As trajetórias P-T-t-d traçadas e campos P-T traçados para região da Saliência do Rio Pardo são sintetizadas na Figura 7.13. Adicionalmente, são apresentadas condições P-T estimada para o M- Domínio V segundo Belém (2006, condições P-T estimadas no ponto JB) e Moraes et al. (2015, condições P-T estimadas no ponto RM).
Figura 7.13. Síntese da evolução P-T-t-d da Saliência do Rio Pardo. No M-Domínio V, Complexo Jequitinhonha:
JB, condições P-T estimadas por Belém (2006); RM, condições metamórficas estimadas por Moraes et al. (2015). Em tracejado, possíveis caminhos para se atingir as condições P-T do M-Domínio V.
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Assim como o M-Domínio I, o M-Domínio III apresenta um zoneamento metamórfico tipicamente Barroviano. Devido à grande cobertura coluvionar na região, esse zoneamento pode ser seguido apenas nas proximidades da Serra Geral. O aumento nas condiões de PT das zonas acontece, como esperado, do topo para a base da sequência, com as zonas de maior grau (cianita, estaurolita e, localmente, sillimanita) ocorrendo cada vez mais próximas do contato com o embsamento.
Os grupos de idade encontrados neste domínio assemelham-se com aqueles encontrados nos M- domínios I e II, podendo ser interpretados da mesma forma. Ressalta-se nos resultados da amostra 479, no entanto, uma maior concentração de cristais de monazita dos grupos 1 e 2. Diferentemente da interpretação dada aos primeiros domínios, os cristais de monazita não podem ser considerados herdados, devido à provável idade Esteniana-Toniana da sequência. É possível que os cristais de monazita reflitam, por outro lado, o início das condições do Evento Brasiliano na região. Essas condições culminariam no pico do metamorfismo, há c. de 562 Ma, como sugerido no capítulo anterior. Essa idade pode ser correlacionada às deformações D1 e principalmente D2, que são sin-cinemáticas às
assembleias de pico metamórfico. Os outros dois grupos, com concentrações bem discretas de monazita em c. 525 Ma e 505 Ma, são também muito semelhantes à encontradas nos M-domínios I e II e, similarmente, podem refletir o evento termal de baixa pressão regional (tipo Buchan, relacionado ao colapso do sistema), representado pelas assembleias do M-Domínio II, e o fim da atividade tectônica e resfriamento do sistema, respectivamente. Devido à presença limitada de estruturas e plútons relacionados à fase de colapso do orógeno, os dois últimos eventos, como se esperaria, são pouco representados pelos cristais de monazita. De uma forma geral, pode-se observar que ambos os eventos colisional e de colapso no orógeno são diacrônicos ao longo de toda a região norte do orógeno.
As assembleias minerais, textura e estrutura das rochas nos M-domínios IV e V indicam condições P-T na fácies anfibolito alto a granulito, localmente com os estágios iniciais de formação de leucossoma e segregação da porção fundida, na zona de metatexito. Essa suposição é baseada nas seguintes evidências. (a) Paragêneses contendo Sil + Crd + Kf + Bt ± Grt + Qz ou Ky + Kf + Bt + Pl + Qz, de condições de alta temperatura. (b) Em especial, no M-domínio IV, cuja assembleia contém Ky + Kf, é possível observar piscinas de Kf + Pl + Qz que podem representar locais de fusão in situ. (c) Cristais de biotita apresentam comumente bordas irregulares e arredondadas, envelopados por filmes de K-feldspato (Figura 7.6). Nessa situação, é possível que o K-feldspato seja interpretado como um pseudomorfo de um espaço (um poro) preenchido por material fundido.
