideração o risco de perda do capital de simpatia que um político exageradamente sério poderia sofrer.

Como a imagem de seriedade no campo político corresponde a uma série de atributos, não só oratórios, mas também físicos e comportamentais, sua exemplificação deve levar em consideração este conjunto de elementos não verbais. No que se refere aos sujeitos políticos que têm suas falas aqui analisadas, pode ser apontado que todos eles procuram se apresentar à sociedade brasileira como pessoas sérias, propondo por meio de seus discursos e por seus comportamentos corresponder às expectativas da instância cidadã em relação ao papel que os atores políticos devem representar. Pelo menos no que

57 Apesar de algumas ocorrências na cena política brasileira contradizerem essa afirmação, em casos

como o do palhaço “Tiririca” (Francisco Everardo Oliveira Silva), campeão de votos nas eleições de 2010, para deputado federal, e reeleito em 2014. Alguns analistas políticos atribuem seu sucesso no pleito ao chamado “voto de protesto”. Mas acreditamos que apenas a explicação do “voto de protesto” não seria suficiente; associada a esse fator, acrescentamos a hipótese de cunho cultural, que entende o humor como categoria incorporada ao discurso político (charges, caricaturas, paródias, programas de humor, etc.), formas linguageiras estas que são naturalmente assimiladas pelo público e que parecem constituir um gênero bastante enraizado no imaginário social brasileiro.

diz respeito ao que é proposto e revelado pelo sujeito político, pois a falta de seriedade do sujeito político pode estar associada a um desvio de conduta em sua atuação ou comportamento social, bem como a uma postura de descaso com a administração pública.

3.3 - A imagem de virtude

O ethos de virtude pode ser percebido por meio da demonstração de sinceridade e de fidelidade nas relações humanas, por uma imagem de honestidade pessoal, que remete à retidão e a lealdade (aos parceiros e aos adversários) como característica do sujeito. Segundo Charaudeau (2006), esta forma de ethos é geralmente constituída ao longo do tempo, uma vez que se faz necessário que se perceba no político a coerência de seu pensamento e de suas ações no decorrer de sua trajetória.

O sujeito político que almeja construir para si uma imagem de virtuoso deve, portanto, mostrar-se como uma pessoa transparente, que não possui segredos que possam comprometê-lo do ponto de vista ético e moral, demonstrando uma atitude de respeito para com o cidadão.

A tentativa de construção de uma imagem de virtude pode ser observada em diversos momentos da fala de Aécio Neves, seja pela intenção em transmitir os valores da “honestidade” e da “sinceridade”, seja pela demonstração de “lealdade”, como revelam os trechos a seguir:

Olha, estamos sendo exemplares no que estamos fazendo e a marca do governo vai ser transparência. (Aécio Neves - Entrevista - 27/01/2003 - DVD/Entrevistas).

Eu acho, Eliane, com absoluta sinceridade, a maior contribuição que eu posso dar ao país, nesta hora, é fazer com que a Câmara dos Deputados funcione. (Aécio Neves - Entrevista - 26/03/2001 - DVD/Entrevistas).

Eu e tantos outros, uma bancada inteira na Câmara Federal, de nomes espetaculares, de enorme representatividade, achávamos o seguinte: não, o PSDB tem que se impor como partido porque nós seremos leais ao Fernando Henrique até o final, porque nós acreditamos nele, seremos leais sem qualquer... (Aécio Neves - Entrevista - 26/03/2001 - DVD/Entrevistas).

A virtude é, portanto, uma imagem muito importante para a construção da identidade do sujeito político, uma vez que os valores ligados a essa figura corresponderiam a um imaginário social e a uma demanda do público-cidadão por um

líder que seja exemplo de ética e retidão, enfim de qualidades que fazem referência ao caráter do orador, ou seja, ao ethos por excelência.

3.4 - A imagem de competência

O ethos de competência pode ser compreendido enquanto uma capacidade do sujeito de mostrar-se possuidor de um conjunto de saberes relativos a determinado campo do conhecimento, procurando demonstrar o domínio do saber-fazer e a habilidade para realizar determinadas atividades. O sujeito político que busca incorporar a imagem de competente apresenta-se geralmente como aquele que possui os meios, o poder e a experiência necessários à realização dos objetivos propostos. Notamos que tal forma de ethos mostra-se recorrente nas falas de Fernando Henrique Cardoso, como podemos observar nos trechos a seguir:

Desculpe, eu sou o presidente da República, devo saber um pouquinho mais. (Fernando Henrique Cardoso - Entrevista - 14/10/1996 - DVD/Entrevistas).

Eu estive em Londres recentemente; aliás, eu pedi para conversar com o pessoal da Anistia Internacional e com grupos que discutem meninos de ruas. Estive na Câmara dos Comuns, na Câmara dos Lordes, levantaram essa questão. (Fernando Henrique Cardoso - Entrevista - 12/04/1993 - DVD/Entrevistas).

