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Chapitre 4 : Ontologies : principes et application en conception

4.2. La notion d’ontologie

No decorrer do meu trabalho e estudo na instituição pude contatar que muitos dos utentes alvo do estudo se encontravam com alguma dependência física, psíquica ou social. Segundo Elizasu (2007:68) esta representa

“A dependência a situação de vida de uma pessoa que por ter um défice anatómico ou um transtorno fisiológico, não pode realizar certas funções ou efetuar os gestos essenciais da vida quotidiana, sem a ajuda de outras pessoas, o recurso a próteses, a um remédio, etc. Há que distinguir a dependência física da dependência psíquica na qual o idoso sofre deterioração mental, confusão ou demência senil. A dependência também pode ser social quando a pessoa idosa muda de residência para o lar ou instituição.

Muitos dos utentes da instituição quando foram institucionalizados normalmente já apresentavam algum tipo de dependência física ou psíquica e também social. Esta

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última reflete-se no pouco contacto que mantém com amigos e familiares depois da institucionalização num meio rural onde a emigração é um fenómeno muito frequente naquela região. Neste sentido segundo Elisasu (2007:68) refere que depois da institucionalização do idoso

“ (…) todo um conjunto de mudanças e perdas sucedem, por outro lado, para além da pessoa sofrer uma mudança corporal ou seja uma limitação física que é a causante da sua ida para a instituição, sofre também uma perda relacional, porque deixa de estar com os familiares com tanta frequência como anteriormente. No plano financeiro a pessoa institucionalizada sofre ainda a perda da gestão financeira e a perda de uma espécie de cidadania em que o intercâmbio com os vizinhos desaparece.

Na ótica de Cunha (2009b: 111),

“Para muitos idosos as redes sociais de apoio são frágeis, cenário agravado pelo suporte insuficiente da família que, muitas vezes coloca os seus idosos em lares ou instituições onde os esquece ou até abandona. Não é por isso invulgar, depararmo-nos nessas instituições com um sem número de idosos passivos, desinteressados, com a ideia de morte sempre presente, ou seja, acomodados à sua condição de velhos.”

Para minorar estas situações seria conveniente que antes do ingresso na instituição, o futuro residente tenha a oportunidade de se informar sobre a ela visitando- a. Esta etapa é a pré-acolhida e segundo Elisazu (2007:70)

“é determinante para a pessoa pois constitui o momento que vai permitir comparar e talvez eleger a instituição que melhor se responda e adapte às suas necessidades. As informações recolhidas sobre a instituição vão permitir diminuir a sensação de medo do desconhecido conferindo um sentimento de segurança antes do ingresso definitivo na instituição. Tais informações podem ser condensadas num documento que a direção da instituição coloca á disposição da pessoa.

Como o idoso se encontra muitas vezes renitente ao entrar na instituição uma vez que vai perder muitas vezes o seu “ninho” e aconchego familiar tanta a etapa de pré- acolhida como a de acolhimento são muito imporatantes para que o idoso perca o medo instalado e fique desde logo com uma impressão positiva da residência. Neste sentide e segundo Elisazu (2007:71)

Na etapa do acolhimento o acompanhamento do idoso deve ser realizado pelos mesmos profissionais da pré-acolhida. Com a entrada da pessoa na instituição deve procurar-se descobrir

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os seus gostos, desejos e hábitos, uma vez que a integração com vista à adaptação se deve realizar ao ritmo da pessoa. A comunicação e a informação fazem com que o utente se sinta sujeito participativo na instituição.

Neste sentido poderão ser ainda adotadas outras estratégias para que o idoso não estranhe tanto o acolhimento na instituição e se sinta em casa como as que refere

Elizasu (2007:71) “a instituição deve potenciar a criatividade dos residentes, bem como prestar atenção à disposição dos espaços como o quarto, que deve ser personalizados de acordo com o utente, ou o espaço de animação que deve oferecer conforto e incentivar a comunicação, convertendo-se num local de intercâmbio, de informação e de distração.

A nível governamental e político e segundo Ferreira (2000 cit. Simas 2014: 14) um dos ideais sociais da modernidade é a ausência de riscos para os cidadãos, o que implica que o Estado intervenha no sentido de minimizar e atenuar as situações de fragilidade, nomeadamente as que decorrem do enfraquecimento dos antigos laços de solidariedade ao afirmar “defende-se atualmente a política do welfare-mix, assente na produção mista de bem-estar; isto é, cabe ao Estado, á comunidade e às famílias prestar cuidados e proteção aos cidadãos mais desfavorecidos ou dependentes: crianças, jovens, deficientes e velhos.”

A institucionalização dos idosos é portanto uma das respostas do Estado às pessoas que já não têm autonomia, por motivos de saúde ou de falta de apoio familiar. A entrada num lar de idosos ocorre normalmente quando se agudizam as situações de dependência física, psíquica e social e a institucionalização deve ser um meio de proporcionar um ambiente familiar, comunitário em que o idoso se sinta feliz e ativo.

Em relação á animação ao domicílio esta deve ser encarada como uma forma do idoso conviver e estabelecer laços com a comunidade, estabelecer relações de solidariedade para que o idoso não perca a auto-estima. Torna-se também importante que o idoso realize atividades durante o seu dia-a-dia para que não perca a sua autonomia. O contacto com os familiares é um reforço imprescindível no estabelecer dos laços familiares muitas vezes perdidos ou esquecidos. Neste sentido, como nos lembra Elizasu (2008: 116)

“ (…) as atividades que se poderão realizar no domicílio poderão ser: acompanhar o idoso nas atividades da vida quotidiana como as atividades domésticas; realizar saídas como passeis, saída

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culturais e atividades culturais e lúdicas que tem como objetivo romper com a monotonia do dia- a-dia; prevenir os perigos da vida quotidiana como minimizar o risco de acidentes domésticos; manter ao máximo os laços sociais e as relações com o seu meio envolvente realizando atividades de tipo relacional como relacionar-se com os vizinhos com frequência e contatar familiares via carta ou telefone; atividades que reforçam a identidade nomeadamente a realização de álbuns ou diários de família.”

Resumindo a animação sociocultural é uma metodologia que pode adequar-se a vários espaços físicos como seja a animação ao domicílio. O envelhecimento do ser humano e uma nova etapa da sua vida como seja a reforma faz com que o idoso deixe de realizar a sua atividade profissional e muitas vezes o idoso isola-se em casa pois os filhos já deixaram o leito materno. O contato com outras pessoas próximas ao idoso também poderá não ser muito frequente devido a preconceitos e estereótipos que muitas vezes os mais novos têm acerca dos mais velhos. Neste sentido a animação sociocultural é um meio de combater todos estes preconceitos e tirar o idoso de uma situação de isolamento ao propor atividades que vão de encontro aos gostos, capacidades e hábitos do idoso. O objetivo final será proporcionar um envelhecimento ativo e satisfatório e estabelecer a autonomia muitas vezes perdida ao longo desta fase da vida.

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