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2.1 COMMAND FORMATS

2.2.19 R READ MEMORY W WRITE MEMORY

No sentido de completar a sua teoria, tendo em conta as características da pessoa em desenvolvimento, Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1995; Bronfenbrenner & Ceei, 1994; Bronfenbrenner & Morris, 1998) propõe modelos teóricos e empíricos que representam uma evolução relativamente aos anteriores, na medida em que expandem os níveis que procurou sintetizar no seu modelo, isto é, os aspectos biológicos integrados no nível mais amplo da ecologia do desenvolvimento humano. Refere-se, assim, ao Modelo Bioecológico que envolve quatro componentes inter-relacionadas: o processo desenvolvimental que integra a relação dinâmica entre o indivíduo e o contexto; a pessoa com o seu repertório de características biológicas, cognitivas, emocionais e comportamentais; o contexto do desenvolvimento humano conceptualizado como níveis ou sistemas interdependentes da ecologia do desenvolvimento humano, já referida, e o tempo perspectivado como incluindo as múltiplas dimensões da temporalidade importadas da Teoria do Curso de Vida (Elder, 1998, in Lerner, 1998). Em conjunto, estas quatro componentes da formulação bronfenbrenneriana da teoria bioecológica constituem o

Modelo Processo-Pessoa-Contexto-Tempo (PPCT) que conceptualiza o sistema

desenvolvimental como integrado e define a pesquisa no sentido de se estudar o curso do desenvolvimento humano. Com efeito, de acordo com Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1995; Bronfenbrenner & Morris, 1998), assim como as quatro componentes do modelo deverão ser incluídas em qualquer conceptualização adequada do desenvolvimento humano, do mesmo modo a pesquisa deverá englobar as quatro componentes do modelo no sentido de fornecer informação adequada à compreensão do curso do desenvolvimento. De acordo com esta formulação, Bronfenbrenner e Morris (1998) especificaram o significado destas componentes e as inter-relações dinâmicas existentes entre elas:

"A primeira, que constitui o âmago do modelo, é o Processo. Mais especificamente, este construeto engloba formas particulares de interacção

CAPÍTULO I - O Estudo do Desenvolvimento em Contexto

entre o organismo e o ambiente, denominadas processos próximos, que operam ao longo do tempo e que se constituem como os mecanismos primários que produzem o desenvolvimento humano. Contudo, o poder destes processos varia substancialmente em função das características da Pessoa em desenvolvimento, dos Contextos, tanto dos mais próximos, como dos mais distantes, e dos períodos de Tempo durante os quais estes processos ocorrem" (Bronfenbrenner & Morris, 1998: 994).

Magnusson e Stattin (1998) referem-se, também, ao conceito de processo como ocupando um lugar central numa Perspectiva Interaccionista Holística. De acordo com esta perspectiva, "um processo pode caracterizar-se como sendo uma

corrente contínua de acontecimentos interdependentes e inter-relacionados. Esta definição introduz o tempo como um elemento fundamental em qualquer modelo do funcionamento individuar (Magnusson & Stattin, 1998: 699-700). Os mesmos

autores referem que o conceito de movimento desempenha, também, um papel preponderante nos modernos modelos dos processos dinâmicos. Consonante com esta ideia, Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1995; Bronfenbrenner & Morris, 1998) refere-se aos processos próximos como os motores do desenvolvimento. Estes processos próximos envolvem a transferência de energia entre o indivíduo em desenvolvimento e as pessoas, os objectos e os símbolos no ambiente imediato. Esta transferência pode verificar-se numa ou em ambas as direcções, de forma separada ou simultânea (Bronfenbrenner & Evans, 2000).

