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Dispositions applicables

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No tocante aos pressupostos que fundamentaram a análise dos dados, destacamos a análise documental como sendo de extrema importância em nossa pesquisa, na medida em que para Richardson (2009) apresenta vantagens, pois os documentos constituem uma fonte rica que perdura ao longo do tempo, podendo ser continuamente consultados, além de se constituírem em fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentam afirmações que desvelam determinado contexto. Representam uma fonte natural de informações que permitem ao pesquisador uma maior aproximação com o contexto em que as informações foram produzidas.

É importante frisar que as informações obtidas a partir dos documentos selecionados serviram-nos inicialmente como suporte para a elaboração das entrevistas semiestruturadas. A entrevista, tomada no sentido amplo de comunicação verbal, e no sentido restrito de coleta de informações sobre determinado tema científico, foi a estratégia mais usada no processo de

trabalho de campo. De acordo com Minayo (2008), a entrevista é acima de tudo uma conversa a dois, ou entre vários interlocutores, realizada por iniciativa do entrevistador. Ela tem o objetivo de construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e assegura a abordagem pelo entrevistador, de temas igualmente pertinentes com vistas a este objetivo (p. 64).

Na entrevista, os pesquisadores buscam obter informações, ou seja, coletar dados objetivos e subjetivos. Os dados objetivos podem ser obtidos também através de fontes secundárias tais como: censos, estatísticas. Já os dados subjetivos só poderão ser obtidos através da entrevista, pois que eles se relacionam com os valores, as atitudes e as opiniões dos sujeitos entrevistados (QUARESMA; JUREMA, 2005, p. 72).

Nossas entrevistas foram semiestruturadas com perguntas abertas, dando a possibilidade ao entrevistado de discorrer sobre o tema, sem se prender à indagação formulada, conforme Gaskell (2008), pois a compreensão da vida dos entrevistados especificados é a condição sine qua non da entrevista qualitativa. Nesse caso, a finalidade da pesquisa qualitativa não é contar opiniões ou pessoas, mas explorar opiniões e diferentes representações sobre o assunto em questão. E assim sendo,

toda pesquisa com entrevistas é um processo social, uma integração ou um empreendimento cooperativo, em que as palavras são o meio principal de troca. Não é apenas um processo de informação de mão única passando de um (o entrevistado) para outro (o entrevistador). Ao contrário, ela é uma interação, uma troca de ideias e de significados, em que várias realidades e percepções são exploradas e desenvolvidas (GASKELL, 2008, p. 73).

No entanto, a entrevista possui vantagens e desvantagens que devem ser conhecidas pelos pesquisadores. A principal vantagem da entrevista aberta e também da semiestruturada é que essas duas técnicas quase sempre produzem uma melhor amostra da população de interesse. Ao contrário dos questionários enviados por correio que têm índice de devolução muito baixo, a entrevista tem um índice de resposta bem mais abrangente, uma vez que é mais comum as pessoas aceitarem falar sobre determinados assuntos. De acordo com Quaresma e Jurema (2005), outra vantagem diz respeito à dificuldade que muitas pessoas têm de responder por escrito.

Nos dois tipos de entrevista isso não gera nenhum problema, na medida em que se podem entrevistar pessoas que não sabem ler ou escrever. Além do mais, esses dois tipos de entrevista possibilitam a correção de enganos dos informantes, enganos que muitas vezes não poderão ser corrigidos no caso da utilização do questionário escrito.

O autor afirma ainda que essas técnicas de entrevista têm como vantagem a sua elasticidade quanto à duração, permitindo uma cobertura mais profunda sobre determinados assuntos. Além disso, a interação entre o entrevistador e o entrevistado favorece as respostas espontâneas. Elas também possibilitam uma abertura e proximidade maior entre entrevistador e entrevistado, o que permite ao entrevistador tocar em assuntos mais complexos e delicados, ou seja, quanto menos estruturada a entrevista, maior será o favorecimento de uma troca mais afetiva entre as duas partes.

Desse modo, estes tipos de entrevista colaboram muito na investigação dos aspectos afetivos e valorativos dos informantes que determinam significados pessoais de suas atitudes e comportamentos. As respostas espontâneas dos entrevistados e a maior liberdade que estes têm podem fazer surgir questões inesperadas ao entrevistador de grande utilidade em sua pesquisa. No entanto, precisamos pontuar algumas desvantagens da referida técnica que dizem respeito muito mais às limitações do próprio entrevistador, como por exemplo, a escassez de recursos financeiros e o dispêndio de tempo. Por parte do entrevistado, há insegurança em relação ao seu anonimato e por causa disso muitas vezes o entrevistado retém informações importantes.

Nas entrevistas realizadas em nossa investigação, cujo roteiro encontra-se anexo, tivemos como objetivos mapear a relação que os docentes fazem entre a avaliação da CAPES e a constituição da docência universitária na pós-graduação. As entrevistas favoreceram o diálogo tanto com os coordenadores quanto com os docentes, contribuindo para o levantamento de dados com relação a algumas dimensões, como: os efeitos da sistemática e dos critérios de avaliação na docência universitária; a relação entre a formação em serviço dos docentes da pós-graduação e avaliação; a repercussão nos programas das iniciativas de avaliação da CAPES; a constituição da profissionalidade docente universitária no contexto da avaliação da pós-graduação.