O ethos de competência busca também consolidar-se por meio de discursos que fazem referência à herança cultural, política e mesmo ideológica dos atores políticos, bem como ao nível educacional alcançado pelo sujeito, os estudos pelos quais passou e que lhe conferem o status do saber acadêmico. Também em falas que remetem às funções exercidas ao longo de sua trajetória profissional e política, e à experiência adquirida na atuação política. Característica esta que parece revelar-se em tal enunciado de Lula:

Minha querida, eu fui deputado constituinte e durante os 4 anos em que funcionou a Constituinte... (Luís Inácio Lula da Silva - Entrevista - 01/10/1999 - DVD/Entrevistas).

A representação da competência, manifestada por meio da figura da eficiência na gestão administrativa, que também compõe o imaginário da modernidade, ocorre com frequência no discurso de Aécio Neves:

Nós fizemos em Minas o contrário do que foi feito no plano nacional. Em Minas tínhamos 22 secretarias de estado, hoje temos apenas quinze e com poderes e ações bem definidas e delimitadas. (Aécio Neves - Entrevista - 27/01/2003 - DVD/Entrevistas).

eu vou conseguir, no caso de Minas Gerais que apresenta um déficit previsto para este ano de 2,4 bilhões de reais, por mais que eu faça, como estou fazendo, um esforço de enxugamento da máquina, de organização da máquina pública, de cortes de despesas, só no momento em que nós ganharmos receita, vamos equilibrar esse rombo... (Aécio Neves - Entrevista - 27/01/2003 - DVD/Entrevistas).

Eu estou dando exemplo, Markun, no campo da despesa, do enxugamento da máquina para que eu possa também solicitar aos outros poderes que ajam da mesma forma. E no campo da receita, fazendo o que é possível para o estado crescer. (Aécio Neves - Entrevista - 27/01/2003 - DVD/Entrevistas).

Imagem de competente que Marina Silva também busca incorporar em momentos como:

Quando assumi, estabeleci quatro diretrizes: desenvolvimento sustentável, controle e participação social, política ambiental integrada e fortalecimento do Sisnama. Podemos fazer o cruzamento entre essas quatro diretrizes e as ações do governo, [que] nós vamos encontrar um conjunto de ações que vêm sendo operadas. Não é fácil. É difícil, é complexo, mas estamos fazendo. (Marina Silva - Entrevista - 13/03/2006 - DVD/Entrevistas).

O que buscam tais sujeitos políticos com tantas demonstrações verbais de seus talentos de administradores públicos? O que se nota é que ambos procuram incorporar, antes de tudo, um ethos de credibilidade que é constituído pela articulação entre determinados aspectos da identidade social e da identidade discursiva, entre um parecer e um ser. Intentam com suas palavras passar a ideia de serem portadores de certos atributos que lhes confeririam credibilidade política, apresentando-se também como possuidores de experiência na atividade política e de domínio do saber-fazer, requisitos estes necessários à construção de uma imagem de liderança.

A seguir serão apresentadas algumas características de determinadas imagens que são voltadas para representação dos valores que corroboram para a identificação do político e de suas propostas junto ao público cidadão.

3.5 - A identificação no discurso político: imagens do afeto

Por outro lado, os ethé de identificação58 consistem nas imagens que são extraídas do afeto social, imaginários esses recuperados pelos discursos políticos e refletidos como figuras de sentido, imagens e identidades. Apesar da pluralidade de representações que correspondem a um efeito de identificação, algumas formas/figuras podem ser identificadas de modo recorrente, tais como aquelas que corresponderiam a valores responsáveis por transmitir as ideias de potência; de caráter; de inteligência; de humanidade; de chefe; de solidariedade.

No campo político, de modo geral, enfrentam-se valores e ideologias que são assimilados e incorporados por diferentes grupos de indivíduos que se apresentam como representantes dos projetos de sociedade que são então propostos. Como sabemos, nesse espaço de disputa pela conquista do poder e pela construção da liderança que se faz necessária e desejada, os políticos precisam alcançar e fazer aderir à sua pessoa e às suas ideias o maior número possível de indivíduos. Para atingir essa diversidade de públicos e corresponder as suas demandas, os atores políticos optam por jogar com valores diversos e muitas vezes opostos e contraditórios. Como diz Charaudeau: “[...] mostrar-se, ao mesmo tempo, tradicional, mas também moderno; sincero, mas sagaz; poderoso e modesto, etc.”. (CHARAUDEAU, 2006, p.137). Desse modo, para o autor o ethos político no viés da identificação afetiva com o público eleitor deve ser compreendido enquanto “o resultado de uma alquimia complexa de traços pessoais de caráter, de