No que respeita às três restantes componentes do modelo, pessoa, contexto e tempo, o autor dá prioridade à definição das características bio-psico-sociais da pessoa, uma vez que as formulações anteriores deixaram um vazio em relação a este aspecto da teoria. Consequentemente, relativamente a estas características da pessoa, Bronfenbrenner e Morris (1998: 995) ressaltam que

"Podem distinguir-se três tipos de características da Pessoa como as que mais influenciam o curso do desenvolvimento futuro através da sua capacidade de afectar a direcção e o poder dos processos próximos através do curso da vida. O primeiro engloba disposições que podem colocar os processos próximos em movimento num domínio particular do desenvolvimento e sustentar a sua acção. Em seguida, encontram-se os

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recursos bioecológicos, tais como as capacidades, a experiência, o conhecimento e as competências necessárias para o funcionamento efectivo dos processos próximos num determinado estádio do desenvolvimento. Finalmente, existem características que convidam ou que desencorajam as reacções por parte do ambiente social e que podem promover ou perturbar a acção dos processos próximos".

Esta reconceptualização da perspectiva bronfenbrenneriana implica, também, uma reflexão acerca das estruturas micro, meso, exo e macrossistémicas, nomeadamente no estudo das formas através das quais o ambiente vai influenciar o desenvolvimento. Consistente com o carácter integrador da teoria dos sistemas, Bronfenbrenner e Morris (1998) sublinharam que ao considerarem-se as características da pessoa da forma referida se atinge uma compreensão mais profunda e completa do contexto, isto é, o sistema ecológico com o qual a pessoa em desenvolvimento se funde. Assim, os três tipos de características da pessoa são, também, incorporados na definição de microssistema como características dos pais, amigos, professores ou outros que participam regularmente na vida da pessoa em desenvolvimento por períodos alargados de tempo. Com efeito, Bronfenbrenner e Morris (ibid.) redefinem o microssistema no sentido de estabelecer uma ligação com o que consideram ser o centro de gravidade da sua teoria, a pessoa bio-psico-social. Isto é, os autores ressaltam que um microssistema é um padrão de actividades, de papeis sociais e de relações interpessoais vivenciadas pela pessoa em desenvolvimento num cenário com características físicas, sociais e simbólicas particulares que podem estimular, permitir ou inibir o envolvimento em interacções e actividades progressivamente mais complexas no ambiente imediato (Bronfenbrenner, 1995; Bronfenbrenner & Morris, 1998). O que sobressai como particularmente significativo nesta definição alargada do microssistema é o facto de incluir neste nível da ecologia, não só as interacções da pessoa com outros, como também as interacções da pessoa com o mundo dos símbolos e da linguagem.

Neste sentido, Bronfenbrenner e Morris (1998: 995) referem que

"O Modelo Bioecológico introduz, também, um domínio ainda mais

consequente na estrutura do microssistema que enfatiza a contribuição distinta para o desenvolvimento dos processos próximos que incluem a

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interacção, não com as pessoas, mas com os objectos e com os símbolos. De forma geral, são introduzidos conceitos e critérios que diferenciam as características do ambiente que promovem, ou interferem, no desenvolvimento dos processos próximos. Particularmente significativo, neste âmbito, são as crescentes instabilidade e caos nos principais cenários nos quais se moldam a competência e o carácter humanos - a família, os serviços de prestação de cuidados, as escolas, os grupos de pares e as comunidades".

Finalmente, a redefinição e a expansão do conceito de microssistema conduziu Bronfenbrenner à definição da última propriedade subjacente à sua renovada formulação teórica relativa ao desenvolvimento humano, o tempo, que ocupa um lugar proeminente em três níveis sucessivos, micro, meso e macro.

"O Microtempo refere-se à continuidade versus descontinuidade dos episódios que ocorrem no âmbito dos processos próximos. O Mesotempo refere-se à periodicidade desses episódios através de intervalos de tempo alargados, tais como dias e semanas. Finalmente, o Macrotempo foca acontecimentos e expectativas que se alteram na sociedade em geral, tanto intra, como inter-gerações, na medida em que influenciam e são influenciados pelos processos e produtos do desenvolvimento humano ao longo do curso da vida" (Bronfenbrenner & Morris, 1998: 995).

