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5.

Da Cibernética à Teoria do Caos

Ivan Carlo Andrade de Oliveira

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Introdução

A cibernética, embora esteja, hoje em dia, mais associada à informática, surgiu como uma ciência que se interessava em pesquisar o processo de comunicação homem-homem, máquina-máquina e homem-máquina através de uma visão complexa, que relacionasse as partes com o todo. Os fenô- menos eram vistos como processos de comunicação.

Essa visão agregou ao redor de si vários paradigmas: a teoria dos sistemas, a teoria da informação, a teoria do pen- samento complexo, de Edgar Morin.

Além disso, o conceito de feedback, surgido no seio dos estudos cibernéticos, teve influência, inclusive, na teoria dialógica de Paulo Freire.

1. Mestre em Comunicação – professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá.

A teoria do caos surge na década de 1960 na área de ciên- cias exatas, da natureza e econômicas, utilizando conceitos da cibernética nessas áreas. Hoje, alguns autores trazem a con- tribuição da teoria do caos para os estudos da comunicação. O objetivo deste artigo é resgatar a história e os concei- tos da cibernética, relacionando-os à teoria do caos.

O surgimento da cibernética

No final da década de 30, um grupo de cientistas dos mais variados campos do conhecimento se reunia na ci- dade de Boston para discutir assuntos científicos. Havia psicólogos, biólogos, matemáticos, físicos, filósofos, neu- rologistas e engenheiros, todos preocupados com a espe- cialização cada vez maior dos cientistas.

Entre eles, um se destacava: Nobert Weiner, professor do Massachusetts Institute of Technology.

Weiner era uma inteligência enciclopédica. Aos 18 meses ele já aprendera a ler. Aos sete anos já estava familiarizado com a teoria da evolução, de Charles Darwin, que iria in- fluenciar toda a sua obra. Aos 14 anos se licenciou em ciên- cia. Aos 18 já havia terminado o doutorado.

Sua maior preocupação era a especialização excessiva que estava dominando a ciência. “Cada um tem grande tendência a considerar o tema vizinho como pertencente, com exclusividade, ao seu colega da terceira porta à direita do corredor” (WEINER apud OLIVEIRA, 2010, p. 8).

A proposta era quebrar com o método cartesiano de se- parar o problema em partes para analisá-lo. Assim, nessa nova perspectiva, analisava-se as partes na sua relação com o todo. A palavra encontrada para denominar esse novo para- digma foi cibernética.

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“Cibernética” vem do grego. Entre eles, no princípio, servia para designar aquele saber que permite ao piloto conduzir adequadamente sua embarcação – a técnica da pilotagem. Depois, Platão enriqueceu seu significado empregando- -a para indicar a atividade de reger, não só o rumo dos barcos, mas o destino dos homens todos numa sociedade – a arte de governar. (BENNATON, 1984, p. 11)

A palavra foi usada por James Maxwell para se referir a artefatos de controle de máquinas num artigo de 1886.

A escolha do nome era tanto uma homenagem a Maxwell quanto uma tentativa de representar uma ci- ência que estudasse homens, animais e máquinas como um todo, sob a ótica do controle.

A metáfora com a navegação também era bem-vinda. Afi- nal, ao realizar uma viagem, “o piloto deve corrigir o rumo, que é afetado pelos ventos e correntes marítimas, ou seja, a cada momento decide por modificações no timão, nas velas e remos, que compensarão os desvios produzidos” (EPSTEIN, 1986, p. 8). A atividade do piloto antecipava a importância que a retroação (feedback) teria nos estudos cibernéticos.

Segundo Bennaton (1984, p. 12), “À cibernética interes- sa o modo de se comportar dos organismos e das máquinas [...] ela pinça sempre dois aspectos primordiais: o trânsito de informação e os esquemas de controle existentes”.

Issac Epstein (1986, p. 9) adverte que esse controle não é necessariamente algo positivo: “As sociedades não têm alvos claros e aceitos por consenso. O equilíbrio e a ho- meostase podem estar a serviço de sistemas autoritários e iníquos. Às vezes até do genocídio”.

Exemplo disso foi o uso de equipamentos IBM para identi- ficar judeus no período do nazismo. Nesses casos, o autor sugere uma anticibernética, a exemplo do que fazem os ciberpunks.

