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Na zona de charneira da saliência, foram distinguidas as seguintes unidades (Figura 4.2): (i) o embasamento mais velho que 1,8 Ga; (ii) o Grupo Serra do Inhaúma; (iii) o Grupo Macaúbas; e (iv) a Formação Salinas.

4.3.1 – Embasamento

O embasamento é formado por gnaisses pertencentes aos blocos Gavião e Jequié, além de granitoides neles intrusivos, que nesta ordem formam o substrato do Domínio Orogênico Paleoproterozóico do leste da Bahia (Barbosa & Sabaté 2004). Na porção oeste da zona de chaneira, na região de Montezuma, tem-se uma outra ocorrência do embasamento (Figura 4.1) constituída pelo Complexo Tinguí (Silva et al. 2016).

O Bloco Gavião consiste de ortognaisses tonalítico-granodioríticos e associações gnáissico- anfibolíticas, às vezes migmatizadas (Cordani et al. 1985, 1992, Marinho et al. 1994). Além destas assembleias, o bloco é composto por maciços TTG datados entre 3,4 e 3,1 Ga (Martin et al. 1997, Santos Pinto et al. 1998) e greenstone belts, a maioria de idade arqueana (Mascarenhas & Silva 1994, Silva & Cunha 1999). O Bloco Jequié consiste em granulitos enderbíticos, charnoenderbíticos e charnockíticos, com protólitos de aproximadamente 2,7-2,8 Ga, deformados e metamorfizados no Paleoproterozoico. Subordinadamente ocorrem migmatitos e rochas supracrustais granulitizadas (Cordani 1973, Cordani & Iyer 1979, Barbosa 2003).

Na região da Serra Geral (Serra do Inahúma), o Bloco Gavião é formado por um gnaisse com bandamento centimétrico a decimétrico. Biotita é o principal mineral máfico e, secundariamente, hornblenda. Intercalam-se ao gnaisse corpos de rocha metamáfica e, pontualmente, rocha metaultramáfica formando boudins. Principalmente no contato com as rochas supracrustais, as rochas

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do Bloco Gavião estão fortemente milonizadas (Figura 4.3b,c). Nestas porções, o gnaisse apresenta granulação fina, foliação milonítica com maior proporção de muscovita, e porfiroclastos sigmoidais de porções quartzo-feldspáticas. Variavelmente, ocorre com bandamento retilíneo e decimétrico nas zonas de cisalhamento.

Dentre os granitoides intrusivos neste bloco, destacam-se o Piripá e o Belo Campo, que afloram próximo às cidades homônimas. O granito Piripá, ocorre a norte da Serra do Inhaúma. Trata-se de um granito branco a rosa, de granulação média a grossa, inequigranular porfirítico, com porfiroclastos rosados de K-feldspato e 10-15% biotita (Figura 4.3d). Na região de Belo Campo, uma zona de cisalhamento corta o biotita granodiorito Belo Campo, formando um gnaisse milonitizado com bandamento retilíneo, centimétrico a decimétrico, de granulação fina a média. Localmente intercalam- se bandas de anfibolito.

O Complexo Tinguí (Knauer et al. 2015, Silva et al. 2016) é formado um monzogranito gnaisse de granulação média a grossa, com bandamento difuso e feições de migmatização. No seu contato com a Formação Salinas, está milonizatizado, formando um filonito rico em muscovita, com estruturas SC e porfiroclastos sigmoidais de quartzo e K-feldspato de até 3 mm de comprimento(Figura 4.3a). Sua idade de cristalização corresponde a 2140 ±14 Ma (Silva et al. 2016).

Figure 4.3. a) Gnaisse leucocrático do Complexo Tingui. b) Bloco Gavião nas proximidades da cidade de Belo

Campo, representado por um granito-gnaisse com bandamento sub-horizontal, decimétrico a médtrico. c) Granodiorito do Bloco Gavião milonitizado. d) Granito Piripá, com fenocristais de feldspato alcalino.

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4.3.2 – Grupo Serra do Inhaúma

Originalmente, rochas deste grupo foram mapeadas somente na Serra Geral (Almeida et al. 1978, Uhlein 1991). Verificou-se, entretanto, que elas ocorrem desde as proximidades de Rio Pardo de Minas, passando por São João do Paraíso, Cordeiros, Piripá até Tremedal (Figura 4.1). O seu empilhamento estratigráfico varia nas regiões de Montezuma e da Serra Geral. Enquanto na primeira região predomina uma unidade essencialmente quartzítica na base que passa a metapelitos no topo, na segunda, predominam rochas metapelíticas na base, que gradam para meta-ritmitos arenosos nas porções intermediárias, voltando a predominar metapelito no topo (Figura 4.2 e 4.4).

