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Time Overhead in Type Computation

3.9.1 Recompilation vs Retyping

Radden e Kövecses (1999) propuseram pelo menos três aspectos a serem considerados, ao analisarmos a metonímia, entendendo-a como um fenômeno conceptual, um processo cognitivo e que opera como um MCI. Os autores defendem que a natureza cognitiva da metonímia é mais claramente delineada quando se parte para a observação da estrutura de categorias conceptuais. Para tanto, Radden e Kövecses (1999) retomam a proposição de Lakoff (1987), a respeito do MCI de mãe, ao discutirem como um membro de uma categoria geralmente é posicionado na mesma, a partir de efeitos prototípicos delineados por características que os situam, devido ao seu comportamento conceptual. Assim, como um processo cognitivo, a “metonímia não simplesmente substitui uma entidade por outra entidade, mas as inter-relaciona para formar um novo e complexo significado.”68

(RADDEN; KÖVECSES, 1999, p.19). Os autores defendem, ainda, que a noção de MCI defendida por Lakoff e Johnson (2002 [1980]) e Lakoff (1987) se coaduna melhor com o entendimento de metonímia como sendo um processo conceptual, visto que:

O conceito de MCI inclui não somente o conhecimento enciclopédico das pessoas sobre um domínio particular, mas também os modelos culturais dos quais fazem parte [...]. MCI’s e sua rede de relações conceptuais os caracterizam como podendo dar origem a associações que podem ser exploradas em uma transferência metonímica.69 (RADDEN; KÖVECSES, 1999, p.20).

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Idealised cognitive models encompass the cultural knowledge that people have and are not restricted to the “real world”. That is to say, they also encompass people’s subjective views of a particular concept and can be highly idiosyncratic as they are an abstraction from people’s encounters with that particular concept. They are highly schematic and flexible, and can be static or dynamic, or both. They are “idealised” in the sense that they are not necessarily “real”.

68 Tradução nossa do original: “metonymy does not simply substitute one entity for another entity, but

interrelates them to form a new, complex meaning”.

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Tradução nossa do original: “The ICM concept is meant to include not only people’s encyclopedic knowledge of a particular domain but also the cultural models they are part of. […] ICM’s and the

A respeito da “transferência metonímica”, Radden e Kövecses (1999) apontam que, ao contrário da metáfora, que, em geral, apresenta um comportamento unidirecional, a metonímia, na maioria dos casos, é um processo que envolve mapeamentos reversíveis; assim, por exemplo, observam-se metonímias como PARTE PELO TODO, e, também, TODO PELA PARTE, em uma mesma situação conceptualizadora. A respeito desse tipo de relação conceptual reversível, gerada pelos mapeamentos metonímicos, os autores assim se colocam:

Relações conceituais dentro de um MCI que podem dar origem a uma metonímia serão chamadas de “relações de produção de metonímias”. Assim, as relações conceituais que detém entre um recipiente e a(s) coisa(s) contida(s) podem produzir as metonímias CONTAINER PELO CONTINENTE e CONTINENTE PELO CONTAINER70. (RADDEN; KÖVECSES, 1999, p.20).

Foi partindo dos tipos de relações que se estabelecem intra-domínio que Radden e Kövecses (1999) propuseram uma classificação para as metonímias, como aqui esboçamos, com algumas adaptações referentes aos exemplos trazidos pelos autores, como segue:

MCI coisa-parte: constituem-se em tipos de processos que focalizam as partes

mais salientes de uma entidade a fim de ampliar ou especificar o movimento conceptual, a partir de metonímias do tipo TODO PELA PARTE/ PARTE PELO TODO; COISA TODA PELA PARTE DA COISA/ PARTE DA COISA PELA COISA TODA, como observamos em O mar não está pra peixe, em que “mar” aponta para uma parte do oceano ao se relacionar diretamente com o conceito na linguagem pesqueira; ou, ainda, pode referir-se a uma situação não favorável, dentro de uma situação maior, apontando, para a metáfora OCEANO SÃO SITUAÇÕES DA VIDA.

MCI constituição: envolve substâncias ou materiais sendo entendidas como

constituintes da coisa, em que se observam metonímias do tipo OBJETO PELO MATERIAL QUE CONSTITUI O OBJETO/ MATERIAL QUE CONSTITUI O OBJETO

network of conceptual relationships characterizing them give rise to associations which may be exploited in metonymic transfer”.

70 Tradução nossa do original: “Conceptual relationships within an ICM which may give rise to

metonymy will be called ‘metonymy-producing relationships’. Thus, the conceptual relationships that holds between a container and the thing(s) contained may produce the metonymies CONTAINER FOR CONTENTS and CONTENTS FOR CONTAINER”.

PELO OBJETO, a exemplo da expressão “Não posso comer açúcar demasiadamente” ao nos referirmos a alimentos doces, ou adocicados, em demasia.