Por fim, de acordo com Minayo (2008), chegamos a partir do delineamento das duas etapas descritas a um terceiro momento da pesquisa, que seria a análise e o tratamento do material empírico e documental. Após realizar as entrevistas, chega o momento de organizar os dados recolhidos e começar a analisar todo o material. Esse momento diz respeito ao conjunto de procedimentos para valorizar, compreender, interpretar os dados empíricos, articulá-los com a teoria que fundamentou o projeto ou com outras leituras teóricas e interpretativas cuja necessidade foi dada pelo trabalho de campo. Podemos subdividir esse momento em três tipos de procedimento: ordenação dos dados; classificação dos dados; análise propriamente dita.

Realizamos a ordenação e a classificação dos dados, favorecendo a análise do material coletado, através do procedimento metodológico da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011), pois esta se constitui numa técnica de pesquisa que nos permite analisar o sentido explícito ou implícito do material recolhido. Assim, o trabalho inicial da análise consistiu na organização do material coletado; em seguida realizamos a descrição analítica, quando nos aprofundamos no estudo do material coletado, orientados pelas hipóteses e pelo referencial teórico.

Neste momento, procedemos à codificação, à classificação e à categorização que resultaram nos quadros de referências dos diversos aspectos que a pesquisa se propôs a esclarecer. Na sequência, realizamos a fase de interpretação e a análise quando tentamos estabelecer relações com a realidade educacional e social mais ampla, e construir respostas para as questões condutoras da pesquisa (BARDIN, 2011).

O tratamento do material nos conduziu a uma busca da lógica peculiar e interna do grupo que estamos analisando, sendo esta a construção fundamental do pesquisador, ou seja, análise qualitativa não é mera classificação de opinião dos informantes, é muito mais. Segundo Minayo (2008), é a descoberta de seus códigos sociais a partir das falas, dos símbolos e das observações. A busca da compreensão e da interpretação à luz da teoria aporta uma contribuição singular e contextualizada do pesquisador.

Assim sendo, podemos concordar com Gaskell (2008) ao afirmar que o objetivo amplo da análise é procurar sentido e compreensão. O que é realmente falado constitui os dados, mas a análise deve ir além da aceitação desse valor aparente. A procura é por temas com conteúdo comum e pelas funções desses temas. Nesse sentido, tomamos os depoimentos dos docentes como produtores de textos e de realidade, e investigamos sua constituição, o que nos levou a analisar a docência universitária no campo da pós-graduação, e as redes que se estabelecem na prática social, seja no âmbito dos coordenadores, seja no tocante aos docentes.

Na investigação de nosso fenômeno, consideramos o contexto de influência local que deu origem aos depoimentos dos docentes e no contexto de influência oficial utilizamos os textos das políticas de avaliação; focalizamos também a importância do contexto do texto, pois os textos sejam eles os documentos ou transcrições de entrevistas são recheados de significados que, ao serem analisados, indicam-nos caminhos na compreensão dos aspectos ideológicos e políticos que permeiam as práticas sociais no campo da constituição da formação e da docência universitária; o contexto da prática social, em articulação com os contextos citados anteriormente assumem para nosso trabalho significação especial, pois os textos sejam eles construídos pelos órgãos de fomento à pesquisa, sejam os advogados pelos docentes (que fazem parte do contexto de influência e de produção de textos oficiais que

provocam efeitos na prática acadêmica da pós-graduação), manifestam-se na prática social trazendo significados que mobilizam ações nos sujeitos que compõem os programas.

Assim, os dados estruturantes da pesquisa expressam-se em documentos oficiais: legislação educacional, particularmente aqueles que instituíram a sistemática de avaliação da CAPES, os Planos Nacionais de Pós-Graduação (PNPG) e os regimentos dos programas, as atas de reunião do colegiado e relatórios da CAPES. Além disso, utilizamo-nos de questionários que serviram para traçar o perfil dos docentes dos programas de pós-graduação em educação investigados, como também nos auxiliar a analisar essa caracterização à luz dos outros achados.

Ressaltamos que o conteúdo nos depoimentos dos docentes expressa tanto um modo de pensar, valorar, atuar, pois delineia como as pessoas podem agir sobre o mundo e sobre os outros, como também foi visto como uma forma de representação, pois nele valores e identidades são representados de maneira particular. Importa destacar ainda que para qualquer texto, uma pluralidade de leitores produz necessariamente uma pluralidade de leituras/interpretações, devendo-se reconhecer que as próprias políticas – veiculadas em textos - não são necessariamente claras, fechadas ou completas. Para Ball (1998), são produtos constituídos por discursos de alianças em diversos estágios que passam por processos de (re)contextualização. Nesse sentido, destacamos a possibilidade que possuem os textos e os discursos de serem transferidos de um campo a outro, como por exemplo, da academia ao campo oficial de um estado nacional, ou, do contexto de produção de textos, como o que aqui foi produzido pela CAPES, para o contexto da prática, quando da discussão dos textos nos programas de pós-graduação.

Portanto, ratificamos a importância de delimitar nossa teoria como sistema simbólico e explicativo do fenômeno, por concordar com Minayo (2008), quando a autora diz que pensar a metodologia de um trabalho é pensar o caminho do pensamento à prática exercida na abordagem da realidade. Nesse percurso, a metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua experiência, sua capacidade pessoal e sua sensibilidade). Assim sendo, teoria e metodologia caminham juntas, contribuindo para o delineamento das questões levantadas pela nossa pesquisa.

Nesse sentido, após apresentar aspectos teóricos e metodológicos de nossa pesquisa, estruturamos a seguir o quinto capítulo, que tratará das relações entre a questão da avaliação da CAPES e os efeitos nos programas de pós-graduação em educação estudados.

CAPÍTULO 5 AVALIAÇÃO E EFEITOS NOS PROGRAMAS DE PÓS-

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