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5.6 CSG( {2}) dans les graphes

5.6.3 Résolution des grilles de hauteur 2 ou 3

Toda esta conjuntura que nos encaminha para uma proliferação do jornalista

multitasking

tem alterado as rotinas jornalísticas e, com elas, as rotinas de recolha de informação. Procurar informação, recolher dados, verificá-los, tratá-los e, depois publicá-los, é a rotina de produção jornalística de muitos jornalistas e em vários meios, seja na imprensa, na televisão, seja num meio puramente online (McGregor & Molyneux, 2018). No entanto, se atendermos às considerações acerca do jornalismo

multitasking

, percebemos que o jornalista passou a ter ao seu encargo várias tarefas, para além destas: também faz registo de vídeo, fotográfico, muitas vezes até edita todos este material e o organiza, a fim de produzir um conteúdo (Marín et al., 2017). Ou seja, os repórteres passaram a ter menos tempo para se dedicarem a trabalhos morosos, assim como para investigar e verificar informações (McGregor & Molyneux, 2018). Com tudo isto, há quem afirme que algumas etapas da rotina de produção estão a ser ultrapassadas ou, pelo menos, menos intensificadas (Marín et al., 2017). É por isso que emerge a necessidade de existirem fontes em segunda mão que sejam confiáveis, e essas chegam de novos canais de informação, como as redes sociais, agências de comunicação, assessores de imprensa, entre outros (McGregor & Molyneux, 2018).

Tem-se vindo a verificar uma cumplicidade grande no que concerne ao trabalho entre os RP, que fornecem os

press release

(com conteúdos pré-fabricados aos jornalistas) e as redações. Uma grande quantidade de textos vindos de agências chega diariamente às redações e cabe aos jornalistas (Santos, 2018), os chamados

gatekeepings

, ou seja, os decisores daquilo que será ou não notícia, selecionar o que interessa ou não. (McGregor & Molyneux, 2018). E é esta capacidade dos jornalistas (que é cada vez mais associada aos jornalistas mais experientes) que permite filtrar aquilo que é a informação mais importante e tornar o trabalho dos jornalistas distinto, perante um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e que trabalha a maioria dele sobre informações pré-fabricadas (McGregor & Molyneux, 2018). As redes sociais, por exemplo, são uma fonte de informação que passou a integrar a rotina de produção jornalística de muitos jornalistas. McGregor e Molyneux (2018) dão o exemplo da importância crescente que o Twitter tem vindo a alcançar na rotina dos jornalistas. Algumas redações abrem, logo pela manhã, o Twitter, na esperança que seja a sua fonte de informação daquilo que é a atualidade. Tal deve-se à atual situação económica da profissão assim como à aceleração do ciclo de notícias que veicula na internet. Tornou-se importante que, na impossibilidade de ter jornalistas no terreno, atentos a tudo o que acontece ao minuto, e outros tantos capazes de escrever e publicar, de modo a serem os primeiros, houvesse

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a colaboração das redes sociais e do repórter cidadão, das agências de notícias, e das RP (McGregor & Molyneux, 2018). É quem está no terreno que publica nas suas redes sociais o que está a ver e dá informação de primeira instância. No entanto, isso não invalida que o jornalista se fique por essa informação superficial que adveio do cidadão. O fator distintivo está, precisamente, na rotina do jornalista, e dessa fazem parte duas fases importantes: por um lado, a de

gatekeeping

, que vai permitir ao jornalista perceber se a informação que recolheu de uma fonte (rede social,

press release

ou outro meio) é passível de tratamento jornalístico ou não (McGregor & Molyneux, 2018); se o for, o mesmo deve apurar os factos, verificar a sua veracidade e tratá-los, até serem publicados no seu órgão de comunicação (Canavilhas & Rodrigues, 2012; McGregor & Molyneux, 2018; Marín et al., 2017; Santos, 2018). Desta forma, toda esta rotina de produção pode dar origem a conteúdos jornalísticos de qualidade.

