No que se refere à relação candidato/vaga nos vestibulares para os cursos presenciais de licenciatura em Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes no estado do Paraná, coletaram-se dados de oito cursos ofertados por IES públicas (municipais, estaduais e federais) nos últimos dez/onze anos (2004 – 2014). É importante ressaltar que se optou por verificar essa informação apenas nas IES públicas que ofertam cursos na modalidade presencial, as quais, geralmente, realizam processos seletivos anuais e expõem seus dados, visto que o sistema de seleção em IES particulares e/ou que ofertam cursos na modalidade a distância é distinto. Os dados coletados podem ser observados a seguir.
Tabela 12. Relação candidato/vaga pelos cursos de licenciatura de Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes no Paraná (%).
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Paraná UFPR 6.81 3.88 6.63 4.25 7.88 4.38 7.13 3.69 6.13 4.75 4.81 5.36 4.79 5.79 6.92 UEL 5.40 3.90 5.60 5.40 3.75 4.40 4.20 4.50 4.20 5.15 2.85 4.70 4.05 5.65 3.70 3.85 4.35 5.20 6.83 7.33 6.92 5.17 UNICENTRO ---- 5.40 4.60 4.33 4.92 4.33 5.85 6.50 4.23 5.50 5.54 6.17 4.23 4.64 5.22 5.73 2.50 2.36 EMBAP ---- ---- ---- 3.30 3.37 2.56 2.66 3.20 2.86 3.80 ---- UEPG ---- ---- 3.28 6.62 ---- 3.80 5.06 3.40 4.06 4.11 5.50 FAP ---- ---- ---- ---- ---- 6.00 7.60 5.13 7.00 ---- ---- ---- ---- UEM ---- ---- ---- ---- ---- ---- 2.8064 7.70 65 8.30 7.40 7.50 5.90 7.20 6.20 IFPR ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- 2.95 2.00
Fonte: Elaborada pela autora com base nos sites das IES, UOL Vestibular e Brasil Escola (2014).
Nota-se que a relação candidato/vaga de algumas IES não aparece em determinados anos. Isso ocorreu devido à dificuldade de encontrarem-se os dados, tanto por falta de organização do site da IES, quanto por não se ter disponibilizada essa informação em sites semelhantes que apresentem esses dados, como o “UOL Vestibular” e o “Brasil Escola”. Em outros momentos, a informação não estava disponível. Essa problemática será abordada juntamente com o número de vagas ofertadas pelas IES referente ao período analisado para explicar como esse fato interfere na relação candidato/vaga, entre outros detalhes, como: se a IES oferta dois processos seletivos ao ano; se há informações sobre troca de nomenclatura; e/ou se o curso foi criado durante o período analisado.
No que se refere a UFPR, até o ano de 2007, essa IES ofertava dois cursos de licenciatura, a saber, “Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas” e “Educação Artística com habilitação em Desenho”. A partir de 2008, essa instituição passou a oferecer
64 Relação candidato/vaga referente ao não cotista. Optamos por anotar a concorrência entre os não cotistas por
haver um número maior de pessoas inscritas, assim como de vagas, do que para os cotistas.
65 A relação candidato/vaga na parte superior refere-se ao vestibular de verão e o da parte inferior refere-se ao
dois cursos de Artes Visuais, um de bacharelado e um de licenciatura. Para fazer uma comparação entre a relação candidato/vaga dos cursos antigos e do novo curso, colocou-se a concorrência desses dois cursos (2004 a 2007), sendo que os números da parte superior equivalem ao primeiro e os dados da parte inferior correspondem ao segundo. Na Tabela 12, a partir de 2008, considerou-se a relação candidato/vaga apenas dos cursos de licenciatura em Artes Visuais. O número de vagas ofertadas tanto para os antigos quanto para os cursos novos nas duas habilitações foi de 16 vagas até o ano de 2009. Nos processos seletivos ocorridos a partir de 2010, o número de vagas ofertadas para esses últimos passou para 14; no vestibular referente a 2013/2014, o número de vagas passou para 13 em cada habilitação; e no vestibular de 2014/2015, o número de vagas caiu para 11, tendo porcentagem de relação candidato/vaga para o curso de licenciatura em Artes Visuais de 8,82%. A UFPR realiza apenas um processo seletivo por ano. Não se sabe o motivo desse, e de outros cursos, terem diminuído gradativamente o número de vagas, mas o aumento da concorrência, nesse caso específico, é devido a esse fato, pois, se essa IES mantivesse o número de vagas ofertadas em 2009, a relação candidato/vaga desse último vestibular seria 6,06%. É importante ressaltar que as universidades públicas não precisam se preocupar com um público pagante, correndo o risco de terem menos lucro se tiverem poucos alunos ou desistências. Talvez um dos motivos para a redução do número de vagas nessa IES seja esse, além dessas IES terem certa autonomia sobre a organização dos cursos.
