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The Operation of Database Prolog

Dans le document Prolog and Natural-Language Analysis D (Page 26-29)

A Comunicação transcendeu barreiras geográficas e temporais a partir do advento da Internet e das tecnologias de comunicação e informação. Por essas ferramentas, as pessoas se conectam e se comunicam de um ponto a outro do Planeta simultaneamente e instantaneamente, mudando a relação dos indivíduos com a comunicação. Uma dessas formas de interação com a Internet dá-se pela Comunicação Mediada por Computador (CMC) 30, definida por Rosso (2005, p. 7) como ―o relacionamento interpessoal via Internet‖, e que ―atinge usuários que visam interagir e conhecer pessoas sem o limite da distância‖.

O ciberespaço, permitido pelas redes mundiais de computadores, trouxe uma nova realidade nos processos comunicacionais. Lévy (1999, p. 104) chama a atenção para a ampla possibilidade deste novo ambiente, ―que permite a combinação de vários modos de comunicação‖, como o ―correio eletrônico, as conferências eletrônicas‖ (aqui paralelamente comparadas às entrevistas coletivas Online), ―o hiperdocumento compartilhado, os sistemas avançados de aprendizagem‖ – EAD ou ―de trabalho corporativo e os mundos virtuais multiusuários‖.

As realidades virtuais compartilhadas, que podem fazer comunicar milhares ou mesmo milhões de pessoas, devem ser consideradas como dispositivos de comunicação ―todos-todos‖, típicos da cibercultura (LÉVY, 1999, p.105).

Para Castells (1999, p.57), a CMC ―gera uma gama enorme de comunidades virtuais31‖ e a Internet, na visão dele, é a espinha dorsal deste fenômeno (1999, p. 431) que vem transformando o modo dos indivíduos de se comunicar e também a cultura da sociedade contemporânea.

A integração potencial de texto, imagens e sons no mesmo sistema – interagindo a partir de pontos múltiplos, no tempo escolhido (real ou atrasado) em uma rede global, em condições de acesso aberto e de preço acessível – muda de forma fundamental o caráter da comunicação. E a

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A partir de então, este termo será utilizado a partir da sigla CMC

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Grupo de pessoas que se correspondem mutuamente por meio de computadores interligados (LÉVY, 1999, p. 27).

comunicação, decididamente, molda a cultura porque, como afirma Postman, ―nós não vemos ... a realidade ... como ela é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossos meios de comunicação. Nossos meios de comunicação são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo de nossa cultura (CASTELLS, 1999, p. 413).

O surgimento da CMC em grande escala deu-se nos Estados Unidos início dos anos 90 e, tempos depois, espalhou-se pelo mundo (CASTELLS, 1999, p. 440), principalmente a partir da atuação de seus principais agentes, estudantes e corpo docente de universidades. Dentre as características da Comunicação via computador, de acordo com Castells (1999, p. 442), estão a penetrabilidade da informação, a descentralização multifacetada e a flexibilidade do meio.

Adelina Silva ([2004], p. 6), em referência a Lemos, indica que a CMC está mudando os hábitos dos indivíduos na atualidade:

Vive-se a Era Digital, marcada pela revolução tecnológica que está a mudar as formas de pensamento, os costumes e os hábitos. A evolução das redes e a utilização cada vez maior da Comunicação Mediada por Computador (CMC), no dia-a-dia, está a fazer com que a sociedade readeque os hábitos dos indivíduos tendo em conta, por um lado, a expansão quantitativa da informação, e por outro, a distribuição da mesma. Caminha-se para o que hoje se chama de sociedade de informação ou auto-estradas da informação. [...] está em vias de se tornar um fenômeno de massas, uma vez que toda a economia, cultura, saber, etc., passam por um processo de negociação, distorção, apropriação do ciberespaço – nova dimensão espaço-temporal – (LEMOS apud SILVA, [2004], p. 6).

