Solution Hybride : Pipeline Multi-GPU/Multi-Cœur
5.3 Narrow Phase
gar de opinião? Lugar de informação? Estudos em Jornalismo
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Espiral do Silêncio e Mídias Sociais: a participação da opinião pública no Twitter
É justamente nesse ambiente que surgem as mídias so- ciais, sistemas online elaborados que permitem a interação social a partir do compartilhamento de informações em di- ferentes formatos (texto, foto, áudio, vídeo, ilustração etc.). Para Recuero5, a mídia social trata-se de uma “ferramenta de
comunicação que permite a emergência das redes sociais”. Mídia social, assim, é social porque permite a apro- priação para a sociabilidade, a partir da construção do espaço social e da interação com outros atores. Ela é diferente porque permite essas ações de forma individual e numa escala enorme. Ela é diretamente relacionada à internet por conta da expressiva mu- dança que a rede proporcionou.6
É possível afirmar que as mídias sociais possuem carac- terísticas distintas que reforçam seus limites e suas poten- cialidades, sendo organizadas em duas categorias principais: sociocultural e técnica. Em relação aos aspectos técnicos, destacam-se a arquitetura da informação, tipos de conteúdo e informação. Já os aspectos socioculturais dizem respeito ao público, aos comportamentos e aos usos e apropriações.
De acordo com Recuero7, as mídias sociais “complexifi-
cam o espaço social”, fazendo com que apareçam novos gru- pos sociais que se organizam em determinadas redes (ou co- munidades). É nesse contexto que surgem as redes sociais, que podem ser entendidas como grupos de pessoas que possuem
5. RECUERO, Raquel. O que é mídia social? Disponível em:<http://pontomidia.com.br/raquel/arquivos/o_que_e_mi- dia_social.html>.Acesso em: 25 fev. 2013.
6. Idem. 7. Idem.
e mantêm interesses comuns e que ficaram mais conhecidas como sites de relacionamentos. Vale ressaltar que as redes so- ciais não acontecem somente no mundo virtual, no modo on- line. Uma sala de aula, um culto evangélico ou uma reunião de amigos também são exemplos de rede social.
As redes das quais falamos até aqui são redes sociais, formas de organização humana e de articulação entre grupos e instituições. Porém, é importante salientarmos que estas redes sociais estão intima- mente vinculadas ao avanço das redes físicas e dos recursos comunicativos. (FERRARI, 2010, p. 103)
Já os sites de redes sociais, segundo Recuero8, foram de-
finidos por Boyd & Ellison (2007) como “sistemas que per- mitem i) a construção de uma persona através de um perfil ou página pessoal; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede social de cada ator”.
Para Ferrari (2010, p. 103), o aprimoramento das novas tec- nologias aliado à criação de redes de comunicação, de interes- ses específicos, técnicas, utilizando os mais variados recursos, meios e canais se tornaram essenciais para a ampliação dessas redes de caráter social. “Podemos dizer que as novas formas interativas de acesso à informática e redes via web representam o mais novo território de disputa e luta na sociedade.”
Dessa forma, é possível afirmar que as mídias/redes so- ciais têm a sua relevância, visto que vêm auxiliando na cons- trução da opinião pública ao colocar diariamente assuntos relevantes em debate. Inclusive, a partir dessas discussões, surgiram campanhas e mobilizações em prol da democracia,
8. Redes sociais na internet. Disponível em:<http://www.pon- tomidia.com.br/raquel/arquivos/redessociaisnainternetrecuero. pdf.>. Acesso em: 25 fev. 2013.
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como foi o caso da Primavera Árabe, “uma onda de protes- tos que se espalhou pelo Oriente Médio e norte da África”9
e que acabou derrubando quatro ditadores.
