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monovalent anions concentration(mol/l)

PREPARATION OF PATTERNED SURFACES AND MICROSPHERES USING RADIATION PROCESSING TECHNIQUES

8. PREPARATION OF PATTERNED SURFACES

Uma vez que os saberes no mundo contemporâneo não se constróem em busca de respostas universais para perguntas generalizadas e que os questionamentos mais pluralizados eclodem, as respostas, por sua vez, se fazem mais pluralizadas também, os saberes do mundo se mostram múltiplos na construção dos indivíduos.

Sendo assim, os espaços de educação sistematizada, inclusive as universidades, passam a tratar com essa nova configuração da organização do conhecimento. E esse é um desafio.

Diante dessa lógica, trago o quarto relato impressionista da minha experiência na UL - Nancy, destacando uma situação que nos ajuda a pensar sobre a interação entre conhecimentos, saberes, ciências, como uma experiência social, que nos forma como humanos, e não apenas como uma experiência curricular e acadêmica que nos forma como profissionais.

Certa vez, fui para 2 conversações em inglês, para fazer as observações e depois da primeira aula, fiquei me perguntando se, de fato, estavam valendo a pena aquelas horas. Mesmo assim, resolvi ficar para a segunda aula, e que bom! Apareceu um estudante novo, um professor de uma escola pública de educação especial. Ele tinha bem mais idade do que todos nós e nos contou um pouco sobre os grandes desafios de dar aula numa escola de educação especial e disse que se pudesse ser algo a mais (profissionalmente), gostaria de ser uma estrela do rock! A revelação jovial e inusitada nos fez conversar um pouco mais sobre música e sobre a nossa relação com ela. No meio da conversa, uma jovem chamada Jerô, contou que se pudesse voltar atrás, gostaria de ter estudado música e de saber tocar piano. Ela contou que nem as escolas onde estudou, nem a universidade em que estuda hoje, puderam ser espaços para que ela pudesse também aprender a música e o piano. Jerô, que já passou por

falta dessa oportunidade a responsável por ela perder seu caminho profissional na vida. Forte… Mas isso tudo foi extremamente rico para que eu pudesse refletir sobre o quanto as pessoas são complexas em seus gostos, interesses e habilidades. Ah, o ser humano é muito plural! E as instituições de educação, como lidam com isso? E a Universidade, o quão universal ela é?... Bom, devaneios filosóficos necessários. Ainda bem que fiquei para a aula!

Os humanos, exatamente por serem constituídos como indivíduos através da interação com outros semelhantes, são seres essencialmente, naturalmente e, inclusive, biologicamente plurais; e essa pluralidade não se divide em nichos separados num único ser. Como partes de um corpo, os diversos interesses, as diversas características e habilidades, são diferentes entre si e exercem diferentes funções na vida de cada indivíduo, mas constituem um único ser humano, em suas lacunas e incompletudes. De forma semelhante, o conjunto de conhecimento, que é produzido por esse ser humano plural em relação a um mundo também plural, é complexo e vem tendo essa propriedade cada vez mais evidenciada no mundo atual.

Ao longo do desenvolvimento dos contextos no século XXI, a globalização e todas as suas características vem sendo cada vez mais influente na organização da economia, da sociedade, das vidas e dos pensamentos. Dessa forma, a educação e o próprio valor do conhecimento ganham destaque como pontos fundamentais e instrumentais para ao desenvolvimento nacional, dentro das prerrogativas econômicas e sociopolíticas (BARBALHO; CASTRO, 2010).

Nessa perspectiva, o capitalismo se reorganiza de maneira flexível e o mercado passa a exigir habilidades mais multifacetadas de seus trabalhadores, e assim muitos currículos de escolas e universidades sofreram influências dessas concepções (PIRES, 1998). Desde a década de 1970, por exemplo, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) incentiva “[...] a interação existente entre duas ou mais disciplinas” (FAZENDA, 2008, p. 94)nos currículos, ou seja, incentivam a, assim definida, interdisciplinaridade.

Essa noção interdisciplinar, por sua vez, não foi uma concepção que nasceu recentemente, muito pelo contrário. No início da idade moderna, quando os pensadores passaram a pesquisar, num trabalho coletivo e complementar, as bases interdisciplinares já foram surgindo. Durante o século XIX, porém, com o avanço das

especializações produzidas pela própria ciência, essa noção interdisciplinar do conhecimento ficou um pouco encoberta e só voltou a emergir na segunda metade do século XX, diante do contexto global (CARNEIRO, 1994) cibernético e informacional, em que as linguagens e comunicações saltam às vidas das pessoas, que não estando isoladas, envolvem-se numa “[...] textura de relações mais complexa e mais móvel do que nunca” (LYOTARD, 1986, p. 28).

Essa busca interdisciplinar do saber, por sua vez, reflete a própria necessidade humana de compreender as coisas no mundo e seu próprio sentido, a fim de decidir e mesmo atuar a partir das condições, visando, inclusive, a transformação. A grandiosidade interativa dos fenômenos da realidade, afinal, ultrapassam as barreiras do conhecimento setorizado(CARNEIRO, 1994).