Um dos primeiros sistemas de diálogo entre indivíduos com a utilização de mensagem escrita de um computador para outro datam dos anos 60 (RHEINGOLD apud JÚLIO, 2005, p. 5) e são antecessores do e-mail, relativo digital à correspondência eletrônica.

O ciberespaço, como já dito anteriormente, é um fenômeno social, que possibilita o encontro de indivíduos e/ou instituições públicas ou privadas mediante interesses comuns. Este encontro pode ser feito por diversas formas, demonstrando o caráter multifacetado da mídia digital. É possível trocar e pesquisar documentos, correspondências e até mesmo conversar e debater sobre temas variados, por meio impresso (escrito) ou oral. ―A dinâmica do ciberespaço cria, assim, novos programas que permitem a interatividade social‖ caracterizando-se desse modo ―como uma incubadora espontânea de formas mediáticas‖ (LEMOS, 2004, p. 138-139).

Há também a possibilidade de se criar ―territorialidades simbólicas‖, pois, ao promover a união de pessoas diferentes, de localidades, culturas, características físicas,

econômicas e geográficas diferentes, o ciberespaço constitui-se de um ambiente de ―comunhão, compartilhamento de idéias e sentimentos, de formação comunitária‖. (LEMOS, 2004, p. 140)

Dentre as formas de comunicar-se via computadores estão o e-mail, as mensagens instantâneas por softwares especiais ou salas de bate-papo, os fóruns, os blogs32 e os jogos em rede, os quais Lemos considera como ―formas agregadoras da Internet‖ ou cibersocialidade33

. Lemos (2004, p. 142-143) ressalta que ―nem toda a associação no ciberespaço é comunitária‖, mas atesta que o ciberespaço possui um fator agregador citando o que o sociólogo belga De Ball considera de reliance (religação), e Michel Maffesoli chama de rede das redes (não só de máquinas, mas também de indivíduos). As comunidades virtuais, conforme o jornalista americano H. Rheingold (apud LEMOS, 2004, p. 146), constituem-se de ―organizações sociais que emergem da Net quando um número suficiente de pessoas leva adiante discussões públicas com um mínimo sentimento humano para formar teias de relações pessoais no ciberespaço‖. E conclui a visão de Rheingold: ―não apenas eu habito minha comunidade virtual [...] minha comunidade virtual habita também a minha vida‖.

Busca-se, nas próximas páginas, explicitar algumas das possibilidades agregadoras permitidas pelo ciberespaço.

a) E-mail: Criado em 1969, juntamente com a Arpanet34, o correio eletrônico é o sistema de envio e recebimento de correspondências diretamente pelo computador, por meio de um endereço na rede mundial de computadores. Pinho (2003a, p. 232) denota duas definições: 1.) uma carta eletrônica encaminhada com ou sem arquivos em anexo pela Internet e 2.) o meio de comunicação fundamentado no envio e recepção de textos (mensagens) por meio de uma rede de computadores. É o serviço mais acessado pelos usuários no ciberespaço (LEMOS, 2004, p. 147) e sua transmissão é muito mais rápida que o correio convencional, superando os antigos telegramas. Para Paul Saffo, o fluxo de informações obtido com o correio eletrônico é ―o maior boom em cartas escritas desde o século XVIII‖ (SAFFO apud LEMOS, 2004, p. 147).

O e-mail permite ―manter contato com amigos distantes, manter comunidades já existentes e criar novas‖ (LEMOS, 2004, p. 147). Não se pode deixar de lado o caráter econômico e profissional do correio eletrônico, que tem sido utilizado também nas relações

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Diários online. A palavra blog deriva-se do termo de origem inglesa weblog, junção das palavras web (Internet) e log (diário de bordo, registro). É uma das formas de comunicação inovadoras e dinâmicas possibilitadas pela Internet.

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Neologismo a partir das palavras ciber (tecnologias do ciberespaço) e socialidade contemporânea (LÉVY, 1999, p. 96)

profissionais, substituindo memorandos e correspondências impressas dentro das empresas e instituições, e ainda, como documento em transações comerciais (confirmação de pagamentos e fechamento de negócios). Lemos cita ainda uma afirmação de Leslie quanto ao correio eletrônico: ―o e-mail nos trouxe de volta à aurora da própria escrita, a um tempo onde o conhecimento era transmitido oralmente‖ (LESLIE apud LEMOS, 2004, p. 147).

