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POIGNEE DE BARRE FRANCHE (modèles à commande par barre

Copiando o modelo da igreja norte-americana Church By the Glades (CBG), como registrado anteriormente, a Church in Connection mostra que existe mesmo um mercado global que se ajusta e que obedece padrões muito parecidos e que podem ser copiados e explorados. O anglicismo, que será tratado à parte no próximo capítulo, denota a força correspondente aos espaços de maior riqueza social e econômica do mundo atual. Resta dizer o modelo que a Church reproduz, ou como se apresenta esse modelo em termos de produto a ser consumido e divulgado pela marca Church.

A marca Church aposta numa tentativa de formar um “modelo incomplexo”. Resolvi denominar dessa forma a maneira pela qual as mensagens, a comunicabilidade delas e a cultura que envolve a instituição se apresentam, ou tentam se apresentar. Sempre da forma mais simples, no sentido de se fazer compreender, mas muito estetizada e imagética na sua absorção e fixação.

Toda a organização, bem como a mensagem e a própria teologia divulgada, que envolvem as práticas da igreja, são feitas para “absorção imediata”. Tudo se realiza com o mínimo de complexidade e com muitos elementos didáticos (músicas, imagens paradas e em movimento, explicações dos textos bíblicos etc.) facilitando ao máximo a apropriação das mensagens religiosas e o fruir das novidades e apresentações pelo fiel-consumidor.

De acordo com entrevista para a pesquisa (cf. Anexo 1, A3), o pastor Thiago Vinícius Cunha confirma a estratégia do “modelo incomplexo” de forma muito significativa:

- Por que a Apple é uma mega empresa? você compra um celular da Apple e tem um botão só que dá um universo de possibilidades; o aparelho se resume a um botão só. Você compra um computador de mesa e descobre três coisas: um monitor que já é tudo, um mouse e um teclado. Quando a igreja consegue ter isso, uma coisa simples você consegue desenvolver a igreja numa perspectiva diferente [...], fazer o que é simples mais simples ainda (sic). - Nós queremos formular agora o que todos possam falar: o que é a Church? o que pensamos com Church? Nós definimos em três palavras: 1. Amar a Deus. Somos uma igreja que ama a Deus. Como entendemos isso: você ama a Deus quando está num culto coletivo, porque ali você fala com Deus, canta a Ele ouve a palavra Dele; 2. Amar o próximo. Você só ama o próximo quando está junto dele em uma reunião pequena. Daí o pequeno grupo durante a semana, e o discipulado; 3. Servir no mundo. Pegar o que você recebeu, amor a Deus, amor ao próximo, e, servir no mundo, através de seus dons, de suas

habilidades. Servir sempre, um amigo, um vizinho, aqui na porta da igreja [...] hoje tá resumido (sic).

- Estamos num processo de formulação, [...] esse processo é de ‘descomplicação’. O cara entra aqui, vê e fala ‘uai, descobri que vocês ensinam a amar a Deus, o próximo e servir no mundo [...]’ É uma coisa assim, é como tirar um computador de uma caixa, o CPU que é o monitor, o teclado e o mouse. Pronto” (sic).

Nessa mesma entrevista, em 16 de setembro de 2016, o pastor falou que tinha montado um curso de três meses para quem quisesse se aliançar com a igreja. Parece uma contradição com o modelo incomplexo, mas ele nos disse nessa entrevista que tinha visto a necessidade daquele momento em diante de se aproximar mais de quem queria entrar nos quadros da igreja. O curso, na verdade, são encontros com o pastor.

Vamos resumir essa questão da seguinte forma: em primeiro lugar, o “modelo incomplexo” se aproveita da “universalidade” de uma cultura de mercado, que envolve os jovens e os faz pensar com base nos signos do sistema de consumo do capitalismo. A igreja aproveita os filmes de Hollywood e as séries de televisão para montar os cultos temáticos (Anatomia da Graça, Homens de Preto, Star Wars etc.); aproveita os ritmos gospel e as performances dos músicos dos shows internacionais e todo o aparato de produção de espetáculos musicais e teatrais, incluindo iluminação e produção sonora sofisticada. Essa “universalização da cultura” de consumo também é aproveitada pela Church ao adotar o nome em inglês para a igreja (Church in

Connection) e para a organização e atividade da mesma (Church Jovens, Church

Kids, Cross, Church Farm, Church Prayer etc.).

Em segundo lugar é um modelo que se aperfeiçoou no uso das mídias (conforme veremos mais profundamente no capítulo seguinte). A conformação é clara no fato de que o sistema multimídia potencializou, em muito, o alcance da Church no seu nicho e mercado. É comum capturar pelas mídias as selfies feitas pelos membros da igreja na hora dos cultos. Esses autorretratos são espalhados pelas diversas mídias e servem como propaganda da igreja, ao mesmo tempo em que satisfazem as formas de comunicação dos jovens frequentadores.

