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B Portrait des Deux orphelines en huit tableau

1. Les deux orphelines : cinq actes et huit tableau

filmado, enquadrando-o de cima para baixo. Geralmente são usadas para fazer o público se sentir superior ao que estão assistindo.

Ilustração 45: Plongée

Fonte: www.lightroom.com.br

o quadro da câmera foi inicialmente concebido como um arco proscênio, como uma janela no mundo.” (EDGAR-HUNT, 2013, p.122)

Ao considerar as propriedades da câmera, além do ângulo adequado, como vimos, o movimento tem papel fundamental na preservação da sequência do filme, como afirma Edgar-Hunt (2013, p.134):

Um plano mais longo pode começar em close-up, mudar para um plano amplo e acabar em dois planos com o reenquadramento. Pode se fazer isso com o corte, mas se for feito com o movimento de câmera, o diretor pode sugerir um sentido muito mais unificado e coerente do espaço dentro do quadro da câmera, em vez de construí- lo posteriormente por meio de edição.

A movimentação de câmera, relevante estratégia técnica, pode ser uma opção utilizada pelo diretor de diferentes maneiras denominadas de Panorâmica (pan), Panorâmica Vertical (tilt), Tracking (dolly ou travelling), Steadicam, Câmera de Mão e Plano de Grua.

a) Panorâmica (pan): Para transmitir a ideia um balançar de cabeça de

um lado para o outro em um plano horizontal, a câmera realiza um movimento da direita para a esquerda e vice-versa .

Ilustração 46: Movimento de câmera

b) Panorâmica Vertical (tilt): Neste tipo de movimentação, a câmera

se inclina para cima (tilt up) e para baixo (tilt down) na vertical.

Ilustração 47: Pan e tilt up\downl

Fonte: hailkudeck.com

c) Tracking (dolly ou travelling): A movimentação da câmera ocorre

em um trilho fixo, que pode ser montado em qualquer direção. Na Ilustração 48 observamos a câmera movimentando-se sob trilhos seguindo a personagem enquanto corre em uma reta, no entanto na Ilustração 59 observamos a personagem parada enquanto a câmera movimenta-se de maneira circular fixa em trilhos.

Fonte: timrevision.blogspot.com

Ilustração 49: Personagem parada e câmera em movimento

Fonte: youtube.com

d) Steadicam: Neste tipo de técnica de movimentação a câmera é

fixada ao operador de câmera por meio de um suporte especial colocado sobre o seu corpo (Ilustração 50 ). O objetivo é produzir planos mais suaves e móveis mais flexíveis do que os planos obtidos com o Tracking (dolly ou travelling).

Ilustração 50: Steadicam

e) Câmera na mão: Muito utilizado para transmitir o realismo de um

documentário ou com o plano retratando o ponto de vista da perspectiva de uma personagem, por exemplo. Esta técnica é semelhante steadicam, porém com o efeito tremido.

Ilustração 51: Câmera na mão

Fonte: cinescopophilia.com

f) Plano de Grua: Por meio de uma grua (Ilustração 52), onde a

câmera é colocada, esta técnica de movimentação de câmera possibilita captar imagens do alto e produzir planos de considerável valor estético, que apresenta o cenário de forma mais abrangente e as personagens de diferentes perspectivas, como no exemplo da (Ilustração 53).

Fonte: dicasderoteiro.com

Ilustração 53: Exemplo de perspectiva utilizando a técnica

Fonte: www.gettyimages.pt

Além desses movimentos de câmera físicos elencados, é possível realizar movimentos de câmera simulados, onde o operador não move a câmera efetivamente. De acordo com Edgar-Hunt (2013, p.135), os movimentos simulados são denominados de Zoom e Dolly-zoom (exemplo na Ilustração 54).

Ilustração 54: Dolly-zoom

.

Fonte: youtube.com

No zoom a lente de câmera possibilita ao operador modificar o tamanho e o foco da imagem, gerando assim planos em movimento porém sem realizar a movimentação física da câmera. Já no segundo tipo, o Dolly-zoom, possibilita

que o operador se aproxime de um objeto ou personagem (dolly in) ao mesmo tempo que a lente abre e se afasta do fundo (zoom out), ou vice-versa.

