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Properties of the Assumptions

Environment Snapshot 3:

3.3 Proving Correctness of the Incremental System

3.3.2 Properties of the Assumptions

De acordo com Lakoff (2012 [1990]), a possibilidade, anteriormente citada, de evocar a mesma metáfora conceptual através de expressões metafóricas distintas ocorre porque a estrutura do domínio-fonte é preservada, no que tange aos seus esquemas imagéticos37, durante os mapeamentos. É o que o autor denomina como a

Hipótese da Invariância, no sentido de que:

[...] todas as inferências do domínio-fonte referentes à topologia cognitiva (estrutura do esquema de imagem) serão preservadas no mapeamento. Isso explica o que tem se observado empiricamente em estudos sobre metáforas até agora, ou seja, que a metáfora preserva a

37A esse respeito, pontua: “Considerando-se que todos os mapeamentos metafóricos são parciais, a

Hipótese da Invariância estabelece que a parte da estrutura do domínio-fonte que é mapeada preserva a sua topologia cognitiva – embora nem toda a topologia cognitiva do domínio-fonte precise ser mapeada. Já que a topologia cognitiva dos esquemas de imagem determina os seus padrões de inferência, a Hipótese da Invariância sugere, então, que padrões de raciocínio imagético são projetados para padrões de raciocínio abstrato através de mapeamentos metafóricos. Isso nos leva a crer que pelo menos uma parte do raciocínio abstrato (e talvez todo ele) seja uma versão metafórica do raciocínio baseado em imagens [...]. E porque o domínio-fonte desses conceitos metafóricos está estruturado com base em esquemas de imagem, a Hipótese da Invariância sugere que o raciocínio que envolve esses conceitos é baseado fundamentalmente em imagens. Isso inclui o conteúdo de raciocínios escalares, modais, temporais e causais. Esses casos abrangem uma diversidade tão grande de formas de pensamento abstrato que a pergunta que naturalmente surge é se todo o pensamento abstrato humano é uma versão metafórica do pensamento imagético. Vejo isso como uma questão crucial para pesquisas futuras em linguística cognitiva”. (LAKOFF, 2012 [1990], p.7).

estrutura inferencial – pelo menos alguns tipos de estrutura inferencial. Também pode-se afirmar, a partir dessa hipótese, que uma grande parte das inferências abstratas – se não todas elas – são versões metafóricas de inferências espaciais inerentes à estrutura topológica dos esquemas de imagem. [...] A Hipótese da Invariância sustenta que, se os conceitos abstratos são entendidos metaforicamente, então as suas representações imagéticas são os esquemas de imagem que foram projetados metaforicamente a partir do domínio-fonte das metáforas. (LAKOFF, 2012 [1990], p.24).

Em outras palavras, a estrutura topológica (através dos esquemas imagéticos) do domínio-fonte de uma metáfora é preservada no domínio-alvo. É nesse sentido que Evans (2007, p.117) entende a hipótese da invariância como sendo “o princípio que captura as restrições que governam os mapeamentos entre domínios na Teoria da Metáfora Conceptual”38

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Como uma importante implicação da referida hipótese, Lakoff pontua que, em consequência dessa forma de compreensão, pode-se considerar que “o pensamento abstrato é um caso especial de pensamento baseado em imagens [...], o qual se dá através de uma projeção metafórica para um domínio abstrato”. (LAKOFF, 2012 [1990], p.36). O que ele chama de “correspondências” são os significados do domínio- fonte aplicados a determinados aspectos do domínio-alvo que se pretende destacar, no estabelecimento dos sentidos. Essas correspondências, conforme pontuado, irão acionar o que chama de metáforas imagéticas, que seriam superimposições conceptuais de imagens do domínio-fonte sobre um domínio-alvo. Ruiz de Mendoza Ibáñez (2004, p.11) ilustra da seguinte forma essas correspondências: “Este princípio garante, por exemplo, que se no domínio-fonte temos uma árvore e no [domínio] alvo uma pessoa, a copa pode corresponder à cabeça, o tronco ao corpo, os ramos aos braços, as raízes às pernas e pés”39

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Lakoff (2012 [1990]) ilustra tal movimento pela comparação que se estabelece entre uma ampulheta e o corpo de uma mulher: o aspecto a ser focalizado, a partir de ambas as imagens, a fim de estabelecer as correspondências, será a cintura da mulher em comparação com a parte central do objeto, por ambas serem mais estreitas e possuírem a forma sinuosa. Assim, essa perspectiva imagética da

38 Tradução nossa do original: “The principle which captures the constraints that govern cross-domain

mappings in Conceptual Metaphor Theory”.

39 Tradução nossa do original: “Este principio garantiza, por ejemplo, que si en el dominio fuente

tenemos un árbol y en el meta una persona, la copa se haga corresponder con la cabeza, el tronco con el cuerpo, las ramas con los brazos, las raíces con las piernas y pies.”

construção do sentido apresenta algumas implicações em relação à TMC, especialmente sobre como os mapeamentos se dão nas metáforas de imagem, a saber:

Como funcionam [as metáforas]? O que restringe os mapeamentos? Que tipos de estruturas internas as imagens mentais possuem para permitir que alguns mapeamentos funcionem facilmente, outros, apenas com certo esforço, e outros, ainda, nem funcionem? Qual é a teoria geral que une as metáforas de imagem a todas as metáforas convencionais que mapeiam a estrutura proposicional de um domínio para a estrutura proposicional de outro domínio? Sugerimos que imagens mentais convencionais são estruturadas por esquemas de imagens, e que as metáforas de imagem preservam a estrutura esquemática da imagem, mapeando as partes em termos das partes e o todo em termos do todo, recipientes em termos de recipientes, caminhos em termos de caminhos, entre outros. A generalização seria a de que todas as metáforas são invariáveis em relação à sua topologia cognitiva, ou seja, cada mapeamento metafórico preserva a estrutura dos esquemas de imagem. (LAKOFF, 2012[1990], p.39).

Dessa forma, entendemos que os conceitos apreendidos pelo ser humano são resultado da sua experiência corpórea e das interações sensoriais do próprio corpo com o mundo e a realidade, sendo a partir desse arcabouço concreto e mental que há a apreensão de novas ideias, pela evocação dos esquemas imagéticos. Almeida (2009) demonstra tal processo, ao analisar a expressão João entrou em depressão, apontando a intrínseca relação entre domínios:

[...] temos os domínios lugar (mais especificamente lugar físico) e estado (no caso, a depressão). [...] o domínio-fonte, serve de ponto de partida para a metáfora, oferecendo uma espécie de esquema conceptual básico a partir do qual o domínio-alvo poderá ser apreendido. Dessa forma, podemos compreender a depressão como um estado (domínio-alvo) a partir de características tipicamente atribuídas às locações físicas (domínio-fonte). [...] É condição fundamental para a metáfora que o domínio-fonte seja, em algum sentido, mais básico ou familiar que o domínio-alvo, e a familiaridade do domínio-fonte está diretamente associada à sua relação com a experiência corpórea. (ALMEIDA, 2009, p.35).

Assim, percebemos o quanto a elaboração metafórica é intrinsecamente relacionada tanto aos aspectos corporais, quanto ao contexto cultural dos falantes, já que a projeção entre domínios ocorre mediante o aproveitamento de conceitos existentes tanto na mente do falante quanto circulantes na sociedade, visto que sem

essa partilha, seria impossível criarmos novos domínios conceptuais. Defendemos, nesse sentido, que quaisquer conceitos são apreendidos pela mente humana através de formas conceptuais metafóricas, metonímicas ou de esquemas imagéticos.