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AFFINITY PATTERNING OF BIOMATERIALS USING PLASMA GAS DISCHARGE

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AFFINITY PATTERNING OF BIOMATERIALS USING PLASMA GAS DISCHARGE

O uso da observação participantes para compreender a lógica universitária, para além dos dados já apresentados no questionário e, até mesmo, para além da minha própria vivência pessoal, mostrou-se importante meio para que eu pudesse entender melhor o grupo real de estudantes que se apresentaram no primeiro contato com o campo.

Então, como uma retrospectiva dos elementos mais basais da socialização universitária e impulsionadora de compreensões mais sutís e originais, a observação participante me foi muito proveitosa, especialmente no sentido da experiência vivida pelos estudantes,durante minha estadia na UL-Université de Lorraine, em Nancy.

O relato impressionista a seguir, de uma estudante brasileira em uma universidade europeia, revela uma atmosfera com um conjunto de novos sentimentos que propiciaram as minhas reflexões, inevitavelmente comparativas, sobre as sensações características, distintas e semelhantes simultaneamente, que as condições do espaço imprimem no espírito dos estudantes universitários.

Foi, de certa forma, marcante chegar na UL e começar a descobrir seus espaços. Inicialmente ia somente para as aulas, os encontros e o que era necessário. Mas, especialmente, nos dias que as aulas acabavam cedo ou quando tinha que esperar algumas horas entre uma aula e outra,

deixava ver o mundo. Poética e fisicamente, o espaço da biblioteca me acolheu e lá eu costumava sentar nas cadeiras que me deixassem ver as paredes de vidro do espaço. Delas eu podia ver todo o movimento por fora. Às vezes via alguém conhecido, sempre acompanhava as pequenas mudanças das roupas nos dias de inverno e às vezes me questionava como algumas pessoas conseguiam usar algumas roupas tão leves no frio. Via as fumaças de cigarro, os momentos mais movimentados do campus, o céu azul ou bem nublado, o vazio ou os vários estudantes. Por dentro, também via em outras mesas alguns grupos estudando, gente comendo e aproveitando o quentinho. Ali, aquecida por tantos livros ao redor, bem acomodada diante do novo mundo universitário que passava na minha frente, chorei escrevendo cartas de despedida, dei uma entrevista sobre violência (com direito à indicação de livros) pra uma jovem estudante de psicologia, mas o mais incrível… foi que ali, naquela biblioteca (em cuja porta os fumantes me faziam o desagradável favor de ficar), ali o teclado do meu computador teve a agradável experiência de ser freneticamente usado para registrar minhas observações das aulas, meus devaneios sobre o que as paredes de vidro da vida me permitiam ver… pensei sobre a minha própria vida, minha trajetória (já não tão insignificante), sobre universos e tudo mais. A biblioteca me acolheu para que eu pudesse ler o mundo e escrever os versos que a vida escrevia em mim.

A busca por um olhar atento, investigativo e, especialmente, sensível, por entender que a partir dele novas percepções se mostrariam, foi o que me fez dar tamanha importância à observação participante. Assim, depois da experiência de aplicação e análise dos questionários me pus à disposição da busca e descoberta de mais informações e achados que já apareciam possíveis, mas ainda encobertos.

Portanto, antes mesmo de realizar as entrevistas decorrentes do questionário, era importante ir em busca de elementos mais fundantes da experiência universitária e das experiências de interação entre pessoas de diferentes campos de saber no ambiente universitário, afinal essa é a inquietude de fundo da pesquisa. Essa busca,

por sua vez, poderia e precisaria ser para além dos livros. Com o rigor da ciência e com as possibilidades que apenas a vivência pode dar.

Nesse sentido, encaminhamos um breve intercâmbio acadêmico para a cidade de Nancy, ao nordeste da França. Essa vivência foi pautada na troca de conhecimentos teóricos e metodológicos acerca da pesquisa em socialização universitária, visando ampliar os estudos sobre o ensino-aprendizagem no ensino superior: perspectiva comparativa França - Brasil.

Durante um período de dois meses, janeiro e fevereiro de 2019, fui coorientada pelo professor Saeed Paivandi, pesquisador com vasta produção nacional (francesa) e internacional acerca da sociologia do ensino superior e das relações de ensino-aprendizagem na universidade e socialização universitária. As atividades foram guiadas por um plano de trabalho7 formulado, inicialmente, no

Brasil, mas reorganizado pelas vivências possíveis na França.

