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Performance reporting

Dans le document Provincial Auditor Saskatchewan (Page 174-177)

A figura a seguir proporciona um entendimento do processo de execução do Programa de Saúde Ambiental:

Figura 4 – A Lógica do Programa de Saúde Ambiental

FONTE: Ferraz et al (2005, p. 17).

A concepção está estruturada em três linhas de ação que interagem para proporcionar a melhoria das condições ambientais da população da cidade do Recife:

ŠAções de intervenção ŠAções de monitoramento ŠAções educativas.

As ações de intervenção visam eliminar ou reduzir as situações de riscos associadas à ocorrência de doenças e agravos identificadas durante as ações de monitoramento do

programa, proporcionando respostas em curto prazo para problemas nas condições ambientais que interferem na saúde da população. As ações educativas visam, sobretudo, proporcionar à população uma consciência ambiental que se reflita em mudanças de hábitos e comportamentos saudáveis.

As atividades educacionais, contida no Programa, sinalizam a relevância que essa ação tem para com as pessoas desprovidas de recursos, sobretudo o recurso educacional voltado para o meio ambiente. Essa perspectiva tem despertado a atenção dos pesquisadores da educação ambiental, pois

Apesar dos resultados das ações educativas serem sentidos a médio e longo prazo, os impactos provenientes destas, referente à saúde ambiental, são permanentes e duradouras, o que pode garantir maior qualidade de vida para a população atendida pelo PSA (FERRAZ et al, 2005, p. 18 - destaque nosso).

Consoante a Secretaria de Saúde do Recife (2001), o funcionamento do Programa consiste na atuação direta dos agentes sobre o espaço urbano: diagnosticando, notificando agravos, minimizando e eliminando riscos ambientais biológicos e não biológicos. O ASACE atua diariamente em um território delimitado, buscando minimizar e/ou eliminar os riscos à saúde ocasionados por fatores de ordem ambiental.

Eles utilizam como instrumentos de trabalho: tecnologias urbanístico-sanitárias, educacionais, comunicativas e de mobilização comunitária; ficha de visita ao imóvel; croqui de logradouros; mapas de pontos e mapas de risco. Como produtos de trabalho, são obtidos: ações intersetoriais (água, saneamento, resíduos sólidos, habitação, etc.), intervenções específicas (vigilância e controle de vetores, hospedeiros, reservatórios etc.), ações de promoção e proteção específicas (educação/comunicação).

Com efeito, no elenco de atividades desenvolvidas pelo ASACE é recorrente aquela relativa ao aspecto educativo, compreendendo o desenvolvimento das ações de incentivo e orientação à participação do indivíduo, família e comunidade nas práticas de proteção e prevenção (RECIFE, 2001). As ações educativas podem ser classificadas em ações

preventivas (informativas) e interventivas.

As primeiras consistem em o Agente divulgar, em sua área de atuação, o Programa, junto aos moradores (usuários), orientando, individualmente e coletivamente, os moradores quanto às maneiras e às práticas que devem lançar mão para prevenção e solução de diversos

problemas ambientais que a localidade apresente. (Por exemplo, distribuição de cartilhas instrutivas, realização de palestras, mutirões, etc.)

Por outro lado, as ações interventivas versam sobre atividades práticas inerentes à rotina de trabalho do Agente: aplicação de larvicida (no combate à dengue e filariose), vacinação de animais (gatos e cães), tratamento de fontes de água potável, lixo, esgoto, fossas, etc. Isso nos leva a dizer que os ASACEs são os vetores de uma educação ambiental que está no cerne do PSA, a qual

Deve estimular as pessoas a serem portadoras de soluções e não apenas de denúncias, embora estas devam ser as primeiras atitudes diante dos desmandos socioambientais. Deve também produzir mudanças nas suas próprias condutas, modificando, por exemplo, seus hábitos de consumo (BARBIERI, 2004, p. 77, grifo nosso).

3.1.3 O PSA como política pública e a Percepção Social dos Atores

Para Mattos (2006), uma política busca dar resposta a certos problemas de saúde ou às necessidades de grupos específicos, com enfoques tanto na promoção, na prevenção ou na atenção. Porém, o mesmo autor reconhece que muitas políticas no país têm recebido a denominação de programa (como o Programa de Saúde da Família, ou Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, dentre outros), quando, na realidade, se constituem como políticas. Portanto, mesmo carregando em seu nome o termo programa, consideramos que o PSA é uma política, e será como tal aqui considerado.

