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4.3 Les colis de stockage de combustibles usés

4.3.2 Principes de conception retenus .1 Choix des options techniques .1Choix des options techniques

Destaque-se o papel de Dalcroze, por ter sido um dos primeiros a “revirar” a pedagogia da música, com a ênfase no movimento ligado ao som e à música, tendo influenciado fortemente muitos que vieram posteriormente. Para se compreender a importância de Dalcroze, é preciso ter presente o papel que ele desempenhou na sociedade do seu tempo e quais os problemas que enfrentou com a sua teoria de educação musical.35

É importante abordar Dalcroze a partir de dois aspectos – a proposta inicial, publicada nos primeiros anos do século XX, e a sua adaptação nos dias de hoje por Marie- Laure Bachmann36.Muito da filosofia pedagógica de Dalcroze está presente no livro de Marie- Laure Bachmann (1998). Seguindo os ensinamentos daquele pedagogo musical, Bachmann intuiu que, para se obter uma boa execução instrumental e uma perceção sonora mais apurada eram necessários bons reflexos, reações rápidas aos estímulos como a regência, além de uma boa resistência física. Assim, estimular a prática corporal como meio facilitador para a aprendizagem musical, resolveria questões práticas da execução, treinando as capacidades motoras e as suas conexões mentais, antes mesmo da execução sonora.

“O instrumento musical por excelência é o corpo humano inteiro, ele é mais capaz, do que qualquer outro, de interpretar os sons em todos os seus níveis

de duração.” 37 (Bachmann, 1998: 37, tradução da autora).

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A sociedade, no início do século XX, apresentava necessidades diferentes das conhecidas até então. As escolas tinham de se adaptar rapidamente para receber os filhos de operários, como resultado da crescente urbanização causada pelas grandes mudanças económico-sociais da época.

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Marie- Laure Bachmann é professora licenciada no Instituto Dalcroze, fundado em 1915. 37

Recorde-se que o modelo de ensino na época, (séc. XIX) baseava-se no entendimento racional da música, fixando-se na compreensão intelectual dos fenómenos musicais e nas técnicas de execução, e não nos componentes afectivos ou motores do aluno. O sistema de Educação Musical criado por Dalcroze, ao qual chamou de “Rytmique” (Rítmica na tradução portuguesa), foi desenvolvida como uma pedagogia fundamentada no movimento do corpo (sensorialidade), no ouvido (sensibilidade) e na mente.

“Quanto ao espírito, tanto evocamos os sentimentos, que seriam movimentos da alma, como nos referimos à mobilidade do pensamento, que também é

movimento, e susceptível de ser movido”(...).38 (Bachmann, 1998: 24, tradução

da autora.)

Dalcroze defendia que “o corpo desempenharia por si mesmo o papel de intermediário entre o som e a mente e se converteria no instrumento directo de nossos sentimentos” (Bachmann, 1998: 25). A maneira encontrada por ele para realizar esta união entre o movimento e a música foi o uso do ritmo. Dalcroze acreditava que o ritmo era a ordem do movimento39. Para Dalcroze (Bachmann, 1998: 24), somente o ritmo poderia desempenhar este papel, porque:

“(...) consiste em movimentos e interrupções de movimentos e caracteriza- se pela continuação e repetição; o ritmo é a base de todas as manifestações vitais, desde as mais evoluídas até às mais elementares.”

Na sua época, o trabalho de Dalcroze foi considerado de vanguarda, e esta tentativa encontrava alguma resistência por parte dos opositores, que não aceitavam que a

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Texto original:” (…) En cuanto al espíritu, ya evoquemos los sentimientos, que serían movimientos del alma, o nos referimos a la movilidad del pensamiento, también es movimiento, y susceptible de ser movido (...).”

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É preciso que se entenda que, ao falar do ritmo, Dalcroze não se limita ao ritmo musical, como organização das durações dos sons da música, mas o compreende num sentido muito mais amplo,

presente em todas as manifestações de vida, na terra, nos fenómenos naturais e no cosmos, nas manifestações culturais de qualquer natureza, na arte e, especificamente, na música.

educação musical pudesse ser desenvolvida a partir de actividades corporais, principalmente porque estas não eram usuais nas escolas de música, Conservatórios, ou ainda, em actividades que envolvessem o público em geral, mas destinadas apenas a artistas e dançarinos. Segundo Fonterrada (2005: 113), Dalcroze “era combatido no meio musical pelas suas ideias revolucionárias, o que o levou a querer reafirmar o que descobria a partir de suas intuições, por meio de argumentos sólidos e do trabalho experimental que desenvolvia com seus alunos”. Apesar disso, ele continuou a investigar o tema da reforma do ensino da música ao longo da sua vida. Para o educador,

“(...) quanto mais vasta e variada for a experiência física da criança, maior será também o número de facetas, por assim dizer, em que se reflectirá a sua imaginação infantil. O resultado será, além de um excelente desenvolvimento físico, um refinamento da inteligência. É a inteligência que lhe permitirá tirar

proveito da experiência.”40 (Bachmann, 1998: 20, tradução da autora).

Assim sendo, a imitação, o movimento corporal, bem como a aprendizagem auditiva do ritmo, da melodia, da harmonia e do timbre, são outros dos aspetos considerados fundamentais para o desenvolvimento musical do aluno. A aprendizagem com base na imitação e autodescoberta é particularmente característica em contextos de improvisação. Funda-se na prática de “tirar de ouvido” solos gravados em áudio para posterior trabalho de imitação, reprodução e recriação. De acordo com Nettl (2001: 96) esta técnica de aprendizagem é ainda tradicionalmente utilizada por uma grande parte dos músicos de civilizações Orientais, neste caso através da imitação do professor ou de outros mestres.

Existem diversos manuais para piano, baseados neste tipo de metodologia. Entre outros, Michiko Yurko “Music Theory for children” (1979); Carolet Bigler Valery Lloyd- Waltz “Studying Suzuki for Piano” um manual para professores, pais e estudantes (1979);

40

Texto original:“ (…) cuanta más vasta y variada sea la experiencia física del niño, mayor será también el número de facetas, por así decirlo, en que se reflejará su imaginación infantil. El resultado será, aparte de un excelente desarrollo físico, un refinamiento de la inteligencia. Es la inteligencia la que le permitirá sacar provecho de la experiencia.”

de Madeleine Carabo-Cone “A Sensory- Motor Approach to Musiclearning”; Helen Marlais “Succeeding the Piano“ (2010), um método para todos. Alguns manuais de piano, são editados com CD, nomeadamente o mais recente são de Christopher Norton ”American Popular Piano” - Skills, Repertoire, studies (2006), que serve para acompanhar qualquer método; Robert M. Abramson “Rhythm Games for Perception & Cognition”. É de fazer notar no entanto que, ainda que não constitua intenção do seu autor, a aprendizagem envolvida através destes materiais facilmente se pode traduzir num puro exercício de reprodução, sobretudo quando dela resultam práticas excessivas de “copiar” solos gravados.

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