Tendo por base os conceitos já definidos, o modelo bioecológico evoluiu no sentido de incorporar duas proposições que promovem uma perspectiva dinâmica e relacional do binómio pessoa - contexto no âmbito do processo de desenvolvimento humano. Assim, de acordo com a Primeira Proposição,

"Especialmente nas suas fases mais precoces, mas também através do curso da vida, o desenvolvimento humano desenrola-se através de processos de interacção recíproca progressivamente mais complexos, entre um organismo activo que evolui biopsicologicamente e as pessoas, objectos e símbolos no seu ambiente imediato. Para ser eficaz, esta interacção deverá ocorrer numa base regular por períodos de tempo alargados. Estas formas duradouras de interacção no ambiente imediato são referidas como Processos Próximos. Exemplos destes padrões duradouros de processos

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próximos podem ser encontrados no alimentar ou confortar um bebé, no brincar com uma criança, nas actividades criança-criança, no jogo solitário ou de grupo, na leitura, na aprendizagem de novas competências, (...)"

(Bronfenbrenner & Morris, 1998: 996).

Desta forma, na primeira proposição da sua teoria, Bronfenbrenner realça o papel activo do indivíduo enquanto agente no seu próprio desenvolvimento, tema também patente em outros domínios da teoria sistémica do desenvolvimento. Esta ideia relativa à contribuição do indivíduo para o processo de desenvolvimento está, também, presente na segunda proposição da teoria bioecológica. Assim, a Segunda Proposição do modelo especifica que

"A forma, o poder, o conteúdo e a direcção dos processos próximos que

produzem o desenvolvimento variam sistematicamente em função das características da pessoa em desenvolvimento; do contexto ambiental, tanto imediato como mais remoto, em que os processos ocorrem; da natureza dos resultados desenvolvimentais considerados; e das continuidades e modificações sociais que ocorrem ao longo do tempo através do curso da vida e no período histórico durante o qual a pessoa viveu" (Bronfenbrenner &

Morris, 1998: 996).

Desta formulação é de salientar que as características da pessoa aparecem duplamente. Primeiro, como um dos quatro elementos que influenciam a forma, o

poder, o conteúdo e a direcção dos processos próximos e, depois, como resultados desenvolvimentais, isto é, qualidades da pessoa em desenvolvimento que emergem

num momento posterior como resultado dos efeitos conjuntos e interactivos das quatro componentes principais antecedentes. Em resumo, "no modelo bioecológico,

as características da pessoa funcionam como um produtor indirecto e como um produto do desenvolvimento" (Bronfenbrenner & Moris, 1998: 996). No entanto, tal

como se afirma na segunda proposição, a natureza dos resultados desenvolvimentais considerados condiciona o efeito dos processos próximos na medida em que estes ocorrem em ambientes particulares. Desta forma, de acordo com Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1999; Bronfenbrenner & Morris, 1998), ao considerar o efeito dos processos próximos há que distinguir os resultados desenvolvimentais que reflectem disfunção dos que reflectem competência na

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medida em que dependem da qualidade dos ambientes em que o indivíduo se encontra integrado. Deste modo, em ambientes mais desorganizados ou empobrecidos, a probabilidade de os indivíduos apresentarem manifestações de disfunção aumenta consideravelmente, assim como aumenta a probabilidade dessas manifestações serem graves, resultando na obtenção de mais atenção e envolvimento por parte dos que se encontram próximos. Por outro lado, em ambientes mais estáveis e organizados os indivíduos apresentam manifestações de disfunção menos frequentes e graves atraindo respostas que demonstram o apreço que os outros sentem pelos seus sinais de progresso desenvolvimental. Esta constatação é particularmente pertinente ao considerar-se a natureza dos resultados desenvolvimentais das crianças que se encontram integradas em ambientes familiares de qualidade variável e o efeito que esses resultados poderão ter a nível dos processos que ocorrem nesses contextos. Apesar de a maior parte das famílias, independentemente do seu nível socio-económico, se sentir motivada e competente no sentido de responder às necessidades físicas e psicológicas das suas crianças, nem todas, no entanto, conseguem, por si só, orientá-las para a aquisição de novos conhecimentos e competências, devendo aceder a recursos exteriores que providenciem às crianças as experiências necessárias.