Tendo em vista o escopo de nosso trabalho, a percepção social se constituiu como uma categoria analítica central 25, e como tal merece ser explicitada. Assim sendo, ressaltamos que a percepção social é, na psicologia e em outras ciências cognitivas, aquela parte da percepção que nos permite que entendamos os indivíduos, os grupos [e as coisas] de nosso mundo social. Assim, é um elemento da cognição social 26. Ela nos permite formar ideias, imagens e compreensões do mundo que nos rodeia.

      

25 Categoria analítica “é aquela que retém as relações sociais fundamentais e podem ser consideradas balizas 

para o conhecimento do objeto nos seus aspectos gerais” (MINAYO, 1992, p. 93).   

26  A Psicologia Social contribui para o estudo da percepção através do conceito de cognição social, uma

importante perspectiva teórica para pensar a percepção dos atores sociais de nossa pesquisa. De acordo com Fiske e Taylor (1991, p. 75), “Cognição social é o estudo de como as pessoas fazem inferências a partir de informação obtida no ambiente social”. O conceito abrange, além da cognição sobre as outras pessoas, a

Esse entendimento se aproxima do conceito da UNESCO (1977) que advoga a percepção como “a maneira pela qual o homem sente e compreende o meio ambiente, (natural ou o citado por ele)”. Para Rio (1996), existem atributos específicos na constituição da percepção da realidade, conforme estabelecido no esquema abaixo:

Figura 5 – Esquema Teórico do Processo Perceptivo

Segundo o mesmo autor, a percepção possui as seguintes características: é o conhecimento sensorial de totalidades e que são dotadas de sentido; demonstra a relação do sujeito com o exterior; envolve nossa história pessoal; é uma conduta vital, uma interpretação de coisas e objetos que nos rodeiam; envolve valores sociais.

Na obra A construção social da realidade, Berger & Luckmann destacam que “a vida cotidiana apresenta-se como uma realidade interpretada pelos homens e subjetivamente dotada de sentido para eles” (BERGER & LUCKMANN, 1997, p. 35). Daí porque, a percepção social está vinculada ao imaginário - com a concepção de mundo, com as crenças e os valores compartilhados por um determinado grupo. A percepção social é construída por meio de experiências vivenciadas com o mundo.

O mundo da vida cotidiana não somente é tomado como uma realidade certa pelos membros ordinários da sociedade na conduta subjetivamente dotada de sentido que imprimem a suas vidas, mas é um mundo que se origina no pensamento e na ação dos homens comuns, sendo afirmado como real por eles. (BERGER & LUCKMANN, 1997, p. 36).

Em outras palavras, a construção social da realidade ocorre como um processo compartilhado de interpretações entre os membros de um grupo. Os elementos        cognição sobre elas próprias, analisando não apenas o modo como as pessoas pensam sobre as outras, mas a forma como elas pensam que pensam sobre as outras. Nesse âmbito, a percepção social é um processo dinâmico e interativo, além de ser mais complexo do que a percepção de objetos, por envolver atribuição de valores e a personalidade do sujeito. 

compartilhados (por exemplo: crenças, valores, etc.) influenciam a percepção do mesmo. Os estudos de Berger & Luckmann (1997) ajudam a entender a percepção social dos ASACEs e dos líderes comunitários sobre a educação ambiental, pois o que temos em mente é que, no ambiente de execução de suas atividades profissionais e de liderança, a percepção que esses sujeitos têm das ações educativas voltadas para o cuidado do meio ambiente expressa a compreensão que eles têm do meio ambiente e da educação ambiental como processo de construção social vivenciado no cotidiano da comunidade onde vivem e atuam. Assim, perceber é também conhecer.

Bruner & Postmam (1958, apud PENNA 1997, p. 41), defendem que todo ato perceptivo é de certa forma um conhecimento social, ao ser desenvolvido por meio de modelos culturais. Desse modo, a percepção está ligada a um número significativo de oportunidades para o sujeito ter conhecimento da realidade social e, por sua vez, significar as experiências vivenciadas. Em outros termos, é uma forma que os atores usam para manter contato significativo com o mundo em que vivem.

