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Pipeline et Algorithmique Dynamique

6.1 Pipeline : Structuration Parallèle et Dynamique

de Elisabeth Noelle-Neumann. Bocc. Disponível em: <http://

www.bocc.ubi.pt/pag/midoes-miguel-caso-esmeralda-espiral-do- -silencio.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2013.

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que por sua vez formam grupos capazes de influenciar a maioria, e que possibilitam a divulgação de seus posiciona- mentos de diversos assuntos em veículos de comunicação.

[...] a ideia de uma opinião pública legítima fica comprometida num sistema onde a visibilidade dos discursos políticos dependa quase que integralmen- te dos veículos de comunicação de massa, marcados pela influência de uns poucos emissores de mensa- gens e frequentemente aliados a interesses políticos e econômicos específicos. Isso não quer dizer que não haja espaço para discursos contra hegemônicos na chamada “grande mídia (MEDEIROS e LÔR- DELO,2012, p. 05).

Para Jürgen Habermas (apud, PIMENTA, s/d, p.2), a integração de uma sociedade se dá por meio do poder co- municativo dos cidadãos que a compõem. E isso é feito por um sistema de linguagem comum, que se utiliza da esfera pública política e no sistema político para tal. Essa dinâmica possibilita a troca de informações e a formação de opinião, e pelas pessoas atingidas pelas ações políticas.

A opinião pública se forma através da linguagem, em conversas cotidianas e manifestações particulares, do discur- so privado. Uma vez formada a opinião pública, esta se im- põe e compõe a esfera pública14. É com a posse de repertório

14. De acordo com (HABERMAS, apud PIMENTA, s/d, p. 2), a es- fera pública pode ser descrita como “uma rede adequada para a comunicação de conteúdos, tomadas de posição e opiniões; nela os fluxos comunicacionais são filtrados e sintetizados, a ponto de se condensarem em opiniões públicas enfeixadas em temas específicos. Do mesmo modo que o mundo da vida tomado globalmente, a esfera pública se reproduz através do agir comunicativo, implicando apenas o domínio de uma linguagem natural; ela está em sintonia com a compreensibilidade geral da prática comunicativa cotidiana”.

e da subjetividade, que os indivíduos tomam conhecimentos dos fatos por meio da mídia e os discutem. E essas manifes- tações discursivas particulares, através da linguagem, conse- quentemente, formam a opinião e a esfera pública. Segundo Freitas (s/d, online):

De fato, a opinião tem sua origem nos grupos, mas só assim não caracterizaremos a opinião pública, porque esses grupos transformam-se em públicos quando se organizam em torno das controvérsias, com ou sem contiguidade espacial, discutem, infor- mam-se, refletem, criticam e procuram uma atitude comum, e atitude para a professora Sarah Chucid da Viá ‘é uma tendência para atuar, agir. Relacio- na-se com os hábitos, com os comportamentos e transforma-se em opinião quando adquire um ca- ráter verbal e simbólico. (FREITAS, s/d, online)

Por se tratar de múltiplos e diversos discursos expressos através da linguagem, estes têm a capacidade de gerar resul- tados coletivos. De acordo com Dryzek (apud, PIMENTA, s/d, p.8), a “opinião pública é ‘o resultado provisório da competição de discursos na esfera pública conforme trans- mitido ao Estado’”. Ainda segundo Dryzek, “quando ela gera uma decisão coletiva, consistente com a ‘constelação de discursos’, pode-se dizer que possui ‘legitimidade dis- cursiva’” (DRYZEK apud PIMENTA, s/d, p. 08).

Para Correia, Ferreira e Espírito Santo (2010, p. 21), a melhor possibilidade de entender o que é a Opinião Pública passa por explorar outros conceitos, como por exemplo, o de público, que segundo os autores apresen- tam características de redes de interpendências sociais extensas e caráter simbólico, que os autores chamam de “coesão interna espiritual e uma robusta estrutura co- municacional”, constituídas pelos fluxos de informações,

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em temas mobilizadores, proporcionando aos indivíduos uma regular expressão dos seus juízos e opiniões. A opi- nião pública está relacionada a um fenômeno social que poderá ou não ser de caráter público.

Ainda segundo os autores o termo opinião implica uni- dade (a opinião), ao passo que a sua caracterização espe- cífica (pública) denota uma diversidade de indivíduos e as suas opiniões. De modo que o “público” tende a atingir o conceito “universal, o objetivo e o racional”, enquanto “‘opinião’ é marcada pela variabilidade, pelo subjetivo e o incerto” (SPLICHAL, apud CORREIA, FERREIRA e ESPÍRITO SANTO, 2010, p.23).

De acordo com Durão (s/d, online), na filosofia Kantia- na15 o termo opinião pública é substituído por “uso público

da razão”, mas segundo o autor, quando Kant utiliza-se des- se sentido, automaticamente “remete ao conceito de opinião pública”. A opinião pública pertence à esfera da ação política e Kant confere a ela uma ordem de razão teórica, empírica e prática, atribuindo-lhe “um papel notável de esclarecer o pú- blico e explicar como podemos não só agir racionalmente, mas também como podemos pelo menos esperar por uma or- dem social racional”. Para Kant, a esfera formadora da opinião pública desempenha um papel na manutenção da menoridade dos homens. Para o filosofo francês Jean Jacques Rousseau o termo opinião pública representa uma transação entre o con- senso social e as convicções individuais.

A opinião pública não é somente o resultado da excita- ção popular sobre um fato corriqueiro do cotidiano. A opi- nião pública é um alicerce na manutenção da democracia moderna das sociedades. A sociedade, em grupos coletivos

15. DURÃO, Aylton Barbieri. O conceito de opinião pública em Kant. Disponível em: <http://www.unopar.br/portugues/revfonte/ artigos/8kant/8kant.html>. Acesso em: 19 fev. 2013.

ou não, deve se manifestar sob o uso da razão e da reflexão, pois só assim serão capazes de manter seus interesses res- guardados pelos poderes públicos e privados.

A Teoria Espiral do Silêncio

Inicialmente, os estudos dessa teoria começaram a se formular na década de 1960, a partir de pesquisas que es- tudavam os efeitos dos meios de comunicação de massa, principalmente a televisão, para influir sobre o conteúdo do pensamento dos receptores. Entre os anos de 1965 e 1972, nas eleições alemãs, a socióloga e cientista políti- ca Elisabeth Noelle-Neuman percebeu que os “eleito- res” tendiam a mudança repentina de opinião, durante o processo eleitoral. Essa mudança, segundo Soares (s/d, online, p. 1), “ocorria em função da tendência demons- trada pelos agentes sociais de aproximarem-se mais das opiniões que consideravam dominantes”16.

Ademais, o conceito da Teoria Espiral do Silêncio, proposta por Elisabeth Noelle-Neuman, fora apresentada durante o 20° Congresso Internacional de Psicologia, em Tóquio, em 1972, e publicada nos EUA com o nome “The spiral of silence: A the-

ory of publicopinion”, no Journal of Communication. O medo do

isolamento pode ser considerado um dos alicerces dessa teoria, pois a priori, a ela se baseia na possibilidade de os agentes so- ciais podem/poderem (tempo verbal) serem isolados de seus grupos, quando expressam opiniões divergentes das demais opiniões consideradas dominantes de determinado grupo.