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Des paramètres de graphe aux paramètres d’optimisation

Foi com as reportagens no terreno que senti a minha evolução na área do online, bem como no à-vontade com que lidava, não só com os entrevistados, como também com a câmara. Foram estas reportagens que me permitiram criar contactos com as fontes e conhecer aquilo que realmente gosto de fazer, dentro da imensidão de possibilidades que o jornalismo oferece. De todas as narrativas que criei, as que mais marcaram o meu percurso foram os programas como o “Quebra-Mitos”, “O Explicador” e os muitos “Suplemento de Alma”, que fiz ao longo de três meses. Todas estas reportagens, que requereram trabalho autónomo da minha parte, foram sugeridas por mim em situação de reunião de planeamento. Estas reuniões tornaram-se importantes, para fomentar a minha autonomia, no que concerne ao “faro jornalístico”. Durante o meu percurso académico (nomeadamente no

JN

em estágio curricular) e profissional (no

Jornal

do Centro, Jornal do Paiva/Cinfães

e

Jornal Terras de Gaia

) foram-me proporcionadas poucas oportunidades de sugerir temáticas. Mas, no

V Digital,

a liberdade pautava os dias, bem como a compreensão e partilha de conhecimento entre os vários membros da equipa.

1.8.1. As dificuldades na adaptação à linguagem/ caraterísticas online

Raramente as minhas ideias não passavam da minha mente para a execução. A dificuldade assentava em encontrar a perspetiva de abordagem ao tema, que mais se aproximasse da linguagem do

V

, o que era aliciante e motivador. Planear mentalmente a história que queríamos levar até ao nosso leitor foi das experiências mais enriquecedoras do estágio, mas, também, das maiores barreiras. Passei horas a planear alguns dos trabalhos, em que pensar, desenhar e escrever eram etapas que antecediam a execução de cada peça.

A primeira vez que passei por isso foi na produção do meu primeiro programa: O “Quebra-Mitos”. A partir de uma experiência enquanto jornalista no jornal

Terras de Gaia,

com quem estabeleci colaboração até à data do estágio no

V Digital

, descobri a importância da dádiva de sangue. Conheci alguns mitos que impediam muita gente de dar sangue. Pensei em sugerir um programa sobre o assunto. A reação da editora foi totalmente positiva. Quando fiz a sugestão, pensei que a minha tarefa no processo de execução passaria apenas por colocar a jornalista Joana Ascensão – habitual rosto do programa – em contacto com a minha fonte de informação. Mas não. A editora

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depositou confiança em mim e disse que, desta vez, o rosto do “Quebra-Mitos” era o meu. O entusiasmo foi grande, mas o medo conseguia ultrapassá-lo. Foram horas a escolher os mitos e a delinear a entrevista. Mas esta etapa mostrou-se a mais simples. Depois de entrevistar o médico que desmistificou a questão, a jornalista disse-me que, além de ter de criar uma espécie de guião que delineava o que seria a peça, enquanto produto final, teria também de pensar nos grafismos que iriam complementar o meu pivô e a entrevista.

Depois de escrever aquilo que iria dizer em frente à câmara, encadeando esses

On

9 com a entrevista ao médico, tive de idealizar mentalmente como ficaria o produto final. Entrei em pânico. Não conseguia ter essa capacidade e o stresse apoderou-se de mim. Pensei que gravar a minha parte fosse “dar asas à minha imaginação”. Mas o editor César Sousa disse-me que esse não era um processo válido, uma vez que poderia necessitar de espaço do lado direito ou esquerdo do ecrã para entrarem os grafismos. Perante essa resposta, o meu mundo parecia ter desabado. Por mais que quisesse honrar a oportunidade que a equipa do

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me estava a proporcionar, o medo de errar estava a tomar conta de mim e o falhanço parecia uma realidade bem próxima. Decidi ser honesta e conversar com a editora, que me deu algumas sugestões. A partir daí, a minha mente começou a conseguir idealizar alguma coisa. Decidimos partir para a fase de gravação do pivot

.

Um estúdio, eu e a câmara:

“em 3, 2,1… Ação”.

Não, isto não foi assim tão simples. O

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não possuía um estúdio fechado. Era um espaço, no meio da redação, com barulho e com a pressão dos colegas, onde tudo se gravava. Percebi que o maior aliado nestas circunstâncias era a concentração. Foi neste momento que tive de “dar asas à minha imaginação”, para que pensasse que estava sozinha a falar para a câmara. O texto teve de ser decorado, porque não existia um teleponto. As frases não saíam à primeira, mas, com um elevado esforço de concentração, consegui gravar tudo em pouco tempo, disse o meu colega de trabalho, após terminarmos.