Tal pode não acontecer, se o jornalista avançar estados desta rotina de produção, como já foi dito antes. Dá-se conta de casos em que o repórter fica preso à informação pré-fabricada, e isso acontece sobretudo nos

press release

. O jornalista, muitas vezes, não vai além do que lhe chega, publicando conteúdos parecidos ou até mesmo iguais aos que saem em outros órgãos de comunicação social. Mas, tal pode acarretar problemas mais graves do que simplesmente textos parecidos em dois órgãos diferentes. Atendendo ao facto de que muitos dos textos produzidos por relações públicas dizem respeito a empresas, órgãos políticos, entre outros, os conteúdos muitas vezes mascaram publicidade, e caraterísticas inapropriadas para o jornalismo, como o uso de adjetivos. Se o jornalista não verificar o texto e não confirmar as informações, pode incorrer no risco de se deixar levar por essa publicidade inerente aos

press release

que chegam às redações (Santos, 2018).

A falta de verificação das informações tem gerado uma descredibilização da profissão pela pouca originalidade e novidade que as narrativas apresentam (Santos, 2018). Estamos assim na era do jornalismo de secretária, em que tudo se faz sem se sair da redação, o que, por um lado, tem acarretado inúmeras vantagens (como a de poupança de recursos humanos e financeiros para as empresas e facilidade de contacto com fontes através da evolução tecnológica), mas que, em demasia, poderá ser um problema (Santos, 2018). No entanto, para Santos (2018) ser jornalista é diferente de ser aquilo que chama de agregador de conteúdos. Este define-se pelo trabalho de “pós-produção, de gerir e selecionar as notícias que lhe parecem mais adequadas ao interesse da audiência” (Santos, 2018, p.11). Já o jornalista é entendido como aquele que produz a informação, que a vai buscar, tratar, verificar e, só depois, publicá-la.

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Para comprovar esta dependência dos jornalistas face ao trabalho dos RP, apresenta-se aqui um primeiro estudo que comprova esta ligação que remete a 2008, isto é, há 11 anos. O mesmo vem comprovar que esta dependência dos jornalistas face ao trabalho dos RP já é antiga. O estudo analisou as fontes das notícias dos jornais:

The Guardian, The Times,The Independent, The Daily

Telegraph and The Mid-Market, Daily Mail

. Deste estudo, concluiu-se que 60% das eram produzidas através daquilo que chegava às redações, através de conteúdos pré-fabricados e apenas 12% diziam respeito a trabalho autónomo do meio de comunicação (Lewis, Williams & Franklin, 2008).

Figura 9: Notícias publicadas em jornais tendo por base o trabalho das Relações Públicas (Fonte: Lewis, Williams & Franklin, 2008, p. 7).

Também Schmitz (2011) indica que 60% do trabalho advém de canais de rotina, isto é, de outros jornais, de

press release

ou outras agências. Mais recentemente, em 2015, Macnamara indica que 50% a 75% dos conteúdos média são fornecidos ou influenciados por RP, denotando um crescimento do trabalho da influência do trabalho das RP no jornalismo. Em 2017, num trabalho levado a cabo para a SOPCOM, pela autora deste relatório, em parceria com duas outras investigadoras, foi aplicada uma entrevista a 10 jornalistas do

JN

, e após ser realizada uma análise de conteúdo às mesmas, traçou-se um padrão do papel do jornalista na atualidade e das suas rotinas de produção (Freitas, Amante & Silva, 2019). A maioria dos inquiridos apontava que havia um decréscimo do trabalho autónomo dos jornalistas e do jornalismo de investigação, tendo em conta que se manifesta moroso para o jornalista. Com as pressões que afirmaram sentir diariamente para publicar os conteúdos, optavam por informações oriundas de

press release.

A corroborar esta situação, Jerónimo (2015) afirma que os jornalistas possuem uma “excessiva dependência dos comunicados que chegam por email” (Jerónimo, 2015, p.89). Mas esta dependência não é provocada pela mera “preguiça” ou vontade de ficar sentado na secretária à espera que os RP mandem os conteúdos (e, muito embora, na secretária se possam fazer bons trabalhos jornalísticos). Mas, refere ainda que aquilo que é partilhado nas redes sociais também

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é levado em conta para a construção das notícias. Tal facto tem gerado a queda de um dos géneros tidos pelo autor como um dos mais nobres, isto é, a reportagem.

