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QUATRE FORMES D'HÉRITAGE : 141 elles s'expriment grammaticalement varie de langage en langage

Dans le document Repères pour une sociologie (Page 141-145)

Ex-cursus sur l'évolution

5.2. QUATRE FORMES D'HÉRITAGE : 141 elles s'expriment grammaticalement varie de langage en langage

Neste tópico, mais do que as infra-estruturas de acessibilidades que servem os residentes da AML, interessa analisar a mobilidade dos residentes. Contudo, não se deixa de referir, de forma breve, as infra-estruturas que possibilitam as deslocações verificadas.

A Área Metropolitana de Lisboa é servida pelas principais infra-estruturas de acessibilidade: rede rodoviária, ferroviária, várias redes de transportes colectivos rodoviários intra-municipais ou inter-municipais. Apenas o concelho de Lisboa e alguns concelhos adjacentes são servidos pela rede de Metropolitano (Figura 40).

Relativamente à mobilidade dos residentes, importa analisar os comportamentos nas deslocações pendulares. Estes modificaram-se consoante a evolução do sistema urbano e das actividades a par das infra-estruturas de acessibilidade: “A melhoria das acessibilidades reflectiu-se no aumento da distância percorrida nas deslocações pendulares, e não tanto numa redução do tempo médio de deslocação, e aumentou as possibilidades de escolha de habitação própria a menor custo.” (Diagnóstico Sectorial – Sistema Urbano, Habitação e Equipamentos, Marques da Costa et all., 2009, 126).

Fonte - Atlas da AML (2003, 230) Figura 40 – Rede Rodo-Ferroviária, 2001

De acordo com a equipa do PROT-AML (2009, 129), verificou-se, na última década censitária, uma “extensificação dos movimentos pendulares, fundamentalmente em termos de distância física percorrida, e, em muitos casos, também do tempo dispendido. Este facto reflectiu-se num alargamento das bacias de emprego concelhias e no surgimento das áreas de residência em localizações progressivamente mais distantes. Não só se dilataram as distâncias aos locais de emprego, como também o emprego surge em outros locais, contribuindo para deslocações mais longas enquadradas por novos percursos.”

Com base em dados do INE, 2001, denota-se que Lisboa é o destino de grande parte das viagens para o trabalho de vários municípios da AML (Figura 41), especialmente dos municípios mais próximos da capital, de ambas as margens do Tejo. Ainda assim, verificam-se vários fluxos de deslocações pendulares entre outros concelhos adjacentes, especialmente nos concelhos da Península de Setúbal.

Capítulo VI – As Dinâmicas da AML – Aproximação ou Afastamento à Sustentabilidade urbana

Fonte - INE, 2001. Tratamento: Equipa PROT-AML, 2009. Figura 41 - Deslocações Pendulares (2001)

Não só houve um aumento das distâncias aos locais de emprego, como a maior facilidade de mobilidade, especialmente através da utilização do transporte privado, permitiu também que as distâncias e os tempos de deslocação ao comércio e serviço também aumentassem.

O local de destino das deslocações laborais é também um factor relevante para uma melhor gestão das necessidades de mobilidade e acessibilidade, consequência da desconcentração das actividades económicas. Analisando as Figuras 42 e 43, observa-se que é nas freguesias mais periféricas em relação a Lisboa e de cariz predominantemente rural, tanto na margem Norte como Sul, onde se verifica maior percentagem de activos que trabalham na freguesia de residência. Ao contrário, é nas freguesias de Lisboa e nos concelhos mais próximos, em ambas as margens do Tejo, que mais de metade da população activa se tem de deslocar para outros concelhos que não a da sua residência.

