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Radio Communication and Positioning System

Computational Organization

2.2.3 Radio Communication and Positioning System

Os Modelos Cognitivos Idealizados Proposicionais são baseados em proposições dentre as quais emerge um conjunto de significados construídos ao longo do nosso desenvolvimento sociocognitivo. Conforme Lakoff (1987), esses MCIs apresentam as seguintes características: a) não usam mecanismos imagéticos, como ocorre com a metáfora e a metonímia; b) possuem um conjunto de elementos usados no MCI, que podem ser desde conceitos de nível básico, como entidades, ações, estados, propriedades etc., até conceitos caracterizados por outros modelos cognitivos; e c) apresentam um caráter objetivista, uma vez que, como já dissemos, são estruturados por entidades mentais, dependentes da experiência humana, que possuem propriedades e relações entre elas. Desse modo, muito da nossa estrutura de conhecimento encontra-se na forma de modelos proposicionais. Assim, por exemplo, um modelo que caracteriza nosso conhecimento sobre ‘fogo’ está relacionado com o fato de que ‘fogo é

PARTE-TODO CENTRO-PERIFERIA COMBINAÇÃO COLEÇÃO FUSÃO SEPARAÇÃO

perigoso’; do mesmo modo, um modelo de um domínio, como o da ‘gastronomia’, inclui elementos que ocorrem nesse domínio, como ‘comida’, ‘restaurante’.

Em sua obra, o ator descreve alguns tipos de MCIs proposicionais, quais sejam: a proposição, o frame, o cenário (às vezes chamado de "script"), o feixe de traços, a taxonomia e a categoria radial. No nosso estudo, recorremos a descrição de frame, pois subsidiou nossas reflexões finais nos estudos das ocorrências, na seção 3.2.

1.3.4.1 Semântica de Frames

Podemos afirmar que um frame é um sistema de conceitos relacionados que corresponde a uma estrutura conceptual de formato proposicional oposta aos esquemas-I que são mentais e não proposicionais.

Originalmente, a ideia de frame surgiu no campo da Psicologia, perpassou pela Antropologia e pela Inteligência Artificial, até chegar a Linguística, tendo seu estudo sistematizado pelo linguista estadunidense Charles Fillmore. A discussão do conceito de frame deu origem à Semântica de Frames, desenvolvida na década de 1970 e amplamente difundida pelo citado linguista38. A Semântica de Frames é um modelo da LC e tem como objetivo maior estudar os processos de relações de sentido que se estabelecem entre os significados dos itens lexicais de uma língua e as experiências vivenciadas pelos seus usuários, a partir de estruturas cognitivas chamadas de frames.

Fillmore (2009 [1982]) define um frame como um enquadre, como uma descrição esquematizada das nossas experiências. Então, é compreendido como

qualquer sistema de conceitos relacionados de tal modo que, para entender qualquer um deles, é preciso entender toda a estrutura na qual se enquadram; quando um dos elementos dessa estrutura é introduzido em um texto, ou em uma conversa, todos os outros elementos serão disponibilizados automaticamente. (FILLMORE, 2009 [1982], p. 25).

Desse modo, o frame refere-se ao conhecimento de todos os conceitos relacionados que se ativam mutuamente, compondo um determinado contexto que é, cognitivamente, acionado, a partir da palavra ou expressão que aciona o frame. De acordo com essa noção, para entender o significado de ‘garçom’, é necessário compreender todo o entorno em que a palavra está inserida, como ‘cardápio’, ‘conta’, ‘cliente’, representando uma categoria da experiência que

38 Após a estruturação da teoria, na década de 1970, Fillmore a apresentou, mais globalmente, na década de 1980,

proporcione um contexto que permite a sua compreensão. Assim, para que se possa entender uma parte, é necessário entender o todo em que o conceito está inserido.

A partir dos estudos da Semântica de Frames e da LC, na década de 1990, Fillmore desenvolveu o FrameNet39, um projeto computacional de base lexicográfica da língua inglesa, que tem como objetivo apresentar informações sobre as ligações das propriedades semânticas e sintáticas dos itens lexicais do referido idioma, a partir de evidência empírica e de frames semânticos.

Lakoff (2007 [2004]), por sua parte, define um frame como uma estrutura conceitual usada no pensamento e que molda nossa maneira de ver o mundo. Ele cita, como exemplo, a palavra ‘elefante’ que é um frame que evoca a imagem de um elefante e o que já se sabe sobre esses animais. Desse modo, o frame de elefante inclui um animal muito grande, orelhas grandes e flexíveis etc., e qualquer uma dessas palavras ou frases, também, podem evocar o frame do ‘elefante’. Isso porque conhecemos os frames através da linguagem, isto é, todas as palavras são definidas em relação aos frames conceituais, assim, quando ouvimos uma palavra, por exemplo, o seu frame (ou sua coleção de frames) é ativado no nosso cérebro.

Duque (2015) coaduna com o conceito apresentado por Lakoff (2007 [2004]) e define o frame como “mecanismos cognitivos através dos quais organizamos pensamentos, ideias e visões de mundo”. (DUQUE, 2015, p. 26). Ele propõe uma metodologia para o estudo do frame aplicada ao discurso e sua proposta tem como base os estudos da Teoria Neural da Linguagem, segundo a qual, os frames são entendidos como circuitos neurais, cujos papeis correspondem aos nódulos desses circuitos (LAKOFF, 2008).

Partindo da divisão de Fillmore (1982), Duque (2015) categoriza os frames em dois grupos: frames linguísticos, que apresentam seis dimensões: dimensão esquemática, dimensão conceptual básica, dimensão do evento, dimensão do roteiro, dimensão do domínio específico, dimensão sociocultural, e frames interacionais40. Conforme o autor, esses frames podem ser ativados através de estratégias cognitivas como a seleção lexical, o arranjo gramatical e o mapeamento metafórico.

39 O FrameNet foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores do ICSI - International Computer Science Institute

(Berkeley, EUA), sob a liderança de Fillmore. Todas as informações sobre esse programa estão disponíveis no site https://framenet.icsi.berkeley.edu/fndrupal/. No Brasil, vários estudos sobre a teoria dos frames têm sido realizados no âmbito do Projeto FrameNet Brasil, sediado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sob a coordenação da professora Margarida Salomão. As informações sobre o seu banco de dados, os projetos a ele relacionados, os

corpora disponíveis, dentre outras questões, encontram-se na página da internet http://www.framenetbr.ufjf.br/.

40 Uma descrição detalhada de cada uma das dimensões do frame, nessa perspectiva, encontra-se em Duque (2015;

Trabalhos vêm sendo desenvolvidos, a partir do modelo de análise de frames apresentado por diferentes autores, porém como nosso trabalho busca verificar as formas de conceptualização do AMOR, baseado nos Modelos Cognitivos Idealizados apresentados por Lakoff (1987), e, no que diz respeito aos modelos proposicionais, observar a inter-relação entre os domínios cognitivos instanciados a partir das ocorrências, adotamos a proposta de estudo de frames de Fillmore (2009 [1982]).

Na próxima seção, apresentamos os antecedentes da SSHC, assim como suas características e desafios atuais.