A percepção social está relacionada aos valores culturais, pois é difícil atribuir sentido aos objetos e à realidade, sem o apoio do sistema cultural de cada sociedade. Dessa forma, a cultura influencia no julgamento que o indivíduo realiza a respeito do que percebe (ROCHA, 2002, p. 105).

Dessa ótica, o próprio ato de perceber configura-se como um processo de aprendizagem, recebendo influencias da linguagem, da cultura e da socialização, porque refletem as formas sociais e culturais de organizar e de interpretar o mundo.

3.1.4 A operacionalização e a exposição dos dados

A partir dos referenciais expostos, fomos ao campo de pesquisa e empreendemos as entrevistas com os nossos informantes. Em seguida, organizamos os dados extraídos da transcrição do material e leitura das informações obtidas a partir dos mesmos. A sistematização dos dados se deu através de uma matriz analítica, a qual relacionou os aspectos observados nas falas das pessoas entrevistadas.

A partir dessa matriz construímos um corpo sintético de categorias, tendo como resultado a ampliação do olhar para a maneira como as percepções sociais são construídas pelos atores envolvidos com as ações educativas do PSA. Nessa fase, foram feitos recortes de frases ou palavras-chave como forma de categorização temática.

Na segunda fase da análise trabalhamos com o recorte do texto em unidades de registro, que consistiram em palavras ou temas, considerados relevantes durante a pré-análise, produzindo a classificação e a agregação dos dados. Por fim, procedemos à discussão dos dados, realizando interpretações e propondo inferências. Nesse sentido buscamos analisar não só aquilo que explicitamente se encontrava no material coletado. Mas, ainda, buscou-se desvelar os conteúdos encontrados nas entrelinhas do processo, apontando e analisando dimensões contraditórias e mesmo aspectos silenciados.

Vale esclarecer que cuidamos em preservar a identidade dos entrevistados, codificando-as (Informante 1, 2, 3, etc.), pois o objetivo da análise é, antes de tudo, esclarecer a “posição” dos atores sociais tendo em vista o objetivo do estudo. Por outro lado, na transcrição das falas, procuramos ser o mais fiel possível à elocução de cada sujeito durantes as entrevistas. Os informantes 1, 2, 3 e 4 são ASACEs; os informantes 5, 6, 7 e 8 são os líderes comunitários do bairro.

A análise propriamente dita das entrevistas resultou do entrecruzamento de uma categoria geral – percepção social - e duas categorias específicas: meio ambiente e ações educativas (ver Quadro III).

Quadro III – Categorias e Subcategorias Temáticas PERCEPÇÃO SOCIAL

MEIO AMBIENTE ATIVIDADES EDUCATIVAS

Lugar da vida Atividades preventivas Algo a cuidar/preservar Atividades interventivas

A partir da categoria meio ambiente emergiram, das falas dos entrevistados, duas subcategorias designadas como “lugar da vida” e “algo a cuidar”.

A referência “lugar da vida” apresentou um sentido de totalidade, sendo abordada pelos atores ora como espaço físico, ora como lugar. Comumente estava associada às impressões “naturais”, onde os entrevistados identificavam elementos imediatos ao seu habitat; embora também fossem observadas referências relativas ao espaço e aos elementos que podem interferir no meio (como a poluição, por exemplo).

Informante 3

É tudo ao nosso redor. É a rua, as residências, é as matas (sic), os rios, é a poluição. Tudo isso para mim é o meio ambiente. Pensar no meio ambiente, é o lixo, minimizar os danos que o lixo causa, dando a instrução de educação aos moradores, é a poluição, é as ruas (sic). Tudo isso é o Meio Ambiente. É colaborar e até aprender também.

Informante 4

O lugar aonde a gente vive, nós interage (sic), é o lugar onde passamos toda vida da

gente. É a água que bebemos, o alimento que comemos, é a nossa vida comunitária. O meio ambiente é a gente mesmo. É o que a gente vê no dia-a-dia: como o desmatamento, o trabalho com os animais sinantrópicos, escorpiões...