A UEL oferta o curso de licenciatura em Artes Visuais em dois turnos. Entre 2005 e 2012, o número de vagas ofertadas foi de 20 por turno e, a partir de 2013, essa instituição passou a oferecer 12 vagas por turno para esse curso, ou seja, essa IES reduziu suas vagas anuais de 40 para 24. Sobre a disposição dos dados na Tabela 12, na parte superior, a relação candidato/vaga corresponde ao período matutino e a parte inferior ao período noturno. Em 2010, o curso, até então denominado Educação Artística, mudou sua nomenclatura para Artes Visuais.
A UNICENTRO oferta o curso de licenciatura com a nomenclatura “Arte-Educação” e não “Artes Visuais”. Também é importante ressaltar que essa IES oferta dois vestibulares por ano (verão e inverno). Na parte superior da tabela, os dados correspondem ao primeiro vestibular e, na parte inferior, ao segundo, exceto nos anos de 2005, 2007 e 2014, pois, nesses anos, não houve oferta de vagas para o curso de licenciatura em Arte-Educação no vestibular de verão. Essa IES ofertou 12 vagas no primeiro vestibular de 2008, 2009, 2010 e 2011 e 13 vagas no segundo vestibular nesses mesmos anos. Em 2012, essa IES ofertou 11 vagas no primeiro vestibular e nove no segundo. No ano de 2014, só abriu vaga para o curso de Arte-
Educação em um processo seletivo, mas o número de vagas foi de 25, ou seja, a soma da média das vagas dos anos anteriores. Considerando esses pontos, essa IES manteve o número de vagas do curso durante o período analisado, apresentando pouca variação.
No que se refere a EMBAP, esta ofertou, de 2007 a 2014, 30 vagas por ano para o curso de licenciatura em Desenho e/ou em Artes Visuais. Esse curso trocou a nomenclatura “licenciatura em Desenho” para “licenciatura em Artes Visuais” no ano de 2010. Essa IES solicita, além das provas tradicionais dos processos seletivos, prova de habilidade específica (PHE) para todos os cursos, inclusive os de licenciatura. Para o curso de licenciatura em Artes Visuais é solicitada prova de desenho de observação.
A UEPG, no ano de 2008, não ofertou vagas para o curso de licenciatura em Artes Visuais. Essa IES apresentou uma variação maior em relação as outras IES no que se refere ao número de vagas ofertadas por ano, sendo sete vagas em 2006, oito em 2007, 15 em 2009, outras 15 vagas em 2010, 5 em 2011, 15 em 2012 e, nos anos de 2013 e 2014, o número de vagas ofertadas para esse curso foi de 18. Diferentemente dos primeiros cursos analisados, esse aumentou o número de vagas. A princípio, tal ação diminuiria o índice da relação candidato/vaga, mas o que ocorreu foi o contrário. Esse fato indica que realmente aumentou o número de pessoas interessadas em cursar Artes Visuais nessa IES.
A FAP oferece o curso de licenciatura em Artes Visuais em dois turnos. Foram encontradas apenas quatro porcentagens referentes à relação candidato/vaga para os cursos de licenciatura em Artes Visuais dessa IES, sendo duas referentes ao período da manhã e as outras duas ao período da noite nos anos de 2009 e 2010. Nesses anos, essa IES ofertou 20 vagas para cada turno. Na Tabela 12, os números da parte superior correspondem ao período matutino e os da parte inferior correspondem ao período noturno.
No que se refere a UEM, não havia curso com a nomenclatura Artes Visuais nessa IES antes de 2010. É importante ressaltar que, nesse ano, abriram 40 vagas para o curso de Artes Visuais e a média da relação candidato/vaga no vestibular de verão ficou em 2.80%. Em 2011, o número de vagas para esse curso reduziu para 16 em cada processo seletivo (essa IES oferta dois vestibulares ao ano). Devido a esse fato, a relação candidato/vaga, nesse ano, aumentou para 7.70% no vestibular de verão e para 8.30% no vestibular de inverno. Em 2012, 2013 e 2014 a quantidade de vagas se manteve, ou seja, continuaram sendo ofertadas 16 vagas por processo seletivo, correspondendo a 32 vagas anuais.
