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Disposing dynamic objects

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Acima do metadiamictito, nas vizinhanças de Encruzilhada, Belo Campo, Cândido Sales e Itambé, aflora uma sucessão de xistos correlacionada com o Grupo Macaúbas Superior (Gonçalves-Dias et al. 2016), e que foi cartografada como Complexo Jequitinhonha.

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O principal litotipo aflorante da unidade é um quartzo-muscovita-biotita xisto, frequentemente com sillimanita e cordierita, e rara granada (Figura 4.6c). Nas porções mais próximas ao núcleo cristalino do orógeno, em locais onde se encontra mais fresca, esta unidade passa a apresentar estrutura gnáissica. Em direção a Almenara, a sul de Encruzilhada, há um manto intempérico decamétrico e os afloramentos tornam-se escassos.

O xisto desta unidade é composto principalmente por biotita e quartzo, com menores proporções de muscovita e plagioclásio, e proporções variáveis de sillimanita, cordierita e granada. O litotipo possui granulação média e foliação penetrativa, dada principalmente pelos minerais micáceos. Biotita e muscovita ocorrem em cristais subédricos, estirados, sendo que a biotita é comumente mais desenvolvida. Sillimanita é quase onipresente, formando novelos sigmoidais de 0,3 a 1,5 cm de comprimento, principalmente nas porções pelíticas. Localmente intercalam-se lâminas e camadas de maior proporção de quartzo. Granada é rara e local, geralmente em cristais de aproximadamente 1 mm de diâmetro.

O metaturbidito é marcado principalmente pela variação vertical, gradacional a brusca, de proporções de quartzo e biotita (Figura 4.6d). As porções mais psamíticas variam de quartzito micáceo a puro, usualmente com opacos em proporções> 5% e formando lâminas de ~1-2 mm de espessura e, muito raramente, preservam estruturas sedimentares como estratificação cruzada tangencial de pequeno porte. As porções pelíticas intercalam-se na ordem milimétrica a centimétrica, sendo composta por biotita-muscovita xisto com porfiroblastos de sillimanita.

O paragnaisse é uma variação desse xisto (Figura 4.6e,f). Sua composição é a mesma, mas possui granulação média a grossa e um bandamento difuso a bem marcado, milimétrico a centimétrico, dado pela variação de bandas ricas em quartzo e plagioclásio e outras em biotita e muscovita. Nesta porção, embora ainda rara, a granada é mais frequente, em cristais pequenos de até 0,5 cm de diâmetro.

O quartzito é puro a micáceo, bem recristalizado, de granulação média a, localmente, grossa. É predominantemente puro, com raro opaco (<2%). No entanto, pode gradacionar para porções micáceas, com até 15% de biotita e muscovita. É intensamente deformado, não apresentando estruturas sedimentares.

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Figura 4.7 Sucessão estratigráfica no flanco leste da saliência do Rio Pardo. Grupo Macaúbas e correlatos. a) e b)

Metadiamictito basal com seixos angulares de composição quartzítica, pelítica e carbonática. c) Sillimanita- cordierita mica xisto. Detalhe para agregados ocelares de sillimanita. d) Metaturbidito rico em sillimanita nas porções pelíticas e porções quartzíticas localmente com estratificação cruzada preservada. e) Detalhe do Complexo Jequitinhonha na transição entre xisto e gnaisse, na foto um granada-cordieirta-sillimanita xisto. h) Paragnaisse do Complexo Jequitinhonha, com bandamento centimétrico e agregados ocelares de sillimanita. g) Biotita quartzito do Complexo Jequitinhonha.

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4.5 – GEOCRONOLOGIA

4.5.1 – Introdução

Em complemento à caracterização estratigráfica foram realizadas determinações geocronológicas em grãos detríticos de zircão extraídos das rochas metassedimentares com a finalidade estimar suas idades máximas de deposição, estabelecer e testar correlações e caracterizar sua proveniência sedimentar. Dez amostras foram coletas para este fim ao longo de vários pontos da saliência. A localização dos pontos de amostragem e a posição estratigráfica das amostras são mostrados nas Figuras 4.2 e 4.8, respectivamente. Os grãos de zircão analisados e os diagramas de probabilidade resultantes são mostrados nas figuras 4.9 a 4.11.

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4.5.2 – Métodos

Os cristais de zircão foram separados e datados nos Laboratórios de Preparação de Amostras e de Geoquímica Isotópica do DEGEO/EM/UFOP. Após a moagem, separação em bateia e por líquido denso, os grãos de zircão foram catados manualmente do concentrado de minerais pesados utilizando uma lupa binocular. Os cristais foram montados então sobre resina epóxi (Specifix) em uma pastilha de 25 mm de diâmetro. A pastilha foi polida para expor o centro dos grãos, e então imageados por catodoluminescência (CL) em um microscópio de varredura (MEV) modelo JEOL 6510.