Interessante também revelar a comunicação à distância, para muitos destinos, a baixo custo e redução de tempo. Isto porque os usuários podem ter ciência do conteúdo das mensagens eletrônicas sem que haja a necessidade de impressão do documento e ainda, podem armazená-las, apagá-las, modificá-las e retransmiti-las facilmente para quantos outros indivíduos queira, como afirma Lévy:

O correio eletrônico permite enviar, de uma só vez, uma mesma mensagem a uma lista (que pode ser longa) de correspondentes, bastando indicar essa lista. Assim, não é necessário fazer fotocópias do documento, nem digitar diversos números telefônicos, um após o outro. Se cada membro de um grupo de pessoas possui a lista dos endereços eletrônicos dos outros, surge a possibilidade de comunicação de coletivo para coletivo: cada um pode emitir para a totalidade do grupo e sabe que os outros também terão recebido a mensagem que ele lê (LÉVY, 1999, p. 95).

No âmbito da atuação jornalística, como será mais bem delineado a posteriori, o correio eletrônico firma-se como uma excelente ferramenta de trabalho na busca de informações junto às fontes, por meio de entrevistas eletrônicas, e também no envio do material produzido pelos correspondentes às sedes de suas empresas jornalísticas, além de manutenção de contatos e troca de informações entre colegas de trabalho. Do outro lado do balcão, os assessores de imprensa, também têm no e-mail a forma mais rápida e eficiente de distribuição de releases e sugestões de pauta, embora nem sempre (ou quase nunca) sejam utilizadas de maneira correta.35

b) Conferências eletrônicas: Também conhecidas como newsgroup ou listas de discussão, as conferências eletrônicas são um ―dispositivo sofisticado que permite que grupos de pessoas discutam em conjunto sobre temas específicos‖ (LÉVY, 1999, p. 99). Este tipo de comunicação via computador mais antigas e populares do ciberespaço, iniciada com o modelo Usenet. Segundo Rheingold (apud LEMOS, 2004, p. 147), a Usenet foi concebida entre os anos de 1979 e 1980 por dois alunos da universidade da Carolina do Norte, que perceberam a

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Rede antecessora à Internet, primeira rede de comutação de pacotes (PINHO, 2003a, p. 24).

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Pesquisa do site Comunique-se mostra que muitos jornalistas recebem informações que não interessam à editoria para qual escrevem, denotando um certo descuido dos assessores quanto à segmentação do mailling.

possibilidade de integrar a comunicação entre várias comunidades eletrônicas por meio de uma conexão. Murray Turoff acredita que esta ferramenta ―fornece caminhos para que grupos humanos exercitem a capacidade de gerar inteligência coletiva‖ (TUROFF apud LEMOS, 2004, p. 147). Não há um controle centralizado, e sim, uma netiqueta, regras de comportamento criadas pelos próprios usuários da rede de modo autônomo e coletivo (LEMOS, 2004, p. 148) ou como define Pinho (2003a, p. 253), é ―o simples e elementar bom senso, ditando um conjunto de regras de etiquetas para o uso socialmente responsável da Internet‖. As trocas de mensagens são feitas de maneira pública, ou seja, os usuários têm acesso ao conteúdo postado a temas determinados pelos próprios participantes. Mas, como essas mensagens são identificadas, há a possibilidade de aprofundamento individual por meio do envio de mensagem convencional ao correio eletrônico. Existem sistemas especiais que ―permitem uma comunicação direta‖ entre os usuários que estão online no mesmo momento e que compartilham ―uma espécie de espaço virtual de comunicação efêmera onde são inventados novos estilos de escrita e de interação‖ (LÉVY, 1999, p. 99).

