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Controverse 2 question de l'usure de la pile
Os elementos biofísicos têm uma grande importância para a compreensão das características do território. Na perspetiva de um planeamento e ordenamento mais sustentável, importa analisar a vulnerabilidade do concelho a nível ecológico e face aos riscos naturais.
A partir da classificação climática de Koppen-Geiger, é possível concluir que a maior parte do território de Portugal Continental possui um clima temperado, identificado com a letra C. No entanto, dentro deste grupo é ainda possível distinguir dois tipos de clima no território português, como se observa na figura 3.3. O município de Setúbal possui um clima maioritariamente mediterrâneo com temperaturas médias anuais de aproximadamente 17 ᵒC e precipitação média anual de 641 mm. O verão
caracteriza-se por ser a estação quente e seca, em que a média das temperaturas máximas rondam os 30 ᵒC no mês de Agosto, e os invernos são amenos e chuvosos, com uma humidade elevada. A média das temperaturas mínimas rondam os 4,8 ᵒC em Janeiro e Novembro apresenta a maior precipitação com uma média de 96 mm (Climate-data.org, sem data; IPMA, sem data). Devido à complexidade do território, dentro de uma área, podem ocorrer pequenas diferenças ao nível local, como é o caso da Serra da Arrábida. Esta região montanhosa, pela sua proximidade ao oceano Atlântico, apresenta uma influência atlântica sobre o seu clima tipicamente mediterrâneo, que se traduz numa diminuição da amplitude térmica e num aumento da humidade atmosférica, enquadrando-se na classificação de Csb (ICNFa).
A litologia constitui um dos elementos mais importantes da caracterização biofísica de um território, já que permite obter diversas informações sobre a morfologia, permeabilidade e, indiretamente, do tipo de vegetação do mesmo. Através da análise da carta de solos, é possível ver que o território de Setúbal é constituído por um variado tipo de solos. Nas zonas planas, existe uma predominância de solos arenosos, no entanto na freguesia de S. Sebastião os solos são definidos como Litólicos de arenitos grosseiros e na zona norte de Azeitão, predominam os solos Podzolizados. Estes possuem uma elevada permeabilidade e, portanto, detêm uma grande
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importância na recarga dos aquíferos subterrâneos. Por outro lado, devido à pouca capacidade de armazenamento de água e nutrientes, prevalecem, nesses locais, as culturas adaptadas a estas condições, como viticultura e sobreiros. Nas áreas junto ao leito do rio, nomeadamente as freguesias do Sado e Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, prevalecem os solos Halomórficos, também designados por solos salinos, que, pela sua natureza salobra, ocorrem nas áreas de sapal, salinas e nas áreas afetas à aquicultura. Nas áreas mais acidentadas (Serra da Arrábida), pertencentes à União das Freguesias de Setúbal e à área sul de Azeitão, existe uma grande diversidade de solos, contudo é visível uma predominância de calcários.
A rede hidrográfica, com uma extensão total de 796,3 km, integra o conjunto de todos os sistemas capazes de drenar as águas superficiais, em geral provenientes da chuva. Distinguem-se dois conjuntos diferentes de rede de drenagem, sendo eles as redes artificiais, construídas nos centros urbanos pelo Homem, e as redes naturais, compostas pelo rio principal e tributários.
O município de Setúbal possui uma extensa rede de cursos de água que se estendem por todo o território, ocorrendo uma concentração nas zonas mais montanhosas do concelho (Serra da Arrábida). Os cursos de água, contudo, não são agentes isolados e organizam-se em conjuntos maiores definidos por bacias hidrográficas. As bacias hidrográficas são áreas onde toda a água que cai no seu interior se canaliza numa rede de cursos de água devido às suas características topográficas do território. Setúbal, pela sua localização geográfica, encontra-se situado entre dois grandes rios com uma elevada importância a nível nacional (Tejo e Sado) e, ainda que a maior parte dos cursos de água do município pertençam à bacia hidrográfica do rio Sado, existe um conjunto de linhas de água localizadas na zona noroeste do concelho que pertencem à bacia hidrográfica do rio Tejo.
Ainda relativo aos recursos hídricos do município, é importante referir a existência do Estuário do Sado, que abrange os concelhos de Setúbal, Palmela, Alcácer do Sal e Grândola, sendo que no município de Setúbal compreende as freguesias da Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra e Sado. A Reserva Natural do Estuário do Sado, criada em 1980 pelo Decreto-Lei nº 430/80, de 1 de outubro, possui uma extensão total de 23 160 ha, sendo formada em grande parte por planícies aluviais com uma altitude média muito baixa, e possui um reconhecível valor ecológico e científico. (ICNFb, sem data).
Como referido anteriormente, o território do concelho de Setúbal possui um clima tipicamente mediterrâneo, onde os solos são frequentemente de origem aluvionar, resultantes de areias podzolizadas. Como resultado, o município tem como espécies endémicas Malcolmia
lacera subsp. gracilima e Santolina impressa. Por outro lado, Ulex australis subsp.
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território a sua maior área de distribuição em Portugal. A somar a estas espécies, os bosques de sobreiros são a vegetação que ocupa a maior parte do município, sendo que, para além do Sobreiro (Quercus suber), possuem Carrascos (Quercus coccifera), Murta (Myrtus communis), Espargueiras (Asparagus albus) e Zambujeiros (Olea europea var. sylvestris). Grande parte do território foi ocupado também com montados de sobro, pinheiros mansos e bravos e, mais recentemente, eucaliptos, que apresentam, como subcoberto, um mato com grande dominância de Corynephorus maritimus. Devido à sua natureza litológica que torna os solos aptos para a agricultura, é possível ainda encontrar culturas hortícolas e pomares em todo o território (CMS, 2011a).
A Serra da Arrábida, pela sua singularidade a nível climático e litológico, confere-lhe condições que permitem circunscrever esta área em termos florísticos. Com um comprimento de cerca de 35 km e uma largura média de 6 km, a Serra da Arrábida abrange os concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela e a sua altitude máxima é de 501 m (ICNFc, sem data). Espécies como Convolvulus fernandesii e Euphorbia pedroi são endémicas desta região e outras como
Acer monspessulanum, Lavandula multifida, ou Quercus faginea podem igualmente ser encontradas neste local. Para além desta região, junto das linhas de água encontra-se vegetação tipicamente ripícola, como caniçais (Phragmites australis), salgueiras (Salix salvifolia ssp.
australis), choupos (Populus nigra), entre outros.