O entendimento do meio ambiente como “algo a cuidar/preservar” (segunda subcategoria) apareceu igualmente nas falas dos informantes da seguinte maneira:

Informante 2

Percebi que todo mundo fazendo um pouquinho, um cuidando do seu animal, outro da capinação, cada um fazendo sua parte melhora a situação... As pessoas não tomam cuidado com a garrafa “pet”, pois o maior problema é o destino daquela “pet”... Os canais estão cheio de garrafa pet e ela não vai dissolver com facilidade e ela vai passar anos ali naquele local para poder se decompor. A população que reclama do lixo na comunidade, que tá cheio de lixo, é a mesma população que faz: “Bu, joga o sofá no rio...” fogão velho, diversos tipos de lixo.

Informante 7

Aqui na comunidade eu trabalho com povo e o povo trabalha com a gente. Na hora do carro do lixo passar, as pessoas deixam de colocar o lixo para ir assistir novela. Era só deixar na calçada, isso precisa melhorar, é muito lixo nas ruas. O povo precisa melhorar o cuidado com o meio ambiente.

A categoria temática ações educativas, por sua vez, apareceu correlacionada às subcategorias designadas de “atividades preventivas” e “atividades interventivas” na fala dos entrevistados. As “ações educativas interventivas” foram expressas assim:

Informante 5

Em relação à ação educacional do programa, eu não sei se o que tenho são críticas ou não; mas, por exemplo, pelo que sei a ação do programa consiste em passar nas casas e constatar, por ex. como está se dando o processo de armazenamento de água, se há larvas do mosquito da dengue ou algo do tipo. Eu acho que se o programa consiste só nisso, é muito pouco. Poderia existir momentos no posto de saúde ou mais apropriadamente na associação dos moradores, tentando chamar a comunidade para participar de algumas discussões sobre a questão da educação

ambiental... Pra mim a ação deles está se restringindo muito ao combate do mosquito da dengue. Será que essa seria a única questão do programa de saúde ambiental? Porque sempre que eles vem por aqui é pra combater o mosquito da dengue.

Informante 6

Ele [o Agente] cumpre metas. Sai todos os dias para dentro do seu trabalho cumprir metas. Ele tem algumas prevenções. Eu acho que o trabalho deles é isso aí mesmo: cumprir a meta deles e pronto.

Por sua vez, assim foram percebidas as “ações educativas preventivas”:

Informante 3

Estamos formando multiplicadores. Se fizemos (sic) a ação correta positiva, aquilo vai ser passado para outras pessoas. Eu vejo a ação educativa que visa sempre algo além, estar à frente. Eu vou passar para aquele pessoal, eles vão passar para outras pessoas, e vai se multiplicar. É bom falar que nas visitas as pessoas me reconhecem. As crianças falam: “olha, mamãe, esse é o rapaz da dengue, que falou para ter cuidado com a água, ele deu a cartilha...”.

Informante 4

Então, a função da gente é manter que o povo mantenha seus reservatórios tampados, para que as pessoas evitem jogar o lixo nas caneletas, no rio, para que as pessoas tenham seu lixo acondicionado, cuidem do seu quintal para evitar mosquito, ratos. Então, a função da gente é educativa, né?... A população vê o trabalho da gente muito importante porque a gente tem colhido bons frutos desde sua implantação, como a queda do número doenças e a diminuição de infestação, a vacinação de animais todo o ano, o monitoramento de barreiras com a CODECIR (Coordenadoria de Defesa Civil do Recife), e até mesmo reforma em ruas com a EMLURB (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana).

Informante 7

A melhor parte do trabalho é a visita do Agente. Ele passa na data certa. Às vezes, as pessoas pedem para eles passarem antes da data para ver outros problemas da sua casa. Na visita, as perguntas que ele faz é muito importante, como o cuidado com o lixo, a limpeza do quintal e o cuidado com a água. Os panfletos são muito importantes para nós, é uma boa orientação... O trabalho dele é muito importante para a comunidade. A Prefeitura, ela fez o elo e botou o Agente de saúde com a comunidade, e isso é muito importante, pois o morador tem contato direto com eles.

CAPÍTULO IV – O PROGRAMA DE SAÚDE AMBIENTAL E A

PERCEPÇÃO SOCIAL DAS AÇÕES EDUCATIVAS

4.1 Do Campo de Pesquisa aos Resultados

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