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PILOTER LES PROJETS ET TRAVAILLER EN MODE COLLABORATIF

Dans le document Frédéric Joly et Magali Turpain (Page 72-75)

Com vistas a tentar minimizar a incidência de omissão do morfema de infinitivo nas produções textuais de alunos do Ensino Fundamen- tal, pensamos na elaboração de um Objeto de Aprendizagem (OA) que, segundo Prensky (2012, p. 209-230), é uma das técnicas de aprendiza- gem interativas usadas na aprendizagem baseada em jogos digitais. Motivou-nos a ideia de usar um OA para a resolução de uma dificuldade enfrentada no ensino da língua o trabalho de Barbosa (2008). Nossas limitações, entretanto, no âmbito da linguagem computacional, neces- sária para a criação de um OA, deixaram-nos com a opção de elaborar um desenho pedagógico para o OA.

O desenho pedagógico de um OA deve responder a questões como a forma de abordagem do tema, os objetivos estabelecidos, as atividades a serem desenvolvidas e o contexto que situarão os conteúdos de aprendizagem. Considerando a proposta de design pedagógico do Rived (2004), esbo- çamos a elaboração do objeto de aprendizagem em quatro momentos: a) Escolha do tópico; b) Escopo do OA; c) Interatividade; d) Atividades.

O tópico selecionado para desenvolver o OA foi a ortografia do R na posi- ção pós-vocálica, tema pouco explorado nos livros didáticos (CEREJA; MAGALHÃES, 2012, por exemplo) e em sites como o Portal do Professor (BRASIL, 2008) e o Banco Internacional de Objetos Educacionais (BRASIL, 2008b). Quando acessamos essas páginas na web ou lemos manuais de ensino da Língua Portuguesa, percebemos que a maioria das incursões sobre a ortografia do R se dá em relação à oposição no uso das formas simples e geminada (r/rr).

Como escopo, temos que o OA trabalhará a escrita de formas verbais e não verbais que utilizem em sua estrutura o R em coda interna e/ou externa, mas o objetivo principal é a escrita dos verbos no infinitivo. Dessa forma, os alunos do EF devem aprender a: 1) contrastar a posição da sílaba tôni- ca nas palavras com tema em “a”, “e” e “o” não monossílabas, não acen- tuadas graficamente, com ou sem travador silábico: amei/ame, lençol/ lenço, parar/para; 2) Contrastar, nos verbos de terceira conjugação, as informações de tempo pretérito, sem travador silábico (eu pedi) e tempo futuro (eu vou pedir); 3) Reconhecer e empregar corretamente a forma nominal de infinitivo dos verbos.

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O OA deve contribuir para que o aluno, lançando mão de pista acústica (tonicidade silábica) e/ou semântica (noção de tempo verbal ou ação em potência), preveja o emprego ou não do R em final de verbos.

No quesito interatividade, o OA consistirá em um jogo para duplas de alunos dispostos em computadores em rede, em máquinas diferentes. O  desafio será sair de um ambiente nefasto, com situações deletérias para o jogador: um naufrágio em mar tomado por tubarões ou polvos gigantes; um passeio em uma floresta repleta de animais carnívoros; uma noite em um lugar assombrado, entre outros. Não concluir um evento comunicativo resultará em perda de pontos, uma vez que todas as ações para anular ou resolver as situações conflitivas terão origem em um texto, oral ou escrito, que deverá ser retextualizado – segundo a perspectiva de Marcuschi (2007) – por um componente para ser enviado ao outro membro da dupla.

Em todos os arquivos haverá a possibilidade de uso de verbos no infini- tivo; os retextos serão transformados em áudio pelo membro leitor da equipe que enviará a gravação de sua leitura para o membro escritor. Caso haja truncamento na comunicação, por conta de erros na escrita, e o aluno escritor não conseguir perceber o desvio ortográfico cometido, o software se encarregará de anular o ato comunicativo e a dupla perderá pontos, afastando-se da saída, e adentrando, cada vez mais, no ambiente insalubre. As posições de escritor e leitor serão trocadas, por um coman- do do software, de acordo com o progresso da dupla ou do quarteto em direção à resolução dos problemas.

As informações a serem dadas sobre o conteúdo relacionado ao tópico aparecerão de maneira diluída no cenário. Assim, para lembrar a rela- ção entre tonicidade e travamento silábico, uma frase (O canto do cantor emociona) pode aparecer nas páginas de um livro sobre uma mesa velha, pichada em um muro de cemitério ou na tatuagem de um pirata. O aluno, ao passar o mouse, aciona uma lupa para ler o texto com as sublinhas; ou, em outras situações sobre esse conteúdo, o mouse aciona um ícone para arquivo de áudio, o aluno escuta e vê a diferença entre pares de palavras (calor/calo; amor/amo; falar/fala; vender/vende, etc.).

No que se refere às atividades, estas se fundam nas habilidades de ouvir, falar, ler e escrever. O jogo é essencialmente interativo: o aluno que está em perigo recebe um aviso com uma pista cifrada sobre como livrar-se do sinistro; o aviso aparece em forma de texto oral (arquivo de áudio), texto escrito ou multimodal (tiras, material publicitário), ou vídeo. O aviso deve ser retextualizado, digitado e enviado para o outro componente da equipe, que fará a leitura do texto do colega, utilizando o fone do compu- tador para gravar a mensagem e enviar informações para o software, que procederá ao cotejo entre o material digitado no computador do aluno 1 e a leitura feita pelo aluno 2.