MCI evento: processos conceptualizadores em que os eventos são entendidos

como coisas que podem ter partes e focalizam aspectos distintos da referida situação, através de metonímias como TODO O EVENTO POR PARTE DO EVENTO (ou “subeventos”) / PARTE DO EVENTO POR TODO O EVENTO, assim como o percebemos em expressões do tipo Eu falo Espanhol, em que o “falar” engloba outras habilidades como escrever, ler, compreender, interpretar etc.; ou em João levou Maria

até o altar, em que parte do evento (ou um subevento) levar até o altar, evoca toda a

cerimônia do casamento, ou ainda A greve parou o trânsito, sendo que o elemento perspectivado não seria todo o movimento grevista, mas apenas a barreira física imposta pelos grevistas em determinado ponto do caminho, impedindo o fluxo normal de veículos e pessoas.

MCI categoria-membro: assemelhando-se ao MCI coisa-parte, este tipo de MCI

metonímico gera relações mais específicas de representação que se referem à constituição da categoria criada conceptualmente, por exemplo, através de MEMBRO DA CATEGORIA POR CATEGORIA/ CATEGORIA POR MEMBRO DA CATEGORIA; GENÉRICO POR ESPECÍFICO / ESPECÍFICO POR GENÉRICO. Exemplos em linguagem cotidiana seriam O trabalhador está cansado de ser enganado, em que

trabalhador (parte-específico) está em lugar de uma classe de trabalhadores (todo-

genérico); ou, ainda, O trabalho melhorou o ambiente da fábrica, em que o geral (trabalho) é particularizado, pela ação (trabalho) de alguns.

MCI redução: nesse aspecto, a metonímia figura como a redução de uma

forma, que é associada ao todo da coisa conceptualizada, como PARTE DA FORMA PELA FORMA COMPLETA/ FORMA COMPLETA POR PARTE DA FORMA, por meio de expressões metonímicas como Que maravilha! Hoje é Sexta-feira, em que um dia da semana é tomado em lugar do conjunto de 3 dias, especialmente, por representar, prototipicamente, o final das atividades laborativas; dessa forma, os aspectos de “final de período de trabalho” e de “começo de período de descanso” são evocados concomitantemente, de modo a representar a “forma” prototípica positiva que o “final de semana” adquirirá para o conceptualizador: ausência de trabalho.

Além desta taxonomia (que, inclusive, apresenta outros desdobramentos, que julgamos necessário apenas citar alguns deles aqui), Radden e Kövecses (1999, p.45ss) apresentam outras possibilidades de relações metonímicas, baseados nas diversas possibilidades das relações experienciais humanas, considerando as saliências perceptuais acionadas durante os processos conceptualizadores, ativados pelas formas como percebemos e interagimos, ecologicamente, com e no mundo. Tais processos, dentre outros, são71:

HUMANO POR NÃO-HUMANO (PRODUTOR POR PRODUTO [Eu tenho um

Ford]; CONTROLADOR/POSSUIDOR POR CONTROLADO/POSSUÍDO [Tenho um pneu furado]);

SUBJETIVO POR OBJETIVO (PERCEPÇÃO PELA COISA PERCEBIDA [Que

bela vista!]; FORMA/CONCEITO POR COISA/EVENTO [O casamento demorou]);

CONCRETO POR ABSTRATO (CORPORAL PELO EMOCIONAL [coração por

bondade]; CORPORAL PELO AGENTIVO [Segure sua língua]); CORPORAL PELO

MENTAL [Ele é o cabeça da empresa]; VISÍVEL PELO INVISÍVEL [Salve sua pele por

salve sua vida].

EMOÇÃO PELA SUA CAUSA [Você é minha alegria].

Barcelona (2012), retomando esta classificação, a resume a partir dos critérios propostos por Radden e Kövecses (1999), sugerindo os seguintes: LOCALIZAÇÃO E LOCALIZADO; SUBEVENTO E EVENTO COMPLETO; PROPRIEDADE SALIENTE E ENTIDADE; PRODUTOR E PRODUTO; UNIDADE GEOGRÁFICA E PARTE SALIENTE; PARTE CORPORAL E PESSOA; CAUSA E EFEITO; EMPRESA E EMPREGADO; ENTIDADE E PARTE RELEVANTE; CONTROLADOR E CONTROLADO; RECIPIENTE E CONTEÚDO; OBJETO E MATERIAL; CONDIÇÃO E RESULTADO; OBJETO E ORIGEM; POSSUIDOR E POSSUÍDO; AÇÃO, EVENTO OU PROCESSO E SEUS ELEMENTOS; CATEGORIA E MEMBRO.

Ainda que tais relações e processos metonímicos propostos por Radden e Kövecses (1999) tenham nos parecido um tanto polarizadores, por exemplo, ao oporem sentidos, julgamos relevante apresentá-los, visto terem contribuído para

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Para cada elaboração metonímica, os autores consideram sua perspectiva reversa, conforme já demonstramos nos parágrafos anteriores.

aumentarmos as possibilidades de identificação das formas de conceptualização de

trabalho, em algumas ocorrências estudadas em nosso corpus. A contribuição mais

efetiva que tais classificações trouxeram para o nosso estudo empírico foi o aumento das possibilidades hermenêuticas de abstração dos dados, já que a captação dos sentidos é, aprioristicamente, contextual, de modo que nem todas as classificações puderam ser aplicadas diretamente ao nosso objeto; isto porque nossa preocupação não foi, a princípio, classificar as formas de conceptualização de trabalho, mas, sim, interpretá-las à luz de um estudo sociocognitivo.

1.1.4.2.2 A metaftonímia: interação metáfora – metonímia nas formas de