Durante o intercâmbio, efetivamente, participei de orientações com o professor Saeed; frequentei aulas e seminários nas turmas de M1 e M2, isto é, nas turmas do primeiro e segundo ano de mestrado. Essas turmas, por sua vez, têm características diferentes do que conhecemos como mestrado acadêmico no Brasil. No primeiro ano, ou M1, os estudantes devem escolher uma temática e produzir um texto cuja exigência assemelha-se aos trabalhos de conclusão de curso (TCC), aqui no Brasil. Já no segundo ano, ou M2, o trabalho implica um pouco mais de investigação do estudante e, apesar de não haver nenhuma exigência que implique na continuidade do trabalho já realizado no M1, a exigência assemelha-se àquela feita às dissertações de mestrado no Brasil, com a diferença temporal para produção do texto final (1 ano na experiência da UL, França, e 2 anos na experiência da UFRN, Brasil).

Além disso, também participei de aulas de conversação em francês (com alunos estrangeiros), em inglês e em espanhol (com alunos franceses); realizei visitas a espaços de vivência estudantil extracurricular e fiz entrevistas informais com os professores coordenadores dos centros; assisti aulas na graduação; realizei entrevistas informais com estudantes da graduação, presencialmente e por e-mail; fiz breves visitas a outras universidades; e participei de encontros com os estudantes

de mestrado e doutorado do professor Paivandi, apresentando a minha própria pesquisa, recebendo sugestões e explicações e também fazendo colaborações nas pesquisas dos demais estudantes do grupo; além de ter feito a leitura e fichamento de diversos textos indicados pelo professor.

Avalio que as semanas cheias ao longo dos dois meses foram de importância singular e especial para o meu crescimento pessoal, acadêmico e profissional.

Dentro da trajetória da pesquisa, entendemos essa experiência de intercâmbio com novos mundos, novos olhares, como a possibilidade de um significativo salto qualitativo no desenvolvimento do trabalho. O papel de estudante foi completamente dividido com papel de pesquisadora ao longo dos meses. A vivência também foi uma experiência etnográfica e, por que não, timidamente, etnometodológica.

Afinal, a “O objetivo da etnometodologia é a busca empírica dos métodos que os indivíduos utilizam para dar sentido e, ao mesmo tempo, construir suas ações cotidianas” (COULON, 1995). E desse modo, procurávamos com o estímulo ao espírito investigativo ao longo das vivências, compreender as particularidades e, especialmente, as generalidades dos modos operativos dos estudantes no meio ambiente universitário.

Assim, apesar da experiência não ter sido longa, e portanto, não poder ser caracterizada como uma substancial observação participante (VALLADARES, 2007), foi regada por relevantes elementos etnográficos. O primeiro passo, de “Tomar uma distância daquilo que constitui seu ‘eu’” (AGIER, 2015, p.19) foi fortemente proporcionado pela vivência universitária fora da minha própria universidade e do meu país. O olhar de estranhamento foi aguçado e explorado por mim em meus dias na UL.

Além disso, a postura etnográfica adotada desde o início da viagem, de além de comparar e enxergar as dissonâncias, “[...] aproximar, fazer dialogar, mostrar o que existe de comum nesse mundo de diferenças” (AGIER, 2015, p. 10) foi de extrema importância para que esse intercâmbio nos pudesse ser coerentes dentro de nosso trabalho.

As interações com os estudantes, as entrevistas não formais e o pouco esforço para obter informações que, aos poucos, surgiam nas conversas foram

também evidências do uso de elementos fundamentais da observação participante (VALLADARES, 2007). Mas, acima de tudo, as fotos, as mensagens e momentos de despedida de despedida e as amizades que permaneceram, foram elos tão importantes quanto os aprendizados e demonstram que o caráter investigativo da viagem foi bem aproveitado, afinal, “‘Fazer pesquisa de campo’ é estabelecer relações pessoais com quem não conhecemos anteriormente, [...] [pois] [...] não há saber sem relações” (AGIER, 2015, p. 34).

Desse modo, para além das peculiaridades de cada aula, de cada experiência específica, o intercâmbio, de forma geral, nos ajudou a clarificar e aprofundar princípios muito importantes sobre a realidade da experiência universitária. Possibilitando-nos uma segunda leitura da realidade, de problematização do saber construído na pesquisa, empírica e teoricamente (KAUFMANN, 2013).

Em primeiro lugar, as nossas experiências corroboraram a compreensão da questão de entrada e de adaptação à nova cultura universitária. Como estudante já tão adaptada com a cultura universitária, me senti estrangeira não apenas em um outro país, mas também em outra universidade. Não que a UL tenha mecanismos completamente diferentes dos já experimentados na UFRN, mas os saberes institucionais gerais não eram o suficiente. Os estudantes que ali “habitavam”, eram muito diversos, eram gregários de um modo de operação, ao fundo, distinto.