c) BBSs: Os Bulletins Board System são ―redes independentes que unem, pela linha telefônica e através de um modem, computadores [...] e permitem criar, rapidamente, diferentes formas de associação social de proximidade‖ (Lemos, 2004, p. 148-149). Pinho (2003a, p. 227) esclarece que o BBS é o ―sistema que disponibiliza aos seus usuários arquivos de todo o tipo (programas, dados ou imagens), softwares de domínio público e conversas online‖. Para Lemos, o impulso de criar ou fazer parte de um BBS ―vem da necessidade de realiance, [...] buscando desenvolver laços comunitários‖. Outra possibilidade comunicacional mais recentemente disponibilizada na Internet é o Skype, um software de comunicação e telefonia global gratuita pela Internet através de conexões VOIP, ou seja, Voz pela Internet (SKYPE, [s.d.], www; WIKIPÉDIA, [s.d], www).

d) MUDs: Os MUDs, sigla para a denominação Multi User Dungeon são os jogos em rede, semelhantes ao RPG36, onde os participantes criam um mundo ―lúdico-imaginário com múltiplos usuários‖, sendo criados em 1980 por Roy Traubshaw e Richard Bartle, na Universidade de Essex, na Inglaterra (LEMOS, 2004, p. 149-150).

Lévy (1999, p. 105) elucida a questão dos jogos eletrônicos em rede:

[...] alguns jogos de aventura que envolvem milhares de participantes na Internet são verdadeiros mundos virtuais, com suas regras de

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Abreviação da expressão Role-Playing Games, um jogo de ―interpretação, no qual os sujeitos assumem papéis para construir uma história coletivamente‖, aos moldes de uma cena de teatro (CABALLERO; MATTA, 2006, p. 4).

funcionamento e capacidades de reação autônomas, ainda que sejam puramente textuais. Cada jogador contribui para construir o universo no qual participa sob o aspecto do ―personagem‖ 37 que ele encarna. Deslocando-se em um universo fictício, os jogadores ficam mais ou menos próximos uns dos outros e só interagem quando estão no mesmo ―lugar‖ virtual. Temos aí um bom exemplo de comunicação por meio da construção cooperativa de um mundo, recorrendo evidentemente ao dispositivo ―todos- todos‖.

Além da possibilidade de disputar e competir com outras pessoas de várias partes do planeta, o ciberespaço reserva algo inovador, o Second Life. Com ele, a noção dos jogos interativos foi amplamente suplantada. O Brasil foi o primeiro país a ter sua própria porta de entrada aos usuários, com o programa de acesso ao ambiente virtual em seu idioma pelo endereço www.secondlifebrasil.com.br.

Second Life não é um jogo. Não há missões, fases ou objetivos pré- definidos. Second Life é um metaverso: um mundo virtual tridimensional que oferece a qualquer um que tenha acesso à Internet a possibilidade de ter uma segunda vida. As pessoas que se cadastram no Second Life são mais do que internautas ou usuários. São residentes de um universo Online onde é possível voar ou se teletransportar, trabalhar, fazer novos amigos, estudar, criar produtos e obras de arte, passear, namorar, fazer compras, vender, dançar, anunciar... (KAISEN..., [s.d.], www).

O diretor de marketing do Second Life Brasil, Emiliano de Castro, justifica a criação de um portal dedicado aos brasileiros neste mundo virtual:

O Second Life está modificando a maneira como as pessoas se relacionam na rede e estamos muito orgulhosos de oferecer esse universo virtual em português, com suporte local e outras vantagens, como o pagamento com cartão de crédito nacional e boleto bancário (KAISEN..., [s.d.], www).

Este ambiente virtual e tridimensional, que simula alguns aspectos da vida real e social do ser humano (WIKIPEDIA, [s.d.], www), foi criado em 2003 pela empresa Linden Research. Pode ser encarado como um jogo (por alguns aspectos de competitividade e seu caráter lúdico), como um simulador da vida real, um comércio virtual, pois possibilita aos usuários (também chamados de residentes) de converter dólares em Linden dollar, moeda própria do Second Life, e ainda, permite a visibilidade de empresas reais, e neste caso universidades que também ingressam neste ambiente paralelo, e ainda, como uma rede social, com a possibilidade de formar comunidades virtuais de convivência e relacionamento.