Uma das mídias sociais utilizadas, nesse episódio, foi o Twitter que, segundo Santaella e Lemos (2010, p. 64- 66), trata-se de uma “plataforma de microblogging que explodiu nos últimos anos. Uma verdadeira ágora digi- tal global: universidade, clube de entretenimento, “ter- mômetro” social e político, instrumento de resistência civil, palco cultural, arena de conversações contínuas”. De acordo com as autoras, a ferramenta serve como:
Um meio multidirecional de captação de informa- ções personalizadas; um veículo de difusão contínua de ideias; um espaço colaborativo no qual questões, que surgem a partir de interesses dos mais micros- cópicos aos mais macroscópicos, podem ser livre- mente debatidas e respondidas, uma zona livre, pelo menos até agora, da invasão de privacidade que do- mina a lógica do capitalismo corporativo neoliberal que tudo invade, até mesmo o ciberespaço (SAN- TAELLA e LEMOS, 2010, p. 66).
Pode-se dizer ainda que o Twitter é um espaço de relacio- namentos. Sobre essa questão, Recuero e Zago (2009) afir- mam que as “conexões dos usuários, de caráter não necessaria- mente recíproco”, foram chamadas de ‘seguidos’ e ‘seguidores’ e que essa ligação “traz implicações para as redes sociais”.
Em geral usuários com maior número de seguido- res exercem maior influência na rede na medida
9. Um ano de Primavera Árabe, a primavera inacabada. Disponível em:<http://topicos.estadao.com.br/primavera-arabe>.Acesso em: 26 fev. 2013.
em que as mensagens que enviam têm o potencial de atingir mais usuários e mais redes. Também é frequente na ferramenta a presença de celebrida- des e outros indivíduos centrais, que acabam atu- ando como influenciadores por seu alto número de conexões na rede. Nesse contexto, destaca-se o papel dos que possuem vários seguidores ao atu- arem como filtro de informações para suas redes. Essas informações são ainda repassadas para outros contatos, através de estratégias próprias do sistema, como retweets e comentários direcionados via replies (ZAGO, 2009).
Dentre as mídias/redes sociais existentes, é possível afir- mar que o Twitter é uma ferramenta ímpar, pois apresenta “uma dupla faceta em seu uso e apropriação: é, ao mesmo tempo, uma ferramenta de conversação e uma ferramenta de informação” (RECUERO, 2009). No que se refere à prática do Jornalismo, o Twitter pode ser utilizado como ferramenta para obtenção de informações, mas também como “circulador” de notícias.
Segundo Recuero (2009, p. 46), “as redes sociais, en- quanto circuladoras de informações, são capazes de gerar mobilizações e conversações que podem ser de interesse jornalístico na medida que essas discussões refletem anseios dos próprios grupos sociais” e que não teriam espaço nos meios tradicionais. Por outro lado, as redes sociais também podem “refletir interesses individuais dos atores sociais que acontecem de estar em consonância com interesses sociais”. Diariamente, o Twitter repercute notícias e informa- ções sobre os mais variados assuntos. No entanto, critérios como rotinas produtivas e noticiabilidade ficam “abalados” no microblog, pois quanto mais rápido a notícia chegar ao público, mais ele se sentirá informado. Nesse caso, a instan- taneidade passa a ser o principal elemento de atuação no
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site. Portanto, pode-se afirmar que o Twitter alerta sobre determinados assuntos, mas o público acaba procurando outras mídias para se aprofundar.
Em relação à promoção da discussão de determinadas te- máticas, é possível dizer que o ciberespaço, e por consequ- ência o Twitter, vem se transformando em um novo espaço público, no qual a conversação acontece de maneira multidi- recional, ou seja, de todos para todos (LEMOS, 2009).
Pode-se, assim, como hipótese, pensar no ciberespaço como uma nova esfera pública de conversação onde o “mundo da vida” amplia o capital social, recriando formas comunitárias, identitárias (público), amplian- do a participação política. A função conversacional das mídias de função pós-massiva pode servir como fator privilegiado de resgate da coisa pública, embora não haja garantias. A participação, a colaboração e a conversação são as bases para uma ação política, mas não garantem a sua efetividade.10
A partir disso, é possível dizer que as mídias sociais pro- movem sim a conversação entre indivíduos, que comparti- lham informações e conteúdo, levando, até mesmo, à for- mação e propagação de opiniões.