No IFPR, o curso de Artes Visuais foi criado em 2009. Por esse motivo, não há relação candidato/vaga antes desse período. Em 2013, foram ofertadas 20 vagas e, em 2014,
34 vagas para esse curso. Não foram encontrados mais dados sobre ele no período de 2009 a 2012.
Com base nos parágrafos anteriores, observa-se que há diferenças entre o número de vagas ofertadas pelas IES, assim como pela relação candidato/vaga. Essas últimas oscilam principalmente devido à variação no número de vagas ofertadas pelos cursos, o que parece algo comum nos cursos de Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes nesse estado.
Tendo por base os dados do primeiro capítulo sobre a relação candidato/vaga no Brasil e na região sul e com base nesses dados dos cursos do Paraná, é possível verificar a situação da relação candidato/vaga em nível nacional, regional e local. Serão retomados alguns dados do primeiro capítulo para realizar as comparações. Na pesquisa realizada em 2014 pelos integrantes do projeto OFPEA/BRARG, a qual foi apresentada na Tabela 9 desta dissertação, constatou-se que, segundo dados do INEP, a relação candidato/vaga para os cursos de licenciatura presenciais em Artes Visuais entre os anos de 2004 e 2013 no Brasil ficou com uma média de pouco mais de um candidato por vaga, aumentando gradativamente a partir de 2010, chegando a 2,50% em 2012 e em 2013 estava em 1,84%. Considerando-se essa informação, constata-se que a concorrência pelos cursos de licenciatura em Artes Visuais e/ou nomenclaturas semelhantes no estado do Paraná está acima da média nacional.
No que se refere à situação da relação candidato/vaga pelos cursos do Paraná em relação aos outros cursos de licenciatura em Artes Visuais ofertados na modalidade presencial por IES públicas nos estados da região sul, observa-se que esse estado continua acima da média, como apresentado na Tabela 10, pois, em Santa Catarina, excetuando a procura pelos cursos de licenciatura da UDESC, a partir de 2008, a média ficou abaixo de um candidato por vaga em todas as IES analisadas. Enquanto que no Rio Grande do Sul a relação candidato/vaga mínima ficou em 1,22% e a máxima em 6,00%, sendo que, a partir de 2010, nenhuma IES desse estado obteve mais de dois candidatos por vaga. Ou seja, o Paraná, mesmo não possuindo Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Artes Visuais, apresenta um alto percentual de interessados em cursar licenciatura em Artes Visuais quando comparado aos dados da relação candidato/vaga nacionais e da região sul.
Mas por que isso acontece? Supõe-se que um dos motivos para o aumento da relação candidato/vaga no estado do Paraná ocorreu/ocorre devido à diminuição progressiva do número de vagas por parte de algumas instituições, podendo-se citar, dentre elas, a UFPR e a UEL. No entanto, outras IES aumentaram o número de vagas e, mesmo assim, mantiveram a concorrência pelo curso, tal como a UEPG. Outro fator que pode interferir é o piso salarial dos professores da educação básica. Segundo o ranking dos salários pagos aos professores dos
diferentes estados brasileiros, realizado pelo site Terra (2013), o Paraná paga o quarto melhor salário, Santa Catarina paga o 17º melhor salário e o Rio Grande do Sul paga o 25º melhor salário dentre as 27 unidades federativas do Brasil66. Sobre esse ponto, Saviani (2011) afirma que
Finalmente — e este talvez seja o aspecto mais importante — as condições de trabalho docente têm um impacto decisivo na formação, uma vez que elas se ligam diretamente ao valor social da profissão. Assim sendo, se as condições de trabalho são precárias, isto é, se o ensino se realiza em situação difícil e com remuneração pouco compensadora, os jovens não terão estímulo para investir tempo e recursos numa formação mais exigente e de longa duração. Em consequência, os cursos de formação de professores terão de trabalhar com alunos desestimulados e pouco empenhados, o que se refletirá negativamente em seu desempenho. (SAVIANI, 2011, p. 17). Considera-se que a falta de reconhecimento social e financeiro da profissão docente acarreta evasão dos cursos, baixa relação candidato/vaga, além de desestimular os licenciandos durante o processo de ensino-aprendizagem. Além do mais, “[...] tais condições [...] operam como fator de desestímulo à procura pelos cursos de formação docente e à dedicação aos estudos.” (SAVIANI, 2009, p. 152).
3.1.9 Qual a titulação dos professores universitários dos cursos que terão as matrizes