De forma geral, Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1999; Bronfenbrenner & Evans, 2000) define competência como a aquisição e posterior desenvolvimento do conhecimento, da capacidade e da habilidade para conduzir o próprio comportamento através de situações e de domínios desenvolvimentais, enquanto que disfunção se refere a manifestações de dificuldades na manutenção do controlo e na integração do comportamento em diferentes situações e domínios do desenvolvimento, intelectual, físico, motivacional ou socio-emocional, de forma isolada ou combinados com outras áreas de actividade. Esta distinção suscita, entretanto, a ideia de que existem diferenças a nível dos processos próximos que poderão desencadear resultados tão díspares. Assim, na reformulação mais recente do modelo bioecológico, Bronfenbrenner e Evans (2000) introduzem esta questão sob a forma de um corolário à primeira proposição. Neste, o nível de Exposição da pessoa em desenvolvimento aos processos próximos em que se envolve surge como uma explicação plausível para os resultados referidos. Assim, estes resultados

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desenvolvimentais dependerão da duração, frequência, interrupção, oportunidade e intensidade da exposição do indivíduo aos processos próximos. A duração refere-se ao período de exposição, à extensão dos episódios de interacção; a frequência diz respeito à periodicidade com que estes episódios ocorrem; a interrupção refere-se à previsibilidade com que os episódios decorrem, ou se são frequentemente interrompidos; a oportunidade da interacção diz respeito ao tempo que medeia entre, por exemplo uma iniciativa por parte da criança e a resposta dos pais; finalmente, a

intensidade está relacionada com a natureza da exposição, isto é, quando a

exposição aos processos próximos é breve, pouco frequente e imprevisível existe uma maior probabilidade de os resultados desenvolvimentais serem menos positivos.

Estas considerações permitem analisar o impacto dos processos próximos no desenvolvimento dos indivíduos como variando em função, por um lado, da qualidade dos ambientes expressa em termos dos recursos disponíveis e, por outro, da natureza dos resultados em termos de competência ou disfunção. No entanto, tal como Bronfenbrenner (2004) explicita num dos seus textos mais recentes, as características dos ambientes relevantes para o desenvolvimento incluem, não só as suas propriedades objectivas, como também a forma como essas propriedades são subjectivamente experienciadas pelas pessoas que vivem nesses ambientes. Esta referência à experiência baseia-se na constatação de que apenas algumas das influências exteriores que afectam os comportamento e o desenvolvimento humanos podem ser descritas em termos de condições físicas e acontecimentos objectivos. No modelo bioecológico, os elementos subjectivos e os objectivos são vistos como influenciando o curso do desenvolvimento, apesar de nem sempre operarem na mesma direcção. Neste sentido, de acordo com Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 2004: 6965), "é então importante compreender a natureza de cada uma destas

forças dinâmicas, a começar pelo lado fenomenológico ou experiencial (...). A experiência pertence mais à área dos sentimentos, como por exemplo antecipações, esperanças, dúvidas ou crenças pessoais ".

No que respeita às implicações do modelo bioecológico na avaliação da influência dos diferentes factores, ambientais e outros, nos resultados desenvolvimentais, Bronfenbrenner (1999) considera que este modelo se diferencia

