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Quatro fases de deformação são observadas na Saliência do Rio Pardo. D1 é ubíqua, com dupla

vergência: a primeira mostra um padrão centrífugo na linha de frente orogênica, com transporte tectônico dirigido ao cráton, e a segunda dirigida às porções internas do cráton. É responsável, em geral, pela transposição do acamamento em direção ao paralelismo com a foliação S1. A lineação de

estiramento L1 está majoritariamente no dip de S1. Essa fase é sin-cinemática em relação ao

metamorfismo Barroviano descrito no flanco oeste da saliência e datado em 560-575 Ma.

A fase deformacional D2 é responsável por uma clivagem de crenulação S2 coaxial com a

foliação S1, sendo interpretada como resultado de uma deformação sin-colisional progressiva. No

entanto, seu registro possui pequenas variações de região para região da saliência. No flanco oeste, ela é principalmente pós pico metamórfico Barroviano (pós-565 Ma), sem crescimento de assembleias minerais a ela associado. No setor de ápice da saliência, ela é comumente sin-metamorfismo colisional, datado em c. 562 Ma. Localmente no entanto, onde D2 não ocorre, D1 é associada com as assembleias

de pico.

A partir dessa análise, sugere-se que: o pico de metamorfismo sin-colsional foi ligeiramente mais tardio na porção mais setentrional do Orógeno Araçuaí, junto à charneira saliência do Rio Pardo. Nesta região, as fases D1 e D2 devem ter se desenvolvido em um intervalo de tempo muito curto, uma

vez as assembleias de pico são sin-D1 e sin-D2.

A fase de deformação D3, registrada apenas na região de ápice da saliência, ocorre em um

intervalo entre 560 Ma e 530 Ma, pós-pico metamórfico, uma vez que não é observado o crescimento de assembleias minerais relacionadas a esta fase.

O colapso do orógeno, responsável pelo afinamento crustal e elevação das isotermas, ocorre associado ao metamorfismo do tipo Buchan, datado em c. 530 Ma. A esta fase estão associadas as estruturas D4, como falhas e zonas de cisalhamento normais mesoscópicas a regionais (como a ZCCA,

a ZCT, e a reativação da ZCI), trens de dobras com vergência para o interior do orógeno, e uma foliação de crenulação pervasivamente rotacionada e com arraste normal da foliação S1 dentro dos micrólitons.

O flanco leste da Saliência do Rio Pardo compreende a região de alto grau metamórfico do orógeno. Nela, as assembleias são da fácies anfibolito alto a granulito, com presença de migmatização. Nas rochas supracrustais do Grupo Macaúbas e do Complexo Jequitinhonha, é possível observar quase

Peixoto, E.I.N., 2017. Arquitetura e evolução tectono-metamórfica da Saliência do Rio Pardo...

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sempre apenas uma foliação, relacionada à fase D1. Devido à ocorrência esparsa e rara da clivagem de

crenulação S2, não é possível determinar sua distribuição regional. Apesar da forte presença da

deformação S1, a determinação do tempo de pico metamórfico (com fusão e migmatização), se sin- ou

pós-colisional, é incerta. No M-Domínio IV, por exemplo, próximo à borda cratônica, ocorre a presença de cianita (possível indicadora de metamorfismo Barroviano) sin-cinemática a D1. No entanto, filmes

de fusão, que só costumam se preservar na ausência de deformação, são abundantes e podem indicar migmatização pós-colisional. Adicionalmente, as condições P-T do M-Domínio V não indicam aumento de P e T a partir do metamorfismo Barroviano, mas sim condições de pressão do metamorfismo tipo Buchan ou ligeiramente maiores.

Isso indica duas situações mais prováveis para a trajetória do metamorfismo no M-Domínio IV (próximo à borda cratônica) do flanco leste: (a) o metamorfismo gravado na região pode ter se desenvolvido em um estágio de descompressão (pós pico de pressão Barroviana) às mesmas condições de temperatura (ou ligeiro aumento), o que levaria as rochas ao campo de fusão (por descompressão); (b) podem ter ocorrido duas etapas de metamorfismo, uma de pressão intermediária sin-colisional (isotermas Barrovianas) e uma de pressão baixa pós-colisional (isotermas tipo Buchan), sendo a segunda responsável pela migmatização. O M-Domínio V, que abrange basicamente o Complexo Jequitinhonha, e cujas condições P-T não seguem isotermas de metamorfismo Barroviano, pode resultar das seguintes possibilidades: (a) as mesmas do M-Domínio IV, mas com as condições de metamorfismo Barroviano resetadas; ou (b) registrar em uma progressão do metamorfismo pós-colisional (que segue as isotermas do tipo Buchan). O estudo detalhados por modelamento metamórfico e geocronológico, bem como da determinação estratigráfica precisa do Complexo Jequitinhonha, podem responder essas questões.

O desenvolvimento da Saliência do Rio Pardo deu-se por processos que podem ser comparados aos cinturão de dobras e empurrões Outer Western Carpathians, na Polônia (Swaniawski et al. 2017). Nesse cinturão, a forma da saliência é controlada por diferenças na espessura e do ambiente paleotectônico da bacia sedimentar. Neste caso, a bacia extensional precursora foi dominada por um sistema de falhas extensionais. Assim, as falhas normais mestras nesses sistema possuiriam direção NW- SE mergulhando para SW, controlando m-grábens segmentados por falhas de transferência de direção aproximada NE-SW. Durante o fechamento da bacia, a herança da arquitetura da bacia extensional controlou o modo como o encurtamento foi acomodado. As porções localizadas a uma certa distância das falhas de transferência NE-SW experimentaram um encurtamento paralelo à direção do transporte tectônico (i.e. NE), em rampas frontais. Por outro lado, rampas oblíquas laterais foram desenvolvidas nos locais das falhas de transferência sin-sedimentar em regime de transpressão. Esse cenário é muito semelhante principalmente à região de charneira da saliência.

Segundo a classificação proposta por Marshak (2004), a Saliência do Rio Pardo configura-se em uma curvatura epidérmica essencialmente irrotacional (primitiva), controlada pela bacia, porém com uma acentuação tectônica em seus estágios finais de desenvolvimento. O seu ponto de ápice está

Contribuição às Ciências da Terra

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próximo à cidade de Cordeiros e sua linha mediana situa-se próxima à direção do Aulacógeno do Paramirim. Seus flancos são representados pelo cinturão de dobras e empurrões da Serra do Espinhaço e pela Zona de Cisalhamento de Itapebi. Sua geometria é assimétrica e irregular e os padrões de linhas dentro da saliência são relativamente paralelos. Internamente, seu desenvolvimento dá-se por uma cunha de dupla vergência. Seu preenchimento engloba essencialmente unidades da Bacia Macaúbas.

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