As análises U-Pb das dez amostras foram feitas utilizando um equipamento LA–MC–ICP–MS (Multicollector, Neptune Thermo Scientific), e em um equipamento LA-SF-ICP-MS, (Sector Field ICP‑MS, Element 2 from ThermoFinnigan), acoplado a um sistema ultravioleta de laser CETAC 213 no DEGEO/EM/UFOP. As amostras 382, 465 e 504 foram analisadas no primeiro, e as amostras 216, 220, 228, 501, 648, 650 e 696 foram analisadas no segundo.

A aquisição consistiu em medidas do branco do gás de 20s, seguida por 40s de medida dos sinais de U, Th e Pb durante a ablação e 30s de lavagem. As amostras e padrões, assim como os suportes de amostra, foram limpos com ácido antes de serem analisados a pontos com diâmetro de 20 µm, 6–8 J/cm2

fluência e 10 Hz de taxa de repetição. As ablações foram feitas com o He como um gás carreador misturado com Ar antes da introdução para o ICP-MS. Os tempos de integração foram de 15 ms para

206Pb and 238U, 40 ms para 207Pb e 10 ms para 208Pb, 204Pb + 204Hg e 232Th. Os zircões utilizados como

padrões foram o GJ1 (608 ± 1 Ma, Jackson et al. 2004), o Plešovice (337 ± 1 Ma, Sláma et al. 2008), o BB (560 ± 1 Ma, Santos et al. 2017) e o 91500 (1065.4 ± 0.3 Ma, Wiedenbeck et al. 1995). O padrão primário, utilizado como material de referência e controle, e os padrões secundário e terciário, utilizados para controle de qualidade, variam de amostra para amostra.

As amostras 216, 228 e 501 foram feitas com o zircão GJ-1 como padrão primário e o Plešovice como padrão secundário. Em uma primeira rotina analisaram-se as amostras 216 e 228. Catorze análises do primeiro resultaram em uma idade 206Pb/238U 606 ± 7 Ma (MSWD = 0,75, probabilidade = 0,73) e

onze análises no segundo resultaram em uma idade 206Pb/238U 335 ± 2 Ma (MSWD = 0,72, probabilidade

= 0,70). Em uma segunda rotina, analisou-se a amostra 501, com o padrão GJ-1 resultando em 604 ± 1 Ma (MSWD = 0,90, probabilidade = 0,54) e o Plešovice em 337 ± 1 Ma (MSWD = 0,39, probabilidade = 0,97).

As amostas 220, 696, 648 e 650 foram analisadas com o BB como padrão primário, o GJ-1 como padrão secundário e o Plešovice como padrão terciário. As amostras 648 e 696 foram analisadas sob a mesma rotina, resultando nas respectivas idades 206Pb/238U para os padrões primário, secundário e

terciário: 564 ± 2 (MSWD = 0,85, probabilidade = 0,72), 604 ± 3 (MSWD = 0,095, probabilidade = 1,00), e 338 ± 2 Ma (MSWD = 0,051, probabilidade = 1,00). Em rotinas diferentes, na mesma ordem de

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idade dos padrões, obteve-se para a amostra 220: 563 ± 2 Ma (MSWD = 0,98, probabilidade = 0,47), 603 ± 3 (MSWD = 0,0044, probabilidade = 1,00), e 338 ± 2 (MSWD = 0,036, probabilidade = 1,00); e para a amostra 650: 566 ± 3 (MSWD = 0,46, probabilidade = 0,90), 605 ± 4 (MSWD = 0,09, probabilidade = 1,00) e 338 ± 2 (MSWD = 0,077, probabilidade = 1,00). A amostra 504 foi analisada com o padrão Plešovice como padrão primário, o BB como secundário e o GJ-1 como terciário. As respectivas idades 206Pb/238U resultantes foram: 337 ± 1 Ma (MSWD = 0,87, probabilidade = 0,70), 560

± 1 (MSWD = 1,09, probabilidade = 0,34) e 599 ± 1 (MSWD = 1,00, probabilidade = 0,46). A amostra

465 foi analisada tendo como padrão primário Plešovice, 91500 como secundário e GJ-1 como terciário,

resultando em idades 206Pb/238U em: 335 ± 1 Ma (MSWD = 0,98, probabilidade = 0,46), 207Pb/206Pb 1044

± 4 Ma (MSWD = 0,55, probabilidade = 0,77) e 206Pb/238U 602 ± 1 Ma (MSWD = 1,01, probabilidade

= 0,42).

Os critérios utilizados para exclusão de dados obtidos nas datações foram os seguintes: (1) 204Pb

em padrões elevados; (2) erros individuais das razões do par isotópico elevados; (3) discordâncias maiores que 5%; (4) baixa probabilidade no resultado; (5) idades isoladas de apenas um grão, sugerindo contaminação (esses casos, quando ocorrentes, são destacados nos resultados por amostra). Grãos mais velhos 1 Ga são analisados pela idade 206Pb/207Pb e mais jovens que 1 Ga pela razão 206Pb/238U. Os dados

foram tratados utilizando o software Isoplot/Ex (2003).

Os resultados das análises geocronológicas e histogramas para cada amostra são mostrados nos anexos II e III e resumidos na Tabela 4.1.

4.5.3 – Resultados

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