Feedback

A cibernética encontrou na II Guerra Mundial a opor- tunidade de colocar seus preceitos em prática.

Um dos problemas era desenvolver um sistema de ataque antiaéreo para fazer frente aos bombardeios nazistas à Inglaterra. Como o piloto desviava o avião dos tiros, o proble- ma envolvia física, matemática, psicologia e biologia (a curvatura seria limitada pela resistência fisiológica do piloto). “Era um problema cibernético em sua essência. E só um grupo de pesquisadores de várias áreas traba- lhando em conjunto poderia solucioná-lo”. (OLIVEI- RA, 2010, p. 9)

A resposta foi encontrada no feedback, ou retroalimentação. A ideia de feedback é muito antiga. Hipócrates já havia formulado a hipótese de que existem mecanismos no cor- po humano que tendem a se opor às patologias.

A cibernética estudou a fundo o feedback, estendendo- -o a todas as áreas do conhecimento. Segundo D´Azevedo (1972, p. 35), a vida começou quando surgiu o primeiro mecanismo de feedback: “Realmente, o que de mais funda- mental e importante encontramos naquilo que chamamos de organismo vivo é a sua capacidade de autorregulação, de realimentação, que a complexidade de organização dos elementos competentes do organismo manifesta”.

A temperatura do corpo humano, por exemplo, é regu- lada por um mecanismo de controle que usa o feedback. O ar-condicionado, que se desliga quando a temperatura chega ao ideal e liga quando ela aumenta, é outro exemplo do uso do feedback. Ambos são exemplos de mecanismos reguladores que levam o sistema a uma situação de home- ostase (equilíbrio).

Até um ato simples, como pegar um objeto, só é possível graças ao feedback:

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Os feed-backs dominam todos os nossos movi- mentos. A eles é que se deve o milagre que ajus- ta harmoniosamente nossos gestos a seu alvo. Se quero pegar uma agulha que está sobre a mesa, como agem meu braço, minha mão e meus de- dos? [...] Meu gesto para pegar a agulha se de- senvolve harmonioso, preciso. Em certos doentes, porém, o movimento é inábil, incerto e acabará em tremores: “tremores intencionais”. Em outros doentes os gestos, mais largamente descontrolados, demonstram que o cérebro não está sendo infor- mado sobre a posição dos membros: “ataxia”. Ora, no primeiro caso há perturbações no cerebelo; no segundo, perturbações nas fibras ascendentes da medula. Daí a conclusão de que estas afecções cortaram os circuitos retroativos de regulagem através dos quais os membros enviam informações ao cérebro. (LATIL, 1968, p. 114)

Epstein (1986, p. 34) explica que “o sistema dispõe de dispositivos de retroação quando produz uma ação em res- posta à entrada de informação e inclui o resultado da pró- pria ação na nova informação pela qual seu comportamen- to ulterior é modificado”.

Na área da comunicação, o conceito de feedback que- brou com a ideia de um processo linear, que envolvia apenas a codificação, a transmissão e a decodificação da mensagem.

Segundo Bordenave (1986, p. 23),

Ao mesmo tempo em que uma pessoa está emitin- do mensagens, ela se mantém em contínuo contato perceptivo com o meio ambiente global que a en- volve e, por conseguinte, a elaboração da mensa- gem recebe constantemente uma realimentação que pode influenciar o processo decisivamente.

Um exemplo é um palestrante diante de uma plateia. Ele está não só emitindo informações, mas recebendo informa- ções (olhares de interesse, bocejos etc.), que lhe permitem mudar sua estratégia comunicacional, tornando o discurso interessante para os receptores. Grandes vendedores perce- bem até mesmo o ritmo de respiração dos compradores e ajustam sua fala a essas informações.

Nessa concepção, o receptor nunca é um elemento passivo. Ele sempre deve responder à emissão, mesmo que seja por outro canal ou com outro código. Se, por exemplo, chamo um cachorro e ele se aproxima, estabe- leceu-se a comunicação. Seu feedback pode ser negativo (ele pode, por exemplo rosnar, agressivo), mas ainda as- sim houve a comunicação. Casos de ruído (o cachorro é surdo, por exemplo) podem impedir o feedback, fazendo com que a comunicação não se estabeleça.