Microestruturas de fusão, como descritas para o M-Domínio IV, em geral, só podem ser observadas quando a trama microestrutural inicial não é afetada por eventos posteriores, tanto por deformação quanto por resfriamento lento. Ademais, é comum que a porção fundida seja segregada da rocha por deformação, formando redes de material fundido e, em seguida, leucossomas (Sawyer et al. 2014). A partir desses dados, duas suposições podem ser feitas para o pico P-T deste domínio: provavelmente ele ocorreu após o cessamento da deformação sin-colisional (pós c. 560 Ma) e em um
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curto intervalo de tempo antes do fim das atividades termais no sistema (pré c. 525 Ma). Neste caso, é possível que a paragênese inicial da rocha tenha se desenvolvido em um estágio sin-colisional de condições de pico seguindo as isotermas do metamorfismo Barroviano, no fim da fácies anfibolito alto. Neste estágio, o metamorfismo teria alcançado a isógrada da cianita, mas ainda não a da sillimanita. Devido ao fato do orógeno ter experimentado o colapso (atestado na região pela reativação normal- sinistral da Zona de Cisalhamento Itapebi na região), e consequentemente o afinamento crustal e descompressão, ocorreu a migmatização do domínio. O processo de migmatização, nesse caso, estaria mais relacionado à descompressão do que ao aumento de temperatura. Esse fato é corroborado por: (a) a microtextura da cianita, em bordas irregulares, aparentemente corroídas, o que pode indicar que seja um mineral peritético em desequilíbrio com as condições posteriores de fusão; (b) a presença de filmes K-feldspato pseudomorfizando material fundido in situ só ocorreria a baixas taxas de deformação ou altas taxas de fusão; (c) o contexto regional, onde ocorre um segundo evento termal a pressões mais baixas. A fusão por descompressão é descrita em alguns sistemas orogênicos (Harris et al. 2004, Rey et al. 2009, Jiang et al. 2015).
Dados termobarométricos existentes na literatura indicam as seguintes condições de metamorfismo para o M-Domínio V: T entre 715 °C e 790°C através do par granada-biotita (Uhlein et al. 1998b); T entre 660 °C e 705 °C pelo grau de cristalinidade em granada (Belém 2006); 5.0 ± 0.5 kbar e 790 ± 40 °C (Belém 2006) pelo método AvPT do THERMOCALC (Holland & Powell 1998); 6.7 ± 0,6 kbar e 890 ± 50°C através do software TWEEQU (Belém 2006); e condições de pico em 7 kbar e 850ºC, por termobarometria convencional e THERMOCALC (Moraes et al. 2015) (Figura 7.13). Tendo por base estes dados surgem aqui as seguintes questões: (a) teria esse domínio se desenvolvido sob condições metamórficas do tipo Buchan em alto grau, seguindo as geotermas do M-Domínio II e, portanto, se equilibrado em condições P-T pós-colisionais?; (b) representaria ele as condições na fácies granulito, seguindo geotermas mais próximas às do M-Domínios I e III, em um estágio sin-colisional?; (c) seria possível que as condições P-T indicassem as condições pós-pico metamórfico de um metamorfismo Barroviano, mas em um estágio retrógrado?; ou (d) devido ao alto grau de fusão das rochas, em um orógeno que permaneceu quente por um longo período, as assembleias nesta região não estariam necessariamente associadas a um evento (colisional ou colapso), mas à soma de condições P- T acumuladas até o resfriamento do núcleo cristalino?
As respostas para tais questões demandam um estudo mais aprofundado, com indicação de possíveis caminhos P-T-t-d na região e dados geocronológicos. No entanto, a partir da distribuição espacial das condições e trajetórias P-T-t-d nos M-domínios I, II e III, e a distribuição espacial do zoneamento metamórfico com as estruturas regionais (cinturão de dobras e empurrões da Serra do Espinhaço, ZCCA, ZCI e do próprio contorno da saliência) favorecem duas hipóteses. A primeira delas se relaciona às estruturas de colapso. Seguindo a sugestão de que a ZCI pode ter sido reativada durante o colapso no flanco leste da saliência, é de se esperar que as condições metamórficas na direção do
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interior desta estrutura também sigam as condições metamórficas do M-Domínio II. Desta forma, a hipótese (a) seria a mais plausível. No entanto, como em termos texturais não é evidente a associação das assembleias de pico nessa região com um estágio pós-colisional, a hipótese (d) vem à baila. Nesse caso, devido ao fato do orógeno ter permanecido quente por tanto tempo (~630-490 Ma), as assembleias desenvolvidas incialmente se reequilibraram para condições de menor P, mas em T ainda elevada. Isso explicaria o fato das amostras JB e RM (Belém 2006, Moraes et al. 2015) não estarem exatamente nem na direção de pico das trajetórias do metamorfismo tipo Buchan nem do tipo Barroviano, mas sim em uma condição intermediária.
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