Um elemento fundamental que também pode ser alterado pela câmera é o tempo. O operador de câmera pode manipular o tempo através da câmera lenta (onde as imagens da cena acontecem de maneira bem devagar e diferente do que estamos acostumados) ou da câmera rápida (onde toda a movimentação da cena acontece de forma rápida com a alteração da velocidade dos acontecimentos fora do normal).

Além disso, “Dizem que fazer um filme é pintar com as luzes” (EDGAR- HUNT, 2013, p.21). Portanto, assim como no teatro, a relevância da iluminação para a produção cinematográfica é indiscutível. “A iluminação é um dos elementos mais importantes da produção de imagens realistas ou não realistas. A mais comum é conhecida como iluminação de três pontos. Ela usa três luzes para simular uma imagem tridimensional” (EDGAR-HUNT, 2013, p.129).

Na iluminação de três pontos a luz principal (key light) é a que tem mais brilho, responsável por ressaltar os detalhes na face. Esta luz projeta uma sombra na parte que não está iluminada. No caso da luz de preenchimento (fill light), usada também nesta iluminação de três pontos, fica posicionada no outro lado da luz principal. Caracteriza-se por ser menos brilhante e mais suave. A finalidade desta luz é minimizar o sombreamento na face. E por último vem a contraluz (backlight). Como o próprio nome já evidencia sua localização, ela fica posicionada atrás do assunto na iluminação de três pontos para dar a ele a aparência de profundidade, reforçando a silhueta e impedindo que a figura apareça na tela como uma parte plana do fundo.

Para finalizar, apresentamos o mesmo exemplo que Edgar-Hunt et al (2013, p. 133) utiliza para ilustrar de forma resumida como algumas destas técnicas são utilizadas na prática e os efeitos resultantes deste trabalho no produto final. Partindo destes conhecimentos técnicos cinematográficos é possível analisar uma das cenas deste filme (Ilustração 55) e identificar os

procedimentos utilizados. O exemplo trata do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças dirigido pelo cineasta Michel Gondry (2004). Nesta obra toda a história ocorre na mente do seu protagonista, Joel (interpretado por Jim Carrey).

Ilustração 55: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

Fonte: Edgar-Hunt, 2013, p. 133

Ao analisar a imagem com uma das cenas do filme identificamos os seguintes elementos:

a) Plano: O diretor optou pelo Plano Médio, enquadrado logo abaixo da

linha dos olhos permitindo uma visão clara do rosto da personagem e o objeto que ele está segurando e olhando. A personagem é enquadrada fora do centro exatamente para gerar a ideia de alguém fora do eixo, pois ele está aflito, com a vida descontrolada.

b) Foco: O plano de fundo passa a ideia de desgaste e decomposição

da imagem, devido ao foco extremamente superficial. Este desfocar da imagem proposital é uma pista para a narrativa, pois o espectador está dentro da cabeça de Joel enquanto ocorre o processo de apagamento da memória.

c) Cor: A criteriosa escolha da cor suave e sem brilho é mais uma

estratégia significativa do diretor para provocar a sensação do plano de fundo se afastando.

d) Performance: O expressivo ator Jim Carrey nos dá um olhar

confuso. Remetendo a ideia de que Joel este perturbado e perdido. A forma como ele segura o cartão também é bastante significativa.

e) Figurino: Nesta cena o elemento do figurino vem informar ao

espectador sobre a situação climática de onde está acontecendo à cena. A ideia de que está frio é inserida pela utilização da touca, da manta e do casaco.

Como vimos, o embasamento teórico abordado nesta etapa da jornada consistiu em apresentar a arte, a área do saber que trabalha com a subjetividade envolvendo emoções, sensibilidade, expressões e vivências, destacando as características básicas das artes ao evidenciar elementos como: a expressão corporal (na arte da dança), gestos (na arte do teatro78), figurino, efeitos e edição (na arte do cinema), dentre outros que fornecerão subsídios para a investigação e análise da pesquisa como veremos a seguir.

78 Neste inclui-se a mímica.