Em alguns casos, o feedback negativo, também chamado de autorregulador, pode ser o ideal. Uma pessoa que emite uma mensagem agressiva, mas recebe uma resposta tran- quila é um exemplo de feedback autorregulador, pois uma resposta igualmente agressiva, autoamplificadora, tiraria o sistema do seu estado de homeostase, resultando possivel- mente em um conflito físico.

Ao quebrar com a ideia de uma comunicação de sen- tido único, a cibernética abriu caminho para toda uma área de estudos comunicacionais, influenciando inclusive a teoria dialógica de Paulo Freire.

Informação

Parte essencial da cibernética, o estudo da informação foi consagrado pela Teoria da Informação (T.I). Criada pelo matemático norte-americano Claude Shannon para

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resolver problemas técnicos de transmissão de informações em linha telefônicas, suas conclusões influenciaram decisi- vamente os estudos da comunicação.

O problema na época era como permitir um fluxo maior de informações. Shannon mostrou que cada canal tem uma velocidade e uma quantidade limite de informações trans- mitidas. A partir de um certo ponto, a mensagem começa a ser dominada por ruídos que prejudicam a recepção.

Shannon definiu a informação como “uma redução da incerteza, oferecida quando se obtém resposta a uma per- gunta”. (apud EPSTEIN, 1986, p. 35)

Assim, quanto maior a incerteza, maior a quantidade de informação quando se recebe uma mensagem.

Oliveira (2010) apresenta como exemplo uma campa- nha com dois candidatos, A e B, disputando uma eleição. Ao ligar o rádio e obter a mensagem “O Vencedor foi A ou B”, a mensagem foi totalmente redundante, pois o ouvinte já sabe que o vencedor foi um dos dois concorrentes.

A mensagem “A venceu” seria informação, pois diminui a incerteza do receptor.

Entretanto, só há informação quando ocorre variedade de possibilidades. Quanto maior a quantidade de respostas possíveis, maior a quantidade de informação.

Se a eleição tiver um único concorrente, digamos A, a mensagem “A venceu” não teria qualquer informação.

Por outro lado, se houvessem três candidatos com chance real de se eleger, a mensagem “A venceu” seria mais informativa. Quanto maior a quantidade de possibilidades, maior a dúvi- da e, portanto, maior a quantidade de informação da mensagem. Da mesma forma, quanto mais improvável a mensagem, maior a sua carga de informação. A notícia “Os candidatos A, B e C empataram” traz uma alta carga de informação justamente pela improbabilidade. Os jornalistas sabem dis- so tão bem que sempre dedicam espaço na cobertura de

eleições para cidades em que candidatos tenham empata- do, por mais insignificantes que essas cidades sejam.

A ideia de informação está sempre ligada a algo diferen- te, improvável, fora do normal.

A informação pode ser transportada, armazenada e traduzida. Na maioria das vezes em que estabelecemos uma comu- nicação, estamos transportando informação e esse transpor- te pressupõe a existência de um canal. Imagine-se que eu queira transmitir uma informação a um amigo. Posso usar uma grande variedade de canais. Posso, por exemplo, pro- curá-lo pessoalmente e transportar a informação via ondas sonoras. Posso telefonar, mandar uma carta, um e-mail ou uma mensagem no Facebook. Cada canal tem o seu custo de transmissão de mensagens. Um canal com maior ruído exige um reforço na mensagem, aumentando a redundân- cia e, portanto, o custo da mensagem. As rádios AM, por exemplo, são dominadas pelo ruído, razão pela qual seus locutores costumam ser mais redundantes.

A informação também pode ser armazenada. Anti- gamente, a única forma de armazenar a informação era guardá-la em nossa mente. Os velhos eram a memória da humanidade, uma memória biológica. Com a invenção da escrita, foi possível armazenar as informações em livros. Criou-se a memória externa, o grande passo da humanida- de na direção da evolução tecnológica, pois as novas gera- ções estavam dispensadas de lembrar todos os conhecimen- tos das gerações anteriores e podiam utilizar sua capacidade mental para criar coisas novas. Hoje, com a rede mundial de computadores, vê-se a criação da memória de cilício.

Por fim, a informação pode ser traduzida.

Ao transportar a informação, utilizamos um código para que a mesma possa ser compreendida pelo receptor.

O processo de tradução da informação é muito óbvio quando se trata de transferir uma mensagem de uma língua

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para outra (um texto do inglês para o português, por exem- plo), mas utilizamos a tradução da informação em diversas situações de nosso cotidiano.

