Collision & Solutions Parallèles
2.1 Évolution des architectures
Estabelecer a relação entre comunicação e a sociedade é conhecer, compre- ender, interagir e participar do espaço social não meramente como observador, mas como protagonista de ações que possam contribuir para as mudanças tão conclamadas, quer nos âmbitos econômico, político ou cultural. Estas novas práticas podem ou não estar amparadas nos sistemas midiático-comunicativos, mas devem ser capazes de refletir as demandas da sociedade. Assim, como afir- ma Hohlfeldt (2004, p. 3), a pesquisa precisa marcar seu território de partici- pação no cenário social, que é tão diversificado, quanto amplo. É essencial a “[...] compreensão a respeito de sua contextualização e de suas relações com outros campos”, estabelecendo com outras áreas do conhecimento uma relação de equilíbrio e de convívio, saindo da relação de dependência e subserviência.
Do mesmo modo, não se pode admitir que quando entram em cena temas sociais, tanto a pesquisa como a prática comunicativa estejam desvinculados destas demandas sob a alegação de pertencerem a outros campos do conhe- cimento. Então, a relação entre comunicação e teoria social permite emergir
relações “[...] com a historiografia, com a teoria da literatura, com a política, com a psicologia - e especialmente a psicologia social - com a sociologia, com a estética, etc.”, como reforça Hohlfeldt (2004, p. 3), em seu texto.
As mudanças sociais têm sido amplas e rápidas. Os últimos 50 anos foram marcados por grandes acontecimentos. O mundo globalizado, onde as frontei- ras não resistem aos avanços das tecnologias, viu coisas grandiosas acontecerem, como os movimentos ambientalistas mundiais pela preservação dos recursos naturais do planeta; o mundo ultrapassou os 7 bilhões de pessoas; a queda do Muro de Berlin, os protestos por democracia em países do norte da África e do Oriente Médio (Primavera Árabe) iniciados por redes sociais, buscando colocar fim aos regimes ditatoriais e tirânicos; as múltiplas manifestações populares para a abertura de Cuba para o mundo, ocorrendo a passos lentos, mas acontecendo. No Brasil, os debates sobre a construção de usinas hidroelétricas, a descoberta da camada pré-sal; a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O desenvolvimento da medicina, das vacinas, tratamento com células tronco;
pesquisadores anunciaram estar perto de comprovar a existência do bóson de
Higgs, a chamada “partícula de Deus”, responsável por dar massa a todas as outras
partículas. A criação do Kinect, desenvolvido pelo brasileiro Alex Kipman, é um sensor de movimento, que elevou os jogos (vídeo games) a um novo patamar e provou que o joystick está com os dias contados; o uso dos aparelhos celulares se popularizou; a tecnologia 3D pode ser encontrada nos televisores de última geração, computadores, notebooks e obrigou o cinema a reviver uma tendência, explorada com certa timidez há algum tempo e 2010 foi o ano dos tablets.
Do mesmo modo, o desenvolvimento dos múltiplos aplicativos que trans- formou os aparelhos celulares em verdadeiros parques de diversão, promovendo sua constante atualização, também fez surgir uma nova e lucrativa indústria de conteúdos, isso sem mencionar várias outras tecnologias como Orkut, Facebook,
Firefox, YouTube, Wikipédia, Chrome e os códigos abertos; o número de PCs
(computadores pessoais) em uso no planeta ultrapassou 1 bilhão e o que dizer do fim dos fios em aparelhos de informática, onde televisores, câmeras, apare- lhos de DVD, computadores, impressoras e monitores funcionam entre si por meio de ondas, do tipo Bluetooth, Wi-Fi e “USB sem fio”, última novidade no setor. Essas são algumas pílulas dos avanços sociais, impulsionados e muitas vezes facilitados pelas tecnologias da comunicação, aliados a pesquisa de ponta e aplicações sociais.
É neste cenário tão amplo, como diversificado, onde o coletivo se confunde com global e o individual ganha eficácia se for amparado pelas múltiplas ações conjuntas que são capazes de modificar todo o planeta, que torna possível a compreensão da comunicação como prática social.
