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Chapitre 9 : Bilan et perspectives

9.3. Perspectives

O trabalho apresentado por estes autores sugere que a ideia da constituição de uma rede pode ser entendida como um sistema de crenças, normas, regras e outras convenções partilhados entre os actores dessa rede. Independentemente da intenção subjacente existir ou não, a interacção existe dentro delas, tornando-se o estudo dessas interacções o quadro de análise.

Na ausência de um sistema de partilha de convenções entre os actores, perante a assimetria de informação e simétrica ignorância sobre a troca, as oportunidades impediriam os actores de tomar decisões e construírem as suas relações através dos seus relacionamentos de negócio e das suas vantagens mútuas dentro dos negócios dos quais dependem (Ford e Håkansson, 2006). Assim o seu trabalho investiga a ideia da constituição de redes através da interacção entre os actores, como são afectadas e como podem afectar o make-up das redes? (Mouzas e Ford, 2007).

O estudo levado a cabo por estes autores, através da observação das interacções dos actores traz três importantes vantagens: primeiro, através das interacções poderemos compreender a razão de existir uma certa constituição de rede (e não outra) e também o grau de diversidade de pontos de vista e práticas que são apresentados (Wittreich, 1962). Em segundo lugar, a ideia de constituição de redes pode ajudar a entender algo da estrutura de redes como relacionamentos interligados e interdependências. Terceiro, a análise interacção pode ajudar a compreender os processos de redes e particularmente o seu re-ordenamento e a sua confirmação em termos de interacções institucionalizadas. O modelo teórico para o estudo de constituições das redes proposto pelos autores compreende três dimensões conceptuais. Este considera as constituições de redes como uma ordem de convenções superior, a qual é determinada por três forças elementares: a) multilateral exchange, b) focal frames e c) recursive time.

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Multilateral Interaction

Uma das principais características da interacção é que ela é relativa (Ford e Håkansson 2006). Por outras palavras, os actores interagem e organizam os seus recursos e as suas habilidades individuais de modo diferente em diferentes relacionamentos. O valor dos recursos dos actores varia em função de onde e como eles são organizados. É através da

Multilateral Interaction que os recursos individuais são activados (Slater, 2002). Daí, a interacção multilateral existente entre os actores individualmente significativos introduz complexidade no processo de interacção e cria a necessidade de transparência. Em termos económicos, o valor actual de uma determinada interacção pode ser articulado com o valor presente líquido de todos os benefícios e custos futuros esperados. Esta soma do fluxo de benefícios e custos deve ser descontada pelo custo de oportunidade, o qual representa o custo de não investir noutras oportunidades de troca com risco sistemático semelhantes a outros relacionamentos (Modigliani e Miller, 1958). As trocas entre os actores, no entanto, também podem incluir processos “give-and-take”, não económicos (Easton e Araújo, 1992); podem ser tarefas específicas e tarefas não específicas. Um padrão típico de interacção entre as empresas irá compreender vários processos “give-and-take” tanto na sede como a nível regional, para além de uma abundância de troca de informações relacionadas, muitas das vezes com terceiros, como associações comerciais, tribunais, comunidades profissionais e organismos públicos. Em suma, neste último ponto os autores referem-se aos efeitos significativos de externalidades na forma de “market assets”(Johanson e Mattsson, 1985), que o investimento de facilitação, em termos de Multilateral Interaction e complexidade em que os actores estão envolvidos, gera. Para os autores, estes “market assets” abrangem as convenções factuais, físicas e sociais que circundam as trocas.

Focal Frames

Focal frames são activos e formas colectivas de regras e princípios que guiam a direcção de mudança dentro dos relacionamentos; eles transformam a interacção entre os actores em “permanentes formulações conjuntas de fins comuns “ (Sabel, 1994: 138). Eles não são desenvolvidos numa única relação de forma isolada, mas são construídos

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sobre cada actor da mais ampla perspectiva das interacções em que ele e outros estão envolvidos (Ford et al., 2003)31.

Recursive Time

Business não é uma colecção de transacções isoladas e não relacionadas. Em vez disso, a interacção entre as empresas é multi-facetada e ocorre ao longo do tempo como um padrão de recorrência de episódios dentro de relacionamentos contínuos.

Os hábitos e as formas institucionalizadas das interacções inter-empresas são manifestações de recursive time. Exemplos incluem negócios periódicos ou task reviews e negociações anuais entre fornecedores e clientes. Um aspecto importante da recursive

time é que as perspectivas de tempo dos diferentes actores não são frequentemente alinhadas. Cada actor pode ter uma visão diferente da actual ou desejável evolução ou progresso da sua relação de troca, apesar das extensas interacções entre eles (Mannix, Tinsley e Bazerman, 1995).

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IIPARTE:

O

PROGRAMA DE REFORÇO E DINAMIZAÇÃO DA COOPERAÇÃO

EMPRESARIAL

(

SISCOOP

)

Na primeira parte do trabalho, apresentamos os modelos: Miles e Snow (1986); Hakänsson (1987); Perrow (1992); Modelo Italiano de Desenvolvimento Regional (1989); Doz et al. (2000); Cheng e Li (2001) e Mouzas e Ford (2007) evidênciando os aspectos com relevância para o nosso trabalho, concluindo-se assim pela necessidade de recorrer a todos eles na análise do estudo de caso.

Nesta segunda parte, começamos por apresentar algumas considerações metodológicas e o método de investigação usado. Neste sentido, definimo-lo, indicando as razões subjacentes à sua escolha e descrevendo os passos de investigação adoptados.

De seguida apresentamos a cooperação e as redes inter-organizacionais em Portugal. Continuamos fazendo a análise dos resultados para terminar com as conclusões e indicações para pesquisa futura.

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4 M

ETODOLOGIA