Aldeia possui um tipo climático Tropical quente e úmido, com um regime de chuvas de outono/inverno apresentando uma média anual de precipitação de 1968 mm. A temperatura média é de 26°, porém apresenta uma sensação térmica mais amena devido
a posição geográfica que favorece a penetração de correntes de vento e a sua altitude média, acima de 100m. Destacando-se como a primeira elevação a Oeste da RMR, logo após a planície do Recife, o clima de Aldeia também se favorece pela “expressiva quantidade de vegetação local de médio e grande porte e boa permeabilidade do solo o que pode proporcionar uma maior umidade relativa do ar” (CAMARAGIBE, 2006, p.99).
As características climáticas de Aldeia favoreceram, de sobremaneira, o processo de ocupação da região visto que estimulou a expansão de certas práticas agrícolas e a criação de moradias de lazer que buscavam, sobretudo, o clima ameno e diferenciado em relação aquele encontrado no núcleo metropolitano recifense.
Figura 6: Amenidades naturais localizadas em Aldeia. Riacho Rio Besouro.
Foto: Ailson Barbosa, 2015.
Possuindo uma vegetação do tipo subperenifólia e uma floresta densa e latifoliada, Aldeia se caracteriza pela presença de árvores de grande porte sendo estas resquícios de
mata atlântica. Esse tipo de vegetação ocorre em “áreas descontínuas de grotões, áreas de vales com encostas muito íngremes quase sempre correspondente a nascentes de rios, estes espaços, em sua grande maioria estão incluídas nas áreas de mananciais protegidas pela Lei 9860/87 e com grande importância para a recarga dos aqüíferos” (CAMARAGIBE, 2006, p.99).
As áreas remanescentes de floresta Atlântica distribuídas sobre as chãs e ao sul onde está localizada a ZEPE (Zona Especial de Preservação Ecológica) compreendendo a Mata do Flamengo e outras pequenas áreas particulares. São encontradas, também, áreas de vegetação arbustiva de médio e pequeno porte, sob a forma de capoeira, além de pomares e plantações de milhos e flores (Diagnóstico da RPA 5- Prefeitura de Camaragibe, 2006).
Os muitos indicativos da prática de produção de flores em Aldeia não foram confirmados durante a realização dessa pesquisa. Contudo, a não identificação dos espaços de produção desse elemento não nega, pois, a possibilidade de ocorrência dessa cultura na região. Vale destacar que dados da Condepe/Fidem indicam a existência de produção de cana-de-açúcar, banana e coco-da-baia no território camaragibense.
Na região são observados parcelamentos do solo destinados à populações de menor poder aquisitivo (nos bairros de Vera Cruz e Oitenta) assim como destinados à população de renda média. Observa-se, pois, a fragmentação vegetal nas ocupações populares em função da necessidade de abertura de lotes residenciais. Já nos loteamentos ocupados pelas famílias de mais alta renda, sobretudo nos condomínios horizontais, além da derrubada de vegetação “ocorre a introdução de espécies exóticas à flora local, como eucalipto e pinheiros, representando uma descaracterização paisagística e um risco às espécies locais” (CAMARAGIBE, 2006, p.100).
Neste sentido, a vegetação de Aldeia “apresenta diferentes graus de conservação, contudo, guardam uma imensa riqueza de recursos de flora e uma diversidade faunística, que caracterizam a região como um ambiente de amenidades ambientais” (CAMARAGIBE, 2006, p.100).
Quanto aos aspectos geomorfológicos Aldeia situa-se num ambiente de morros, pertencente ao grupo barreiras, porém destaca-se, diferentemente do restante do conjunto municipal, por apresentar uma morfologia do tipo chãs/tabuleiros. A região apresenta, ainda, altimetria acima de 100m, tendo suas bordas recortadas por vales dissecados.
Já em relação aos recursos hídricos, Aldeia possui um importante conjunto de rios e riachos com grande importância para o contexto municipal e metropolitano. A região ainda abarca áreas dos mananciais dos rios Paratibe e Beberibe, além da nascente do Rio Besouro que faz parte da bacia do rio Capibaribe, tal como no quadro 3.
Quadro 3: Informações sobre rios e suas respectivas bacias localizados em Aldeia.
Bacia Tipo Bairro
Rio Capibaribe
Rio Camaragibe Rio Toda RPA 5
Riacho Coronel Riacho Borralho
Córrego do Burro Velho Riacho Tabatinga
Córregos das Araras Riacho Tabatinga
Córrego Claras Lopes Riacho Borralho
Córrego das Areias Riacho Aldeia dos Camarás
Rio Paratibe
Rio da Mina Rio Aldeia dos Camarás
Rio Beberibe
Rio das Pacas Rio Aldeia dos Camarás e Vera Cruz
Rio Araçá Rio Aldeia dos Camarás
Desta forma, Aldeia apresenta um “conjunto de rios, riachos e espelhos d’água de expressivo valor para o abastecimento de todo o conjunto sistêmico que compõe os recursos hídricos municipais e seus rebatimentos na RMR” (CAMARAGIBE, 2007, p.100). É importante destacar o fato de muitos corpos hídricos presentes na região estar situados no limite de propriedades particulares ou sofrer conseqüências do processo de adensamento populacional.
Figura 7: Rio Bezouro (Aldeia) e a ocupação do manancial
Foto: Ailson Barbosa, 2015.
É importante assinalar para a presença de uma fauna diversificada conferindo um charme especial ao conjunto da região (PERNAMBUCO, 2012). Contudo, o amplo processo de urbanização e fragmentação da flora (em função do modelo de processo imobiliário que vem se desenvolvendo na região) tem reduzido o contingente faunístico local e produzido conseqüências que já podem ser percebidas, tais como a redução de espécies típicas da localidade.
Figura 8: Preguiça e Tamanduá-mirim. Espécies nativas da Grande Região de Aldeia.
Foto extraída do Plano de Manejo da APA Aldeia-Beberibe, 2012.
A soma de fatores como presença de vegetação e fauna, corpos hídricos, altimetria, clima ameno e relevo conferiram à Aldeia uma posição de destaque no contexto metropolitano atraindo investidores e novos moradores, sobretudo vindos do núcleo metropolitano recifense, num movimento de fuga da problemática metropolitana e em busca da tranqüilidade e da qualidade de vida que os referidos aspectos naturais poderiam oferecer.