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4.2 Architecture pour systèmes multi-senseur multifonction

4.2.3 Description de l’architecture

4.2.3.2 Ontologie et connaissances des objets

O ano letivo de 2015 iniciou com mudança no currículo e com a disciplina Arte sendo ofertada a todos os anos do Ensino Médio. Organizei junto aos bolsistas um plano de ações: os primeiros dois meses com a minha condução em sala (cantina e pátio), passando em seguida para cada um dos bolsistas desenvolver seu plano individual de trabalho e pesquisa, conforme o programa de intervenções artísticas do PIBID. Assim, nos meses de fevereiro e março, os pibidianos observaram e jogaram junto aos estudantes, compreendendo a dinâmica e identidade das turmas no transcorrer dos encontros.

Para continuar com as ações performáticas, as estudantes Nathália e Laura sugeriram ler poesias em homenagem a Bob Dylan e Frida Kahlo. A ação tinha o objetivo de sensibilizar a escuta dos adolescentes e da comunidade escolar à poética artística, trazer ao conhecimento algumas das letras das canções de Dylan, e retornar com as ações performáticas no horário de recreio. Elas vestiram-se com figurinos (saia e blusa colorida, lenços e chapéu) buscando trazer elementos simbólicos de associação aos respectivos artistas. Na performance, caminharam pelo pátio oferecendo versos aos demais estudantes.

Algum tempo depois, no terceiro mês do ano letivo de 2015, os bolsistas do Pibid passaram a conduzir algumas das aulas, encaminhando as turmas para a composição de cenas. Ao final do mês de abril, dialogamos em reunião a respeito da viabilidade de finalizar as cenas para apresentação teatral à comunidade escolar. Com a parceria dos adolescentes de algumas turmas convidamos os estudantes para participar da III Mostra

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de Teatro Escolar realizada pelo Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia, agendada para acontecer no final do mês de junho. Duas turmas aceitaram o convite para participarem, uma delas continuou com a composição da cena Sonho de uma Noite de Verão e a outra com a cena Dom Quixote.

Decidida a participação no evento, começamos a organizar a finalização das composições que seriam apresentadas. Tínhamos poucas semanas. O fragmento de cena da peça Sonho de uma Noite de Verão seguiu uma abordagem mais narrativa, mantendo parte das falas com fragmentos selecionados da dramaturgia de Shakespeare. Algumas adaptações foram realizadas para que a cena tivesse 15 minutos e contasse uma síntese da narrativa da peça. Os/as estudantes memorizavam as falas no decorrer da semana e nas aulas realizávamos os ensaios que se estendiam para depois do turno de aula em que fazíamos os ajustes na cena.

A segunda turma seguiu uma abordagem mais focada na linguagem corporal compondo a narrativa de cenas pautadas em partituras coreografadas, contando as principais passagens das aventuras de Quixote. Fizemos a adaptação do texto com pequenos fragmentos de falas que interligavam as passagens de cenas. Dom Quixote surgiu de um jogo de improviso com objetos do cotidiano escolar- uma cadeira. A proposta eram os/as estudantes comporem uma fotografia a partir da relação com o objeto sugerida pelo primeiro participante do jogo. Os três estudantes organizaram-se no jogo compondo uma imagem recordando-me a dramaturgia de Cervantes (ver apêndice F21 e F48). Ao comentar com a turma sobre a semelhança do quadro de cena proposto por eles, e após contextualizar a saga dos personagens, a turma se interessou pela proposta da composição dessa narrativa.

Ao final do mês de junho, fomos apresentar ambas as cenas na Mostra de Teatro Escolar. Eles/elas relataram essa como sendo uma das experiências mais significativas vivenciadas a partir do ambiente escolar: saíram juntos em “aula de campo”; conheceram o bloco 3M do Curso de Teatro; observaram, no interior de uma instituição de ensino outra disposição espacial para salas de aula muito diferente daquelas as quais estavam acostumados; tiveram o recurso apropriado de iluminação; técnicos e estudantes do Curso de Teatro dispostos a auxiliar e a oportunidade de compartilhar com outras escolas os processos realizados com o teatro em sala de aula. Eles apresentaram suas cenas e assistiram ao trabalho realizado por jovens de outros contextos escolares. Depois do encerramento das apresentações, foi organizado um momento de lanche e convivência entre os adolescentes que se apresentaram naquele dia.

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No segundo semestre, os bolsistas continuaram oferecendo algumas oficinas, dentre as quais uma das propostas sugeridas de trabalharmos com a investigação dos cinco sentidos. Para isso, preparamos vários encontros com essa temática. Olfato: sentir os odores de produtos farmacêuticos, plantas medicinais e aromáticas, essências e alimentos; Tato: sentir a textura e temperatura dos objetos na sala de aula, parede e mobília; Visão: experimentações com o jogo “o cego e o guia”; Audição: tentativa de perceber as minúcias da sonoridade existente no ambiente escolar.

Nesse período também recebemos o discente da graduação Célio D’Avila, realizando o Estágio Supervisionado do Curso de Teatro na UFU. Estudante egresso da EEU, um de seus objetivos era retornar à comunidade escolar, e compartilhar um pouco do que havia aprendido na Universidade. Ele nos auxiliou a conduzir as propostas acompanhando parte dos adolescentes nas aulas de jogo “o cego e o guia”. Os e as adolescentes saíam da sala com os olhos vendados, caminhando pelos corredores da escola, subindo e descendo escadas, percebendo as texturas das paredes e demais superfícies possíveis de experimentações.

Célio D’Avila também nos presenteou com a apresentação do seu espetáculo de formas animadas (a partir da manipulação de objetos): O Beija-flor, a menina e a estrela. Essa montagem fazia parte da sua pesquisa de Iniciação Científica, em andamento na época na Universidade. Ele a apresentou no decorrer de uma semana a cada uma das dezessete turmas do Ensino Médio.

No decorrer do ano letivo, três estudantes do EM convidaram um dos bolsistas do PIBID para auxiliá-los em horário extracurricular, na composição de uma cena e/ou performance a partir de algumas de suas angústias e questionamentos pessoais. Depois de vários encontros na Universidade, com a condução e orientação do bolsista, os adolescentes criaram a performance Como nossos pais, apresentada no horário do recreio para toda a comunidade da EEU.

No dia de apresentação da performance também recebemos uma professora da UFU que nos presenteou com o espetáculo teatral Romeu e Julieta, montagem da Licenciatura em Teatro. Um dos bolsistas fazia parte do elenco de atores. Era uma encenação itinerante, percorrendo vários espaços da escola e deslocando o público durante o transcorrer da apresentação.

No decorrer desses dois anos com o programa PIBID, eu, enquanto professora, os estudantes e demais profissionais da comunidade escolar, observamos e vivenciamos diferentes perspectivas do fazer teatral. Foram movimentações que romperam com a

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linearidade cotidiana da escola, proporcionando a ampliação de campos de diálogo entre o fazer, apreciar e contextualizar o Teatro bem como sobre as abordagens contemporâneas da performance.