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Rapport de fluctuation-dissipation

4.3 Relation de fluctuation-dissipation

4.3.2 Rapport de fluctuation-dissipation

Considerando os dados apresentados neste capítulo, em uma tentativa de sistematizar informações referentes ao Projeto do OFPEA/BRARG, é importante ressaltar que eles são necessários devido à falta de pesquisas com essas informações para que se realizem comparações e correlações entre dados nacionais, regionais e locais sobre os cursos de licenciatura em Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes. Por esse motivo, apresenta-se tal material construído por esse projeto, em uma tentativa de identificar dados referentes à área de Arte no Brasil, entre elas a problemática das diversas nomenclaturas ainda convivendo nos cursos de formação inicial, assim como a existência de cursos ofertando formação polivalente, a relação candidato/vaga, a categoria administrativa das IES que ofertam os cursos, entre outros aspectos que foram apresentados.

Tais dados também se mostraram e ainda serão necessários no segundo capítulo desta dissertação, pois eles serão retomados para fins de comparação, ocasião na qual será construído/definido o perfil dos cursos de licenciatura no Paraná para situar este estado em meio à região sul e em âmbito nacional. Os dados apresentados também servirão para outros pesquisadores, pois não se restringem ao estado do Paraná.

Este capítulo, portanto, abordou aspectos organizacionais dos cursos referentes à formação docente de forma mais ampla, assinalando pontos que interferem e condicionam a formação inicial, como: se a IES que promove a oferta do curso é de natureza pública ou privada; se o curso é ofertado na modalidade EAD ou presencial; se a instituição sabe que profissional quer formar (licenciado ou bacharel); além de aspectos acerca da relação entre teoria e prática e o papel do professor formador em relação às leis e suas próprias convicções;

e, tratando-se especificamente dos cursos de graduação relacionados com a visualidade, se são específicos de Artes Visuais ou ofertam as quatro linguagens artísticas. Este capítulo também apresentou os resumos de quatro dissertações que possuem relação com esta pesquisa e que ainda auxiliaram no capítulo três, em que são tratadas questões referentes às políticas públicas educacionais, currículo, legislação e DCNs – Artes Visuais.

Para dar continuidade à pesquisa sobre as características dos cursos de licenciatura em Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes, tem-se por base a seguinte pergunta que será o eixo do próximo capítulo: Qual o perfil dos cursos de licenciatura com essa linguagem artística no estado do Paraná?

3 LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS NO PARANÁ

Figura 2:“Sem título”.

Fonte: Silvera (2006) com intervenções da autora.

Raiz: base ou parte inferior de algo; aquilo que provoca, ocasiona ou determina uma atitude, um acontecimento, a existência de algo; fonte, origem. (Dicionário Houaiss)

Neste capítulo, serão apresentadas características dos cursos de Artes Visuais e/ou com nomenclaturas semelhantes presentes no Paraná. Para fins de comparação entre os cursos de licenciatura a nível nacional, regional e local, alguns dados apresentados no capítulo anterior serão retomados nesse momento. Além dessa comparação, os dados referentes aos cursos desse estado mostram-se necessários tanto para delimitar quanto para definir quais IES terão as matrizes curriculares de seus cursos analisadas. Serão apontados, ainda no presente capítulo, a existência de alunos e professores universitários dos cursos de Artes Visuais no Paraná que produzem e expõem trabalhos de arte e como esse fato pode interferir na formação inicial. Também serão apresentados artistas reconhecidos relacionados à arte/educação desse estado, em um período em que ainda não havia cursos de licenciatura em Educação Artística e/ou Artes Visuais.

Em meados do século XIX não havia universidade e muito menos graduação em Artes Visuais no Paraná. Mesmo assim, diversos artistas plásticos, tanto no período citado quanto no início do século XX, tiveram papel importante no ensino de arte nesse estado. Segundo Osinski (2000), em seu artigo intitulado “Os pioneiros do ensino da arte no Paraná”, vários artistas se destacaram, a saber, Alfredo Andersen, Guido Viaro, Emma Koch, Ricardo Koch e Mariano de Lima. “Todos foram, cada um a seu tempo, pioneiros da arte-educação no Paraná. A cada um deles é creditado um passo importante no ensino da arte, necessário para que outras ações fossem desenvolvidas na sequência.” (OSINSKI, 2000, p. 155). Essa autora ressalta que os primórdios da “[...] arte-educação em Curitiba não se deram via instituições ou por meio do ensino oficial. Foram, antes, frutos de iniciativas isoladas de pessoas que, interessadas pela causa, deram a vida para verem seus sonhos concretizados”. (OSINSKI, 2000, p. 145). Ela também afirma que

As iniciativas mais significativas relacionadas ao surgimento de um processo organizado de ensino de artes plásticas em Curitiba deram-se no interstício que vai dos últimos vinte anos do século XIX até a metade do século XX e partiram predominantemente de imigrantes, os quais, com a experiência acumulada nos países de origem, trouxeram novas ideias e a certeza da importância do lugar da arte no panorama cultural de um povo. (OSINSKI, 2000, p. 145).

Segundo Osinski (1998), uma das primeiras pessoas a desenvolver um trabalho sistemático em arte-educação em Curitiba (PR) foi Mariano de Lima, ao fundar a Escola de Artes e Indústrias nessa cidade no ano de 1886. Essa foi a terceira escola brasileira do gênero42.

Após a criação desse primeiro espaço de ensino de arte sistematizado no Paraná, outros foram surgindo. Dentre eles, destaca-se o Centro Juvenil de Artes Plásticas, criado, na década de 50, pelo artista plástico Guido Viaro que auxiliava na formação de professores de arte desse estado em um período em que não havia cursos de licenciatura. Segundo Osinski (2000), esse espaço empreendeu “[...] os primeiros cursos de capacitação em arte-educação para professores da rede pública de ensino do Paraná, numa atitude precursora dos futuros cursos de Educação Artística, criados por lei na década de 70.” (OSINSKI, 2000, p. 150).

Outra instituição que foi criada próxima a esse período foi a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Segundo o site da instituição (EMBAP, [2015]), ela foi implantada em 1948 e reconhecida pelo Conselho Federal de Educação em 1954. No entanto, o curso de licenciatura com a nomenclatura “Artes Visuais” foi criado nessa IES apenas no ano de 2010; antes desse período o curso era chamado de “Licenciatura em Desenho”.

Considerando que o objetivo aqui não é fazer um histórico da criação dos cursos de Artes no Paraná, mas sim identificar características dos cursos atuais presentes nesse estado, tanto para construir/definir o perfil deles quanto para selecionar as IES que terão seus cursos analisados, é que serão apresentados os dados coletados referentes a esses últimos.