1.8.2. As potencialidades e riscos das entrevistas

O “Quebra-Mitos” foi só um, mas foi esta experiência a alavanca para alcançar outros trabalhos igualmente motivadores. O “Suplemento de Alma” passou a ser quase só “meu”, enquanto estive a estagiar. Sempre gostei de contar histórias de vida e este era, sem dúvida, o formato que melhor o permitia. De todas as experiências no âmbito deste programa, destaco dois suplementos que

9 O termo ON é a terminologia utilizada na linguagem comum entre jornalistas para aludir aos discursos da pessoa entrevistada que são utilizados nas narrativas jornalísticas.

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considerei altamente inspiradores: “C Feliz” e “Surf Adaptado”. Ambas as histórias tinham pontos em comum – a força de vontade.

Eram pessoas que lutaram, após o aparecimento de um obstáculo. Os meus, enquanto estagiária, foram muitos, mas muito mais pequenos do que os deles. Mas, nem por isso eu conseguia entendê-los como produtivos, antes de conhecer estes entrevistados. Foi com eles que consegui pensar numa nova forma de encarar as pedras, que se iam colocando no meu caminho. É que todas elas só me proporcionaram aprendizagens únicas.

Entrevistar uma jovem que deixou de conseguir sentir as suas próprias pernas e criou um blogue para ajudar outras pessoas com as mesmas dificuldades quotidianas, ou passar dois dias sobre as ondas do mar, ao lado de jovens com vários níveis de deficiências, foram experiências que me mostraram o lado belo da profissão. Delinear estas entrevistas foi pensar minuciosamente no poder das mesmas, enquanto geradoras de significado nas mentes dos entrevistados.

A polissemia das palavras, bem como o contexto em que elas iam sendo pronunciadas, deixava- me ansiosa. Queria ser cordial com os entrevistados, mas, perante as circunstâncias das suas vidas, a entrevista poderia ser encarada como negativa. Em ambos os casos, criou-se uma empatia tão grande entre entrevistado e entrevistador que as conversas fluíram sem qualquer problema. A proximidade que é estabelecida com o outro pode trazer vantagens, como conseguirmos informações detalhadas sobre os factos. Mas, o jornalista pode, igualmente, deixar-se contagiar pela proximidade e emoção e, com isso, não recolher os factos com exatidão e rigor. Por esse motivo, levei comigo um guião, mas não me deixei prender demasiado a ele. Esse é um dos conselhos de Gradim (2000), ou seja, preparar cuidadosamente as entrevistas, antes de o jornalista estar frente-a-frente com o entrevistado. Esta é uma forma de evitar que o entrevistador seja manipulado pela sua fonte ou que se deixe interferir pela emoção e proximidade com a mesma.

Segundo Campos (2009), é na boa interação com a fonte que está a chave para o sucesso de uma entrevista. Ninguém abre o seu coração, expõe a sua intimidade, sem confiar na pessoa que tem à sua frente. É, assim, necessário estabelecer uma boa interação com a fonte de informação. Para tal, o jornalista deve ser “honesto, transparente, amigo companheiro” (Campos, 2009). Considero que consegui fazer com que a minha entrevistada sentisse essa confiança de que este autor nos fala. Ao mesmo tempo, não se deve interromper as respostas que recebemos nem pactos estabelecidos na entrevista. A credibilidade ficará manchada e pode impedir que essa fonte

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esteja disponível, quando o jornalista precisar dela. Tentei respeitar o espaço, as pausas e os silêncios existentes ao longo da nossa conversa (Gradim, 2000). Sabia que o tema não era fácil – nem para ela, nem para mim – e um silêncio poderia dar o tempo necessário para pensar na próxima pergunta, ao mesmo tempo que também a ausência de palavra comunica.

Considero que, ao longo do estágio, fui aprendendo a “ler” os entrevistados, a partir da atenção depositada, no momento das entrevistas, aos comportamentos que acompanham as emoções. Torna-se, assim, evidente a necessidade de existir um equilíbrio, por parte do jornalista, neste processo de entrevista, para que não se misturem opiniões do mesmo, quando a redige. A recolha de informação é um passo fundamental para a elaboração de qualquer notícia. Por mais talento e prática de escrita que o jornalista tenha, a falha da recolha de dados coloca em perigo todo o trabalho, simplesmente, porque sem informação cuidadosa e sistematicamente recolhida, não possuímos matéria-prima para trabalhar.