Opinião pública
Entender o conceito de opinião pública não é fácil, já que é possível se obter diferentes interpretações sobre o
10. LEMOS, André. Nova Esfera Conversacional. Disponível em: <http://andrelemos.info/category/nova-esfera-conversacional/>. Acesso em: 25 fev. 2013.
tema, diferentes entendimentos e variações no campo co- municacional, sendo que, muitas vezes, pode ser entendi- da como disputa de poder, controle social, voz do espaço público, e supostamente encarada como a “mola principal das democracias”. A partir dessa informação, então, fica a pergunta: quem ou quê pode ser considerado(a) a opinião pública nos dias de hoje?
Na era de jornais, tevês, redes sociais, Estado, instituições, corporações, blogs, sites etc., o indivíduo tem a sua disposi- ção mais espaço para opinar. No entanto, de quem é, hoje, “a voz do “povo”?11 De acordo com a literatura, a opinião
pública pode ser entendida como um discurso majoritá- rio que engloba diversas opiniões de local geograficamen- te identificável em pequenos conceitos, positivo, negativo, moral, imoral, ético, absurdo, revoltante. Com uma função política que reveste, ao mesmo tempo, um caráter ético- -moral, dado o tipo de mediação público/privado. É possí- vel dizer que existe uma ligação também com a moralidade, mas para ser expressa, essa opinião precisa de um canal de exposição, que geralmente encontra nos meios de comuni- cação de massa seu principal meio de manifestação.
Uma vez que a opinião pública nasce no âmbito do debate público/privado, ela está suscetível a discussões, mudando com anúncios de novas informações relevantes, com a mobilidade social, com o tempo, permitindo des- se modo discordâncias. Relaciona-se com o conjunto de crença, ideologia dos indivíduos, os modos de expressão e de natureza comunicativa interpessoal. Em sua formação e desenvolvimento, a opinião pública sofre interferências dos grupos, dos fatores sociais, os psicológicos, a persuasão
11. BLOCH, Arnaldo. Opinião pública ainda existe? Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/ opiniao-publica-ainda-existe>. Acesso em: 05 fev. 2013.
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e os veículos de comunicação de massa. Sidinéia Gomes Freitas (s/d, online) lembra que “nas sociedades mais estáti- cas as opiniões são mais permanentes e se aproximam mais de crenças, enquanto que em sociedade mais dinâmicas os indivíduos tendem a mudar de opinião e devido à grande mobilidade social, opiniões se transformam ou até mesmo desaparecem”.
O professor Cândido Teobaldo diz que hoje o con- trole da opinião pública é realizada pelo processo cria- dor e estimulante da propaganda. “A realidade é que a propaganda, fomentando o aparecimento de massa, em lugar de públicos, tem criado opinião pública em forma de mito”. E adverte:
Os “slogans”, estereótipos e apelos emocionais, que compõem o determinante não racional, podem, às vezes, provocar o aparecimento de um comporta- mento do público muito semelhante ao de uma multidão ou massa, não obtendo, na realidade a opi- nião pública, mas somente um sentimento coletivo. Não se pode negar que a opinião pública se forma através da comunicação e da interação social, o que difere bastante desse sentimento coletivo produzi- do pelas massas, em consequência da comunicação apenas unilateral (SOUZA ANDRADE, s/d, p. 11).
Por ser opinião ela não coincide com a verdade, ela expres- sa mais juízo de valor do que juízo de fato. “A opinião é um fenômeno social. Existe apenas em relação a um grupo, é um dos modos de expressão desse grupo e difunde-se utilizando as redes de comunicação do grupo”12. A opinião pública também