Esse segundo aspecto se enquadra exatamente na análise realizada por Sibilia (2016), quando discorrendo sobre os novos espaços das mídias eletrônicas os aponta

como vetores socioculturais de construção de subjetividades46. Para a autora, “tanto

os vetores socioculturais quanto os aspectos econômicos e políticos exercem uma pressão sobre os sujeitos dos diversos tempos e espaços”. Esses sujeitos na contemporaneidade estão expostos há uma infinidade de caminhos “tanto para a invenção como para os contatos e trocas” (SIBILIA, 2016, p. 18). “A visibilidade e a conexão sem pausa constituem dois vetores fundamentais para os modos de ser e de estar no mundo mais sintonizados com os ritmos, os prazeres e as exigências da atualidade, pautando as formas de nos relacionarmos conosco, com os outros e com o mundo” (SIBILIA, 2016, p. 21,22).

Esse efeito da midiatização, quando aproveitado, torna as instituições mais competitivas no mercado de produção e de consumo. As formas religiosas que aproveitam disso, como a Church, estarão mais preparadas para “sintonizar” com seu público de forma mais eficaz.

Em terceiro lugar, esse modelo possibilita a inserção dos fiéis numa instituição que, por valorizar a visibilidade e a conexão, fortalece a cultura do indivíduo. A interatividade com os líderes da instituição e com os seus membros é facilitada através de diversos mecanismos, e o indivíduo se vê, de forma literal, nas imagens da instituição. São diversas as imagens paradas e em movimentos de muitos fiéis que circulam pelo templo ou pelas programações da igreja, como verificado abaixo.

Figura 15 – Fiéis Church in Connection em momentos de culto

Fonte: Facebook47

46 De acordo com Sibilia “[...] as subjetividades são modos de ser e estar no mundo, longe de toda essência fixa e estável que remete o ser humano como uma entidade não-histórica de relevos metafísicos, seus contornos são elásticos e mudam ao sabor das diversas tradições culturais [...]. Portanto, a subjetividade não é algo vagamente imaterial que reside “dentro” de cada um. Por um lado, ela só pode existir se for embodied, encarnada num corpo, mas também está sempre embedded, embebida numa cultura intersubjetiva” (2016, p. 26).

A força imagética da Church ainda pode ser constatada na tentativa de formatar a teologia numa imagem. Na visão do pastor, “sem diminuir a importância da mensagem, mas tornando-a simples, comunicável”. As observações e registros das falas dos líderes da igreja e de seus membros (cf. Anexo 6) apontam para um modelo de “trilogia teológica incomplexa”: “Amar a Deus, Amar o próximo e servir no Mundo”. A redução ao essencial, de acordo com o pastor Thiago Vinicius Cunha, deve se aproximar da estratégia de marketing da Apple. Uma única imagem, “um único botão”, para ligar a máquina.

Figura 16 – Logomarca dos objetivos da Church: Amar a Deus, Amar ao próximo e Servir no mundo (respectivamente)

Fonte: Facebook48

O modelo da incomplexidade pode ser visto também como uma hipertrofia da imagem. Basta olhar a figura acima e perceber que a missão da Church pode ser compreendida e gravada sem nenhuma palavra. De forma simples como queria o pastor, a missão da Church pode ser aceita, ou não, por uma pessoa que venha uma única vez na igreja. A missão da igreja, segundo o pastor Thiago (Cf. Anexo 1), “é fazer o que ensina a Bíblia: amar a Deus (uma cruz – de Cristo – dentro do coração envolvido por um círculo), amar ao próximo (um coração cheio de pessoas dentro de um círculo), e de pregar a ‘Palavra’, o evangelho a todos” (um círculo com o mundo dentro. Nada de aprofundamentos teológicos ou disputas doutrinárias.

O modelo da Church pretende ser original e não se vincular a nenhuma outra denominação cristã. Como registrado anteriormente, a Church não deixa claro em nenhum dos documentos ou propagandas a sua origem ocorrida na IPRB. As observações para a pesquisa apontaram para o fato de que ao se dirigirem à Church como uma igreja nova e dinâmica com muitas inovações, seus líderes e fiéis apontam para o elemento “novo” como um valor importante para a sua diferenciação no mercado religioso. Embora tenhamos registrado, principalmente nos cultos de domingo e nas escolas bíblicas dominicais, uma interpretação da Bíblia ao estilo Presbiteriano, com exegese dos textos bíblicos e teologia Protestante e Reformada, ao falarem da igreja seus membros falam de uma “igreja nova”, “diferente”.

Cabe, nesse momento, apontar as estratégias bem-sucedidas e contextualizadas como veículo de propagação e adesão da Church. Como afirma a ensaísta Sibilia (2016), “o sistema articulado pelo marketing e pela publicidade, mas também pela criatividade alegremente excitada” que marcam as instituições, também as religiosas, que se adequam ao tempo e ao espírito empresarial que insufla todas as instituições.