1.8.3. Quem decide o que é notícia: jornal, jornalista ou entrevistado?

A palavra “correto” tem uma grande carga de subjetividade. O que, para uma pessoa o é, para outra pode não o ser. Ainda assim, há alguns passos e regras jornalísticas, que pretendem guiar os profissionais a praticarem um jornalismo “correto”. Ou seja, que definem as formas de apuramento de informação e o seu tratamento. No meu ponto de vista, fundamentado nas aprendizagens durante o período de formação académica, há várias etapas dentro desse processo. Uma delas é a perceção daquilo que poderá ser a nossa notícia. Por vezes (e cada vez mais, como vamos constatar ao longo deste relatório), esta primeira fase de pesquisa é colocada de parte, a favor do trabalho das assessorias e relações públicas que enviam constantemente informação para os meios de comunicação. Mas, outras vezes, é o próprio “faro” jornalístico que guia o jornalista até ao cerne da questão, que vai tratar na sua notícia. É certo que é importante haver a constante capacidade de encontrar e distinguir aquilo que será notícia. Percebermos que uma simples fotografia que alguém publica nas redes sociais pode evidenciar um conteúdo jornalístico, assim como uma conversa que ouvimos no café. Tudo depende da nossa sensibilidade e de olharmos para os conteúdos como potenciais narrativas e, posteriormente, averiguar a sua veracidade e decidir se publicamos ou não a informação. No entanto, nem tudo se prende com esta versão “romântica” do jornalismo. Até porque, segundo a experiência de estágio, nem sempre há tempo para se estar nas redes sociais, em cafés, ou noutro meio que nos possibilite entrar em contacto com realidade de interesse jornalístico.

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Em jeito de resposta àquilo que o jornalista deve considerar notícia e como deve chegar até ela, Schultz (2007) diz-nos que, além da sensibilidade do jornalista e do seu olhar atento à realidade envolvente, há outros fatores decisivos, como os valores de cada um, os hábitos de leitura – que enriquecem o conhecimento geral do jornalista e permitem que o mesmo esteja sensível a mais questões do foro jornalístico – e ainda aspetos exteriores ao jornalista, como questões editoriais. Tudo isto influencia aquilo que é e aquilo que não é notícia (Schultz, 2007). Ao mesmo tempo, os valores-notícia e o conhecimento geral de cada jornalista, juntos, funcionam como

gatekeepers

ou seja, uma espécie de “portões” que filtram aquilo que é daquilo que não é notícia (Schultz, 2007). Mas, para além destas questões da sensibilidade e capacidade de encontrar e filtrar o que é informação, há outro fator muito importante. Nem sempre a orientação editorial vai ao encontro da orientação do jornalista. Segundo Schultz (2007), há estudos que nos mostram que há um grande peso dos “requisitos organizacionais e a influência da política de notícias e orçamentos na produção” (Schultz, 2007,p.191).

Embora todas as minhas sugestões de notícias tenham sido aceites pela editoria do

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, o certo é que me apercebi que o canal tinha uma linha editorial que fazia com que certos temas não integrassem a agenda diária. Assisti, já nos últimos dias de estágio, ao conflito entre aquilo que uma jornalista considerou pertinente, tendo em conta a atualidade mundial, e a oposição da direção. Tratou-se de uma proposta para o

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estar presente num colóquio internacional que falaria sobre questões relacionadas com as barragens. A jornalista considerou que seria um pretexto interessante, para se obter informação para um trabalho jornalístico sobre as barragens. Até porque, do conhecimento geral que a jornalista obteve sobre o assunto, que estava na ordem do dia em termos nacionais e internacionais, o tema evidenciava ir ao encontro de diversos valores- notícia que a redação levava em consideração. Porém, o diretor do

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não aceitou a ida em reportagem sugerida, referindo que a sugestão da jornalista não era “um tema

V Digital

”. Com isto, pretende-se dizer que, nem sempre, a simples vontade do jornalista em fazer notícias é sinal de que elas serão feitas. Neste caso, não bastou o trabalho da jornalista em descobrir o tema e um ponto de vista para o trabalhar. As direções, muitas vezes, por serem dominantes, tomam decisões que invalidam a concretização de trabalhos (Schultz, 2007).

Além destas questões editoriais, ao longo da minha experiência de estágio, observei outra questão que considerei fulcral para determinar a qualidade das narrativas contruídas. Isto é, o facto de o jornalista ser dotado de capacidades comunicativas e de cordialidade (tal como em muitas outras

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situações/profissões) para conseguir uma entrevista. O que nem sempre é fácil. Quando falei com a bloguer do canal de YouTube “C Feliz”, que se encontrava numa cadeira de rodas, mostrou-se logo muito interessada, porque estava habituada a lidar com a sua nova imagem e com câmaras. Mas nem sempre foi assim. Os meninos entrevistados no “Suplemento de Alma” sobre o surf adaptado revelaram-se reticentes com o facto de terem um objeto que captava a sua imagem. Embora estivessem avisados de que estaríamos presentes e que tínhamos as devidas autorizações, decidimos dar-lhes espaço. O facto de serem meninos – alguns adultos – tão especiais, fez com que eu e a minha colega nos envolvêssemos com eles. Consideramos eticamente correto respeitar o espaço deles, mas, para nosso espanto, estes acabaram por pedirem para serem entrevistados. Outros colocavam-se em frente à câmara, para que filmássemos o quão felizes estavam. Esta é das maiores magias do jornalismo.

1.9. A produção de notícias pré-fabricadas e a decadência do trabalho