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de outros na medida em que o alvo de análise são as interacções, enquanto efeitos principais. Ao referir-se a outros métodos de análise, o autor menciona um dos mais comummente utilizado, o modelo de regressão linear múltipla que permite calcular o efeito independente de cada factor incluído no desenho experimental. Neste modelo pressupõe-se que os diferentes factores, que influenciam os resultados, operam de forma independente e que os seus efeitos combinados são aditivos, o que, em termos matemáticos, se designa por homogeneidade da regressão. No entanto, no âmbito da pesquisa realizada na área do desenvolvimento, esta assunção raramente se verifica, tanto em termos empíricos, como teóricos. Ao salientar a necessidade de se utilizarem modelos de pesquisa que integrem as diferentes componentes, isto é, o modelo PPCT já referido, Bronfenbrenner reconhece, no entanto, que ainda existem algumas dificuldades na sua operacionalização, nomeadamente no que respeita aos procedimentos de análise de dados. Assim, em qualquer pesquisa que assente no modelo bioecológico, torna-se necessário reconhecer que não é possível considerar as diferentes componentes que integram o modelo numa única análise; pelo contrário, elas deverão ser examinadas através de pequenas combinações que se completam.

Considerando o futuro no estudo do desenvolvimento, Bronfenbrenner e Evans (2000) referem-se a um processo denominado como ciência do

desenvolvimento na forma de descoberta que, ao contrário de uma forma de verificação5, mais comum, procura alcançar dois objectivos gerais que se encontram

interrelacionados. Em primeiro lugar, criar hipóteses alternativas e desenhos de pesquisa correspondentes que não apelem, apenas, aos resultados existentes, mas que permitam, através da obtenção de resultados mais precisos, diferenciados e replicáveis, produzir conhecimentos científicos mais válidos. Em segundo lugar, fornecer as bases científicas para a construção de programas e de políticas sociais que possam funcionar como contrapartidas a influências emergentes que poderão ser consideradas disruptivas em termos desenvolvimentais. Desta forma, um dos grandes desafios que se coloca ao modelo bioecológico actual é o de descobrir de que forma as novas hipóteses de trabalho e os desenhos de pesquisa 5 Nesta forma de verificação o objectivo é o de replicar resultados, encontrados anteriormente, em outros

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correspondentes poderão ser desenvolvidos no futuro. De acordo com Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 2004: 6964), "uma das respostas assenta na

possibilidade de, apesar das mudanças históricas, alguns elementos do modelo e as suas inter-relações permanecerem constantes, tanto ao longo do tempo, como do espaço". Apesar das dificuldades ainda existentes em termos de operacionalização,

o estudo do desenvolvimento deve orientar-se no sentido de englobar as componentes e os princípios que subjazem ao modelo bioecológico, pois como refere Bronfenbrenner (Bronfenbrenner, 1999: 24), "o resultado mais desejável, e ao

mesmo tempo mais exequível, não é a validação do modelo na sua forma actual, mas a evolução de um paradigma que pode aproximar os investigadores da realização dos seus objectivos científicos. Em resumo, há ainda um longo caminho a percorrer".

Por outro lado, estabelecendo uma ligação entre a teoria, a pesquisa e o mundo real, Bronfenbrenner (2004) considera que, no modelo bioecológico, nunca existiu uma separação real entre estes dois mundos, uma vez que à medida que o modelo foi evoluindo se assistiu a uma crescente aproximação entre eles. Em termos gerais, os resultados obtidos, tanto a nível teórico, como empírico, evidenciaram o, já referido, caos crescente existente nas vidas das crianças, dos jovens, das famílias, nas escolas, no mundo do trabalho e na comunidade

envolvente. Como referem Bronfenbrenner e Evans (2000: 121), "O caos integra os

vários elementos envolvidos e antecipa o seu papel no modelo bioecológico em termos do que se designa por "sistemas caóticos". Estes sistemas caracterizam-se pela actividade frenética, pela falta de estrutura, pela imprevisibilidade nas actividades diárias e por níveis elevados de estimulação ambiental'. Com base nesta

constatação, os autores interrogam-se acerca de qual será, em termos de desenvolvimento, o futuro da espécie humana. A resposta poderá ser encontrada na vontade expressa pelas sociedades desenvolvidas no sentido de atenderem às mensagens e aos contributos emergentes da ciência do desenvolvimento.

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3. Contributos da Ciência do Desenvolvimento para a Prevenção e

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