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Se o aluno 2 fizer a leitura autorizada pela escrita de seu parceiro e houver alguma impropriedade derivada de erro ortográfico, o aluno 1 deve- rá perceber em que desvio incorreu e corrigir seu texto: o aluno 1 abriu um áudio em que o monstro dizia: “Fala pra sua mãe que ela é linda”; a retextualização aceitável, constante no banco de dados será: “O monstro disse pra eu falar pra minha mãe que ela é linda”. No momento em que o jogador/aluno/usuário 1 digitar: “Fala pra minha mãe que ela é linda” ou ”O monstro disse pra eu fala pra minha mãe que ela é linda” ou ainda “Fala pra sua mãe que ela é linda”, o software reconhecerá como errado o texto retextualizado. O aluno 2 deverá reconhecer o erro e avisar seu parceiro para a reescrita do texto.

Dessa forma, empregando a ludicidade, pretendemos que o usuário do OA estabeleça maior atenção para a língua escrita, em seu aspecto ortográfico.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo do apagamento do R no final de verbos demandou que investi- gássemos uma farta e rica literatura voltada para a questão do cancela- mento do /R/. Desse acervo bibliográfico, extraímos considerações sobre a generalização do cancelamento do /R/ em final de palavra, mormente de verbos, nas linhas temporal e espacial do Português brasileiro:

1. A forma infinitiva dos verbos da Língua Portuguesa é privilegiada para a supressão do rótico, por conta da estrutura silábica cvc, originada do acréscimo do morfema de infinitivo “r” aos temas (a, e / o, i), na posição de travador silábico;

2. O cancelamento do /R/ estabeleceria o cânone silábico da Língua Portuguesa (cv) e preservaria o contraste de sonoridade entre os segmentos da sílaba;

3. A proximidade entre o /R/ e a vogal que lhe antecede nas formas verbais (a, e / o, i), nos aspectos de sonoridade e força, concorre para que a vogal, mais forte, assimile os traços do rótico, mais fraco, e o elimine. A vogal ganha, assim, mais sonoridade, o que sublinha a diferença de tonicidade entre as sílabas da palavra. Entre as vogais temáticas, a vogal alta, não arredondada, /i/, mostrou-se mais próxima, foneticamente, do rótico, o que explica o grande índice de apagamento do morfema de infinitivo na terceira conjugação.

De posse dessas informações, procedeu-se à elaboração de atividades que permitissem trabalhar o conteúdo de ortografia. Fez-se, desse modo, a descrição do apagamento do R na escrita dos estudantes:

a) Predomínio do apoio na oralidade como motivação para o desvio ortográfico;

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b) Prevalência do apagamento do R nas formas verbais em detrimento das nominais, uma vez que os verbos com fechamento em R são mais produtivos, nas produções textuais, que os nomes terminados com essa consoante;

c) Maior incidência da apócope do R na coda externa, menor incidência na coda interna;

d) Favorecimento da supressão do morfema de infinitivo em contex- to subsequente de vogal, contrariando a tendência vista na literatura, a respeito da ressilabificação da consoante em coda silábica na antece- dência de fonema vocálico;

e) Preponderância de omissão do R nos verbos não monossílabos, menor ocorrência de apagamento em verbos monossílabos, tendo em vista o fato de que a extensão menor é mais marcada para questões ortográfi- cas: se ≠ ser;

f) Maior probabilidade de apagamento do R, em contexto anteceden- te de vogal alta, anterior, não arredondada [i] – desconsiderando-se a alta produtividade dos verbos de primeira conjugação –, por causa da proximidade de traços fonéticos entre a vogal alta, anterior, não arre- dondada, e o rótico;

g) Maior dificuldade para trabalhar o apagamento dos verbos de terceira conjugação, de vez que, diferentemente dos verbos não monossílabos com tema em “a”, “e” e “o”, a ausência do travador R não interfere na pronúncia oxítona da forma verbal: pedi = pedir.

Ademais de detectar, estudar e descrever o desvio da apócope do R na borda dos verbos, pensamos uma alternativa para trabalhar os concei- tos subjacentes ao apagamento do R, ou seja, um tipo de atividade que explorasse oralidade e escrita de forma a fazer com que os sujeitos da pesquisa se conscientizassem das peculiaridades entre a fala e a escri- ta. Voltamo-nos, assim, para o universo dos recursos digitais de apren- dizagem, considerando não apenas as características formais do OA, como o layout, a plasticidade ou o dinamismo do recurso, mas atentan- do para o conteúdo explorado e para o modo como explorá-lo, para que não se reproduzam conceitos questionados pela literatura das áreas da Linguística e da Sociolinguística, entre outras que estejam na fundamen- tação do corpus trabalhado no Objeto de Aprendizagem.

Entendemos, por fim, que o professor de Português deve ser um pesqui- sador constante dos fatos da língua, principalmente quando trabalha com ortografia, matéria quase sempre tida como árida, por seu caráter prescritivo, mas que pode receber, para seu desenvolvimento, os apor- tes da Fonética, da Fonologia e as contribuições das pesquisas na área da Sociolinguística variacionista. Essas ciências fornecem instrumentos

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para a conscientização a respeito do matiz social de muitos fatos da língua, a exemplo do cancelamento do /R/ em coda verbal na fala – e do consequente apagamento do R na escrita dos alunos –, que não são dados isolados de uma turma de alunos, mas um comportamento linguís- tico presente em grande parte das variedades dialetais componentes do Português brasileiro.

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