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e) Comunidades virtuais: Dentro dessa característica de reliance, ainda está o Orkut38, um site de relacionamento que permite a criação de comunidades virtuais. Oikawa; Pinto (2007, p.2) acreditam que, ―ao contrário do que autores como Baudrillard (1991) afirmam‖, o ciberespaço é muito mais que a ―simulação de interação‖, mas sim ―um espaço de grande vitalidade‖, originando ―novas formas de socialização‖.

As autoras exemplificam essa conceituação a partir dos sites de relacionamento, pois ―o Orkut é utilizado como instrumento das mais diversas formas de agregação social, aproximando as pessoas de acordo com suas afinidades e emoções‖ (OIKAWA; PINTO, 2007, p.2).

Cardoso (2007, p.6), esclarece que

o Orkut é um software social criado por um programador da google10, Orkut Buyukkokten, e lançado pela mesmo site em janeiro de 2004. O objetivo dessa comunidade virtual, que segundo a página online Consultor Jurídico (do jornal O Estadão) atualmente tem cerca de 1,5 mil usuários no Brasil, sendo mais do que 50% na faixa de 18 a 25 anos, é proporcionar a criação de redes sociais, ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. É um sistema que permite a entrada de pessoas que são convidadas por outras, a organização dessas em comunidades, bem como a criação de fóruns de discussão, através das comunidades que participam. Para ser participante de determinadas comunidades é preciso passar por um processo de mediação.

Essa mediação tem a ver com a metáfora de G. Simmel (apud OIKAWA; PINTO, 2007, p.4) para o ciberespaço da ―ponte‖ e da ―porta‖, porque enquanto a Internet é ―a ‗ponte‘ que nos conecta a pessoas de todo o mundo‖, é também ―a ‗porta‘ que nos permite ficar isolados em nossos quartos‖, demonstrando sua ambigüidade.

Um novo conceito de comunidade também aflora a partir do ciberespaço, diferente do período da Modernidade em que era baseada ―na proximidade geográfica‖. Agora, essa interação é estimulada ―pela informação, pela comunicação em rede‖, levando em consideração ―a relação de cooperação, fundamental para a existência de uma comunidade virtual‖ (OIKAWA; PINTO, 2007, p.7-8).

A ausência de uma localização geográfica, embora o ciberespaço funcione como espaço público fundamental para as comunidades virtuais, comprova que é a identificação com o outro que vai definir essas comunidades. Enquanto na Modernidade esses grupos eram formados por pessoas que

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Segundo informações na página eletrônica do sistema, ―o Orkut é uma comunidade online criada para tornar a [...] vida social [...] mais ativa e estimulante. A rede social do Orkut pode ajudá-lo a manter contato com seus amigos atuais, por meio de fotos e mensagens, e a conhecer mais pessoas‖ (ORKUT, [s.d.], www).

viviam em determinado território; agora, com o desenvolvimento e expansão da CMC é o indivíduo ―desterritorializado‖ que adquire o poder de escolha, baseado em traços identitários comuns (OIKAWA; PINTO, 2007, p. 8).

Dentro de espaços comuns virtuais, o indivíduo também tem a possibilidade de ser quem quiser nas comunidades (definidas por tribos por Maffesoli), uma vez que ―o pertencimento está de acordo com a semelhança de atitudes, reciprocidade, ajuda, com o interesse comum compartilhado‖. Ele pode ―ser o que deseja e [...] deixar de sê-lo quando quiser‖, assumindo diversos papéis nessas relações baseadas em interesses comuns (OIKAWA; PINTO, 2007, p. 8).

f) Chats: Pinho define o IRC - Internet Relay Chat - como o ―serviço que possibilita a comunicação escrita Online entre vários usuários pela Internet. É a forma mais próxima do que seria uma ‗conversa escrita‘ na rede‖ e, diferente do newsgroup, o chat permite a conversa em diálogo direto e textual, em tempo real39 (PINHO, 2003a, p. 245). Desenvolvido em 1988 por Jarkko Oikarinen, da Universidade de Oulu, na Finlândia, foi criado com o propósito de ser ―um programa de multi-usuários, de comunicação em tempo real‖ (LEMOS, 2004, p. 151).

