III ABCD ADD Mnemonic ADDA
DATA ORGANIZATION AND ADDRESSING CAPABILITIES
3.4.3.3 Program Counter Indirect with Index (Base Displacement)
Há quase três décadas, quando lançou o livro Universidade e comunicação da
edificação da sociedade, Kunsch (1992) revelou a falta de uma conscientização por parte das
universidades brasileiras para a importância de um sistema planejado de comunicação integrada capaz de difundir eficazmente a produção científica. Na ocasião ela fez um alerta para a necessidade de as instituições canalizarem suas potencialidades no sentido de levar suas ações à comunidade, com divulgação das pesquisas, debates e discussões da ciência em suas mais diversas áreas. A comunicação seria o caminho mais viável para o entrosamento da universidade com os seus mais diversos públicos, com um sistema planejado capaz de difundir de forma eficiente e eficaz a produção científica.
As universidades em geral não possuem uma política clara em relação à difusão de sua produção científica; a de que somente algumas universidades brasileiras têm a preocupação de investir na produção científica; e a de que existem universidades trabalhos parciais de comunicação organizacional, faltando para esta um sistema integrado na sua estrutura (KUNSCH, 1992, p. 10).
Ao justificar a importância do papel da universidade para a sociedade, a autora lança mão da temporalidade: o passado, com a preservação da memória; o presente, com a geração de novos conhecimentos e a formação profissional; e o futuro, funcionando como vanguarda (KUNSCH, 1992). Já naquela época a autora considerava inadmissível o isolamento da universidade num feudo, considerando que uma instituição que produz saber deveria marcar presença na coletividade, com suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, e que está aberta à sociedade é uma de suas responsabilidades sociais a ser exercida.
Essa explanação inicial do tópico é para mostrar que a preocupação com a comunicação nas universidades brasileiras não é recente. É verdade que houve avanços significativos nas últimas três décadas, mas longe ainda de uma comunicação ideal no meio universitário. A diversidade encontrada na estrutura das instituições federais de ensino superior é proporcional ao sistema de comunicação exercido por cada uma das 63 universidades federais espalhadas pelo país. A constatação foi apresentada recentemente na pesquisa de mestrado Gestão da comunicação das universidades federais: mapeamento das
ações e omissões, defendida por Cristiano Alvarenga Alves, em 2015, na Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). O estudo foi feito junto a 59 das 63 universidades federais existentes no Brasil até 2013.
O objetivo da pesquisa foi verificar a gestão da comunicação a partir do planejamento e de políticas de comunicação de forma transparente e acessível. O trabalho levou em consideração as particularidades de cada instituição, verificando-se a existência de um plano de comunicação, bem como a estrutura para o desenvolvimento da atividade. O resultado apontou carências no que tange à comunicação nas universidades federais e que a ausência de política de comunicação e/ou plano de comunicação dificulta a gestão de um setor que precisa ainda ser valorizado com investimentos, ampliação e qualificação da sua equipe.
A inexistência de política de comunicação representa um grande entrave para promover as atividades com excelência. Este cenário é considerado ainda mais preocupante ao considerar que a comunicação deve integrar com outros setores da instituição (ALVES, 2015, p. 18).
O dado mais relevante é a constatação de que mais de 80% das universidades possuem carência de política de comunicação, apontando dessa forma para a necessidade de implantação. Na época, em 2013, apenas 3, das 59 universidades pesquisadas, afirmaram a existência de uma política de comunicação institucional (ALVES, 2015, p. 92). Outro dado preocupante é que o plano de comunicação quase não é mencionado nos documentos de gestão das universidades (PDI e Autoavaliação), e que o setor de comunicação está ligado à reitoria, embora receba diversas nomenclaturas, como por exemplo, assessoria de imprensa, coordenação, diretoria, superintendência e gerência de comunicação social (ALVES, 2015, p. 108). A pesquisa atentou para uma “necessidade de aprimoramento e implantação de política e planos de comunicação que considerem o contexto histórico e de atuação de cada universidade” (ALVES, 2015, p. 140).
Mais recentemente, o assunto “Política Institucional de Comunicação” foi discutido como tema principal do 2º Encontro do Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (COGECOM)21, realizado no mês de agosto de 2017 nas
dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o que mostra a preocupação dos gestores com o andamento da comunicação no âmbito das universidades. Durante o evento foi criada uma comissão para fazer um levantamento e, posteriormente, a apresentação de um documento com a realidade das universidades federais do país no que se refere à normatização de uma política de comunicação institucional integrada. O documento
21O Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (COGECOM) foi criado em 2016, com o
objetivo de assessorar a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) na área de comunicação das IFES.
deverá ser apresentado na terceira edição do evento, previsto para acontecer no mês de agosto de 2018.
Em primeira mão a pesquisa teve acesso aos dados já coletados junto a 49 das 63 universidades federais que se propuseram a subsidiar o documento, que irá mostrar de forma minuciosa a situação de cada universidade participante. Aqui, os resultados no que se refere à criação da política de comunicação. Os dados foram coletados no período de 15 de setembro a 15 de novembro de 2017, tendo o questionário sido enviado para todas as 63 universidades espalhadas no país, sendo que 14, a maioria da Região Norte, ignoraram a solicitação da Comissão do COGECOM.
Das 49 instituições participantes, 23 universidades (47%) responderam que não implantaram e não estão elaborando a politica de comunicação. Já 25 (51%) afirmaram que a universidade está em fase de elaboração/implantação da política de comunicação. Na época da coleta dos dados, apenas 1 (2%), a Universidade Federal de Santa Catarina, respondeu já possuir uma política de comunicação implantada. A Comissão observou ainda uma discrepância entre as universidades no que se refere à elaboração e implantação da política de comunicação.
Um dado interessante e que chama atenção no levantamento realizado pela Comissão do COGECOM é que a grande maioria das universidades pesquisadas, apesar de não possuir a política de comunicação, dispõe de outros documentos normativos. Os que mais aparecem são manuais de eventos/cerimonial, diretrizes de comunicação, plano de comunicação, carta de serviços, manual de redação, manual de redes sociais e manual de identidade visual.
Por ser um processo dinâmico, provavelmente, algumas das 11 universidades que afirmaram, na época da coleta dos dados, estar em fase final na elaboração da política de comunicação já as tenham concluído e as implantado – como é o caso da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Ceará (UFC) e da UFRN – o que aumenta o número de instituições com a política de comunicação em vigor.
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