Da mesma forma, é razoável afiançar que todas estas mudanças ensejam a ideia de “dimensão multiforme” da comunicação, também defendida por Effen- dy Maldonado (2010, p. 3-4). Para ambos, Hohlfeldt e Maldonado, os pontos de distinção entre a vida social, a eminência da pesquisa e da prática comunica- tiva “[...] concebem essa dimensão como formas de vida (Wittgenstein, 1988) articuladas em uma trama [...] comunicacional e [...] no interior dela é possível observar a inter-relação com organizações de outras espécies (técnica, política, econômica, psicológica, linguística)”. Assim, as “[...] capacidades produtivas (artísticas, cognitivas, experimentais, políticas, sócio-organizativas, culturais, poéticas e de trabalho) são potencializadas, criando um caráter multidimen- sional para a comunicação”. Esse novo olhar amplia as possibilidades de desco- brimentos, admite “[...] rupturas e continuidades epistemológicas, incluindo a esse esforço a incorporação de epistemologias autóctones e mundiais; científicas e milenares, para-consistentes e formais; dialéticas e axiomáticas”, que aceitam “[...] os princípios da diversidade, da contradição, da alteridade, da fraternida- de, da aventura intelectual e da paixão por transformar o mundo”. (Maldonado, 2010, p. 12)
Para Hohlfeldt (2004, p. 4), mais do que a angústia do entendimento amplo sobre as mudanças nos novos processos de produção, é necessário distinguir e refletir “[...] sobre o específico da comunicação. Não se pode exigir para um campo, que é amplo o suficiente para dialogar com uma multiplicidade tão grande de outros campos de conhecimento, os mesmos princípios e métodos aplicáveis a um campo mais explícito e reduzido”. Assim, a importância da co- municação social reside no fato de se criar um “[...] ambiente capaz de produzir sentidos que são depois universalizados socialmente, ampliando conhecimento e consciência, problematizando realidades e projetando, no futuro, alternativas variadas”. (HOHLFELDT, 2004, p. 5)
O grande desafio é não dissociar instituições, pesquisadores e objetos de estudos, para não perder sua unidade e características. As teorias consolidadas pelas Ciências Sociais forneceram o ferramental necessário para esse aporte. Uti- lizando abordagens quantitativas e qualitativas, amparados pela Filosofia, Socio- logia, História, Geografia, Psicologia Social, Estatística entre muitos outros se cria a possibilidade para superar a simples observação e atuar como agentes na construção do conhecimento. Papel fundamental que deve ser desempenhado na pesquisa científica e na comunicação social.
Hohlfeldt (2004, p. 2-3) afirma que o olhar da comunicação, como resul- tado das pesquisas empíricas realizadas, deve estar aberto, ampliado, sem uma busca de resposta definitiva e unívoca, mas dialógicas,
[...] que articulam e se articulam com outros campos de conhecimento humano. [...] não mais vislumbramos a Comunicação Social enquanto numa dependência, um campo dependente de outros campos, ou de uma relação hierarquizada, para chegarmos a um contexto de dialogia plena, onde a Comunicação Social se encontra em patamar semelhan- te às demais ciências sociais, dialogando com elas de igual para igual, chegando mesmo a contribuir com elas com alguns conceitos e algumas concepções fundamentais. Se ainda não sabemos concretamente quem somos e onde estamos, certamente já conseguimos mapear alguns loci de referencialidade e indicar ao menos algumas coisas que não somos.
A mídia, sua produção, seus agentes produtores e consumidores devem ser vistos enquanto ambiente articulador, não único, mas “[...] a partir do qual praticamente todas as atividades humanas se desenvolvem, retomando, talvez, aquela velha assertiva de Aristóteles, segundo a qual o homem é um ser animal, social e racional”. (2004, p. 4)
É necessário ampliar o olhar para além do sistêmico, do pontual, do unívoco para espaços onde se pode experimentar a transdisciplinaridade. Como afirma Hohlfeldt
Ora, se compreendermos a comunicação enquanto uma hiper-realidade, evidentemente precisamos reconhecer e admitir como intrínseca a ela a dificuldade de reduzi-la a um determinado território. E se, [...] precisa- mos ter clareza quanto ao objeto e aos métodos específicos da comunica- ção, só alcançaremos realizar essa tarefa se chegamos a conhecer, analisar e identificar os procedimentos específicos através dos quais se manifesta a comunicação social. (HOHLFELD, 2004, p. 4-5)
A complexidade na qual se reveste as análises em comunicação social faz com que seja possível compreender que se trata de um campo no mínimo contraditório. “[...] a comunicação social, tal como a teoria social, tem, como uma de suas principais funções, a interação social, a ordem e a organização do caos mas, ao mesmo tempo, ela é essencialmente subversiva, provocadora de quebra dos paradigmas estabeleci- dos, proponente e construtora de novas realidades”. (HOHLFELD, 2004, p. 5)
Deste modo, para que seja possível o diálogo interdisciplinar, com caracte- rísticas multidisciplinares, é necessário atentar para as novas e múltiplas formas de interação entre a universidade e a sociedade, de maneira a tornar mais ágil a apropriação do conhecimento produzido na universidade pela sociedade; in- cluir a participação das instituições de ensino no planejamento das ações a se- rem exercitadas; estimulo à formação de redes de pesquisa etc. Mas é necessário,
também, que o olhar da academia se volte para o mercado, para o setor produ- tivo e incorpore em todo o processo de formação outros parâmetros e métricas para dar conta da diversidade social, econômica, cultural e do desenvolvimento alavancados pela sociedade do conhecimento.