Rheingold (apud LEMOS, 2004, p. 151) acredita que, a partir do Internet Relay Chat (IRC) foi possível que ―uma subcultura global pudesse construir-se‖, e sua hipótese tende a ser verdadeira com os inúmeros códigos indecifráveis da linguagem vista nos chats (pelas palavras abreviadas, pelos smileys, ou sentimentos semelhantes às feições do rosto que são identificados por meio de pontuações conjuntas). Os sistemas de IRC podem ser acessados por meio de salas de bate-papos disponibilizadas por portais como UOL, IG e Terra, divididos por idades ou temas de interesses, ou por softwares especiais, como o mIRC, o ICQ, o MSN, Yahoo Messenger e pelo Gmail (sistema de e-mail do Google).

Há 15 anos, as pessoas estavam ainda a habituar-se à idéia de que os computadores podiam projectar e expandir o intelecto do utilizador. Hoje em dia, as pessoas começam a aceitar a noção de que os computadores podem expandir a presença física dum indivíduo. (TURKLE apud JÚLIO, 2005, p.8).

g) Blog: Surgidos na década de 90, os blogs (ou diários Online) ganharam milhões de adeptos em todo o mundo, que criam e mantém páginas de Internet atualizadas regularmente,

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Tempo real é a noção de interação que ocorre sem retardos ou demoras em razão do processamento (PINHO, 2003a, p. 269).

estruturado cronologicamente e com temas específicos ou não, que trazem ―textos, imagens, áudios, vídeos, gráficos e quaisquer arquivos multimídia‖ (FOSCHINI; TADDEI, [2006], p.9). Criados inicialmente como diários pessoais, os blogs têm uma função maior de filtrar o conteúdo do ―ciberespaço, mapas para navegar no infinito de páginas da world wide web‖, formando a blogosfera (conjunto de blogs).

Esse novo formato comunicacional, segundo Foschini; Taddei, ([2006], p.9)

concretizou uma mudança profunda na comunicação ao transformar o cidadão comum em produtor de informações. Os blogs criaram uma via de mão dupla que permite ao receptor interagir com o emissor, estejam onde estiverem. Eles são padrinhos de outras ferramentas de publicação na web, como os audioblogs, flogs e vlogs, [...] páginas pessoais que permitem [...] se comunicar por meio de imagens pela Internet. [...] Sem muitos recursos técnicos ou financeiros, produtor e público interagem, estejam onde estiverem.

Carolina Frazon Terra (2006, p. 2), em artigo publicado na publicação RP em Revista, recorre à Barbosa Lima para destacar a importância do fenômeno blogosfera:

Mais que uma popularização de uma ferramenta de comunicação, assistimos ao surgimento de um importante instrumento democrático. [...] Parece de fato que os gurus da Internet não estavam errados quando afirmavam, em 1995, que a Internet permitiria uma democratização da informação, tanto para quem produz quanto para quem consome.

De um hobby juvenil, os blogs passaram a assumir o papel de importante canal de comunicação pois, como reforça Foschini; Taddei ([2006], p.10), ―graças à velocidade e à agilidade que proporciona na difusão de informações, o blog é um espaço para troca de conhecimento, inclusive acadêmico‖. O verbo Blogar começou a ficar conhecido em 1999, mas foi com o ataque em 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos da América, que se intensificou o trabalho dos blogueiros (pessoas que mantém blog), que ―publicaram e espalharam milhares de textos sobre o atentado e suas conseqüências para a cidade e seus moradores‖ (Foschini; Taddei, [2006], p.10). Outra demonstração de força informativa dos blogs pôde ser verificada no ataque terrorista ao metrô

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