Para Coelho (2015), toda esta crise que assola o jornalismo, e que, ciclicamente, coloca a questão “qual será o futuro do jornalismo?” em cima da mesa, pode estar acautelada, se os profissionais da comunicação estiverem preparados para estas alterações. E isso, afirma, deve-se, em boa parte, ao trabalho desempenhado pela formação académica dos jornalistas. Perante a explosão de mensagens oriundas de diversas fontes, muitas delas com interesses associados (como propagandas políticas infiltradas e mascaradas, para que sejam disseminadas nos jornais) podem ser detetadas, se os jornalistas estiveram treinados para tal. Trata-se de uma questão de competência associada ao profissional, assim como aos seus valores éticos e morais que regem a sua conduta profissional, que lhe permitirão estar “habilitados a descodificarem os efeitos dos fatores exteriores ao jornalismo, que ameaçam a perenidade da sua essência” (Coelho, 2015, p.51).A voracidade da informação assim como a falta de recursos têm contribuído para a decadência do trabalho autónomo do jornalista (Jerónimo, 2015). Desde o aparecimento do conceito de imediatismo, “a informação na hora, em cima do acontecimento (uma exigência até do leitor/ouvinte/telespetador) que não proporciona trabalhos a longo prazo”, como afirmou um dos jornalistas no âmbito deste estudo. Quanto mais pressionados estiverem os jornalistas, e quanto mais caraterísticas do meio online tiverem os conteúdos pré-fabricados, oriundos das agências noticiosas ou dos RP, mais probabilidades têm de ser aceites pelos jornalistas e publicados (Harcup & O'Neill, 2016). Mas, conteúdos vindos destas fontes têm sido observados em média descritos como de qualidade, assim como em organizações que sofrem de pressões e menos recursos (Harcup & O'Neill, 2016). Esta era uma realidade que assisti de perto no

V Digital

, em que a maioria das produções por mim realizadas baseava-se em conteúdos oriundos de agências, como o

Wibbitz.

No caso do trabalho de campo, verificava um aumento do tempo necessário para fazer os conteúdos. Era necessário preparar cada etapa de produção, desde o alinhamento da narrativa até ao ato da entrevista. E é na entrevista que se centrava uma das técnicas de recolha de informação importante, já que é uma etapa que determina a qualidade dos dados adquiridos, para a produção dos conteúdos (Jerónimo, 2015). Para além dos

press

releases,

há outras formas de obtenção de informação. Por um lado, as agências de notícias e meios concorrentes e, por outro lado, o próprio cidadão. Assiste-se a um jornalismo cada vez mais individualizado, em que o consumidor passou a ser parte integrante de todo o processo jornalístico (Santos, 2018). Deuze (2017) afirma que é necessário entender-se o novo público que está diante

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dos meios de comunicação. Isto porque são pessoas que “participam e colaboram em encontrar, produzir, partilhar, curar e até mesmo pesquisar conteúdo” (Deuze, 2017, p.20). É nesta perspetiva que o autor frisa que há uma crescente necessidade em se perceber que os média e o quotidiano da sociedade andam de mãos dadas. Pois, o quotidiano não se separa do papel informativo dos meios de comunicação, assim como as pessoas são tão criadoras tanto quanto aquilo que consomem. Ainda assim, da minha experiência de estágio, penso que a interatividade do cidadão acontece apenas, quando o jornalista está predisposto a ela, apenas e só no sentido de pesquisar informação que o cidadão deixou nas redes. Ainda assim, cabe sempre ao jornalista filtrar o que vai ao encontro dos interesses editoriais da redação e recolher informação com essa fonte. Nesse sentido, considero que a Internet é uma grande vantagem. Cheguei a encontrar temas que se adequaram a programas do

V Digital.

Ainda assim, de que seriam as “pistas” deixadas nas redes sociais por um cidadão sem o trabalho de pesquisa, averiguação, verificação e apuramento dos factos? Talvez pouco ou nada.

Há, assim, um intercâmbio de influências constantes entre o leitor e o jornalista. Por um lado, aquilo a que chamamos de jornalismo cívico, jornalismo participativo e jornalismo de ecossistema. O primeiro conceito diz respeito à informação recolhida e partilhada por não jornalistas, mas que alcança mediatismo no online. Por vezes, o jornalista avista esses conteúdos e faz desse repórter cidadão parte/fonte da sua narrativa (Canavilhas, 2012; Jerónimo, 2015).