A unidade predominante deste grupo é um xisto micáceo a carbonoso (Figura 4.4a,b), com quantidades variáveis de granada, cianita e estaurolita e, localmente, moscovita filitos. Comumente apresenta intercalações e lentes de quartzito (Figura 4.4).

O xisto desta unidade é cinza quando fresco, avermelhado a esbranquiçado quando alterado. Sua matriz apresenta granulação fina a média, composta majoritariamente por muscovita e quartzo, com biotita secundária. Nos termos menos deformados e alterados, observa-se, frequentemente, uma laminação rítmica de 0,5-1 cm de espessura. Porfiroblastos de cianita, estaurolita e granada são comuns, sillimanita ocorre em locais restritos. A granada forma porfiroblastos euédricos a subédricos, comumente poiquiloblásticos, de 0,5 cm a 2 cm de diâmetro. Estaurolita varia de 0,3 cm de comprimento a cerca de 30 cm (Figura 4.4b). Os cristais são euédricos a subédricos, localmente retrometamorfizados a muscovita e clorita. Apresenta comumente inclusões de quartzo e granada. Cianita ocorre em cristais prismáticos amarronzados, subédricos, de até 2 cm de comprimento. No entanto, próximo a veios, forma porfiroblastos de até 6 cm de comprimento. Sillimanita é fibrosa e rara, perfazendo menos de 5% do volume de rocha onde ocorre. Este mineral está sobrecrescido em muscovita e biotita em forma de novelos sigmoidais.

Intercalações de grafita xisto são muito comuns. Apresenta cor cinza prateada, granulação fina a média e matriz composta predominantemente por grafita, muscovita e quartzo, com menores proporções de biotita. Os porfiroblastos são semelhantes aos dos termos micáceos, mas em geral estão em menor proporção.

O quartzito varia de puro a micáceo, localmente ferruginoso. Passa comumente a termos mais micáceos ou impuros, em intercalações de ordem decimétrica a métrica. O quartzito puro é branco, de granulação média, composto predominantemente por quartzo com raros (~1%) minerais opacos. Em geral, é intensamente deformado e recristalizado, o que oblitera as estruturas sedimentares. No entanto, localmente ocorre estratificação cruzada acanalada com estratos de médio a grande porte, 18-40 cm de espessura, e baixo ângulo, de 14-20 ° (Figura 4.4c-f).

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Figura 4.4. Grupo Serra do Inhaúma: a) Xisto grafitoso nas porções basais do grupo na região de Montezuma. b)

Granada-estaurolita xisto, com porfiroblasttos centimétricos de estaurolita e granada (escala: lápis na porção superior da foto), o qual é lavrado como rocha ornamental denominada “meteoro”. c) Meta-ritmito granatífero. d) Quartzito do Grupo Serra do Inhaúma próximo à cidade de Rio Pardo de Minas, apresentando estratificação cruzada acanalada. e) e f) Quartzito com estratificações cruzada e plano-paralela, intercalados com estaurolita- granada xisto.

Ao longo desta sucessão, intercalam-se camadas métricas de meta-ritmito pelito-psamítico (Figura 4.4c). A porção arenosa é composta principalmente por quartzo, e a pelítica por muscovita, com biotita variável, plagioclásio e quartzo em menores proporções e porfiroblastos de granada. A laminação em geral é milimétrica, localmente centimétrica.

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4.3.3 – Rochas metabásicas

Intrusões de diabásio metamorfisado cortam a sequência do Grupo Serra do Inhaúma, formando corpos com até 4 km de diâmetro, não tendo sido observadas intrusões desta natrureza nas demais unidades. Elas se encontram comumente saprolitizadas, formando solo argiloso e avermelhado, mas preservam porções frescas de cor esverdeada. O litotipo mais comum é um hornblenda-plagioclásio xisto, com proporções menores de quartzo e biotita. A textura é nematoblástica e granulação fina a média. Algumas porções mostram plagioclásio intensamente alterado a sericita e carbonato, hornblenda a biotita, além de silicificação da rocha total.

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