Em consonância com esse pensamento, nasce a corrente filosófica e científica da Complexidade, encabeçada, fortemente, por Edgar Morin, o qual propõe, inclusive, uma reforma do pensamento na educação. Essa reforma compreende, inicialmente, essa questão basal da necessidade humana transbordar a barreira das “disciplinas do conhecimento” e projeta, a partir disso, uma “[...] nova forma de pensar, na qual a comunicação, a subjetividade e a reflexividade possam ser as marcas distintivas” (SILVA, 2015, p.380).

Por esse ângulo, importa perceber a crítica do autor diante da empreitada desenvolvimentista dos países na era da globalização, uma vez que este compreende que a racionalidade instrumental adotada nesta era não consegue suprir as necessidades humanas mais essenciais acerca do conhecimento, nem, simplesmente, as necessidades atuais da sociedade contemporânea (SILVA, 2015, p. 380).

Morin, portanto, a partir da inserção de elementos interpretativos como a comunicação, a subjetividade, a reflexividade e também a indispensável pluralidade humana para pensar a compreensão e construção do mundo, nos clareia uma importante perspectiva sobre o saber e sua elaboração, a perspectiva da complexidade do mundo.

Nessa perspectiva, surge também a noção de transdisciplinaridade, que acrescenta às noções mais práticas e curriculares de interdisciplinaridade a ideia de

objeto, subjetividade e objetividade [...] unidade e diversidade” (SANTOS, 2008, p. 75).

Assim, a transdisciplinaridade reconhece a existência de diferentes níveis de realidades, com diferentes lógicas e que não se anulam ou se sobrepõem impositivamente, mas sim compreendem que há possibilidade de abertura entre essas diversas realidade, entre as diversas disciplinas, em função de algo que as une e as ultrapassa (Freitas; Morin; Nicolescu, 1994).

E unindo elementos dessas noções mais curriculares ou filosóficas de interdisciplinaridade, complexidade e transdisciplinaridade, queremos construir um escopo teórico que sustente as nossas interpretações de um entendimento mais sociológico sobre como como o estudante percebe essa mescla de saberes e visões de mundo.

Com outras palavras, para além do que está sugerido em currículos ou que esteja explícito em filosofias pedagógicas conscientes, buscamos entender, a partir desse “trampolim teórico”, a “interdisciplinaridade” como uma experiência social autônoma diante das prerrogativas curriculares.

Pensamos, portanto, na possibilidade de se entendermos essas questões a partir de um noção de “interciencialidade”. Em que “ciência” pudesse ser sinônimo de “conhecimento de” e de “habilidade para” e que o prefixo “inter” possa indicar a reciprocidade, relação mútua e também os espaços criativos entre os conhecimentos e habilidades. Nesses espaços de interciência nasce o novo, o inventivo, o criativo. E por causa desses espaços é que um conhecimento se engrandece com o outro e que uma habilidade se aperfeiçoa e pluraliza junto com outra.

E é nesse sentido do que acontece, de forma sistemática ou não, na vivência fluida dos indivíduos, corroborando para o encontro de ciências através do encontro de pessoas, que a experiência “[...] se acende, e logo em seguida desvanece [...] Enquanto [...] novas experiências surgem a partir daquilo que era antigo, e então dá lugar a algo ainda mais novo” (SCHUTZ, 2012, p. 74).

Assim, as experiências que propomos chamar de “interciênciais”, são construídas, vivenciadas e reconstruídas como uma elaboração dinâmica, fluida, dialógica e autônoma dos estudantes diante do fértil meio universitário de apreensão e produção de saber.

Diante de todas as ideias balizadoras para a discussão sobre como os estudantes de Pedagogia da UFRN percebem a influência da socialização com pessoas de outras áreas em seus percursos universitários, percebemos elementos imprescindíveis na jornada de exploração dessa temática. Destacamos aspectos para perceber que esses estudantes são, antes de tudo, seres humanos construídos por suas interações com os outros e que a socialização, sempre constante, seja primária, secundária ou ressocialização são fundamentais para jornada de vida particular e social. Notamos ainda que um espaço onde a socialização se reconfigura e se refaz, em diferentes etapas de aprofundamento (do estranhamento, passando pela aprendizagem até a afiliação) é a Universidade; a qual também possui peculiaridades que delineiam essas socializações dentro do seu meio ambiente. Esse espaço característico das universidades, por sua vez, também precisa ser atento ao mundo exterior e atender às demandas do mundo globalizado e capitalista; assim, o ensino superior brasileiro buscou respostas para as exigências globais diante das possibilidades históricas e sociais do país através de um crescimento significativo das instituições de educação superior privadas. Não obstante, num movimento de conservadorismo e vanguarda, não apenas às condições econômicas do capital serve a Universidade, mas também para ser espaço dialógico e criativo entre diferentes conhecimentos e habilidades, ser refúgio de experiências “intercienciais”.

3. UM PERCURSO METODOLÓGICO CRIATIVO E SEUS DADOS