“Fazer jornalismo e entretenimento que informem, inspirem e contribuam para a transformação da realidade e da construção das pessoas”. Este é o propósito do Grupo RBS (Rede Brasil Sul), empresa à qual pertence o jornal Zero Hora (ZH). O grupo é uma das maiores empresas de comunicação multimídia do Brasil e uma das principais afiliadas da Rede Globo58. A empresa possui um complexo de veículos, entre televisão, rádio, jornal e
digital, espalhados pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Brasília. Na apresentação do Grupo RBS, no site oficial, o fundador Maurício Sirotsky Sobrinho afirma, em uma citação destacada: “A filosofia que implantamos, ao longo do tempo, foi manter os olhos abertos a esta evolução tão acelerada, acompanhando o desenvolvimento tecnológico sem perder de vista a dimensão humana”. Neste mesmo site oficial do grupo, são apresentados os valores que regem o Código de Ética da empresa. O texto “reforça o compromisso do Grupo RBS com a ética e a integridade na condução do relacionamento com todos os nossos públicos”. O documento, lançado em 2013, segundo a empresa, pauta atitudes e práticas no dia-a-dia dos negócios do grupo e abrange tanto os colaboradores do Grupo RBS, os fornecedores que interagem com agentes públicos em nome das empresas controladas ou coligadas a RBS. Ainda segundo o site, a transparência e o respeito às pessoas são “duas prerrogativas inegociáveis que regem a atuação da empresa”. Os seis valores são: “realizar crescimento sustentado”, “nosso coração pulsa”, “desenvolvimento coletivo”, “todos pelos clientes”, “fazer o que é certo”, “conexão com as pessoas” 59.
58A Globo possui empresas afiliadas, espalhadas pelo país, que contribuem com os telejornais diários da emissora.
59Realizar crescimento sustentado: “Paixão por fazer mais e melhor. Compromisso com resultados consistentes em curto e longo prazos”; Nosso coração pulsa: “Um ambiente vibrante e ousado. Busca da excelência, com
Em uma análise do perfil editorial da empresa, constata-se que a RBS busca o reconhecimento por suas iniciativas de inserção regional no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Neste sentido, a empresa organiza campanhas regionais que provoquem impacto na sociedade local. Levantamento realizado entre os anos de 2001 e 2002 sobre estes eventos revela que as ocorrências se voltam aos interesses regionais, classificados em três áreas temáticas: política e cidadania, economia e empreendedorismo, e folclore e tradição, pilares sob os quais a identidade regional gaúcha é construída. As questões sociais também são discutidas pelo grupo e pela Zero Hora no acompanhamento diário dos fatos e a partir de campanhas do Grupo RBS. Neste sentido, assuntos como melhorias na educação pública, respeito e amor às crianças, problemas com drogas e mortes no trânsito foram intensamente abordados em todos os veículos nas campanhas “A educação precisa de respostas”, “O amor é a melhor herança”, “Crack nem pensar”, “Violência no trânsito: isso tem que ter fim”, para citar alguns exemplos.
Zero Hora está em sexto lugar no ranking dos maiores jornais do Brasil em termos de circulação paga, atingindo a marca de 188 mil exemplares60. Entre os impressos gaúchos, o
jornal é líder em circulação. É devido à essa abrangência no Estado que escolhemos este jornal para o estudo. Fundado em maio de 1964, em Porto Alegre, ZH é um dos veículos de comunicação mais antigos do Rio Grande do Sul. Dentre as principais modificações no layout do jornal, a empresa destaca o ano de 1988, quando ZH deixa de ter produção artesanal; o ano de 1994, quando a marca Zero Hora passou a ter formato retangular. Outro momento marcante, segundo a empresa, é o ano de 1996, quando a edição e a produção do jornal passaram a ser totalmente digitais. Em 2007, entrou no ar o website ZeroHora.com, que apresenta notícias atualizadas, além da versão impressa do periódico. O endereço passou a ser adaptável para navegação em celulares. Zero Hora está presente nas redes sociais como Twitter, Facebook, Instagram e Google +. Segundo a empresa, esse projeto digital segue a tendência mundial de integrar a produção do conteúdo61. Hoje, parte da versão digital do disciplina, agilidade e simplicidade”; Desenvolvimento coletivo: “Orgulho da nossa contribuição para o país e para a sociedade, com forte senso de responsabilidade e de pertencimento”; Todos pelos clientes: “Temos compromisso com os nossos públicos – consumidores (ouvintes, leitores, telespectadores e internautas), anunciantes e usuários. Toda a organização é dedicada a gerar as melhores soluções para os clientes”; Fazer o que é certo: “Uma empresa ética e que se orgulha do que faz”; Conexão com as pessoas: “Gente com brilho nos olhos. Relação de confiança e respeito recíproco”. Disponível em: < http://www.gruporbs.com.br/wp- content/uploads/2015/10/Codigo_Etica_CondutaGrupoRBS.pdf>. Acesso em 02 fev 2016.
60Dados referentes ao ano de 2011 segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ). Disponível em: <www.anj.org.br>. Acesso em: 02 dez. 2013.
conteúdo impresso de ZH é cobrada (disponível sem cobrança somente para assinantes do impresso).
Ao analisar o discurso do impresso Zero Hora, Faccin (2009) observa a presença das vozes do tradicionalismo gaúcho e também dos grupos imigrantes que ocuparam algumas regiões do Estado. Para o autor, há um ponto de vista dominante em termos de discursos que sustenta um tom ufanista em relação às contribuições culturais tanto dos imigrantes europeus quanto daquelas populações que habitaram o pampa gaúcho. O autor observa ainda que essa questão se reflete nas políticas editoriais do jornal, que aproveita datas especiais para agendar a oferta de cadernos e suplementos especiais sobre folclore e tradição. Quando ZH menciona as “coisas gaúchas”, o modelo tradicional está baseado no passado de guerra, ligado à região da campanha, que convive com outros modelos que evocam as características europeias que ainda hoje garantem certa hegemonia discursiva no imaginário coletivo local (FACCIN, 2009). Para as autoras Escosteguy e Gutfreind (2006), o apelo da mídia regional ao orgulho de pertencer a um determinado espaço geográfico é, na verdade, uma tentativa de unificar os interesses de diferentes grupos sociais. Faccin (2009) analisa que a lógica comercial orienta as práticas discursivas do jornal. Neste sentido, ZH oferece cadernos e suplementos especiais, normalmente, patrocinados por empresas bem-sucedidas da região. A pujança econômica de setores de crescimento é posta em evidência pelo dispositivo jornalístico, atendendo a uma certa tendência de valorização do espírito empreendedor.
A capital do Estado tem visibilidade nas notícias publicadas em Zero Hora. Notícias sobre segurança pública, obras, trânsito e megaeventos, como a Copa do Mundo de Futebol, ganham destaque diário. Na condição de mais antiga emissora afiliada da Rede Globo, o Grupo RBS investiu na cobertura da Copa e apostou em alguns símbolos da transformação da cidade-sede gaúcha. Em sintonia com os interesses do grupo, em ZH, o Mundial foi tema de destaque da capa à contracapa, passando pelas editorias de opinião, esporte, economia, política, geral, etc. Os preparativos da cidade para receber o evento foram acontecimentos que pontuaram a cobertura jornalística em todos os veículos do Grupo RBS e também em Zero Hora.