Fonte - Marques da Costa (2007), elaborado a partir de INE, Recenseamento Geral da População (2001, 411) Figura 42 - Activos Cujo Local de Trabalho é a Freguesia de Residência (2001)

Fonte - Marques da Costa (2007), elaborado a partir de INE, Recenseamento Geral da População (2001, 412) Figura 43 - Activos Cujo Local de Trabalho é fora do Concelho de Residência (2001)

Cerca de 95% das deslocações da AML são realizadas no interior desta área, em que 54% das deslocações são realizadas dentro do concelho de início da viagem e 40% são deslocações inter-concelhias (INE, 2001). Vala (2003) salienta as diferenças entre os concelhos que abarcam maior percentagem de viagens intra-concelhia (Figura 44). Exemplo deste fenómeno são os concelhos que possuem grandes centros tradicionais - Lisboa e Setúbal, mas

Capítulo VI – As Dinâmicas da AML – Aproximação ou Afastamento à Sustentabilidade urbana

também se verifica em concelhos mais periféricos, como Mafra, Montijo e Azambuja. As deslocações intra-concelhias são menos visíveis na primeira coroa que rodeia o concelho de Lisboa.

Fonte – INE. Tratamento: Vala (2003) Figura 44 – Deslocações dentro do Concelho (2001)

Quanto aos principais modos de deslocação utilizados para as deslocações laborais ou para a escola, em 2001, o Transporte Privado individual é utilizado para 45% das deslocações, sendo que em 39% dos casos o indivíduo é o próprio condutor e apenas 5% são passageiros, demonstrando o elevado número de viaturas que se desloca apenas com um indivíduo. O Transporte Colectivo é utilizado em 37% das deslocações, maioritariamente através do Autocarro (22%), mas também do Comboio (10%). Pela abrangência apenas ao concelho de Lisboa e, recentemente, a alguns concelhos adjacentes, o Metro é utilizado apenas em 3% das viagens. Cerca de 16% das deslocações são pedonais e apenas 2% são realizadas utilizando transportes promovidos pelas empresas ou escolas (INE, 2001 em Vala, 2003).

De acordo com a Figura 45, o Transporte Colectivo apresenta maior relevância em poucos concelhos, como Lisboa, Loures, Seixal, Amadora e Odivelas. Noutros concelhos, o transporte individual é a escolha de mais de 50% dos residentes, tais como em Mafra, Sesimbra, Palmela, Cascais, Alcochete, Oeiras, Azambuja, Montijo e Setúbal, mas também é o principal modo dos outros concelhos, com excepção da Amadora e Odivelas.

Fonte - INE. Tratamento: Vala (2003)

Figura 45 – Modo de transporte para as deslocações laborais e escolares

Para terminar, importa analisar a duração média das deslocações por concelho para os concelhos da AML, entre 1991 e 2001 (Figura 46). A média das deslocações da AML diminuiu de 35 para cerca de 32 minutos em média. Em alguns concelhos as viagens viram a sua distância-tempo reduzir 5 minutos ou mais, como os casos do Seixal, Oeiras, Amadora e Loures. Apenas em 8 concelhos da AML as viagens apresentam uma média de tempo de deslocações inferiores a 30 minutos, Lisboa, Mafra e Azambuja na margem Norte e Sesimbra, Palmela, Setúbal, Montijo e Alcochete na margem Sul, reflectindo em especial a maior ou menor proximidade dos principais destinos das viagens.

Fonte - INE. Tratamento: Vala (2003)

CAP. VII – A operacionalização das Comunidades Sustentáveis: os casos de estudo de Benfica e Alcochete

CAP. VI – Benfica e Alcochete à luz do conceito de “Comunidade Sustentável” - Dois

casos de estudo

O capítulo VII desta dissertação centra-se na análise de dois casos de estudo, com o objectivo final de os relacionar com alguns pilares das Comunidades Sustentáveis. Assim, após apresentar a metodologia aplicada, num primeiro momento será apresentada uma breve resenha histórica dos dois casos de estudo, à escala da freguesia. Seguindo a linha de trabalho, a análise repartir-se-á em duas grandes partes. A primeira caracteriza as duas freguesias em estudo e analisa a perspectiva da oferta de três domínios específicos: 1. o Ambiente Construído, Habitação e Equipamentos; 2. As actividades Económicas, emprego, comércio e serviços; e 3. As acessibilidades e mobilidade, especialmente para as deslocações laborais, através de dados recolhidos numa colecção de fontes. A segunda parte analisa a perspectiva da procura dos residentes em ambas as áreas e sobre os mesmos três domínios já referidos anteriormente, através da aplicação de inquérito em Benfica e Alcochete.

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