Quando dizemos “A casa está pegando fogo”, estamos traduzindo a informação visual para o código linguístico.

Por outro lado, a pessoa, quando recebe a informação, a decodifica, a frase “A casa está pegando fogo”, transforma- -se, em sua mente, na visualização da casa em chamas. Esse fenômeno é bem explicado pela semiótica.

Quantificação da informação

A Teoria da Informação mostrou que a informação pode ser também quantificada. É possível calcular a quantidade de informação de uma mensagem usando o método binário, mé- todo esse que tornou possível o surgimento dos computadores.

Para transmitir uma mensagem ao computador, deve- mos codificá-la em conjuntos do tipo sim ou não em que 1 seria sim e 0 seria não.

Para transmitir ao computador a imagem de um círculo basta montar uma tabela com diversos quadrados. O sim representa o quadrado preenchido e o não o vazio. Quan- to maior a quantidade de quadrados, maior a resolução e maior a quantidade de bits.

Uma demonstração prática desse método é dada Elwyn Edwards (1971) envolvendo as oito primeiras le- tras do alfabeto:

A B C D E F G H

Uma pessoa escolhe uma das letras e a outra deverá adi- vinhar qual é fazendo apenas perguntas do tipo sim-não.

A melhor forma de descobrir a resposta é dividir o con- junto sempre em dois pacotes (bits):

ABCD e EFGH

Assim, a primeira pergunta seria:

A letra correta está no conjunto ABCD?

Se a resposta for sim, elimina-se logo o segundo conjun- to. Assim, divide-se novamente em dois conjuntos:

AB e CD

A pergunta seguinte poderia ser: A letra correta está no conjunto AB?

Imagine-se que a resposta seja não. Então, a letra está no segundo conjunto.

Uma última pergunta mataria a xarada: A letra é C? Foram necessárias três perguntas desse tipo para se che- gar à resposta, de modo que a informação tem três bits.

Esse método simples é a base de todos os computa- dores.

Redundância

O conceito de redundância é absolutamente oposto ao de informação.

Enquanto a informação significa variedade, novida- de, a redundância significa falta de variedade ou sim- plesmente repetição.

A redundância sobrecarrega a mensagem. É o caso, por exemplo, de um discurso inócuo. O que poderia ser dito em 20 palavras acaba sendo dito em 200 palavras.

A mente humana gosta de informação e rejeita a re- dundância. Isso foi provado em uma pesquisa realizada por neurologistas da Emory University Health Sciences Center, nos EUA. Eles pingaram gotas de suco de frutas ou de água em voluntários monitorados por ressonância magnética. Quando a bebida era trocada, a atividade dos neurônios

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aumentava. A resposta chegava a ser mais forte que aquelas provocadas por sensação de prazer. (OLIVEIRA, 2010)

A origem da hipnose está nesse repúdio à redundân- cia. O hipnotizador usa um estímulo tão redundante que a mente se recusa a continuar recebendo a mensagem e simplesmente “desliga”.

O exemplo pode dar a entender que as melhores mensa- gens são aquelas totalmente informativas. Isso não é verdade. Há dois casos de não comunicação: quando a men- sagem é totalmente redundante e quando ela é total- mente informativa.

Uma mensagem redundante ao extremo é normalmente ignorada pelo receptor. Quando perguntado o que achava de certo livro recém-lançado, Oswald de Andrade respon- deu apenas: “Não li e não gostei”. Ou seja, o autor era tão previsível que Oswald não precisava nem mesmo ler o livro para saber que não gostaria. (PIGNATARI, 1976)

Por outro lado, uma mensagem totalmente informativa é incompreensível. É o caso, por exemplo, de uma mensa- gem escrita sem código (uma pessoa datilografando alea- toriamente numa máquina de escrever) ou em uma língua desconhecida pelo receptor.

A redundância tem, portanto, um papel importantíssimo no processo de comunicação. Ela é usada para combater ruídos que possam obstruir o canal.

