A Formação Nova Aurora é a mais expressiva unidade do Grupo Macaúbas ao longo de toda a zona de charneira. Os afloramentos desta unidade encontram-se invariavelmente com alto grau de alteração. É composta por ciclos de sedimentação onde predomina meta-arcóseo microconglomerático na base, que grada para quartzito no topo. Este, por sua vez, é coberto por um espesso pacote de metadiamictito (Figura 4.5a-e). As duas primeiras fácies somam camadas decimétricas a métricas, e a última, quilométrica. Em algumas porções, o metadiamictito apresenta uma estratificação fracamente definida. Localmente passa a camadas de quartzito ou apresenta intercalações lenticulares de quartzito, que por vezes é microconglomerático.
O metarcóseo microconglomerático basal encontra-se invariavelmente alterado, apresentando coloração amarronzada a esbranquiçada, com foliação penetrativa (Figura 4.5a,d.e). Possui matriz com granulação fina a média e clastos tamanho grânulo e seixo angulosos, com esfericidade moderada a alta. É composto predominantemente por quartzo, mica e feldspato. Grada ao topo para um quartzito com aproximadamente 10% de seixos subarredondados, esfericidade moderada. Compõe-se predominantemente por quartzo, com maturidade composicional relativamente alta, e rara mica e opacos. Esta camada possui em geral até 2 m de espessura, sendo sobreposto em contato brusco e erosivo por metadiamictito.
O metadiamictito possui matriz de granulação fina a média, composta em geral por 80% quartzo, 10-30% biotita e muscovita, 5-10% de outros minerais (óxidos, opacos, zircão). Possui 5-30% de clastos angulosos a subarredondados, predominando subangulosos, com tamanho grânulo (~80%) e seixo (~20%) de até ~10 cm, mas majoritariamente entre 0,5 cm e 2 cm. Estes são de carbonatos, quartzo de veio, quartzito, pelito, granitoide, entre outros. Os clastos estão comumente deformados em formas sigmoidais. Isoladamente, ocorrem clastos de tamanho bloco e matacão. Intercalam-se ao metadiamictito lentes de até aproximadamente 10 m de espessura de quartzito impuro, com
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granulometria areia fina a grossa e até 10% grânulos (Figura 4.5a-c). Por vezes, apresenta estratificação tênue marcada por variação granulométrica (Figura 4.5f)
Localmente, ocorrem intercalações de quartzito com lentes de metamicroconglomerado. O quartzito é puro, com até 5% de mica ou opacos, granulação média. Contém clastos esparsos, de tamanho grânulo e seixo, em geral até 1 cm, e baixa maturidade composicional, com até 15% mica e 5-10% de opacos. O metamicroconglomerado, com espessura centimétrica a decimétrica, possui até 70% de clastos de grânulo e seixo, até 1 cm, subangulosos a subarredondados.
A porção de topo desta unidade aflora em um sinclinório na região de São João do Paraíso e é correlacionada à porção psamo-pelítica da Formação Serra do Catuni. É formada por meta-ritmito predominantemente quartzoso, mas com proporções variáveis de opacos e mica, o que confere a laminação rítmica de ordem milimétrica (Figura 4.5g). Apresenta granulação fina a média, com cores cinza claro/branco e cinza escuro quando fresco, comumente alterado para cores avermelhadas.
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Figura 4.5. Grupo Macaúbas na zona de chaneira da saliência. a) Sucessão típica neste setor: Porção basal
composta por metabrecha arcoseana, gradacionando para quartzito microconglomerático, em contato brusco com metadiamicito. b) Contato do quartzito com metadiamictito. c) Detalhe do metadiamicito, com matriz argilosa e clastos entre grânulo e seixo. d) Detalhe do contato gradacional entre e metabrecha arcoseana e o metarenito microconglomerático. e) Detalhe da metabrecha arcoseana. f) Estratificação incipiente em metadiamictito do Grupo Macaúbas, com acamamento (350/55) em alto ângulo e foliação (110/10). g) Metarritmito da porção superior do Grupo Macaúbas na região.
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4.3.5 – Formação Salinas
A Formação Salinas ocorre de forma restrita na porção noroeste da zona de charneira, próximo à cidade de Montezuma (Figura 4.1), onde faz contato com o Complexo Tingui através de uma zona de cisalhamento normal mergulhante para leste. A unidade é encontrada frequentemente alterada.
É composta principalmente por um metaturbidito peraluminoso com intercalações de rocha calcissilicática (Figura 4.6). O metaturbidito apresenta ciclos de granodecrescência ascendente, centimétricos a decimétricos, constituído por meta-wackes arenosas na base, que se torna progressivamente mais rica em micas para o topo, adquirindo cor cinza escura (Figura 4.6a). Sua composição mineralógica é dada por quartzo, muscovita e biotita, com plagioclásio ausente ou raro, e quantidades variáveis de granada, estaurolita e cianita, comumente subédricos a euédricos. Os porfiroblastos de estaurolita podem chegar a 15 cm de comprimento. Comumente os afloramentos estão deformados formando tectonitos L, marcados principalmente por quartzo e biotita bem estirados.
Lentes de rocha calcissilicática são muito comuns. Ocorrem de forma descontínua, acumulando- se em camadas que, em muitos locais, encontram-se de boudinadas. Esta rocha é escura e maciça, possui granulação fina a média e porfiroblastos de granada e anfibólio, com quartzo e plagioclásio perfazendo a matriz.
À semelhança da Formação Salinas em sua área-tipo, apresenta algumas estruturas sedimentares preservadas, como convoluções irregulares e caóticas, pseudonódulos, dobras convolutas e intraclastos (Figura 4.6b). O acamamento ondulado também é preservado.
Figura 4.6. a) Metaturbidito da Formação Salinas na região da cidade de Montezuma. B) Intraclastos deformados
em metaturbiditos gradados da Fm. Salinas. As manchas escuras em ambas imagens correspondem a porfiblastos de estaurolita.
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4.4 – CONSTITUIÇÃO DO FLANCO LESTE
No flanco leste da saliência, a sucessão estratigráfica apresenta uma diferenciação significativa. A zona onde esta variação se dá, está, porém, coberta por uma extensa camada de sedimentos cenozoicos. As unidades lá expostas são: i) o embasamento; ii) o Grupo Macaúbas; iii) o Complexo Jequitinhonha.
4.4.1 – Embasamento
No extremo leste, afloram os setores meridionais dos blocos Jequié (continuação da zona de charneira) e Itabuna-Salvador-Curaçá, não abrangidos pelos perfis deste trabalho. O Bloco Itabuna- Salvador-Curaçá é formado por granulitos tonalítico-trondhjemíticos e intrusões de monzonitos- monzodioritos, deformados e metamorfizados na fácies granulito. Subordinadamente, ocorrem rochas supracrustais granulitizadas (Barbosa 2003, Barbosa & Sabaté 2004, Barbosa et al. 2012).