Acerca disso, Coulon (2008, p. 43) aponta que os estudantes precisam tornar- se nativos e também membros dessa nova cultura universitária, por uma questão de sobrevivência acadêmica. Mas ressalva que

“Tornar-se membro, não é apenas tornar-se nativo da organização universitária, é também ser capaz de mostrar aos outros que agora possuímos as competências, que possuímos os etnométodos de uma cultura”.

Para que isso ocorra, o autor ainda aponta que o tempo é um fator primordial e elenca três grandes períodos, o tempo de estranhamento, tempo de aprendizagem e tempo de afiliação (COULON, 1997).

Pudemos verificar isso, ou parte disso, na prática e ainda pudemos perceber que a segurança estudantil para uma ação autônoma dentro do ambiente universitário é proveniente, em boa parte, dessa afiliação ao grupo e ao seu modo

Tradução nossa.

de operar. Além de que notamos ainda a importância das experiências (objetivas e subjetivas) anteriores como propulsoras para as posturas adotadas diante do novo.

Em segundo lugar, clarificamos noções sobre a influência do ambiente universitário na trajetória estudantil, tenha sido pela organização universitária, pela ação dos professores ou dos colegas. Diante dos relatos de ambientes hostis em alguns cursos e áreas, foi notável as relações de concorrência e rivalidade criadas, bem como a construção de diferentes trajetórias a partir das relações com demais estudantes e professores. Algumas mudanças de percurso que geram satisfação e outras que frustram.

Sobre isso, Paivandi (2014, p. 42) afirma que

O meio de aprendizagem contribui para dar ao estudante a vontade de aprender e o sentimento de aprender com pertinência, ou, inversamente, esse meio pode tornar-se um obstáculo para a aprendizagem.

Ou seja, o meio ambiente de estudos universitário pode tanto favorecer quanto dificultar a aprendizagem do estudante, a partir da maneira com que se configura. Acrescenta ainda que “A aprendizagem na universidade é afetada pelas transformações sofridas pelo ser humano na sua relação consigo mesmo, com o saber e a educação, e nas relações sociais”8(PAIVANDI, 2015, p. 15).

Percebemos que a organização criada e proposta pela universidade, bem como os tipos de relações impulsionadas por esse ambiente são, igualmente, influenciadoras da construção de interações e interesses com pessoas e campos de saber.

Em terceiro lugar, uma última grande noção pôde ser clarificada ao longo da experiência na França, especialmente sobre as ideias de interação com o diferente e a construção do diferenciado no percurso universitário. A intensa presença de estudantes estrangeiros produzia uma organização de grupos diferenciada da realidade brasileira natalense, com a qual tive maior contato. Grupos de estrangeiros, grupos de nativos e alguns outros grupos mais misturados, talvez

sejam uma realidade que se faz como metáfora para a compreensão também da realidade brasileira local, em sua pluralidade e diversidade específica.

Acerca desse espaço universitário diverso, Paivandi (2015, p. 25) aponta que ele é “[...] um lugar de confrontação de ideias e de debates contraditórios, e o pensamento crítico e sua prática constituem um aprendizado crucial para poder penetrar a ordem discursiva disciplinar”9. Nessa perspectiva, a vivência universitária

dá espaço ao novo, sendo também um importante papel na formação cultural dos indivíduos, até mesmo com significativa independência dos capitais culturais anteriores da família, de escolaridade e da origem de classe (FERREIRA, 2016).

Assim, pudemos compreender, portanto, que a interação com o diferente de nós, constrói um saber que, por sua vez, é também identidade. O outro, com quem mantemos alguma interação, é também em nós pelo simples fato de sermos humanos. E até mesmo as experiências que temos e sobre as quais não elaboramos uma consciência de seu papel em nossas vidas, depois expressam-se na intuição, na interação, na criatividade. Por consequência, a elaboração do saber e da identidade no ambiente universitário, podem ser percebidos e construídos através das escolhas, do direcionamento de carreira, da aproximação a um saber e também da construção de uma rede de amizades ao longo do percurso universitário individual.

Isso, portanto, me faz perceber que os estudantes do curso presencial de Pedagogia do campus central da UFRN também têm suas identidades (pessoais, profissionais) plasmadas a partir dos saberes que constroem em conjunto com seus pares de outros cursos.

Isto posto, reitero a importância e influência da experiência de estágio na UL para a composição do objeto de estudo e sua problemática, bem como para o direcionamento dos passos seguintes da pesquisa, em especial, da reconstrução do instrumento de entrevista, a próxima estratégia escolhida por nós para atingirmos o objetivo proposto inicialmente, de compreender, a partir da fala dos estudantes de Pedagogia da UFRN, como a socialização com pessoas de outros cursos influencia os seus percursos universitários.

3.3. Observando a arquitetura universitária e utilizando a fotografia como