Essa é a razão pela qual, por exemplo, nós batemos várias vezes na porta de uma casa quando queremos ser atendi- dos pelos moradores. Bater uma única vez já transmitiria a mensagem, mas nós a reforçamos a fim de garantir que o receptor irá recebê-la: “Quanto maior a vulnerabilidade a ruídos de um certo canal, maior a redundância necessária para garantir a integridade da mensagem. Em um ambiente barulhento, devemos aumentar o tom de voz e repetir par- tes da mensagem”. (OLIVEIRA, 2010, p. 28)

Mesmo as línguas têm alta taxa de redundância para combater o ruído.

O código surge parar criar um equilíbrio entre redun- dância e informação.

Informação nas palavras

O núcleo de informação de qualquer palavra está nas consoantes, em especial nas mais raras, como o R, o X e o Z. Se dou ao leitor as três vogais abaixo, dificilmente ele con- seguirá descobrir a palavra da qual as mesmas foram tiradas:

E A E

No entanto, se eu apresento apenas as consoantes da mesma palavra, a tarefa se torna muito mais fácil:

M N S G M

Trata-se da palavra MENSAGEM.

As abreviaturas, muito usadas hoje nas redes sociais, têm como base a retirada da redundância das palavras. Assim, a frase MENSAGEM PARA VOCÊ ficaria assim:

MSG PR VC

Por que razão, uma vez que as abreviaturas são mais informativas, não as usamos mais comumente nas co- municações?

Porque uma mensagem com pouca redundância é víti- ma certa de ruídos.

Se houver qualquer erro na mensagem abreviada, a co- municação fica prejudicada, como acontece no caso abaixo:

MG PR VC

O mesmo já não ocorre com a mensagem normal: MENSAEM PARA VOCÊ

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O ruído, embora visível, não tornou impossível a com- preensão da frase.

A língua inglesa é menos redundante que a portu- guesa e, portanto, mais prejudicada pelos ruídos, como ocorre no caso abaixo.

Em inglês, CASAS AMARELAS escreve-se YELLOW HOUSES. Em português, como se vê, há dois S indicativos do plural e se um for vítima de ruído, ainda assim o recep- tor compreenderá que se trata de mais de uma casa. Em inglês a perda de um único S prejudica toda a mensagem. (PIGNATARI, 1976, p. 56)

Portanto, embora a redundância sobrecarregue a mensa- gem, ela também é necessária para evitar prejuízos.

A decisão sobre a quantidade de redundância da co- municação deve ser balizada por vários fatores: a taxa de ruído do canal, o repertório do receptor e a impor- tância da mensagem.

Decifrando códigos secretos

Um momento importante de aplicação da cibernética ocorreu durante a II Guerra Mundial, no grupo interdis- ciplinar que se dedicou a quebrar o código de Enigma, a aparentemente indecifrável máquina nazista de codificação de mensagens. Esse esforço, que teve como principal mente o matemático inglês Alan Turing, acabou tendo como con- sequência o computador moderno.

Os alemães haviam inventado uma máquina capaz de ci- frar uma mensagem com grande rapidez e enorme confiabi- lidade. Chamava-se Enigma e era parecida com uma máquina de escrever, com a diferença de que uma letra, ao ser escrita, era trocada por outra letra de um alfabeto codificado. Havia uma série de misturadores. A ordem interna dos misturadores

e dos cabos podia mudar completamente o código e isso era feito todo dia pelos nazistas. Ou seja, a cada dia os germânicos tinham um código altamente seguro e diferente do usado no dia anterior. Além disso, a mesma máquina que era usada para codificar, poderia ser usada para decodificar. Um texto cifra- do datilografado nela dava origem ao texto original.

Os ingleses conseguiram com os poloneses uma cópia da máquina Enigma, mas isso não ajudava muito, pois a Enigma poderia ser ajustada de acordo com 10.000.000.000.000.000 chaves diferentes. Seria necessário mais tempo do que a ida- de total do universo para checar cada ajuste.

A Enigma seria indecifrável, não fosse pela genialidade de Alan Turing.

O maior inimigo de um código secreto é a redun- dância. É ela que permite ao criptoanalista decifrar a mensagem. No português, por exemplo, as letras mais re- dundantes são as vogais, especialmente o A e o E. Letras como o X e o Z são as menos redundantes. Sabendo-se isso, basta trocar os sinais mais redundantes pelas letras mais redundantes e ir verificando as combinações. Além disso, há a redundância sintática. Em português, geral- mente temos uma estrutura de sujeito – verbo – predica- do. O sujeito geralmente é composto de um substantivo